Hannah Jones

Toda a polémica em volta da decisão desta menina de 13 anos, meteu-me nojo. Ela venceu a luta e conseguiu ser libertada do hospital para ir morrer a casa, no entanto não a deixaram por um momento em paz, criticando a decisão. Insinuando que "esta não é uma decisão lógica de um adulto e muito menos de uma criança". Mas o que sabe esta gente, sobre o sentimento de se estar a morrer?
Tudo o que ela fez, foi convencer os responsáveis do hospital a não solicitarem uma ordem do tribunal para a prender lá, de maneira a submete-la a um transplante arriscado de coração. Ela sabia que iria morrer em breve, com ou sem cirurgia, e queria que fosse em casa, no seu quarto, no seu mundo, rodeada daqueles que ama e que a amam.
Todos os anos, todos os meses em tratamentos hospitalares nos últimos 8 anos de vida. Ela atingiu o limite, pois a sua vida estava perto do fim e decidiu morrer livre.

Eu assisti de perto ao que a Leucemia faz, e sabendo, aprendi a perceber o que leva uma criança a decidir morrer em vez de viver em tratamentos. Ao recusar tratamentos, sofrem as dores da doença. Ao viverem em hospitais sofrem as dores da doença e dos tratamentos, para no fundo, viver mais um dia? Um mês? Um ano?
Este caso de Leucemia exige transplantes de órgãos vitais para que se viva mais um pouco. O excesso de produção de glóbulos brancos armazena-se nos órgãos vitais danificando-os.

Esta menina com 13 anos e condenada por uma doença estúpida à morte, escolheu morrer mais cedo em vez de mais tarde. Morrer mais cedo mas levar uma vida livre e o mais normal possível até ao fim. Viver 3 meses livre é melhor que viver 3 anos num hospital, sabendo que a morte é um facto e que é tudo uma questão de tempo.
Quando vi esta noticia, olhei para trás no tempo e lembrei uma cara que nunca esquecerei, e pela primeira vez em muito, muito tempo fiquei com a visão nublada sendo surpreendido pelas lágrimas.

Queria dizer algo, não a esta menina, pois ela sabe a decisão que tomou e sabe que está certa. A ela gostaria de lhe dar um abraço e sorrir para ela. Falar, seria com os pais que estão prestes a passar uma dor que eu já vivi e que de tempos a tempos me visita. Gostaria de lhes dizer que se devem orgulhar da filha, que ela estará sempre com eles... No fundo dizer-lhes unicamente "eu sei".

Acho que nunca o caso de um estranho me custou tanto, apesar de imensas pessoas morrerem todos os dias. Sinto-me ligado a ela. Admiro a sua coragem, a sua força. Admiro os seus pais, por ficarem a seu lado e apoiarem numa decisão tão difícil.

Deixo-vos as palavras que não parecendo, foram proferidas por uma menina de 13 anos, mais adulta que muitos de nós:

"Não foi uma escolha fácil, mas estar num hospital lembra-me maus momentos. Já passei tempo suficiente no hospital. Quero ir para casa, mesmo que isso signifique que a minha vida seja mais curta. Não sou uma criança de 13 anos normal, sou uma pensadora. Tenho de o ser com esta doença. É difícil aos 13 anos, saber que vou morrer, mas sei o que é melhor para mim. Existe a chance de eu ficar bem e existe a chance de não ficar tão bem como poderia, mas estou disposta a arriscar"



Que os últimos dias dela sejam cheios de sorrisos e que a sua partida seja sem dor.

38 Comentários:

  Jane Doe

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 12:19:00 da manhã

Eu não sei o que é isso. Não faço ideia.

Só posso deixar um abraço.

O melhor que teria de mim caso estivesse por perto...

Porque o melhor nunca é demais.

Abraço.

  afectado

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 12:23:00 da manhã

Não conhecia esta história mas gostei de ler as sóbrias palavras da Hannah!

Quanto ao resto, que os pais dela tenham muita força (já que ela tem de certeza!!)

  Mel

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 12:38:00 da manhã

Tenho acompanhado este caso com muita atenção, por todos os motivos e mais alguns.

De salientar a boa merda de trabalho que as assistentes sociais inglesas fizeram neste caso, não é só em Portugal, não...

  Salto-Alto

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 12:45:00 da manhã

Concordo plenamente contigo. Lamento muito pelo caso dela e desejo que tudo lhe corra pelo melhor.

