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Pensa antes de dizer alguma coisa

Dentro do único grupo do qual nos devemos orgulhar de pertencer, a Humanidade, o sub-grupo mais belo são as crianças. É certo que várias vezes afirmei que não pretendo procriar, mas isso não significa que não goste delas, pois gosto muito. Sei dos perigos que há hoje em dia em um homem afirmar em voz alta: Amo crianças! Pois vivemos numa sociedade tão corrompida que tal anuncio seria levado para o campo criminal.


Cartazes como este, deixam-me sem palavras. Só porque me apetece sorrir ao ver crianças a sorrir num qualquer parque de uma cidade, posso ser visto como sendo um pedófilo.

Da mesma forma que as crianças são o que de mais belo há nas nossas vidas, elas são também o que de mais cruel existe. A inocência de uma criança impede-a de perceber o quanto é cruel, impede-a de medir as suas palavras e como elas podem afectar quem as rodeia. Um adulto pode magoar outro com palavras, mas esse outro adulto tem já uma personalidade definida e a capacidade de tornar um ataque verbal no que ele realmente representa, palavras.
Já repararam que as crianças tendencialmente se juntam com mais facilidade à criança que ridiculariza outra do que em defesa da ridicularizada? Essa tendência é culpa nossa, é o conhecimento que elas bebem, não do que lhes ensinamos mas sim do que lhes mostramos. É a tendência de vermos o agente dominador que ataca como mais poderoso do que o alvo quando não se defende.
É claro que as crianças não podem ser responsabilizadas pelas crueldades que proferem, mas temos de prestar muita atenção às vitimas dessas crueldades. Um simples: "não podes brincar connosco", após algum tempo terá um impacto forte na personalidade que essa criança está a desenvolver.

Não deveria ser necessário que um não pai, como eu, disse a pais, como muitos de vós, que precisam de falar com os vossos filhos. Precisam ter a certeza que está tudo bem. Precisam saber se são vitimas ou causadores deste tipo de actos cruéis.
Digo isto pois eu sou um exemplo disso. Fui cruel enquanto criança, lembro-me com tristeza de muitas das crianças que maltratei com palavras. A criança que fui, moldou o homem que sou: confiante mas com uma necessidade de dominar e por outro lado distante em relacionamentos.  A criança que fui, moldou as defesas que tenho como adulto.
Muitas dessas crianças que dominei acompanharam-me até à idade adulta e se bem que muitas delas tiveram sucesso em diversas áreas, reparei que não são tão seguras do que querem ou das suas reais capacidades.

Por volta dos 28 anos, voltei a encontrar um rapaz que sofreu muito por eu ter sido um Bully e no entanto ele revelou-se, como adulto, num grande amigo que nunca me julgou, nunca me apontou o dedo pelas coisas que lhe disse e fiz. Na presença dele sinto culpa, culpa essa agravada por ele nunca me ter dado um puxão de orelhas verbal. Apesar de este rapaz ser ter hoje um excelente trabalho, uma mulher que ama e uma vida confortável, ele é um caso de sucesso numa imensidão de insucessos.

Este vídeo que se segue, é uma cópia de um vídeo que apareceu originalmente no Youtube numa conta de uma adolescente chamada Jade. A Jade publicou unicamente um vídeo que se alastrou pela Web pois ela não publicou mais nenhum e a sua conta Youtube desapareceu. Não se sabe se este vídeo é real ou uma simples representação criativa, nem isso importa. O que importa é a mensagem e a mensagem é: "As palavras magoam, pensa antes de falar", pois não sabemos que impacto elas poderão ter:


Após ver este vídeo senti vontade de simplesmente dar um abraço seguido de um sorriso a esta criança, pois ela é uma criança. Em sociedade temos a idiótica mania de ver os adolescentes como adultos e de os tratar como crianças, eles odeiam isso e obviamente que é uma abordagem que só gera conflitos. O temos de fazer é de os tratar como adultos e de os ver como crianças. Só assim os podemos fazer sentir como eles esperam sentir e os podemos proteger com devem ser protegidos.

Mundialmente morrem por suicido mais de 1 milhão de pessoas por ano e este valor é superior às mortes somadas de todas as actuais guerras. Este numero deveria alarmar e no entanto ninguém liga. Este numero é revelador do quanto estamos fechados em nós próprios, incapazes de ouvir os gritos silenciosos das pessoas que nos rodeiam. 

Temos de ver as pessoas com quem nos cruzamos como uma extensão do nosso ser, pois na verdade a vida é uma e por isso todos nós somos um. Somos partes do mesmo todo, partes da consciência colectiva à qual alguns chamam Deus.

Em 2009 ia eu, em trabalho, num TGV com 1.200 quilómetros para percorrer e ao parar numa estação, uma rapariga que ia a sair olhou para mim e disse: "Tens de sorrir" e continuou o seu caminho sem se certificar se sorri ou não. Não sei o que a minha cara lhe disse. Não sei o que os meus olhos lhe disseram. Não sei sequer o que estava a pensar. Sei sim, que ela tinha razão, que tinha a atitude correcta perante a vida e que se preocupou em dar três palavras a um estranho para que ele abrisse os olhos.

Tempos depois estava eu no metropolitano e umas filas à minha frente uma criança fazia uma barulhenta birra. Nessa carruagem as pessoas olhavam com ar irritado para a mãe e criança. Quando aquela criança se sentiu observada por mim, olhou-me nos olhos com cara de , e a minha reação foi mostrar-lhe a língua. Desta forma iniciámos uma sessão ridícula de caretas trocadas que resultaram em gargalhadas da criança já não birrenta e, por incrível mas previsível, todos os olhares reprovadores foram lançados na minha direcção, incluindo o da mãe da menina.

Esta história poderá parecer irrelevante mas não é. O que ela nos diz é que a simples atenção de um estranho dada naquele momento àquela criança fez toda a diferença, pois os casos perdidos naquela carruagem eram os adultos. Tudo o que a criança queria, era atenção, não era o ralhete da mãe, não era as caras de parvos das pessoas em volta, era unicamente que alguém lhe desse a atenção que qualquer criança tem o direito de exigir aos gritos.


Sa(n)grado


Por um colorido caminho distorcido por uma visão monocromática, deslizo.
Subo e caio em momentos de melancolia e histeria no meio de uma insustentável alegria.

Mas quem és tu para condenar o meu caminho?
Quem és tu que na solidão me dizes estar sozinho?
Quem és tu que da tua prisão voluntária me tentas definir liberdade?
O que sentes é raiva do teu caminho e escolhas, e atacas-me por sentires saudade.

Saudade da vida que tiveste pressa em deixar, submetendo-te à protecção do que acreditavas ser um objectivo humano. Esse objectivo é hoje a tua prisão. A sagrada união que se tornou numa divina desilusão.

A amargura que te consome por dentro, te envelhece por fora, não por seres infeliz mas sim por te teres obrigado a ser, enganada pelos contos de fadas "e foram felizes para sempre", sempre? Todos sabemos que nada é eterno e se o fosse seria um inferno.

