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Os amigos e o Facebook

O jornal digital ionline está nas ruas da amargura, este declínio começou quando deixaram de ter jornalistas e passaram a ter putos a tomar conta do site. O ionline publica tudo o que aparece sem verificarem a sua veracidade (já apontei alguns casos neste blogue). O caso que vou falar hoje é uma clara incapacidade de distinguir entre o que é noticia e o que é publicidade. A não-noticia tem como título:

por Clara Silva, Publicado em 25 de Janeiro de 2010

Esta não noticia fala-nos de um suposto estudo feito por o antropólogo Robin Dunbar, professor da Universidade de Oxford e que nos diz que 150 é o numero máximo de amizades que o cérebro é capaz de gerir. Até chamam a este numero: número de Dunbar.
Consciente da estupidez deste numero estabelecido como máximo absoluto como se a nossa cabeça fosse um PC com as mesmas limitações, o neuropsicólogo Nélson Lima refere que o número é variável mas ter 1.000 amigos é impraticável. Quando pensei que a não-noticia não poderia ficar mais ridícula, ela na verdade não ficou mesmo, pois Nélson Lima acabou por dizer algo acertado: "O que importa não é o número, mas sim a qualidade das relações e a disponibilidade que temos para as cultivar." E termina com algo que merece um aplauso meu: "Na internet usa-se o termo 'amigo' para um membro de uma comunidade (...) É abusivo. São meros conhecidos, apenas relações virtuais." 

Logicamente o nosso cérebro é diferente do cérebro do meu vizinho. Pessoalmente esqueço dos nomes das pessoas mas mantenho memória fotográfica das caras e basta-me ver uma cara para me lembrar quando e onde a conheci. Outras pessoas nunca se esquecem dos nomes mas a memória dessas pessoas não vai além disso mesmo, um nome associado a uma cara.

Mas porque raio falam no Facebook havendo tanta plataforma deste tipo? E se o estudo é dos anos 90 como é que isto se torna noticia agora? Isto não passa de uma ridícula manobra publicitária e por isso usam o nome Facebook.

Eu não tenho 5.000 amigos, nem 1.000, nem 150 nem 50, nem 10 nem sequer 5. Os meus amigos são 4 e um deles é uma cadela. Estamos a banalizar uma palavra usando o termo "amigo" para definir as pessoas que conhecemos, tal como ao longo de séculos banalizámos a palavra "amor" para nos referirmos a um simples gostar. Hoje ninguém sabe ao certo quando ama ou gosta muito e em breve não saberemos o que é realmente um amigo.

NaNoWriMo

O mês de Novembro é, como todos os anos, o mês Nanowrimo, uma interessante "competição" literária que consiste em escrever um mínimo de 50.000 palavras em 30 dias. A ideia obviamente não é escrever um livro, é unicamente escrever, escrever e escrever sobre uma qualquer ideia que com muito trabalho nos meses seguintes será refinada ou simplesmente abandonada.
Participei não oficialmente no ano passado porque invariavelmente durante uma história, penso noutra e esqueço a primeira e por isso tenho um cemitério imenso de palavras esquecidas. Este ano foi a minha primeira participação onde não só cumpri o objectivo mas ultrapassei-o em mais de 200% (+-163.000 palavras).

 (É parvo o termo "winner" pois não é uma vitória mas sim um "Achievement".)

Foi por este motivo que estive ausente do blogue, pois pretendia ganhar disciplina a escrever sem distracções.

Após vários dias a pensar sobre o que escrever e cheguei à conclusão que não cheguei a conclusão nenhuma. Primeiro pensei em escrever algo ridículo como uma qualquer história de vampiros que andam entre os mortais durante o dia e que brilham quando expostos à luz solar, mas chamaram-me à atenção para a obra semi-original: Twilight.

Se ser semi-original dá estatuto à obra, pensei em escrever algo ridículo como uma qualquer história de vampiros que andam entre os mortais durante a noite e que brilham no escuro, mas chamaram-me à atenção para a ineficácia de um predador nocturno fluorescente e que iria sem dúvida atrair diversos insectos.

