A crise pelos olhos de uma criança


Se uma menina Canadiana de 12 anos, curiosa e com sede de informação resolveu desligar a TV e investigar, acabando por perceber como o sistema financeiro funciona, perceber o que os governos aliados aos bancos privados estão a fazer, perceber que estamos a ser roubados e que basta uma única decisão parlamentar para acabar com este crime, perceber que a crise é propositada e virtual e que se mantém porque o permitimos, perceber que estamos a ser escravizados e obrigados a pagar uma divida inexistente... que espécie de bloqueio mental impede os adultos de perceberem?


Observando o vídeo, basta substituir a palavra Canada pelo nome do vosso pais, basta substituir o Banco do Canada pelo banco nacional do vosso país e o problema e solução estão correctos a nível mundial. Porque sim, os bancos alegadamente nacionais estão neste momento nas mãos de grupos privados e de nacional possuem unicamente o nome.

Deixa esta criança de ser criança por ter passado mais horas a investigar do que a ver TV? Claro que não, mas certamente que se todos os adultos vissem este vídeo, possivelmente iriam perceber que possuem um grave problema mental que os impede de ver o mundo como ele realmente é! Mas na verdade este vídeo é um grito da nova geração chamando-nos e aos nossos pais: Burros, pois no tempo dos nossos avós não era assim que a economia e sistema financeiro funcionavam.

Enquanto os nossos pais da geração peace and love pensam em ganza e poligamia. Enquanto a minha geração, geração rasca pensava em ganza e provas gerais de acesso. Enquanto a geração agora na casa dos 20,a geração fantástica pensava em ganza, skates e iPods todo o caos económico que vemos agora estava a ser criado na nossa cara. Pode ser que seja a geração desta menina a finalmente resolver a situação. O mínimo que podemos fazer é motivar a que se informem, aplaudir quando se exprimem e apoiar quando agirem.





Black Block, Agentes provocadores!

As raízes do grupo são em Hamburgo e Schleswig-Holstein e remontam aos anos de 1977-1980 durante uma era de ocupações, por parte de pessoas sem casa, de edifícios públicos abandonados. Uma pratica ainda hoje comum e legal, que a policia tenta ilegalmente impedir.
Inicialmente o grupo defendia o seu "território" ocupado, barrando o acesso ao edifício e lutando contra a policia com todas as armas disponíveis, até serem expulsos ou resistirem o tempo suficiente para que a ocupação fosse legalizada devido ao apoio popular e pressão política para terminar os conflitos. Hamburgo está repleto de exemplos de edifícios públicos ocupados há mais de 20 anos e que hoje servem de sedes a grupos de esquerda radical.

 (Kein mensch ist illegal - Foi numa guerra contra a policia por este prédio que em 1977-1980 nasceu o Black Block, residência atual de diversos movimentos de protesto em nome da esquerda radical)

Hoje em dia os Black Block são chamados de anarquistas, apesar de na verdade terem apoio político e financeiro da esquerda radical. Pois em sociedade a anarquia é vista como uma ridícula utopia, ao passo que a esquerda radical é vista com um inimigo a combater. Portanto a escolha do termo "anarquista" não passa de um manobra de marketing.

Estes pseudo-anarquistas, e claro verdadeiros mas raros anarquistas la pelo meio, usam táticas de guerrilha durante manifestações, devidamente planeadas. Vestem-se de negro pois dificulta a identificação individual. Usam de violência para gerar o caos e esse caos cria a camuflagem ideal para saírem impunes mas não só...

Por incontrolável curiosidade em busca de fatos, aliada a uma extrema capacidade de me meter em confusões, privei com um grupo black block e reparei que os organizadores estão todos fortemente politizados, possuem agendas políticas de alegado protesto. A simples mistura entre a política dos organizadores e o tema anárquico do grupo, seria o suficiente para fazer uma porta pensar, mas todos sabemos que a maioria dos jovens é mais burro que uma porta.
Na verdade estes gajos não passam de um grupo e como qualquer grupo, há os que sabem o que estão a fazer e lideram um grupo de tolinhos em atos criminosos.
Todo o ideal anárquico perde a validade ao estarem organizados num grupo com uma definida liderança interna. Anarquistas que seguem lideres para impor a anarquia... só pode ser anedota pois insulta a inteligência de qualquer pessoa ao dar um novo significado a anarquia.