O que é que se ganha em criticar um sorriso, só porque alguém morreu do outro lado do mundo?
O que é que se ganha em defender a nossa tristeza atacando alguém que sorri, como se isso fosse um insulto àquilo que sentimos?

Todos acreditamos que somos especiais e únicos. Todos gostamos de dizer que somos diferentes dos restantes. No entanto quando aparece alguém realmente diferente essa pessoa é rotulada de anormal. Mas desde quando ser anormal é incorrecto? Não é isso que todos nós alegamos em defesa da nossa individualidade? Todos querem ser diferentes mas ninguém quer ser anormal? Será que tendo 300 soldadinhos de chumbo iguais pintados de cor diferente os torna únicos?

Sou único no meio de iguais que lutam pelas suas diferenças. E sim, sou anormal pois é o termo correcto para salientar as diferenças e não há nada de pejorativo na palavra.

Por um monocromático caminho distorcido por uma visão em tons de cinza, deslizo.
Subo e caio em momentos de melancolia e histeria no meio de uma insustentável alergia à letargia.

Monalisa

O meu ano começou de uma forma normal até me ter trazido más noticias. A minha cadela mais velha, uma pastora Alemã chamada Monalisa, morreu.
Comprei-a em Julho de 1996 com 2 meses e desde então tornou-se parte de mim. Sempre feliz por me ver e desejosa de brincar, sempre serena a meu lado quando eu estava triste, sempre por perto a ganir quando eu estava doente, e  a uivar ao telefone quando eu estava longe. Ao contrário de família e amigos, a Monalisa viveu a meu lado os melhores e piores anos da minha vida até hoje, nunca me julgou, nunca me deixou só, e parecia perceber o que eu sentia pois comportava-se de uma forma similar, saltando e brincando excepto quando eu estava triste limitando-se a deitar-se perto de mim e ali ficava como uma amiga à espera de um desabafo, e se com ela falava ela observava-me atentamente como se realmente me estivesse a perceber.




Saí com o faço todos os dias com ela, comeu e adormeceu como num qualquer outro dia, mas não acordou no dia seguinte.
Perdi aquela que foi a minha melhor amiga nos últimos  quase 14 anos. Morreu, mas não me deixou o remorso que sinto do que fiz ao meu cão, Prince, pois não tive de a mandar matar.
Naquela noite como rara excepção, ambas as minhas cadelas foram autorizadas a dormir no chão do meu quarto, mas quando acordei só a mais nova lá estava, tendo a Monalisa ido falecer na sua própria cama.

Os nossos animais nunca nos deixam nunca nos falham, estão sempre lá quando precisamos deles, mas nós nem sempre retribuímos. Só deverá ter um animal quem o amar, mas hoje compreendo que quem ama demais os seus animais não deverá ter nenhum, pois somos obrigados a vê-los partir e sentir demais essa partida.

Mais do que ter de lidar com a minha dor, tenho de lidar com a dor da minha cadela mais nova, que uiva quase constantemente, um uivar que me trespassa de uma forma gelada. A Shiva não come excepto o que a obrigo a comer dando-lhe o comer à boca, não brinca, não quer sair de casa e raramente se levanta. Esta cadela como o membro mais novo de uma família agora destruída foi severamente disciplinada pelo Prince e pela Monalisa, com a partida do Prince quase desistiu de viver. A Shiva foi comprada numa atitude egoísta de ser companhia da Monalisa após o diagnóstico do estado do Prince e acabou por ser ela a sacrificada vendo partir ambos. Ao vê-la desta maneira, sinto que a minha companhia, para ela, não chega.

Os nosso animais nunca nos abandonam, fazem tudo o que podem e sabem por nós, mas nós nem sempre retribuímos da melhor forma.


Ensaio sobre a meia-noite




É meia noite e os céus explodem tornando a noite em dia. É meia noite e a festa celebra o fim, o inicio da continuação. Uma celebração. Incompreensível alegria, causadora de alergia a quem tudo vê como mais um dia.
Os telemóveis tocam criando uma sinfonia ensurdecedora, repletos de desejos pouco sentidos. Desejos repetidos.

É meia noite e ela chora, quem sabe, o ano que passou. É meia noite e ela chora, quem sabe, a falta de esperança no futuro. É meia noite e ela chora sem saber porquê. Ela chora como se os seus sonhos tivessem morrido num segundo. Chora como se este principio fosse o fim do mundo. É meia noite e ela chora, quem sabe, tudo o que está para vir. Tudo aquilo que anseia poder sentir.

É meia noite e ele olha o vazio, vazio. Observando um belo mundo mas doentio. Uma brisa fresca com cheiro a norte, vinda da origem de tudo o que nele é forte. Diz-lhe que nada é vida e nada é morte, que não há azar nem sorte. Diz-lhe que nada é o principio do fim mas sim que todo o fim é um principio, e principio a principio caminhamos sem rumo pensado mas há muito definido.

É meia noite, ela sente e ele pensa. Ela vive mais um pouco e ele morre um pouco mais. Ela está pronta a recomeçar e ele pronto a acabar. Ela sorri aceitando finalmente o inicio, ele não reage aceitando o fim. Ele e ela não estão em sintonia, não pensam no mesmo, não vivem o mesmo momento mesmo estando juntos nesse momento. Ela mora no presente ilusório e ele no passado sempre presente.
Ao longe é tudo igual, lá dentro tudo é diferente.

É meia noite e as lágrimas dela já gelaram na sua face, simulando o coração dele. Ela olha-o na alma mas nesse olhar ele nada vê senão uma passagem para um outro mundo, uma outra cara, uma outra vida.
Ela numa lágrima abraçou o momento mas ele há muito que partiu.

Em Lá menor...

Há muitos anos a forma por mim encontrada de me expressar era pela música, certo dia os instrumentos passaram a ser objectos de decoração pois foram usados para expressar os momentos mais dolorosos da minha vida e comecei a vê-los como uma espécie de depósitos de más memórias. Por isso passei a escrever sem musicar as palavras o que me levou a um outro mundo, e foi nesse outro mundo que a blogosfera entrou como meio de comunicação.

Apesar de ter recebido este Natal como em todos os outros Natais presentes que gosto, pois felizmente quem me quer dar algo não o faz por fazer pois conhecem-me e sabem que detesto obrigações banais, recebi pela primeira vez O presente. Digo O com maiúscula pois é o presente que não sabia que queria ou precisava. Algo que me passou ao lado mas que a certa altura me marcou. O presente em que bastou olhar para ele e senti o meu coração a bater rápido, um aperto no estômago, as pernas fracas, uma lágrima tímida e um sorriso só porque sim.