E que tal uma espécie de tragédia Grega? Poderia ser a história não de um filósofo Grego mas sim do seu nemesis que um dia se torna primeiro ministro de uma nação que se julga o topo do mundo mas que é na verdade um barco de madeira à deriva, sem leme nem capitão navegando pelo meio de Icebergs armado em Titanic.

O que reparei desde que decidi participar oficialmente, é no ódio que existe em imensos blogs pelo Nanowrimo. Esse ódio é sempre de escritores profissionais que argumentam que ao escrever 50.000 palavras em 30 dias teremos 50.000 palavras de merda e não as suficientes para um livro. Mas quem é que disse a estes ET's que alguém está a tentar escrever um livro? E quem é que disse as estes ET's que após o dia 30 de Novembro vamos considerar a história pronta e publicável? E quem é que disse a estes ET's que quem participa quer publicar?

O NaNoWriMo é só uma forma de nos obrigarmos a escrever. Escrever merda, merda e mais merda e mesmo sabendo que é merda continuar sem parar e no final, certamente teremos uma história cheia de lacunas e muito mal elaborada com devaneios semelhantes a alucinações devido ao sono, mas... lá pelo meio haverá sempre algo de muito interessante, mesmo que seja uma só frase.

Mas a loucura será em 2011 onde irei participar no Milwordy: 1 milhão de palavras em 365 dias.

Ditado do dia: "Quem escreve por gosto, não cansa mas gasta o teclado"

Fehr e os telemoveis, Reloaded

Hoje ia escrever sobre não sei o quê, mas como não sei quê, já não vou escrever sobre isso. 



Esta manhã tocou o telefone, curioso em saber quem é que estava farto da vida e queria morrer, pois é o destino das pessoas que me acordam antes das 11 da manhã, venho a saber que tinha uma encomenda na recepção mas que era preciso o meu passaporte para a recolherem pois o senhor da UPS tinha ordens para entregar em pessoa...  

Ora, não é que a minha fantástica companhia telefónica após serem informados na segunda-feira do meu infortúnio não só me mandaram um cartão novo (com novo numero porque blá, blá, blá, a urgência, blá, blá, blá, papelada e blá, blá, blá), mas também um telemóvel novo, 100% grátis e acompanhado de um pedido de desculpas por não ser o mesmo modelo pois parece que o Nokia 5800 não é mais fabricado... quem tem, tem e quem não tem, tivesse. O que me ofereceram foi um... hmmm, vou ver, já volto... Nokia 5230. Tem o mesmo formato mas é de outra cor, não tem pen nem flash mas o touch-screen tem melhor sensibilidade e é mais leve.



Não é fantástico? Fizeram sentir-me um VIP, mas não um VIP qualquer mas sim do tipo estrela de rock dos anos 90 com uma ressaca gigantesca (sim, a noite foi agreste). Só me faltava mesmo era o nariz sujo de farinha ou pó talco e com uma loura e uma morena semi-nuas debaixo de cada braço.

Parece tudo muito bonito mas não é bem assim... Aqueles mais atentos que leram o texto do passado Domingo podem perguntar:

Leitor atento: "Ó Bruno se tinhas perdido o telemóvel para que é que pediste um novo cartão?" 
Bruno Fehr: "Ainda bem que fazes essa pergunta! Não faço a mínima ideia."

Mas aqueles leitores ainda mais atentos, podem perguntar:

Leitor ainda mais atento: "Agora tens um numero novo e um telemóvel novo, mas se não tens o antigo nem um backup da agenda... Quem é que te liga? A quem é que tu ligas?"
Bruno Fehr: "Ainda bem que me fazes essa pergunta, Não faço a mínima ideia."

É irónico como por segundos um problema parece estar resolvido mas na verdade vai dar ao mesmo. Vou usar este telemóvel da mesma forma que algumas pessoas que deixam de fumar andam com um maço de tabaco com o último cigarro. E claro, para um homem educado é importante ter um telemóvel no bolso, pois ao colocarmos a mão no bolso para coçar os tomates podemos sempre disfarçar tirando o telemóvel.

Sa(n)grado


Por um colorido caminho distorcido por uma visão monocromática, deslizo.
Subo e caio em momentos de melancolia e histeria no meio de uma insustentável alegria.