(este vídeo faz parte de uma reportagem Alemã sobre agentes provocadores, um dos países que mais os usam mas que também os expõem.)

O Black Block junta-se a protestos mas não estão lá a protestar ao vosso lado. Não estão lá a exprimir a sua liberdade de expressão, nem estão lá para garantir a vossa liberdade de protesto publico.
Os Black Block são o elo mais fraco da sociedade e atrativo para agentes provocadores, um vírus na sociedade moderna.

Os agentes provocadores são usados regularmente em missões militares. Como ex-militar tive formação nesta área como parte de treinos que consistiam em destabilizar zonas ocupadas com o fim de justificar intervenção militar sob civis. Imensos movimentos revolucionários são agentes provocadores, como os rebeldes Libaneses e Sírios, apoiados por potencias externas com o intuito de destabilizar uma zona de forma a justificar uma intervenção armada desejada.

Na sociedade de hoje, a policia foi completamente redesenhada e militarizada. Já não temos policias de segurança publica pois eles não estão la para garantir a segurança do publico mas sim a segurança do estado e das grandes corporações. Um edifício ou terreno publico abandonado/desocupado pode ser ocupado pelo povo, mas se o for a policia de segurança publica coloca o publico em risco, garantido que o estado ou corporação ligada ao estado mantém propriedade do que na verdade é publico.

O black block funciona da mesma forma. A policia para poder justificar o uso de força sobre o publico precisa que o publico crie desordem e é aqui que entra o black block, eles penetram uma manifestação, passando a fazer parte dela e portanto parte do publico. Iniciam uma campanha de caos e destruição pela cidade, evitando inicialmente o confronto direto com as autoridades. Durante esta campanha algum do publico segue estes palhaços e normalmente a policia com poucos efetivos recua ficando só a observar. Antes da retirada do black block da cena, iniciam o confronto direto com a policia e a policia recebe assim a justificação para avançar e destruir por completo a manifestação. Nesta altura a maioria do Black Block está em casa a ver pela TV.

 (Depois de expostos como agentes provocadores a policia encenou a detenção dos 3 agentes provocadores, expostos finalmente pela coincidência de todos os envolvidos terem botas da policia. Podem ver os acontecimentos no vídeo abaixo.)

(Este caso foi assumido pelas autoridades e emitido um comunicado oficial, desculpabilizando as autoridades.)

Este vídeo que se segue, não é um vídeo do black block mas sim um exemplo de como a violência da Grecia é alimentada pela policia:


O Black block não apoia ninguém a não ser uma agenda, um objetivo, o de rotular o povo em protesto como violento e merecedor de punição e a policia faz o resto. O povo inocente em protesto é atacado e destruído. O povo em casa só vê nas noticias a violência do black block e isso acaba por fazer com que a opinião publica desculpe a violência da policia, pois o black block é visto em casa como parte podre do povo que justifica a existência e necessidade de uma policia cada vez mais militarizada..

Recentemente tivemos um excelente exemplo, onde 8 elementos do black block tiveram de fugir de alguns manifestantes fartos de os ver a causar caos, esses elementos fugiram na direção da policia que abriu um corredor para eles passarem e o fechou aos cidadãos em perseguição. Isto aconteceu no G20 em Toronto, onde existem também vídeos de homens vestidos de negro a saírem de dentro de uma carrinha da policia e a juntarem-se aos manifestantes. Mais recentemente no Occupy Oakland que após a violência de elementos do Black Block durante o dia, o povo sofreu um dos mais brutais ataques policiais ao cair da noite.



(Neste vídeo podemos ver elementos que participarem em tumultos e que no dia seguinte estavam vestidos de policia.)