Alguém me deu isto:


 
Esta guitarra não é uma guitarra cara, tenho outras 6 de qualidade superior.
Esta guitarra não é nova, é já bem usada.
Esta guitarra não foi de uma estrela rock, mas foi da estrela que mais brilha no meu céu. 
Esta guitarra estava há 11 anos esquecida na minha memória mas foi só olhar para ela para sentir notas musicais a flutuar na minha mente.

Esta guitarra pertenceu a alguém muito especial para mim, alguém que partiu do meu mundo físico mas nunca da minha memória e 11 anos depois este instrumento veio parar às minhas mãos.
Dos que estão a ler este texto, poucos terão lido um romance que publiquei online há  mais de um ano e a guitarra que é mencionada lá, é esta.

O melhor presente não há dinheiro que o pague, não há obrigado que o agradeça, não há palavras que descrevam o que se sente, e mesmo que a satisfação de me dar esta guitarra seja comparável ao sentimento de a receber, mesmo assim, o meu abraço terá sido pouco e nunca poderei recompensar essa pessoa com mais do que o meu carinho eterno e quem sabe, uma Ode ao dia de hoje.

Temos de nadar

Ouvi a hoje a história de um músico que durante a gravação do seu novo álbum, foi diagnosticado com leucemia. Após internamento e cirurgia tendo a sua irmã como dadora ele recuperou. O vídeo que apresento é da música que ele escreveu enquanto estava na sua luta pela vida. Apesar de eu nunca ter padecido desta doença, ela faz parte da minha vida e vi nesta letra uma excelente mensagem que de certa forma se aplica não só a quem padece dela mas também a quem fica como um mero espectador assistindo à partida de pessoas amadas e tendo de aprender a lidar com um mundo totalmente novo de sentimentos:



Swim, de Jack's Manequin (tradução parcial)

"Tens de nadar, nadar pela tua vida, nadar pela música que te salva quando não tens a certeza se vais sobreviver. Tens de nadar e nadar quando dói. Todo o mundo está a ver e não chegaste até aqui para caíres da Terra. As correntes vão puxar-te para longe do teu amor. Mantém a cabeça erguida. Encontrei uma onda gigante que começa a derrubar a alvorada. Memórias como balas disparadas contra mim de uma arma perfurando a armadura. Nado por melhores dias apesar da ausência de sol, sufocado em água salgada não irei desistir, nado.
Tens de nadar por noites sem fim. Nadar pelas vossas famílias, amantes, irmãs, irmãos e amigos. Tens de nadar por guerras sem causa, por políticos perdidos que não vêem a ganancia como falha. Tens de nadar no escuro. Não há vergonha em flutuar, sentir a maré mudar e esperar por uma faísca. Tens de nadar não te deixes afundar, procura o horizonte e prometo-te que não será tão longe quanto pensas. As correntes afastam-nos do nosso amor."

Se mesmo com toda esta luta, quem nada acaba por ceder à força das correntes e parte para sempre dos nossos olhos, não podemos nunca deixar que parta das nossas memórias e por mais que pareça que o mundo acabou, por maior que seja a vontade de nos deixarmos submergir por não termos forças nem vontade para lutarmos contra as ondas e as correntes, temos de nadar e continuar sempre a nadar em nome da memória de quem tanto nadou por nós, só para que ao abrir os olhos nos visse  e soubesse que estamos ali no mesmo mar revolto a nadar a seu lado contra os mesmo elementos. Temos de nadar.

Triste dia

Que dia tão solitário mas é meu, mas um dia que passo a recordar um passado feliz. Um dia solitário que faço sempre questão de passar sozinho sem nunca me sentir só. Um dia que após todo o ano e todos os anos a tentar esquecer, lembro-me sempre... de não (a) esquecer. Um dia triste em que celebro não a tristeza do dia em si, mas a felicidade deste dia no passado.

And if you go
I wanna go with you
And if you die
I wanna die with you
Take your hand and walk away
--Daron

Querer partir por ver partir. Querer morrer por ver morrer mas em contradição estar feliz por ficar, viver mais um dia e esperar. Um dia triste para celebrar.

Ich werde in die Tannen gehen
Dahin wo ich sie zuletzt gesehen
Doch der Abend wirft ein Tuch aufs Land
Und auf die Wege hinterm Waldesrand
Und der Wald er steht so schwarz und leer
Und die Vögel singen nicht mehr
--Lindemann

Querer ir além do horizonte por um caminho de árvores mortas por onde pássaros negros voam sem cantar. O atravessar de todo um mundo negro que é meu e só meu, um caminho que não faz nem nunca fez parte do teu mundo, mas que eu tenho de percorrer para ser merecedor de por um segundo ser digno de te ver.

Kerran vain haaveeni nähdä sain
En pienuutta alla tähtien tuntenut
Kerran sain kehtooni kalterit
Vankina sieltä kirjettä kirjoitan
--Tuomas

Este dia é especial pois é o primeiro dia em que escrevo sobre o dia, e não sobre o que ele representa. O primeiro dia de todos os dias em que as palavras não possuem um destinatário só um objectivo. O primeiro dia após ter libertado, libertando-me, não convencido se no último dia igual a este coloquei o ponto final no parágrafo certo, pois tinha tanto para dizer mas estou sem palavras para o fazer.

Desculpa-me


Lutar pelo amor sempre. Sim, devemos sempre lutar por quem amamos ou por quem sentimos que podemos vir a amar, quando sabemos que podemos ser melhores, fazer melhor. Temos é que saber a diferença entre lutar e insistir pois quando percebemos que no que toca a fazer a pessoa amada feliz, fracassamos... desistir não é vergonha. Nunca desistir do amor, simplesmente desistir de insistir.

Numa relação condenada, a única coisa pela qual vale a pena lutar e insistir, é pela amizade. Seria perfeito sermos amigos, amarmos e sermos amados pela pessoa que amamos, mas nada é perfeito, a perfeição é uma palavra que nem ela em si é perfeita. Mas, se ficar a amizade fica imenso, pode não encher a nossa vida mas é uma boa parte.

Isto não se aplica só ao amor entre homem e mulher, mas ao amor paternal, maternal, fraternal, ao amor que deveríamos sentir pelo próximo.
Custa pedir desculpa e não há motivo para custar tanto. Mesmo sabendo que não errámos e que erraram para connosco, podemos pedir desculpa por não nos entendermos, por não vermos as coisas da mesma forma.

Apesar de por vezes pensarmos ou até termos a certeza de que conseguimos fazer tudo para dar certo, temos também de aceitar que desistam de nós. Mas... Mais vale ver a pessoa amada a sorrir ao longe, do que a chorar no nosso ombro.
Eu estou longe de todas as pessoas que foram importantes um dia para mim, e estou longe sem ter contacto com elas, não devia mas estou. Sei que se os conselhos fossem bons vendiam-se, não se davam e é hipocrisia minha o primeiro parágrafo que escrevi pois nunca o segui. No entanto eu assumo os meus erros, que só o são por me recusar a corrigi-los, mas reconheço-os e o único valor deste conselho é que ele está certo, o que digo está certo o errado é o que faço.