Mas quem és tu para condenar o meu caminho?
Quem és tu que na solidão me dizes estar sozinho?
Quem és tu que da tua prisão voluntária me tentas definir liberdade?
O que sentes é raiva do teu caminho e escolhas, e atacas-me por sentires saudade.

Saudade da vida que tiveste pressa em deixar, submetendo-te à protecção do que acreditavas ser um objectivo humano. Esse objectivo é hoje a tua prisão. A sagrada união que se tornou numa divina desilusão.

A amargura que te consome por dentro, te envelhece por fora, não por seres infeliz mas sim por te teres obrigado a ser, enganada pelos contos de fadas "e foram felizes para sempre", sempre? Todos sabemos que nada é eterno e se o fosse seria um inferno.

O que é que se ganha em criticar um sorriso, só porque alguém morreu do outro lado do mundo?
O que é que se ganha em defender a nossa tristeza atacando alguém que sorri, como se isso fosse um insulto àquilo que sentimos?

Todos acreditamos que somos especiais e únicos. Todos gostamos de dizer que somos diferentes dos restantes. No entanto quando aparece alguém realmente diferente essa pessoa é rotulada de anormal. Mas desde quando ser anormal é incorrecto? Não é isso que todos nós alegamos em defesa da nossa individualidade? Todos querem ser diferentes mas ninguém quer ser anormal? Será que tendo 300 soldadinhos de chumbo iguais pintados de cor diferente os torna únicos?

Sou único no meio de iguais que lutam pelas suas diferenças. E sim, sou anormal pois é o termo correcto para salientar as diferenças e não há nada de pejorativo na palavra.

Por um monocromático caminho distorcido por uma visão em tons de cinza, deslizo.
Subo e caio em momentos de melancolia e histeria no meio de uma insustentável alergia à letargia.

Monalisa

O meu ano começou de uma forma normal até me ter trazido más noticias. A minha cadela mais velha, uma pastora Alemã chamada Monalisa, morreu.
Comprei-a em Julho de 1996 com 2 meses e desde então tornou-se parte de mim. Sempre feliz por me ver e desejosa de brincar, sempre serena a meu lado quando eu estava triste, sempre por perto a ganir quando eu estava doente, e  a uivar ao telefone quando eu estava longe. Ao contrário de família e amigos, a Monalisa viveu a meu lado os melhores e piores anos da minha vida até hoje, nunca me julgou, nunca me deixou só, e parecia perceber o que eu sentia pois comportava-se de uma forma similar, saltando e brincando excepto quando eu estava triste limitando-se a deitar-se perto de mim e ali ficava como uma amiga à espera de um desabafo, e se com ela falava ela observava-me atentamente como se realmente me estivesse a perceber.




Saí com o faço todos os dias com ela, comeu e adormeceu como num qualquer outro dia, mas não acordou no dia seguinte.
Perdi aquela que foi a minha melhor amiga nos últimos  quase 14 anos. Morreu, mas não me deixou o remorso que sinto do que fiz ao meu cão, Prince, pois não tive de a mandar matar.
Naquela noite como rara excepção, ambas as minhas cadelas foram autorizadas a dormir no chão do meu quarto, mas quando acordei só a mais nova lá estava, tendo a Monalisa ido falecer na sua própria cama.

Os nossos animais nunca nos deixam nunca nos falham, estão sempre lá quando precisamos deles, mas nós nem sempre retribuímos. Só deverá ter um animal quem o amar, mas hoje compreendo que quem ama demais os seus animais não deverá ter nenhum, pois somos obrigados a vê-los partir e sentir demais essa partida.

Mais do que ter de lidar com a minha dor, tenho de lidar com a dor da minha cadela mais nova, que uiva quase constantemente, um uivar que me trespassa de uma forma gelada. A Shiva não come excepto o que a obrigo a comer dando-lhe o comer à boca, não brinca, não quer sair de casa e raramente se levanta. Esta cadela como o membro mais novo de uma família agora destruída foi severamente disciplinada pelo Prince e pela Monalisa, com a partida do Prince quase desistiu de viver. A Shiva foi comprada numa atitude egoísta de ser companhia da Monalisa após o diagnóstico do estado do Prince e acabou por ser ela a sacrificada vendo partir ambos. Ao vê-la desta maneira, sinto que a minha companhia, para ela, não chega.