  Nagareboshi

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 1:05:00 da manhã

Ainda bem que lhe concederam o desejo de voltar a casa...ao menos ninguém foi egoísta ao ponto de priva-la de ir para casa, como deve ter acontecido a tanta gente. É tão injusto uma criança ou jovem ter de morrer, para mim é anti-natural é sacrilégio, mas infelizmente acontece...

  Cor do Sol

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 2:04:00 da manhã

Ja tinha lido sobre ela. Tive um primo com que morreu com 13 anos e com Leucemia. Sofreu tanto. Tantos tratamentos e acabou por falecer, ficou dois anos quase confinado a um hospital e se calhar o melhor teria sido ficar em sua casa, acabar os seus dias a fazer coisas de que gostasse.

Queremos que lutem, queremos que estejam ao nosso lado, que sobrevivam...infelizmente partem...

  Bruno Fehr

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 4:20:00 da manhã

Jane Doe disse...

"Só posso deixar um abraço."

Na grande maioria das vezes é o que basta e as palavras estão a mais.

  Bruno Fehr

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 4:20:00 da manhã

afectado disse...

"Não conhecia esta história mas gostei de ler as sóbrias palavras da Hannah!"

Acho incrível como uma pessoa cresce mentalmente em certas situações, enquanto outras ficam infantis para além da idade aceitável,

  Bruno Fehr

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 4:20:00 da manhã

Mel disse...

"Tenho acompanhado este caso com muita atenção, por todos os motivos e mais alguns."

Li a noticia quando ela saiu do hospital e hoje lembrei-me ao encontrar um vídeo dela no Youcoiso.

  Bruno Fehr

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 4:21:00 da manhã

Salto-Alto disse...

"Lamento muito pelo caso dela e desejo que tudo lhe corra pelo melhor."

Dentro de tudo o que é mau, acho que uma partida sem dor, seria o melhor.

  Bruno Fehr

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 4:21:00 da manhã

Nagareboshi disse...

"Ainda bem que lhe concederam o desejo de voltar a casa...ao menos ninguém foi egoísta ao ponto de priva-la de ir para casa, como deve ter acontecido a tanta gente."

Tentaram e há ameaças de organizações de processarem o hospital por praticar uma forma de eutanásia.

"É tão injusto uma criança ou jovem ter de morrer, para mim é anti-natural é sacrilégio, mas infelizmente acontece..."

Nenhum pai, deve passar pela dor de enterrar um filho, pois acho (não sou pai), que morre a melhor parte de nós.

  Bruno Fehr

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 4:21:00 da manhã

Cor do Sol disse...

"Tive um primo com que morreu com 13 anos e com Leucemia. Sofreu tanto."

Isso é que é triste. No caso desta menina, como o órgão em pior estado é o coração, ela poderá morrer sem dor, ao contrário de outros em que é o fígado, por exemplo.

"Tantos tratamentos e acabou por falecer, ficou dois anos quase confinado a um hospital e se calhar o melhor teria sido ficar em sua casa, acabar os seus dias a fazer coisas de que gostasse."

Nos casos de LMA, a morte é uma certeza.

"Queremos que lutem, queremos que estejam ao nosso lado, que sobrevivam...infelizmente partem..."

Lutam sim e partem, mas acho que nunca nos deixam.

  Gatapininha

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 9:55:00 da manhã

Olá Bruno
Não conhecia esta história, e fez-me chorar:(
Penso nisto tantas vezes...
Na minha mãe (que lutou até partir), no meu pai, em mim.
É a pior decisão que algum dia teremos que tomar, mas é pessoal e creio que todos deveriamos de ter o direito de opção.
Aqui nem é a questão da eutanásia que se coloca, é mais um prolongar de sofrimento sem fim à vista.
Nesta doença, eu aplico sempre o velho ditado "Não se morre da doença, morre-se da cura".
jokas

  M.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 10:16:00 da manhã

Aqui há uns tempos houve uma reportagem na TV sobre o cancro, e os sobreviventes (e não sobreviventes) do cancro... Impressionou-me a historia de uma rapariga, mais ou menos da minha idade (35), que após tratamentos sem fim, para umqa cura sem vislumbre, decidiu morrer em paz. Desistiu dos tratamentos, e teve um pequeno período de vida, mas também de libertação.
Não faço ideia do que seja, apenas posso sentir a maior das compaixões e maior das solidariedades para com as pessoas que sofrem, em especial para aquelas que, sabendo que não vão viver mais, decidem viver o que lhes resta em paz e em liberdade.