Que me desculpem todas as pessoas de quem desisti.
Que me desculpem todas as pessoas de quem fugi.
Que me desculpem todas as pessoas que magoei.

Desculpa por não estar contigo. Desculpa por ver o mundo de outra forma. Desculpa por achares que não dou o meu melhor. Desculpa não retribuir àquilo que chamas amor.

Desculpa por não te procurar, falar, tocar, abraçar, beijar. Desculpa por ser eu. Desculpa por estar longe e querer estar. Desculpa por não dar noticias. Desculpa por não te falar.

Desculpa por não ser perfeito. Desculpa por não querer ser perfeito. Desculpa por ser diferente mesmo sendo igual a toda a gente. Desculpa por não te amparar. Desculpa por não me teres aparado. Desculpa por não estar lá quando queres. Desculpa por querer o que não queres. Desculpa não querer voltar.

Desculpa por não gritar. Desculpa por não falar. Desculpa por não chorar. Desculpa por parecer não sentir. Desculpa por sentir e não mostrar. Desculpa por não te compreender. Desculpa por não aceitar. Desculpa por ser teimoso. Desculpa por tentar.

Desculpa por me desculpar.

Não sentes dor


Não sentes dor. Vivias cega por algo a que chamavas amor, mas não sentes dor.
Como poderias alguma vez ter sentido o mais belo e raro dos sentimentos quando desconheces o que é mais comum? Como poderias alguma vez dar valor ao lado belo da vida quando ignoras o mau? Como podes ter certezas desconhecendo o que é uma dúvida? Como podes ser possessiva sem saber o que é perder? Como podes andar sem nunca ter caído? Como podes viver sem nunca teres vivido?

Dizes que amas com a leveza de quem pede mais um café. Dizes quero-te com a entoação de quem não está habituada a ouvir um não. Não! Ouves? Ouvir até ouves, mas não sentes. O que sentes é o peso do não e não o seu real significado. Não sentes a perda, sentes a negação. O não é sentido por ti por ser uma recusa do que pedes e não do que queres. Não sentes o não como a perda de algo que se teve.

Dizes que te quero, com a certeza de quem é desejada. Dizes que te quero, por não partir. Por que motivo tenho de partir? Este é o meu mundo também. Isto não é a tua cidade Barbie que o Ken tem de abandonar. Eu fico, pois este é o meu mundo, o meu meio e tu fazes unicamente parte do cenário. És um adereço e gostas de o ser.

Não! Não fico por te querer, fico por querer ficar. O não basta-me e deve bastar-te também. A vida não é um jogo e o amor não é uma aposta e mesmo que fosse, nem eu nem tu o sentimos para o poder por em jogo. Eu fico e daqui não saio, fico aqui comigo e não contigo. Podes ficar, podes partir, podes chorar, podes sorrir. Sorrir sim sabes fazê-lo, uns sorriso falsos estampados na cara, imagens pálidas do que ves em revistas, exibindo o teu branqueamento dentário que não disfarça o teu sorriso amarelo, falso. Chora, aprende a chorar pois bem precisas para libertar toda a falsidade em que vives. Vives de sonhos e ilusões, clones do que vês em revistas que não interessam a um santo. Tu não vives, sobrevives, clonas a tua vida à imagem de terceiros. És plástica de pensamentos e sentimentos, és como que um robot organizado demais. Cada passo é pensado, o escovar dos dentes e cabelo cronometrado. Tudo tem o seu lugar, a tua organização é doentiamente invulgar. És doente. Sai de casa sem te pintar, sem te pentear, sem te vestir como se fosses receber o Rei. Aprende a ser livre e a cagar para as opiniões de terceiros, que só por si já se estão a cagar para a forma como te apresentas.

Aprende a ser quem és. Aprende a viver como és. Vive com os teus sonhos, mas tens de ser tu, precisam de ser os teus sonhos e não clones de outrem.

Não sentes dor. Dizes que amas sem saber o que é o amor, pois não sentes dor.

Dar sorrisos

A vida é cinzenta pois fazemos com que ela assim nos pareça. O facto de vermos a vida cinzenta é o que permite que sejamos pisados e controlados por loucos tirânicos que querem tudo, querem o mundo todo o dinheiro existente e ainda as nossas vidas. Se víssemos a vida como algo belo, seriamos felizes, se víssemos a vida com falei neste texto seriamos mais felizes, porque a felicidade não se encontra, não se conquista, todos nós somos felizes mas nem todos se permitem sê-lo. Se todos víssemos a vida com outras cores, seriamos felizes e livres, pois não é possível dominar, controlar, rebaixar, manipular quem é feliz.

Conhecem aquele dia mundial em que todos os anos imensas pessoas andam de metro sem calças? É em Dezembro e estamos muito perto da edição 2009. Esse grupo é conhecido por dar sorrisos em muitas mais ocasiões. Aqui ficam exemplos de como é fácil espalhar sorrisos e dar cor a um dia cinzento.

Como alegrar algo tão banalmente deprimente com ir às compras a um supermercado:



Reparem quando ele começa a cantar nos olhares das pessoas, pareciam dizer: "Ele é louco!", mas quem é louco afinal? Quem faz figura de parvo sendo feliz, ou quem é infeliz pois é socialmente correcto andarmos tristes?

Como alegrar os preciosos minutos que temos para almoçar antes de voltarmos às nossas gaiolas laborais:






Versões estão a aparecer por todo o mundo.

Em Liverpool na estação principal de comboios foi feito um anuncio da empresa Alemã T-Mobil. Esta acção teve fins comerciais mas valeu pelos sorrisos criados e por ter iniciado uma vaga mundial com escolas de musica a realizarem acções semelhantes:



O que um pequeno grupo de professores e uma imensidão de alunos fizeram na Bélgica,numa estação de comboios (uma busca por "train station musical" e verão esta acção por todo o mundo):



Porque a vida é bela e podemos todos sorrir e ser felizes se se permitirem ser.

O lado positivo da vida

Hoje no metro era só um no meio de muitos. Eu como alguns outros lendo um livro, outros lendo jornais, outros ainda de phones nos ouvidos, um homem ao longe mexendo no telemóvel. Ninguém conversa, toda a gente vem ou vai para o trabalho. Toda a gente fechada no seu mundo, alheios a tudo o resto.

A certa altura entram dois homens e um começa a tocar guitarra e a cantar enquanto o outro recolhia donativos. Até aqui nada de estranho. Eram só mais dois a pedir, mais dois a quem uns dão por pena outros dão só para que se calem. Mas estes dois senhores eram diferentes... Acho que ninguém naquela carruagem se recusou a dar dinheiro. Todos colocaram de parte jornais, livros, MP3 e telemóvel só para ouvir o homem. E toda a gente naquela carruagem, sorriu.

Foram só 2 minutos, mas o suficiente para acordar uma carruagem inteira de hipnotizados. Após eles saírem e apanharem outro metropolitano as pessoas lentamente voltaram a fechar-se nos seus mundos. No entanto só por uns minutos sorriram só porque sim.