Os nosso animais nunca nos abandonam, fazem tudo o que podem e sabem por nós, mas nós nem sempre retribuímos da melhor forma.


Em Lá menor...

Há muitos anos a forma por mim encontrada de me expressar era pela música, certo dia os instrumentos passaram a ser objectos de decoração pois foram usados para expressar os momentos mais dolorosos da minha vida e comecei a vê-los como uma espécie de depósitos de más memórias. Por isso passei a escrever sem musicar as palavras o que me levou a um outro mundo, e foi nesse outro mundo que a blogosfera entrou como meio de comunicação.

Apesar de ter recebido este Natal como em todos os outros Natais presentes que gosto, pois felizmente quem me quer dar algo não o faz por fazer pois conhecem-me e sabem que detesto obrigações banais, recebi pela primeira vez O presente. Digo O com maiúscula pois é o presente que não sabia que queria ou precisava. Algo que me passou ao lado mas que a certa altura me marcou. O presente em que bastou olhar para ele e senti o meu coração a bater rápido, um aperto no estômago, as pernas fracas, uma lágrima tímida e um sorriso só porque sim.

Alguém me deu isto:


 
Esta guitarra não é uma guitarra cara, tenho outras 6 de qualidade superior.
Esta guitarra não é nova, é já bem usada.
Esta guitarra não foi de uma estrela rock, mas foi da estrela que mais brilha no meu céu. 
Esta guitarra estava há 11 anos esquecida na minha memória mas foi só olhar para ela para sentir notas musicais a flutuar na minha mente.

Esta guitarra pertenceu a alguém muito especial para mim, alguém que partiu do meu mundo físico mas nunca da minha memória e 11 anos depois este instrumento veio parar às minhas mãos.
Dos que estão a ler este texto, poucos terão lido um romance que publiquei online há  mais de um ano e a guitarra que é mencionada lá, é esta.

O melhor presente não há dinheiro que o pague, não há obrigado que o agradeça, não há palavras que descrevam o que se sente, e mesmo que a satisfação de me dar esta guitarra seja comparável ao sentimento de a receber, mesmo assim, o meu abraço terá sido pouco e nunca poderei recompensar essa pessoa com mais do que o meu carinho eterno e quem sabe, uma Ode ao dia de hoje.

Um dia mais dia que hoje

Passeio pela cidade e vejo toda a gente a preparar-se para um dia, um dia que é mais dia do que todos os dias, um dia em tudo o que de especial acontece, acontece porque fazemos acontecer. Esse dia poderia ser hoje ou amanhã, mas não, tem de ser naquele dia em que todos dão o que não podem, gastam o que não têm, fingem o que não sentem, desejam o que foi previamente escrito em postais.


Tendo passado o primeiro advento, esta cidade e montras iluminam-se, as casas ganham vida com a ajuda de luzes psicadélicas, pois toda a gente prepara um dia em que vai sorrir porque acha que tem de sorrir.
Festejam nesse dia a família que deveria ser festejada todos os dias. Festejam o nascimento de alguém que nasceu há dois milénios não neste dia mas num outro qualquer.

O hoje não importa e o amanhã também não, mentalmente já toda a gente está nesse dia que ainda está para vir e os dias até lá são ignorados, são vistos como uma barreira a ultrapassar, pensando "hoje não, amanhã não mas dia 25 vou sorrir e ver sorrir". Sorrisos marcados numa agenda e em todas as agendas todos os anos. Nesse dia não sorrio e arrasto-me por ele desejando que termine rápido, pois é o dia em que me sinto triste por ver tanta gente feliz, por ser uma felicidade planeada só para um dia.