Isto leva-me a lembrar de um livro que comprei e que ainda não fui capaz, emocionalmente, de o le - chama-se "Para a minha irmã" de Jodi Picoult, e aborda o tema de nascer uma criança para salvar outra. Deixo aqui a sinopse... Dá que pensar...

«Anna não está doente, mas bem poderia estar. Aos treze anos e idade já passou por várias operações, transfusões e injecções para ajudar a irmã, Kate, que sofre de leucemia. Anna nasceu com esta finalidade, disseram-lhe os pais, e é por isso que eles a amam ainda mais. Mas agora ela não pode deixar de se questionar sobre como seria a vida dela se não estivesse presa à irmã... e toma uma decisão que, para a maioria das pessoas da sua idade, seria quase impensável.»

  I.D.Pena

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 11:53:00 da manhã

Bruno,
também já vivi de perto situações dessas , é dificil e esta história claro que me fez chorar, lembrou-me de outra menina que conheci e ainda mais nova e já morreu :((( tinha 8 anos , era linda inteligente, e sofreu tanto.

Acho que os doentes terminais não são inimputáveis , eles têm escolha, liberdade para decidir se querem ser tratados ou não, a medicina ocidental , assim como a oriental, para a leucemia ainda está muito primitiva, é desumano deixar doentes nas camas dos hospitais, sem um livro sem uma história, sem um passeio, sem nada.

E realmente era muito matura para a idade, pela citação que aqui mostraste.

Para ela :

um xi-coração grande.

  Joana

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 12:57:00 da tarde

Tratamentos e mais tratamentos quando a cura é tudo menos possivel. Sofrimento, fragilidade, dor são os efeitos desses tratamentos.
Infelizmente, assisti bem de perto ao que o cancro faz e como os tratamentos só ajudam a aumentar a fragilidade e a dependência.
Acreditamos até ao último minuto, não queremos que nos deixem cá... mas a verdade é que também não queremos que sofram.
Acredito...que nunca nos deixam...!Passar por estas experiências faz-nos crescer, ver a vida de outra maneira.
Perder alguém que amamos é sempre muito doloroso. Imagino que perder um filho de 13 anos, consciente de tudo o que se passa, seja demasiado doloroso.

Beijinhos

  provocação

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 1:24:00 da tarde

Vi a reportagem já há algum tempo sobre ela e pareceu-me estar posicionada num patamar muito além de questões cronológicas, muito além de preocupações mundanas, corriqueiras, pareceu-me alguém com a quase inalcançável capacidade de aceitar a morte e viver a vida (da forma que a tem neste momento) como quer. E ainda que implique dôr, quantos podem dizer ser capazes disto? Quantos?

  Sara

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 4:16:00 da tarde

A minha melhor amiga tem leucemia. Está perto dos 30 anos.

Lembro-me de estar com ela no hospital, quando não se conseguia mexer porque tudo lhe doía.
Eu apenas lhe podia dar a minha presença.

Ela que fuma, come tudo e mais alguma coisa, vai à praia, apanha sol.. faz tudo o que dizem que não devia fazer.
Os médicos ficam admirados em saber que ela faz isso tudo e ainda cá está.

Eu já aceitei a doença dela, como ela também já aceitou.
Para mim, ela nunca irá embora, já cá está no meu coração :)

  VCosta

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 6:33:00 da tarde

É estupidez as pessoas estarem sujeitas a tamanho sofrimento, quando escolhem parar...
Todos nós devemos ter direito de escolha independentemente da idade...
Decidir partir não é fácil... mas depois de tantos anos de luta e percebendo que tudo nesta vida não passa de uma curta (estupidamente curta) passagem, é compreensivel...
Sempre fui a favor da eutanásia em casos terminais e embora não seja o caso, a doença determinará o dia e a hora da partida...
No dia que ela partir apenas poderemos pensar:
Até breve Hannah, foste uma lutadora...