Sorrir não tem preço e na verdade aqueles dois senhores, que provavelmente nunca mais verei, não andavam a pedir, andavam sim a vender segundos de felicidade.

A musica que eles tocavam e cantavam é já antiga mas aplica-se perfeitamente à vida dentro de uma metrópole onde todos andamos sozinhos no meio da multidão. Pequenos mundos pessoais que se cruzam em algo maior. O tema é de Monty Python:

O Prince

O Prince era um Serra da Estrela foi o cão mais estranho que já tive. Tinha uma combinação de genes explosiva, pois na sua descendência havia a mistura desta raça com lobo. Não só ele era um Alfa, em que aparece um no meio de centenas, mas tinha a "unha do lobo" que é um dedo extra em todas as patas, mais ou menos a meio da perna. Estas duas combinações foram para o criador um aviso de cão perigoso. Foi por isto que o escolhi, por o ver como cachorrinho a mamar e todos os outros cachorros nem se aproximavam, esperavam que ele terminasse, com que vendo aquela bola de pelo igual a eles como mais perigosa.


Os primeiros 12 meses com o Prince foram terríveis, tínhamos lutas por domínio. Para o cão eu era mais um macho que ele tinha de dominar e eu não o poderia deixar fazê-lo. Com o tempo venci-o parcialmente, apesar de me ter um respeito imenso sentia-se na responsabilidade de me proteger mesmo contra a minha vontade. O controlo era parcial pois quando ele queria atacar outro cão, só o conseguia parar 8 em cada 10 vezes, tudo dependia da postura do outro cão. Se fosse um cão possante com presença dominadora o Prince sentia-se forçado a mostrar que a sua força era superior. O cão era tão agressivo que relutante acabei por o mandar castrar, pois assim ficaria mais manso. Errado, a castração em nada alterou a personalidade do animal.


A sua natureza selvagem fazia com ele se sentisse mal na cidade. Ele nunca bebeu água de um balde, nem daquelas taças que aqui dão aos cães nos cafés e restaurantes. Ele só bebia de poças de água, riachos e rios. No jardim, tive de improvisar um pequeno lago que enchia de água e cobria de folhas verdes para lhe dar o aroma que o incentivava a beber. Dentro de casa ele só aceitava água... da sanita, chegando ao ponto do WC da cave ser só dele.


Quando ele tinha 5 anos, já 8 seguradoras tinham rescindido contrato comigo, já tinha tido mais de 12 processos judiciais por danos a outros cães, já tinha pago uns bons milhares em indemnizações. Nenhuma companhia o queria passear enquanto eu trabalhava. Comecei a contratar só homens, estudantes ou desempregados com bom porte físico para o passear sem nunca o deixar solto. Um desses homens foi um Ucraniano de 1,90m e excelente porte físico, a quem o Prince partiu um braço e o arrastou pelo passeio, só para ir morder num Pastor Alemão de um vizinho meu, que o meu cão odiava.

Certo dia fui de férias, deixei o Prince tal como a Monalisa e a Shiva num hotel. As instruções deixadas eram claras, Não deixar o Prince solto com outros machos, unicamente com fêmeas, pois ele nunca mordia em fêmeas. A meio das férias telefonam-me, o Prince envolveu-se numa luta com um Pitbul e durante 20 minutos ninguém naquele hotel conseguiu separar os dois. O pitbul sobreviveu à luta e à cirurgia mas faleceu horas depois, e o meu cão teve de se submeter a 6 cirurgias para recuperar o andar.


Ao descreve-lo assim faço-o parecer um monstro mas não era. Com os seus 98Kg e o seu pelo longo amarelo, ele parecia um urso, era gigantesco e não passava despercebido na rua. Toda a gente lhe queria tocar, algo que o aborrecia. Adorava crianças e deixava-se montar por elas, e se o deixava com uma criança ele não tirava os olhos dela, não deixava que nenhum desconhecido se aproximasse dela. A agressividade dele era sempre territorial em relação a outros cães, machos e de grande porte.

Em Janeiro de 2006 foi detectado cancro no sangue do Prince no final de Agosto apesar da força dele eu notava as dores que ele sentia. E matei-o. Chamei o veterinário lá a casa e assinei a autorização para a injecção letal. Até ao veterinário vir brinquei com ele, abracei-o e ele olhava para mim. Ele sabia o que eu ia fazer, eu conseguia ler isso nos seus olhos.


Mandei-o entrar na parte de trás da carrinha, que acabei por vender por me lembrar dele, e lá dentro o veterinário deu-lhe a injecção letal; deu-lhe uma, duas, três e o cão estava ali vivo cabeça no meu colo que só levantava para olhar para mim, parecia dizer que compreendia o que eu estava a fazer, mas eu não compreendia a minha decisão. Perguntei ao veterinário o que se passava e ele só me disse que nunca tinha visto um animal a aguentar tanto. Acabou por levar 5 doses. Demorou tanto tempo, eu queria controlar as lágrimas porque ele observava-me com os olhos super brilhantes, e lentamente senti-o partir. No final paguei ao veterinário sentindo um ódio terrível daquele homem, só para após ele ter saído sentir ódio de mim próprio.

Agora, dois anos depois da partida prematura do Prince, tenho a minha Monalisa, mais velha que ele, com a mesma doença. Leucemia. Acho que a Leucemia é o meu mau Karma que me persegue e insiste em levar de mim aqueles que me são importantes, como se fosse uma espécie de equilíbrio universal o facto de eu ter de ver tudo e todos partirem. Como se eu tivesse de arcar com a negatividade para que outros tenham alegrias.
Todos os dias vejo-a partir lentamente, está muito mais fraca do que o Prince alguma vez teve mas não noto dor, só a noto triste.

Vejo a forma como a minha outra cadela, a Shiva, trata a Monalisa. Não a deixa 1 segundo sozinha, vai-lhe buscar bolas, bonecos e sapatos meus, tudo para a animar.
Dou por mim a observar tudo isto, e penso o quão fantásticos são os animais, o quanto eles sentem tão ou mais intensivamente que nós, a sua capacidade de amar os donos e outros cães incondicionalmente, estando sempre lá, sempre alegres e não esperando nada em troca. Concluo que apesar de elas precisarem de mim eu preciso muito mais delas.

Escrevi tudo isto como desabafo e como justificação da minha ausência nos próximos dias, estarei por aqui mas muito menos tempo.


Amigos

Na minha vida sempre tive mais facilidade de relacionamento com mulheres e construir com elas amizades fortes e duradouras, achando as amizades masculinas frágeis, banais e competitivas que poderiam ser destruídas por um par de mamas, não por culpa delas mas sim porque os homens não cimentam as suas amizades como deveriam. No entanto sei que tenho 2 amigos homens, daqueles que se escrevem com "A" maiúsculo e pelos quais me meteria num avião e iria ao seu encontro se soubesse que precisavam de ajuda.