E passado esse dia lá nos arrastamos para outro em que se celebra... a passagem de um dia, de um simples dia em que nos dizem que muda o ano só porque o calendário que adoptámos assim o diz. Não sei se festejamos o ano que passou ou se celebramos o que está para vir. E se o ano que passou foi mau? E se o ano que vem será mau? O que estamos a celebrar? Um segundo, estamos a celebrar um único e simples segundo, não é um dia, não é um ano, década, século ou milénio, é um segundo onde contamos os últimos 10 para chegar àquele que parece ser o mais importante e onde explodimos numa injustificada felicidade não devidamente analisada.

Vamos dormir e acordamos e tudo está igual, é simplesmente um novo dia em tudo igual a ontem, excepto... o calendário.

Temos de nadar

Ouvi a hoje a história de um músico que durante a gravação do seu novo álbum, foi diagnosticado com leucemia. Após internamento e cirurgia tendo a sua irmã como dadora ele recuperou. O vídeo que apresento é da música que ele escreveu enquanto estava na sua luta pela vida. Apesar de eu nunca ter padecido desta doença, ela faz parte da minha vida e vi nesta letra uma excelente mensagem que de certa forma se aplica não só a quem padece dela mas também a quem fica como um mero espectador assistindo à partida de pessoas amadas e tendo de aprender a lidar com um mundo totalmente novo de sentimentos:



Swim, de Jack's Manequin (tradução parcial)

"Tens de nadar, nadar pela tua vida, nadar pela música que te salva quando não tens a certeza se vais sobreviver. Tens de nadar e nadar quando dói. Todo o mundo está a ver e não chegaste até aqui para caíres da Terra. As correntes vão puxar-te para longe do teu amor. Mantém a cabeça erguida. Encontrei uma onda gigante que começa a derrubar a alvorada. Memórias como balas disparadas contra mim de uma arma perfurando a armadura. Nado por melhores dias apesar da ausência de sol, sufocado em água salgada não irei desistir, nado.
Tens de nadar por noites sem fim. Nadar pelas vossas famílias, amantes, irmãs, irmãos e amigos. Tens de nadar por guerras sem causa, por políticos perdidos que não vêem a ganancia como falha. Tens de nadar no escuro. Não há vergonha em flutuar, sentir a maré mudar e esperar por uma faísca. Tens de nadar não te deixes afundar, procura o horizonte e prometo-te que não será tão longe quanto pensas. As correntes afastam-nos do nosso amor."

Se mesmo com toda esta luta, quem nada acaba por ceder à força das correntes e parte para sempre dos nossos olhos, não podemos nunca deixar que parta das nossas memórias e por mais que pareça que o mundo acabou, por maior que seja a vontade de nos deixarmos submergir por não termos forças nem vontade para lutarmos contra as ondas e as correntes, temos de nadar e continuar sempre a nadar em nome da memória de quem tanto nadou por nós, só para que ao abrir os olhos nos visse  e soubesse que estamos ali no mesmo mar revolto a nadar a seu lado contra os mesmo elementos. Temos de nadar.

Eu


O que é realidade e o que é ficção? Onde está a fronteira? Qual a importância dessa fronteira?

A sério que fico incomodado com questões sobre o que sinto ou senti em determinado texto. Já escrevi textos mais sentimentais sem que esteja nesse estado. Teremos nós de chorar para escrever algo que parece mais triste? Teremos nós de estar bem dispostos para escrever algo com humor? Às vezes, mas nem sempre. Garanto que os meus textos mais humorísticos são escritos em momentos de depressão, até em pessoa acabo por dizer mais piadas quando estou triste, é uma defesa, pois o facto de ver pessoas a rir faz-me sentir melhor. Tal como muitos dos textos mais sentimentais são escritos em momentos em que estou bem, estou firme, seguro de mim e consigo analisar de uma forma clara e lúcida um sentimento.

Escrever, para mim é como representar. A única forma que tenho de descrever algo que me custa, é transportar-me para esse sentimento, lembrar o momento em que o senti e assim poder analisá-lo e compreende-lo para o poder descrever. Outras vezes, estou mesmo em baixo e escrevo algo nesse momento, que muitas vezes ao ler nem eu percebo.