  Blue Mayfly

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 10:51:00 da tarde

A história é tocante. Não há pior que uma unidade de oncologia pediátrica. Durante algum tempo fui voluntária numa associação que apoiava as crianças em vários serviços. Foi pelo menos há uns cinco anos, mas não me esqueço dos sorrisos daqueles miúdos. Também não me esqueço de dois que acabaram por falecer, ambos no hospital, da agonia de ver as camas vazias, sem ter notícias quando voltava na vez seguinte, dos desespero de uma mãe que se punha ao pé de miúdos doentes para ver se levava qualquer bactéria para o quarto de isolamento, pois já só queria que tudo aquilo acabasse e que o filho, de algum modo, fosse libertado de todo aquele sofrimento.
Pelo menos a adolescente que referes pode escolher como queria passar os seus últimos tempos. Acho que acabamos por querer preservar à força toda, coisas sobre as quais não temos poder. A Vida é uma delas...

  vita

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 11:12:00 da tarde

O "mal" é a grande maioria das pessoas não sentirem na pele o que é andar sempre no hospital, internamentos, tratamentos, análises de xis em xis tempo, consultas etc etc, satura, e apetece muitas vezes terminar tudo, no caso de se ter muito pouco tempo de vida, não compensa mesmo!

Que não sofra mais no tempo que tem.

  Ana C. Nunes

quarta-feira, fevereiro 18, 2009 11:46:00 da tarde

Não posso dizer que sei o que ela sente, mas aplaudo a coragem dela e dos pais que souberam respeitar a decisão dela.

  Filipa

quinta-feira, fevereiro 19, 2009 1:12:00 da manhã

Bem, com esta doença tive duas pessoas amigas, uma felizmente conseguiu sobreviver ao transplante. A outra, faleceu o verão passado. Mas tudo o que posso fazer é imaginar.Realmente não parecem palavras de uma menina de 13 anos, mas que inspiram lá isso inspiram.
Espero que a menina tenha a paz que tanto quer.

  Abobrinha

quinta-feira, fevereiro 19, 2009 2:02:00 da manhã

Bruno

Lembro-me de ter lido acerca deste caso. Por acaso pensei que ela já tinha sido "libertada" há mais tempo.

Não sei o que é leucemia e pouco convivi com cancro. Tenho outras doenças com que convivi e há uma que me faz saltar particularmente: o suicídio! Sim, eu disse doença. Porque é isso mesmo: uma doença!

Em relação à menina, ela é inegavelmente matura. Infelizmente! Foi obrigada a isso e quem não o vê é que não tem maturidade de adulto.

O que juízes, médicos e pais têm que aceitar é que não são Deus (antes fossem!) e não a vão conseguir curar. Daí que o sofrimento e o transplante sejam realmente fúteis. A vida dela não é fútil, mas não se pode resumir a tratamentos agressivos para satisfazer a vontade (legítima) do "tentamos tudo".

Num plano mais alargado, devia discutir-se o que é o suporte útil e fútil de vida. E a eutanásia! Os progressos da medicina e as novas fronteiras da vida e morte justificam-no.

  Van

quinta-feira, fevereiro 19, 2009 2:16:00 da manhã

#Nenhum pai, deve passar pela dor de enterrar um filho, pois acho (não sou pai), que morre a melhor parte de nós#

Vi um pai, que me é chegado e com quem trabalho quase todos os dias, a perder uma filha. :( Vi como envelheceu vinte anos em apenas um dia. Todos os dias desejos que a dor que o acompanha, doa um pouco menos.

Também vi como o prolongamento de uma vida irremediavelmente perdida se tornou num pesadelo. Pele a cair. Morte lenta de dentro para fora. Elefantes e cobras debaixo da cama. Incrivel é como o cérebro humano se protege destas coisas, e ela acabou por perder a noção de onde estava e a ser transportada para a época em q foi mais feliz. Com as doses de analgésicos que levava, a senilidade era uma constante, mas neste caso foi uma benção...

Não consigo imaginar o que será a vida para essa menina. Parte-se-me o coração em mil bocadinhos de ver tanta coragem e sabedoria junta. Tomara eu ser metade do q ela é.

  Bruno Fehr

sexta-feira, fevereiro 20, 2009 2:55:00 da tarde

Gatapininha disse...

"É a pior decisão que algum dia teremos que tomar, mas é pessoal e creio que todos deveriamos de ter o direito de opção.
Aqui nem é a questão da eutanásia que se coloca, é mais um prolongar de sofrimento sem fim à vista."

Essa é a questão principal, pois a lei diz que ao mandar para casa para morrer, não é eutanásia, mas certos grupos acham que ajudar a morrer ou mandar para casa para morrer são ambas eutanásia.