Este ano em Ocupy Oakland, ao cair da noite a policia realizou o ataque mais agressivo e brutal de entre todos os movimentos de ocupação que estão a acontecer nos EUA. Após 6 semanas de ocupação pacifica, chegaram os membros do black block e após o inicio da destruição, manifestantes começaram a enfrentar o black block, no entanto ao cair da noite e com o black block ausentes a policia atacou indiscriminadamente os manifestantes.

Em qualquer manifestação, a única violência justificada é aquela que impede este grupo de se infiltrar num protesto. Todos possuem o direito ao protesto, mas este grupo não pretende protestar, pretende unicamente criar a circunstancias para colocar a vossa integridade física em questão.
No dia em que um grupo Black block for severamente corrido de uma manifestação, será um passo decisivo para o fim destes agentes provocadores e as autoridades políticas vão ter de inventar outras formas de justificar a violação dos vossos direitos.

A policia existe por consentimento popular e este tipo de ações não possuem consentimento e portanto toda e qualquer atitude da policia sem o poder do consentimento é ilegal. O trabalho de um militar é ser educado para entrar em ação disposto a matar quem for rotulado como inimigo, a policia esta a receber uma educação semelhante onde o povo é o inimigo.
Termino com a citação na apagada pagina pessoal de Facebook de um policia Canadiano que esteve em imensas manchetes de jornais por prender uma protestante que lançava bolas se sabão, acusando-a de assalto a um agente da autoridade.


Um policia com um tijolo na mão (como no segundo vídeo) não é detido, mas uma mulher lançando bolas de sabão, é! A culpa não é só do agente pois ele foi treinado a ver o povo como lixo, servindo a elite e por isso temos dicotomia de nomes, onde a policia de segurança publica coloca a segurança do publico em risco e os peace officers causam o caos.

O desafio de pensar!

"Um estudo cientifico afirma que um cálice de absinto ao pequeno almoço aumenta o seu nível de concentração além de ter propriedades antibióticas e previne algumas formas de cancro!"


Esta afirmação tem a única intenção de testar os leitores pois não é verdade. Inventei-a neste momento! No entanto tenho a certeza que alguns de vós aceitaram a informação como verdadeira curiosos, ou não, de ler mais sobre o estudo. Ora o facto de acreditarem em mim, além de ser um voto de confiança, significa que o que escrevi conseguiu ultrapassar o vosso ceticismo e nada, nenhuma informação externa o deve conseguir fazer. O ceticismo é o que de mais importante temos e é o que nos permite realizar a atividade mais difícil e cada vez mais rara em sociedade: Pensar.

Desde o momento em que nascemos somos educados a não pensar. Desde crianças, aprendemos a aceitar toda a comida vinda da mão dos adultos como sendo segura para comer. A confiança cega que não nos vão deixar cair quando entre gargalhadas nossas nos atiram ao ar. Na escola onde somos ensinados a decorar e a assumir como verdades ideias e pensamentos de malucos, muitos deles já falecidos, como sendo verdades universais. A assimilar o que ouvimos na TV, Radio e lemos em jornais como sendo verdade por serem historias rotuladas como noticias, e até ao mais simples "não penses mais nisso" quando algo nos preocupa ou simplesmente estamos a olhar para o vazio divagando. Tudo nos bloqueia, impede a atividade de pensar.

Podem dizer que a ciência nos diz verdades inegáveis e que não temos capacidade de as confirmar ou negar e portanto não vale a pena pensar nisso. Mas vale!

"A ciência é a fé na ignorância dos peritos", pois tudo que é ciência é sempre verdade inegável até ao momento em que é negada e quando o é, é porque alguém pensou nisso. O melhor exemplo e conselho para levar as pessoas a pensar é a frase filosófica, "pensar confunde, pense nisso". Isto porque seja, cientista, jornalista, investigador, teorista, etc, ninguém deve conseguir por palavras derrubar o vosso ceticismo, pois é ele que vos fará pensar e desta forma estimular o cérebro e destacar o vosso intelecto no meio do rebanho que segue ideias, ideais, tendências, ídolos e lideres.