Estarei errado? Será que o meu blogue, o meu espaço, a minha casa virtual tem de ser uma janela para a minha alma? Será que este espaço tem de ser um local para me conhecerem? Desculpem mas não concordo, pois se assim for prefiro acabar com este espaço. Eu partilho palavras organizadas de uma forma consciente ou inconsciente, e é da organização dessas palavras que devem ou não gostar. Nunca de mim. Eu sou só quem canaliza essas palavras para este formato e nada mais. Não me estou aqui a dar ou a expor, estou a partilhar.

Agora bocas sobre mim e sobre a minha vida quando ninguém me conhece verdadeiramente? Não vale a pena pois caem no ridículo. Não estou aqui para ser atacado por pessoas medíocres escondidas pelo anonimato. Não gosto de mandar ninguém para o caralho, mas mando. E porque não? Em momento algum eu reclamo perfeição, e se gosto de mim gosto das minhas imperfeições, e mandar alguém para o caralho é uma delas.

Eu escrevo a minha realidade e escrevo ficção. O que difere a ficção da realidade é muito pouco, pois tudo o que escrevo de ficção tem realidade e a realidade não tem ficção. Seja o que for que se escreva está lá sempre um pouco de nós. Nos meus textos no Prisão de Palavras, que são exclusivamente ficção, há um pouco de mim em cada palavra e haverá sempre.

Há que haver um pouco de discernimento. Eu não reclamo ter verdades absolutas. Eu não adivinho o futuro, mas isso não me impede de opinar. Digo e repito que nada do que digo deverá ser tomado como a vossa verdade, eu abordo assuntos e se vos interessa, investiguem. Leiam o que escrevo e confirmem ou ignorem, mas cruzem sempre as fontes e desse estudo poderão ou não encontrar a vossa verdade. Mas o importante é a busca e a preparação que ela vos dará.

Mas por favor, não tentem fazer análises de psicólogos de trazer por casa, pois se dispenso isso de profissionais o que acham que penso sobre amadores?

Tem havido um aumento significativo de anónimos, em particular desde que decidi não descer ao nível ofensivo de alguns comentários. Hoje apago-os e continuarei a apagar, mas a minha paciência tem limites, é difícil de atingir o limite mas tudo depende do meu estado emocional e se implicar com um anónimo eu não paro e irei atrás dele, demore o tempo que demorar. Já o fiz e quando o fazia os anónimos desapareciam nem que lhes tivesse de telefonar para casa como aconteceu ao parvo do Norte há uns meses. Agora não me tentem fazer de palhaço.

Não há anónimos, só anonymous e para bom entendedor meia palavra basta.

Fiquem com Fernando Pessoa e uma citação que exprime a minha postura neste blogue:

Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.

Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço,
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.

Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre no meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!

Tudo o que tenho para dar neste blogue é um pouco de mim, um pouco da minha mente sob a forma de palavras. Nunca eu, só as palavras que não são minhas mas nas quais pego e moldo da forma que acho lógica num momento. Pois este blogue são momentos. E se por algum motivo o que dou não chega, então estão no blogue errado.

O Prince

O Prince era um Serra da Estrela foi o cão mais estranho que já tive. Tinha uma combinação de genes explosiva, pois na sua descendência havia a mistura desta raça com lobo. Não só ele era um Alfa, em que aparece um no meio de centenas, mas tinha a "unha do lobo" que é um dedo extra em todas as patas, mais ou menos a meio da perna. Estas duas combinações foram para o criador um aviso de cão perigoso. Foi por isto que o escolhi, por o ver como cachorrinho a mamar e todos os outros cachorros nem se aproximavam, esperavam que ele terminasse, com que vendo aquela bola de pelo igual a eles como mais perigosa.


Os primeiros 12 meses com o Prince foram terríveis, tínhamos lutas por domínio. Para o cão eu era mais um macho que ele tinha de dominar e eu não o poderia deixar fazê-lo. Com o tempo venci-o parcialmente, apesar de me ter um respeito imenso sentia-se na responsabilidade de me proteger mesmo contra a minha vontade. O controlo era parcial pois quando ele queria atacar outro cão, só o conseguia parar 8 em cada 10 vezes, tudo dependia da postura do outro cão. Se fosse um cão possante com presença dominadora o Prince sentia-se forçado a mostrar que a sua força era superior. O cão era tão agressivo que relutante acabei por o mandar castrar, pois assim ficaria mais manso. Errado, a castração em nada alterou a personalidade do animal.