  Bruno Fehr

sexta-feira, fevereiro 20, 2009 2:55:00 da tarde

M. disse...

"Impressionou-me a historia de uma rapariga, mais ou menos da minha idade (35), que após tratamentos sem fim, para umqa cura sem vislumbre, decidiu morrer em paz. Desistiu dos tratamentos, e teve um pequeno período de vida, mas também de libertação."

É isso mesmo, libertarem-se nos últimos momentos em vida.

"Isto leva-me a lembrar de um livro que comprei e que ainda não fui capaz, emocionalmente, de o le - chama-se "Para a minha irmã" de Jodi Picoult, e aborda o tema de nascer uma criança para salvar outra. Deixo aqui a sinopse... Dá que pensar...

«Anna não está doente, mas bem poderia estar. Aos treze anos e idade já passou por várias operações, transfusões e injecções para ajudar a irmã, Kate, que sofre de leucemia. Anna nasceu com esta finalidade, disseram-lhe os pais, e é por isso que eles a amam ainda mais. Mas agora ela não pode deixar de se questionar sobre como seria a vida dela se não estivesse presa à irmã... e toma uma decisão que, para a maioria das pessoas da sua idade, seria quase impensável.»"

Nunca li esse livro, pois tenho uma estória assim. Um irmão viver unicamente para salvar o outro e o proteger e no final falhar.

  Bruno Fehr

sexta-feira, fevereiro 20, 2009 2:55:00 da tarde

I.D.Pena disse...

"Acho que os doentes terminais não são inimputáveis , eles têm escolha, liberdade para decidir se querem ser tratados ou não, a medicina ocidental , assim como a oriental, para a leucemia ainda está muito primitiva, é desumano deixar doentes nas camas dos hospitais, sem um livro sem uma história, sem um passeio, sem nada.

Eles são mais capazes que nós para decidir, eles pensaram mais na morte que qualquer um de nós e querer ir para casa é aceitar o seu fim, que é o mais difícil de se fazer!

  Bruno Fehr

sexta-feira, fevereiro 20, 2009 2:56:00 da tarde

Joana disse...

"Acredito...que nunca nos deixam...!Passar por estas experiências faz-nos crescer, ver a vida de outra maneira."

Nunca nos deixam e abrem-nos os olhos.

  Bruno Fehr

sexta-feira, fevereiro 20, 2009 2:56:00 da tarde

provocação disse...

"Vi a reportagem já há algum tempo sobre ela e pareceu-me estar posicionada num patamar muito além de questões cronológicas, muito além de preocupações mundanas, corriqueiras, pareceu-me alguém com a quase inalcançável capacidade de aceitar a morte e viver a vida (da forma que a tem neste momento) como quer. E ainda que implique dôr, quantos podem dizer ser capazes disto? Quantos?"

São raros os casos, há quem morra em sofrimento pois escolhe lutar, há quem aceite a morte e morra tendo vivido feliz nos últimos dias e há quem vença pela luta.
Mas, todas as escolhas devem ser respeitadas.

  Bruno Fehr

sexta-feira, fevereiro 20, 2009 2:56:00 da tarde

Sara disse...

"A minha melhor amiga tem leucemia. Está perto dos 30 anos."

Há vários tipos de Leucemia, alguns com cura outros com tratamento, é preciso saber qual é o caso.

"Ela que fuma, come tudo e mais alguma coisa, vai à praia, apanha sol.. faz tudo o que dizem que não devia fazer.
Os médicos ficam admirados em saber que ela faz isso tudo e ainda cá está."

Conheci um caso assim. Ela está a viver e está a fazer tudo o que quer. A pessoa de que falo, viveu mais 3 anos do que os médicos esperavam e fico feliz em saber que foi feliz nesses 3 anos e que pude dar uma pequena ajuda para a fazer sorrir.

  Bruno Fehr

sexta-feira, fevereiro 20, 2009 2:56:00 da tarde

VCosta disse...

"Todos nós devemos ter direito de escolha independentemente da idade...
Decidir partir não é fácil... mas depois de tantos anos de luta e percebendo que tudo nesta vida não passa de uma curta (estupidamente curta) passagem, é compreensivel...
Sempre fui a favor da eutanásia em casos terminais e embora não seja o caso, a doença determinará o dia e a hora da partida..."

A eutanásia deveria ser uma escolha.
O que é certo que o hospital poderia ter prendido a menina lá, a lei permite isso, o que acho inaceitável.