O tabaco já foi rotulado como saudável para tempos depois ser rotulado de mortal. Os adoçantes nas atuais bebidas sempre foram considerados seguros e agora tenciona-se colocar avisos nas bebidas, semelhantes aos do tabaco, alertando para os perigos da sua ingestão em excesso.
Qualquer estudioso consegue encontrar argumentos para justificar as suas conclusões pré-definidas com exemplos existentes. Como por exemplo: se quiser estabelecer uma ligação direta entre pastilhas elásticas de sabor a banana e o suicídio, certamente vou encontrar imensos exemplos de suicidas que mastigavam pastilhas elásticas de sabor a banana, podendo afirmar que 587 pessoas em todo o mundo que comiam pastilhas de sabor a banana se suicidaram num determinado ano. Este exemplo é ridículo mas serve disso mesmo, de exemplo, em  que eu tendo uma conclusão, posso ir buscar factos que a sustentem sem que sejam os factos a levar-me a uma conclusão. Além disso uma estatística fundamentada, mesmo que de forma questionável, iria fazer muita gente acreditar que a pastilha elástica de sabor a banana pode ser mortal. Conhecem a teoria da pastilha de mentol tirar a ereção? 
Isto assenta na fraca teoria de Causa/Efeito em que A causa B, ignorando que por vezes não existe relação entre A e B. O João foi atropelado porque não olhou para os dois lados ao atravessar a rua. A – não olhar para os dois lados causou B o efeito de ser atropelado, mas se o João atravessar a rua em 1645 dificilmente A causaria B pois não haviam carros. C que sendo a estrada faz com que sua existência tenha causado A e B e também permita a existência de D, o carro.

Mas não é de ciência que quero falar, foi só um exemplo, no meio de exemplos, da informação que consegue passar o nosso ceticismo.
Cada vez mais (e sempre) muitos leitores optam pelo caminho fácil, o de me pedir factos e provas, o que permitiria, caso a minha intenção fosse vos convencer do que escrevo, de buscar informação variada que de uma forma ou outra pudesse sustentar o que escrevo e desta forma derrubar o vosso ceticismo. Não é essa a intenção. A única intenção do que escrevo é estimular o vosso ceticismo, levando o leitor a investigar por si ou pelo menos a pensar. Independentemente de ver ou não validade no escrevo, pensou, e com isso retirou algo de positivo da interação comigo.

O fato de não pensar leva-nos a outro erro, o de escolher lados. Escolher lados é algo que nos ensinam desde pequeninos: Certo ou errado, bonito ou feito, bom ou mau, Benfica ou Sporting, Religião ou ateísmo, Socialista ou Social Democrata e qualquer debate onde perguntam ao publico de que lado está
Matar é errado, mas e se a vossa vida estiver em causa? Se ambos os candidatos são corruptos, pois é o atributo básico para se ser político, porque haveremos de escolher um? Se existe o agnosticismo porque motivo deveremos defender ou negar a existência de um ser que não podemos provar que existe ou que não existe? Por que motivo nos devemos colocar de um lado, se ao fazê-lo estamos a sair do único lado importante, o nosso?
O fato de não acreditarem/concordarem em um dos lados não significa que o lado que se opõe a ele seja o vosso lado e muito menos o correto. Dois lados podem estar errados, algo muito comum em política! Até em desporto de onde nada retiramos a não ser uma momentânea, banal e ilusória satisfação de estar do lado de quem vence, exceto quando perde! Não devemos pressupor que devemos defender B só porque sustenta a nossa oposição a A. O inimigo do teu inimigo não tem de ser teu amigo, pode simplesmente estar-se a cagar para ti e por isso podemos cagar para ele.