Hoje, sem querer encontrei os dois num único vídeo e vejo que ambos estão a viver os seus sonhos. Carlos como realizador e Rúben como actor.

Eu sei que distância que nos separa é um fosso construído por mim, por uma fuga a tudo quanto está relacionado com o meu passado. Fujo de quem fui tentando encontrar quem eu quero ser, e se bem que dos 3 sempre fui o que tinha menos sonhos e mais certezas, hoje sou oposto. As certezas limitaram-me, os sonhos fáceis aborreceram-me e por isso hoje busco o infinito, uma odisseia que me impede de ficar e me obriga sempre a partir.

Com estes dois rapazes passei alguns dos mais selvagens anos da minha vida, fizemos juntos coisas que nem dá para imaginar e que se fosse hoje estaríamos todos a apodrecer numa qualquer prisão para loucos e proibidos de nos aproximarmos de qualquer veiculo motorizado ou bebidas alcoólicas. No campo oposto à loucura adolescente, juntos criámos uma relativamente extensa obra musical da qual tal como eu, eles devem guardar memórias. Mas fazer as maiores loucuras e criar são duas faces da mesma moeda e deverá ter sido isso que nos colocou aos 3 nas artes se bem que não no campo onde inicialmente nos lançámos.

Juntos enterrámos amigos que perdemos em situações estúpidas ao passo que nós sobrevivíamos a tudo, chegando a desafiar a morte por várias vezes.
O Carlos era o sonhador, ou era a força motivadora e o Rúben era aquele que estava sempre pronto a ser arrastado para idiotices nossas.
Verifico que hoje somos o oposto do que éramos. Eu que dava extrema importância à arte e ao processo criativo, hoje uso-a como passatempo tendo-me deixado levar pela estabilidade salarial de um mundo cinzento de negócios onde a única arte aplicada é a oratória. O Rúben criava de uma forma genial sem dar importância ao que fazia, o Carlos parecia perceber o que quer eu quer o Rúben queríamos dizer com letras ou música e completava-as como se fossem sentimentos seus. Ao contrário de mim eles que buscavam vidas estáveis vivem hoje na instabilidade das artes. As pessoas no fundo não mudam, mas as nossas vidas dão voltas incríveis.

Deixo-vos com uma curta-metragem com argumento e co-realização de Carlos Barros, representado por Rúben Gomes e Carla Garcia, intitulada "Procuro na noite". Indo à página deste vídeo, encontrarão mais trabalhos realizados por ele.


Se eu mandasse nas palavras*


Se eu mandasse nas palavras o amor seria um sentimento sem palavra que o rotulasse.

Se eu mandasse nas palavras, não seria talvez. Talvez seria sim. Sim seria certamente, e a mulher ficaria mais fácil de entender.

Se eu mandasse nas palavras, cabrão seria palavrinha e amorzinho, palavrão.

Se eu mandasse nas palavras, fim não seria final mas sim um novo inicio.

Se eu mandasse nas palavras, rimar não faria sentido, sonhar não seria tempo perdido, partir não deixaria ninguém ferido, dor não seria algo sentido.

Se eu mandasse nas palavras, lágrimas seriam nostalgia e tristeza alergia.

Se eu mandasse nas palavras, todas as palavras seriam iguais, belas, puras, respeitadas. Diríamos merda com a leveza de um "olá porra, como está?"

Se eu mandasse nas palavras diria o que queria, escreveria o que sentia, e tentar seria utopia.
Ou não... Pois se eu mandasse nas palavras, certamente nada diria nem escreveria.

Se eu mandasse nas palavras, quereria libertá-las. Mas não mando.
Menos mal...


*Texto inspirado no tema "Se eu mandasse nas palavras" de Mariza.

Está tudo bem...

Por que é que não há boas noticias? Será que em todo mundo não haverá alguém a salvar a vida de outro alguém? Não haverá alguém a dizer ao mundo que apesar de estar tudo a correr mal, vai ficar tudo bem? Será que não há ninguém com uma mensagem de paz e esperança.


Por que é que é noticia mostrar um soldado a morrer mas não o é mostrar um soldado a sorrir?
Por que é que é noticia mostrar o padre a dizer não ao preservativo, mas já não o é quando ele passa uma mensagem de paz e amor?
Por que é que a fome é noticia, mas já não o é ver essas pessoas a dividir o pouco que possuem?
Por que é que alguém que perde tudo o que tem é noticia, mas quem reconstrói tudo novamente já não o é?
Por que é que é noticia pessoas a chorar e não o é pessoas a sorrir?
Por que é que as coisas boas que ainda há no mundo não vão parar aos jornais, onde só a morte, fome, o medo é visto como noticia?


Para estas perguntas existem respostas. Os jornais e meios informativos em geral foram desenhados para nos manter tristes, num estado de medo e stressados, pois estes são estados que só possuem "vantagens". Quem está triste, deprimido, stressado ou com medo precisa de se animar, como forma de tentativa de nos animarmos consumimos, compramos algo, vamos a um cinema, restaurante. Pois nós próprios já não nos conseguimos ver a retirar alegria das coisas simples da vida, como visitar alguém que não vemos há anos, ir a um lar falar com velhotes, ou a um orfanato brincar com crianças.
É a tristeza, medo, stress que nos faz achar que precisamos dos produtos que eles publicitam.

Está também cientificamente provado que estes estados: medo, tristeza, stress, nos fragilizam o sistema imunitário e ficamos mais susceptíveis a qualquer doença, desde uma simples constipação, a uma doença mortal. Pessoas doentes vivem menos e consomem mais.
Quando a noticia não é triste é sempre de um Jet Set, falando ou mostrando luxos que não podemos ter e estilos de vida que nunca iremos viver, peças de roupas que custam mais do que o nosso carro... isto, quando temos carro...


Querem que toda a gente tenha medo de morrer, medo do próximo, medo da vida depois da morte, medo do amanhã. Querem que toda a gente esteja desiludido com o presente, saudoso do passado e deprimido com futuro. A pressão do tempo, "não perca o noticiário às 20:00 *imagens de uma cena terrível*", e nós em stress lá nos apressamos para ver a nova tragédia, stress porque só falta dizerem que o H1N1 é passado por contacto visual. Stress porque está tudo fodido.

A nossa mente é linda, e é poderosa. Só com o uso da mente conseguimos mudar o nosso estado emocional, conseguimos ultrapassar uma doença, conseguimos fazer o melhor possível dos momentos por mais difíceis que sejam, conseguimos ver beleza noutros seres humanos.
Querem provas do que digo? Posso fazê-lo se me dispensarem 6 minutos e 27 segundos, observando os dois vídeos seguintes de principio ao fim, está lá a resposta:






Com tanta violência causadora de medo e demonstrativa de que a nossa sociedade perdeu a cabeça de vez no primeiro vídeo, por que é estamos a ler esta frase com um sorriso nos lábios causado pelo segundo vídeo? Porque são as coisas simples da vida que nos fazem sorrir, coisas que a TV e jornais nos impedem de ver, algo tão simples como um bebé a rir consegue sobrepor-se à barbara violência, porquê? Porque as crianças nascem felizes e são felizes só porque sim, por outro lado não lêem jornais e não ligam às noticias.