  Bruno Fehr

sexta-feira, fevereiro 20, 2009 2:57:00 da tarde

Blue Mayfly disse...

"A história é tocante. Não há pior que uma unidade de oncologia pediátrica. Durante algum tempo fui voluntária numa associação que apoiava as crianças em vários serviços. Foi pelo menos há uns cinco anos, mas não me esqueço dos sorrisos daqueles miúdos. Também não me esqueço de dois que acabaram por falecer, ambos no hospital, da agonia de ver as camas vazias, sem ter notícias quando voltava na vez seguinte, dos desespero de uma mãe que se punha ao pé de miúdos doentes para ver se levava qualquer bactéria para o quarto de isolamento, pois já só queria que tudo aquilo acabasse e que o filho, de algum modo, fosse libertado de todo aquele sofrimento."

Foi um caso assim, que me fez aproximar mais deste assunto. Fui voluntário em Lisboa e sou voluntário aqui em Hamburgo num hospital infantil para doentes terminais.
Gosto de ver que não lhes falta nada, há tudo o que possas imaginar que um criança precisa.
A única coisa que os voluntários dão é o que elas realmente precisam, contacto, atenção e carinho.

Só passo lá uma tarde por semana, pois nao posso fazer mais do que isso, mas passo uma tarde porque nao consigo passar menos tempo. Divirto-me tanto com eles que me venho embora quando me mandam embora.

  Bruno Fehr

sexta-feira, fevereiro 20, 2009 2:57:00 da tarde

vita disse...

"O "mal" é a grande maioria das pessoas não sentirem na pele o que é andar sempre no hospital, internamentos, tratamentos, análises de xis em xis tempo, consultas etc etc, satura, e apetece muitas vezes terminar tudo, no caso de se ter muito pouco tempo de vida, não compensa mesmo!"

É bom que nao sintam, o que nao compreendo é que nao aceitem uma decisao tao dificl como esta.

  Bruno Fehr

sexta-feira, fevereiro 20, 2009 2:58:00 da tarde

Ana C. Nunes disse...

"Não posso dizer que sei o que ela sente, mas aplaudo a coragem dela e dos pais que souberam respeitar a decisão dela."

Ela é um exemplo de coragem.

  Bruno Fehr

sexta-feira, fevereiro 20, 2009 2:58:00 da tarde

Filipa disse...

"Bem, com esta doença tive duas pessoas amigas, uma felizmente conseguiu sobreviver ao transplante. A outra, faleceu o verão passado. Mas tudo o que posso fazer é imaginar.Realmente não parecem palavras de uma menina de 13 anos, mas que inspiram lá isso inspiram."

Nao dá para ficar indiferente. E é impressionante ser uma menina de 13 anos a proferi-las.

  Bruno Fehr

sexta-feira, fevereiro 20, 2009 2:58:00 da tarde

Abobrinha disse...

"Não sei o que é leucemia e pouco convivi com cancro. Tenho outras doenças com que convivi e há uma que me faz saltar particularmente: o suicídio! Sim, eu disse doença. Porque é isso mesmo: uma doença!"

Esse é um assunto e acho que o único em que tive a minha opiniao a favor do suicidio, depois mudei para contra o suicidio, hoje tenho uma opiniao da qual a maioria das pessoas com quem falo discorda, mas porque nao a entende ou nao quer ouvir.

"Num plano mais alargado, devia discutir-se o que é o suporte útil e fútil de vida. E a eutanásia! Os progressos da medicina e as novas fronteiras da vida e morte justificam-no."

No dia em que a eutanásia for legal, tudo isto mudará.

  Bruno Fehr

sexta-feira, fevereiro 20, 2009 2:58:00 da tarde

Van disse...

"Vi um pai, que me é chegado e com quem trabalho quase todos os dias, a perder uma filha. :( Vi como envelheceu vinte anos em apenas um dia. Todos os dias desejos que a dor que o acompanha, doa um pouco menos."

Sim, isso nota-se. Há algo que morre naquele momento em nós.

"Não consigo imaginar o que será a vida para essa menina. Parte-se-me o coração em mil bocadinhos de ver tanta coragem e sabedoria junta. Tomara eu ser metade do q ela é."

Ela é sem dúvida quem lida melhor com a situacao, pois já a aceitou, nao imagino é o sofrimento que os pais disfarcam para sorrir para a filha e a fazer sorrir.