Investiguem ou não investiguem, pensem, sejam céticos pois irão tirar proveito disso. Não acreditem em nada só porque soa plausível. Por exemplo: sabiam que que existe uma probabilidade acima dos 70% das pessoas acreditarem numa estatística só por ela conter valores decimais? Isto mesmo sabendo que a maioria das estatísticas são feitas numa comunidade com mais semelhanças do que diferenças e onde a forma como a pergunta é formulada pode influenciar a resposta desejada.Um bom exemplo é perguntar a uma criança pequena se quer um chupa de morando ou de laranja, a maioria escolhe laranja, mas se perguntarmos se preferem laranja ou morango a maioria escolhe morango. OK, não é de uma forma tão simples que se guiam os adultos a dar a resposta que desejamos mas é possível e exemplo disso são os advogados cuja função é fazer a mesma perguntas de formas diferentes para obter a resposta desejada e imediatamente salienta-la.

Certo é que que não podemos evitar a forma como fomos educados e é muito complicado em sociedade, em particular na Europa, de submeter os nossos filhos ao home schooling. Devido a uma escravatura voluntaria chamada de emprego, ser impossível educarmos os nossos filhos e por isso, temos de os entregar a domadores profissionais que em vez de os ensinarem a pensar, os injetam com noções pré-concebidas mascaradas de verdades absolutas. Com isto não quero demonizar os professores que como qualquer trabalhador cumprem ordens, programas, com os quais muitos deles nem sequer concordam mas que precisam de obedecer e é este o centro da questão: Obedecer bloqueia o ato de pensar.

Todos somos obrigados a obedecer a leis, regras sociais, de etiqueta, aos mais velhos, a uma suposta autoridade que não é autoridade mas sim um mecanismo de fazer valer a lei. Aceitar a informação que nos é dada sem pensar é obedecer. Temos uma casa um carro e dinheiro no bolso porque obedecemos e em muitos casos não temos nada e obedecemos na mesma.
Neste momento a mais poderosa arma de obediência é a TV que nos injeta com informação de uma forma em que não existe a possibilidade de pensar e sem pensar a assimilamos, na maioria dos casos, como verdade.
Reparem que durante as noticias além do Pivot nos bombardear com supostas verdades ainda existem outras a correr em rodapé! Isso serve para isso mesmo, para assimilarmos sem pensar.
O ser humano tem um cérebro que serve para pensar e o ato de mentalmente concordarmos ou discordarmos de algo não é pensar mas sim um ato de fé que como qualquer fé, em particular a religiosa, condena o pensamento pois ele leva a questionar. 
O cérebro é um órgão que existe para mais do que ser estimulado pelas ondas eletromagnéticas da TV que não passam de um anestesiante, que ao afetar o cérebro afetam todo o corpo.

A educação, em particular a universitária não passa de um treino da mente com vista a seguirmos uma profissão, e ao conseguirmos essa profissão seguimos programas, cumprimos prazos e fazemos o que o patrão nos manda onde o ato de pensar é praticamente ignorado pois o facto de perderem tempo a buscar a solução de um problema de escola ou de trabalho, não passa de um ato de memoria, recordar de como se resolve a questão seguindo regras impostas por regulamentos internos. Pensar é mais do estabelecer uma ordem de ideias mentalmente sobre o que vamos fazer amanhã ou decidir sem falar se vamos ver um debate político num canal ou um reality show noutro, mesmo que o reality show vos faça sentir inteligentes devido ao nível rasteiro de intelecto dos intervenientes. Ao ver TV a atividade básica do nosso cérebro é uma simples escolha do personagem de uma série de quem gostamos e que torcemos para que vença e um outro que escolhemos odiar só porque sim. No entanto achamos que pensamos, pois no final da noite estamos realmente cansados e vamos dormir achando que pensamos no que iremos vestir ou fazer no dia seguinte, quando na verdade isso são meras escolhas automáticas e não um raciocino útil.

Pensar é chegar a uma conclusão que pode concordar ou discordar de um certo tema, mas que é a vossa conclusão e portanto é a verdade, no termo correto de verdade como valor pessoal e não universal. Esta atividade banal a que chamamos pensar não é na verdade pensar, pois é uma atividade cerebral não factual e por isso não nos leva lado a nenhum.