Com a televisão desligada e jornais no lixo, começamos a ver o mundo de outra maneira, começamos a ver as pessoas na rua como os seres fantásticos que são, perdemos o medo do nosso vizinho e quem sabe resolvemos sorrir para um estranho na rua, só por que nos deu vontade. Paramos para abraçar uma criança e dizer "está tudo bem", pois começamos a acreditar que sim, que vai estar tudo bem.

Ode ao exagero

Nós como pessoas somos exagerados por natureza. Temos o dia mais triste da nossa vida, o dia mais feliz da nossa vida, o sonho maior que todos os outros, ou o objectivo. O dia mais importante, o dia mais chato. A melhor foda bem como a pior. Mas como é que sabemos se é foi a/o melhor ou pior? Porque o sentimos naquele momento e em forma de exagero falamos como se fosse o último dia das nossas vidas.

Um dia saberemos quais os piores e melhores momentos. Um dia saberemos quem foi a pessoa mais importante nas nossas vidas e esse dia será quando tivermos aquele flashback sob forma de slide show na face da senhora dona morte. Até lá é sempre o dia mais, o sentimento mais... ou menos... até hoje, e não das nossas vidas, pois tudo o que haverá de melhor na nossa vida ainda está para vir, sob forma de equilibro o de mau também.

O problema é que nos ensinaram a ver o mundo como algo em equilíbrio. Ying e Yang, bem e mal, crime e justiça, feio e bonito, céu e inferno, amor e ódio, felicidade e dor. Na verdade esse equilíbrio não existe, apesar da vida ser perfeita o ser humano não é, pois é humano e nada humano poderá alguma vez ser perfeito. Por isso mesmo não há equilíbrio e o que existe que nos magoa será sempre em maior quantidade. Quer a dor seja boa ou má, a fronteira é tão ténue que magoa sempre.


O amor por exemplo é uma busca incessante de todos os seres humanos, não porque seja indispensável apesar de acharmos que sim. Essa busca deve-se ao simples facto de que o amor nos parece ser uma porta para a felicidade. Para uma espécie de Nirvana. Mas o amor não é eterno na sua forma física, só na forma sentimental, mas a nível sentimental o amor poderá ser dor.
Já amaram tanto, mas tanto ao ponto de parecer que o vosso coração pára? Amar ao ponto de vos doer o estômago? Ao ponto de acordarem a meio da noite com medo do fim? Ao ponto de não comerem, beberem, dormirem? Já sentiram uma vontade de apertar alguém com a força capaz de a esmagar? Esse amor dói. Apesar de ser um sentimento belo nunca é a porta de felicidade pois há sempre a puta da dor, do medo lá pelo meio.

Quem ama sofre. Quem não ama sofre. Quem perde quem ama sofre. Parece que o sofrimento é um sentimento presente que não possui contrapeso. Onde está o equilíbrio?

Podemos ser máquinas fixadas num objectivo e derrubar barreira após barreira, mas o amor pára-nos, fragiliza-nos fortalencendo-nos.

Já sentiram aquele abraço em que num segundo sabem que fariam tudo por aquela pessoa? Que passariam uma eternidade de dor para que essa pessoa nada de mau sentisse? A certeza que mataríamos ou daríamos a nossa vida por ela? E ao mesmo tempo num abraço, um simples abraço em que nos sentimos vulneráveis, indefesos, frágeis nos braços dessa pessoa, pois ela na verdade é tudo.
Num abraço somos ao mesmo tempo um Super-herói e uma donzela em apuros.

O amor não é a porta para a facilidade, e se o é, é a porta de uma casa de férias onde não iremos morar para sempre. Mas são as férias que ficarão na nossa memória toda a vida, onde teremos essas memórias como sentimento bom, como contrapeso de todos os maus... mas a balança nunca está em equilíbrio.

Quando acaba e se acaba, o que resta? Saudade, tristeza, incerteza, medos, dor, na verdade tudo é dor, até o amor, o que me leva a pensar que a dor é eterna mas que por vezes é disfarçada de alegria com prazo de validade.

O sentimento de sermos super heróis por amar contrastando com o quanto ficamos indefesos num abraço, é o único equilíbrio.
O amor está para a dor, tal como a vida está para a morte... são férias da eternidade.

Este texto surgiu de uma viagem sem destino que fiz hoje, onde no rádio começou a tocar um clássico dos anos 80 ao qual nunca prestei atenção. A certa altura na musica ele diz: "I just died in your arms tonight", esta frase é descrição perfeita do abraço a uma pessoa que se ama, em que conseguimos sentir o nosso ritmo cardíaco a abrandar numa sensação indescritível de segurança, ao ponto de por um segundo ele parecer parar.

Um sopro

Voo 447

No voo 447, estava uma amiga minha. Alemã, enfermeira de apenas 24 anos. O tempo que passei com ela foi o suficiente para perceber que era uma daquelas pessoas especiais com sede de viver. Sede essa que a fazia gastar todo o dinheiro que ganhava a ver o mundo. Para ela o dinheiro servia para isso mesmo, para viver, e viver não é mais do que recolher boas memórias que são o único tesouro que levamos. Ela levou como ela o seu tesouro e os seus amigos ficaram mais pobres.


O que mais me revolta são as mentiras em torno deste caso, mentiras que a imprensa generalista deixa passar em branco. Mentiras que são aceites pelas pessoas sem que por uma vez se questionem, porque se deu na TV, é porque é verdade. Não é!

Aquele avião tinha pessoas poderosas, membros de topo da empresa Chinesa Benxi Iron & Steel e da empresa Alema ThyssenKrupp Steel AG.

O avião desaparece e deixo aqui a sequência de afirmações que foram saindo na imprensa generalista:

1- A Fox New relatou um míssil de longo alcance a ser disparado de Huston Texas que quase atingiu um voo interno. O piloto do avião afirma ter sido um míssil que passou a poucos metros do cockpit. A população da pequena cidade afirma ter ouvido o estrondo do disparo e ter visto um objecto fálico a rasgar os céus. A noticia é do dia 01 de Junho de 2009 18:49 EST.

Nota: O governo Americano nega que tenham sido feitos disparos de misseis nessa zona, naquele dia, mas que foram feitos lançamentos de misseis no dia 29 de Maio. Não há qualquer testemunha local que tenha ouvido, ou visto disparos nesse dia, mas há dezenas que viram misseis nas ultimas horas de Domingo dia 31 de Maio e primeiras horas de Segunda-Feira dia 1 de Junho. Destroços dos misseis não aparecem levando a acreditar que desapareceram no oceano.

2- Air France afirmou na segunda-feira dia 01 de Junho às 19:42 EST, que o avião devido a ter entrado numa zona de alta turbulência desapareceu durante a noite e se despenhou perto das canárias.

Nota: O avião saiu do Brasil no domingo 31 de Maio às 11:00 GMT e até ao momento em que desapareceu do radar era impossível ter atravessado o oceano até às canárias. Além disso as buscas começaram imediatamente junto a uma ilha Brasileira do outro lado do oceano.

3- No dia seguinte a Air France, diz que recebeu uma ameaça de bomba naquele voo alguns minutos após o avião ter levantado voo.

Nota: Se receberam esta ameaça, por que é que o avião não voltou para trás? Se receberam esta ameaça por que é que não foi divulgada na primeira noticia?

4- Os Americanos já anunciaram ter sido um acto terrorista.

Nota: Diversas pessoas no Brasil que vivem junto à costa, afirmam ter ouvido explosões. A hora a que dizem ter ouvido explosões coincide com a hora em que o avião desapareceu do radar.
Mais uma vez, o governo Americano numa incitação ao medo do papão terrorista que serve os seus interesses quer desviar as atenções para algo que ainda está para ser revelado.
Eu sei que quando há um alvo, que pode ser só uma pessoa, o poder não hesita em matar centenas. As principais testemunhas e muitas das pessoas que processaram o estado Americano pelos acontecimentos de 9/11, faleceram já em "acidentes", sendo o mais comum o "acidente de aviação".

5- De acordo com peritos da Air France, as caixas negras do avião não foram activadas e por isso não terão dados sobre o que aconteceu.

Nota: Nunca na história da aviação desde que a caixa negra foi implementada, uma não funcionou. Sempre que o painel de controlo do avião detecta uma avaria por mais pequena que seja, a caixa negra é activada. Se por algum motivo, como no caso de turbulência o avião baixa de altitude mesmo sem avaria, a caixa é activada automaticamente devido à baixa altitude do avião ser considerada perigosa tendo em conta a rota traçada. Se a caixa não foi activada é porque o avião foi destruído em pleno ar.
Terrorismo? Com toda a certeza essa é a explicação, mas os terroristas a quem os governos apontam os dedos, estão para esses governos como um carteirista está para um mafioso.

Aqui fica uma investigação pessoal de uma das muitas pessoas a investigar o assunto, que pela primeira vez deu a cara enfrentando o governo, o seu patrão. Não digo que seja verdade, mas é a mais forte possibilidade.



Os nomes grandes que ele refere não acredito que tenham sido os alvos, na minha opinião os alvos eram os diversos membros de uma empresa Chinesa e de uma Alemã de aço para fins militares.
Ora com a desculpa de acidentes mal explicados, ora com a desculpa de terrorismo inexistente, inocentes são usados para atingir fins militares ou económicos. Dentro de dias haverá alguém a ser acusado e esse alguém estará no médio oriente como sempre... e como sempre será unicamente um bode expiatório.

A primeira


O seu nome é Filipa, uma menina insuportável que me achava insuportável, éramos fogo e água, existia uma faísca entre nós que nos repelia e nos fazia trocar simpatias arrogantes que divertiam os amigos comuns. Ela representava tudo o que eu mais detestava, a menina certinha, sossegada, educada e loura de olhos azuis, tudo coisas que nada tinham a ver comigo. Com o tempo percebi que toda esta luta entre nós me divertia e acabei por me apaixonar. Combatendo o que sentia acabámos por nos tornar grandes amigos e eu arrumei esses sentimentos. Mas como seria de prever em duas pessoas tão diferentes, assim que aceitei a amizade essa amizade para ela não chegava e foi mais uma luta de investidas dela e escapadas minhas.

Eu para ela era a aventura que ela buscava, motas, festas, abusos, riscos, a entrada numa sociedade adolescente fechada que arrogantemente se considerava elite, o pegar na menina do papá e torná-la rebelde para o chocar. Ela para mim era um porto seguro da minha insanidade, sozinho em casa com ela eu sabia que não iria fazer mal a ninguém e muito menos a mim mesmo.
Passaram três anos e nada mudou na minha vida, tendo tudo mudado na dela, a relação deteriorava de dia para dia, eu arrefecia, ela forçava e sentia-me a enlouquecer. Três anos de dedicação total, de companhia total, passávamos todo o nosso tempo acordados juntos e por vezes até a dormir. O meu um dia porto seguro era agora um mar revolto que achava que o mundo lhe devia favores, os quais ela iria cobrar. Foi um final de relação duro, pois não sabíamos o motivo do fim mas tinha de ter um fim. Éramos iguais, eu e ela que passou a ser eu na versão feminina e por ter encontrado comigo uma liberdade que nunca teve, queria mais e mais, numa altura em que eu começava a ver a minha vida como uma espiral destrutiva voluntária, sem perspectivas de futuro nem grande interesse nisso.

Aquele fim foi interpretado por ambos como um "stand by" para crescermos um pouco, pois gostámos de uma forma tão intensa que foi como que um esgotar de sentimentos. Não havia um segredo, um detalhe escondido, não havia mistério, nada, apenas duas pessoas que eram como que a mesma em corpos diferentes. Deixámos de nos ver e por escolha dela de nos falar. Mesmo numa discoteca cheia os meus olhos encontravam os dela e eles conversavam numa linguagem própria. Só 10 anos depois trocámos palavras tímidas e secas cheias de interrogações e de exclamações.

Foram bons anos da minha vida nos quais aprendi muito. Com ela, demos os primeiros passos no sexo, sem restrições, convenções ou limites.

Recebi um E-mail da Filipa hoje, li-o e não respondi pois não sei o que lhe dizer. A certa altura do mail diz que está a pensar casar, não diz que vai, diz que está a pensar. Eu já recebi imensos convites de casamento e informações de amigos que vão casar, mas este é o primeiro de alguém que pensa que vai, nem é um convite, nem uma informação... enfim é spam...

Abismo


Tudo o que ela é e representa arrasta-me para memórias passadas de tudo o que não gosto. O olhar, o sorriso, o olá, iguais aos gravados na minha mente que despertam a besta que matei.
O cheiro, o toque, a voz, que me chega a um local que há muito achava morto. Esquecido.
Se odeio tudo isto, como é que me senti atraído. Perdido. Perdido por me encontrar em pensamentos passados. Perdido num labirinto que já conheço de cor e salteado. Percorro-o de olhos fechado para não ver a saída.

Deverá ser a infinita atracção pelo abismo que rege a minha vida. A atracção que dia a dia combato e mais um dia é uma vitória. O abismo vencerá, eu sei, mas não será assim com tanta facilidade.

A destruição voluntária negando a queda. O fim é a contradição detectada em alguém sem sentido, pois faz sentido. Talvez só para mim e é isso que importa, que faça sentido.

Se ela representa tudo o que odeio, por que me atraí?