Como podemos realmente evoluir como seres humanos quando aceitamos toda a informação que nos rodeia unicamente através dos olhos e ouvidos e tentando evitar problemas para não os ter de resolver?
Passar uma vida inteira sem pensar é possível, algo que na verdade, se pensarmos nisso (não custa tentar) percebemos que no fundo é um desperdício total de uma dádiva, sendo a dádiva a capacidade de pensar e não a vida. A frase "penso logo existo" foi dita por quem pensou nisso mas que não invalida que uma pedra, que não pensa, não exista. Exceto se acreditam que criamos tudo o que nos rodeia unicamente por pensarmos, uma conclusão a que só pode chegar quem pensa.
Seguindo a teoria de "penso logo existo" como verdade absoluta só prova que não pensam e simplesmente seguem o pensamento de terceiros e portanto a vossa existência, de forma justificada, acaba sendo colocada em causa a nível pessoal, pois não pensam, seguem pensamentos de terceiros. Complicado? Claro que é! Por ser complicado é que por vezes, quem pensa, chega a concluir que não chegou a conclusão nenhuma e no entanto retirou frutos do processo. 

A rotina, casa-trabalho-casa-TV-cama, coloca-nos ao nível intelectual dos animais em que neste caso os animais fazem algo mais produtivo nem que seja o cão que olha 2 minutos para a TV e resolve ir para trás do sofá lamber os tomates. Ele pelo menos realiza uma atividade normal justificativa da sua existência e não vegeta perante um retângulo luminoso estupidificador de massas. O cão ficou pelo menos com os tomates limpos, o homem não fez mais do que passar tempo que na verdade é perder de tempo. 1-0 ganha o cão!

Precisamos de desligar a TV pois há um mundo de coisas para fazer. Desde ler, conversar, aprender ou treinar um instrumento, desporto, desenhar, escrever seja diário ou ficção, qualquer coisa que estimule ambos os hemisférios do cérebro para escaparmos a um rotineiro uso de metade do cérebro. Fugir ao pensamento linear onde tudo é se centra em detalhes ordenados e usar o holístico de onde partimos do todo para os detalhes. Fugir ao sequencial e usar o aleatório. Largar por momentos o simbólico e usar o concreto, ou o lógico experimentando o intuitivo. Fugir da realidade entrando na ficção (ficção como criação pessoal e não filmes). No fundo, por momento estará o homem a pensar como uma mulher e uma mulher como um homem, não para inverter os papeis mas sim porque temos um cérebro inteiro com dois hemisférios e não faz sentido os homens usarem metade e as mulheres a outra metade. Aqui entram os hobbys, os passatempos e assim que arranjarem um não mais vão sentir necessidade de se deixarem hipnotizar pela TV, e se a ligarem tempos depois ouçam o que é dito, desliguem-na e pensem nisso.

Escrever é uma forma de usar ambos os hemisférios e se este texto foi escrito usando maioritariamente o hemisfério esquerdo do meu cérebro, de seguida poderei ir tocar um pouco de guitarra ou escrever uma historia sobre a carreira profissional e ambições de um herpes genital. 
Nada é mais saudável e agradável do que ao ler um livro sentirmos a necessidade de desviar os olhos das paginas só para refletir sobre uma frase. Terminarmos um texto e ficarmos simplesmente em busca de uma conclusão pessoal.

Com isto não quero salientar uma vã pseudo-superioridade alegando que escrever este texto envolveu um ato concertado de pensamento, pois não é verdade. Possivelmente não passou de um exercício holístico de onde parti do geral (o tema) em busca de detalhes (o texto) e no fundo ele unicamente representa metade do objetivo, sendo a outra metade a opinião de quem perdeu ou ganhou tempo a ler esta treta. Perdeu tempo porque não chegou a conclusão nenhuma. Ganhou tempo pois pelo menos não estive a ver TV.

"Aprender sem pensar é tempo perdido. Pensar sem aprender é perigoso".