A sua natureza selvagem fazia com ele se sentisse mal na cidade. Ele nunca bebeu água de um balde, nem daquelas taças que aqui dão aos cães nos cafés e restaurantes. Ele só bebia de poças de água, riachos e rios. No jardim, tive de improvisar um pequeno lago que enchia de água e cobria de folhas verdes para lhe dar o aroma que o incentivava a beber. Dentro de casa ele só aceitava água... da sanita, chegando ao ponto do WC da cave ser só dele.


Quando ele tinha 5 anos, já 8 seguradoras tinham rescindido contrato comigo, já tinha tido mais de 12 processos judiciais por danos a outros cães, já tinha pago uns bons milhares em indemnizações. Nenhuma companhia o queria passear enquanto eu trabalhava. Comecei a contratar só homens, estudantes ou desempregados com bom porte físico para o passear sem nunca o deixar solto. Um desses homens foi um Ucraniano de 1,90m e excelente porte físico, a quem o Prince partiu um braço e o arrastou pelo passeio, só para ir morder num Pastor Alemão de um vizinho meu, que o meu cão odiava.

Certo dia fui de férias, deixei o Prince tal como a Monalisa e a Shiva num hotel. As instruções deixadas eram claras, Não deixar o Prince solto com outros machos, unicamente com fêmeas, pois ele nunca mordia em fêmeas. A meio das férias telefonam-me, o Prince envolveu-se numa luta com um Pitbul e durante 20 minutos ninguém naquele hotel conseguiu separar os dois. O pitbul sobreviveu à luta e à cirurgia mas faleceu horas depois, e o meu cão teve de se submeter a 6 cirurgias para recuperar o andar.


Ao descreve-lo assim faço-o parecer um monstro mas não era. Com os seus 98Kg e o seu pelo longo amarelo, ele parecia um urso, era gigantesco e não passava despercebido na rua. Toda a gente lhe queria tocar, algo que o aborrecia. Adorava crianças e deixava-se montar por elas, e se o deixava com uma criança ele não tirava os olhos dela, não deixava que nenhum desconhecido se aproximasse dela. A agressividade dele era sempre territorial em relação a outros cães, machos e de grande porte.

Em Janeiro de 2006 foi detectado cancro no sangue do Prince no final de Agosto apesar da força dele eu notava as dores que ele sentia. E matei-o. Chamei o veterinário lá a casa e assinei a autorização para a injecção letal. Até ao veterinário vir brinquei com ele, abracei-o e ele olhava para mim. Ele sabia o que eu ia fazer, eu conseguia ler isso nos seus olhos.


Mandei-o entrar na parte de trás da carrinha, que acabei por vender por me lembrar dele, e lá dentro o veterinário deu-lhe a injecção letal; deu-lhe uma, duas, três e o cão estava ali vivo cabeça no meu colo que só levantava para olhar para mim, parecia dizer que compreendia o que eu estava a fazer, mas eu não compreendia a minha decisão. Perguntei ao veterinário o que se passava e ele só me disse que nunca tinha visto um animal a aguentar tanto. Acabou por levar 5 doses. Demorou tanto tempo, eu queria controlar as lágrimas porque ele observava-me com os olhos super brilhantes, e lentamente senti-o partir. No final paguei ao veterinário sentindo um ódio terrível daquele homem, só para após ele ter saído sentir ódio de mim próprio.

Agora, dois anos depois da partida prematura do Prince, tenho a minha Monalisa, mais velha que ele, com a mesma doença. Leucemia. Acho que a Leucemia é o meu mau Karma que me persegue e insiste em levar de mim aqueles que me são importantes, como se fosse uma espécie de equilíbrio universal o facto de eu ter de ver tudo e todos partirem. Como se eu tivesse de arcar com a negatividade para que outros tenham alegrias.
Todos os dias vejo-a partir lentamente, está muito mais fraca do que o Prince alguma vez teve mas não noto dor, só a noto triste.

Vejo a forma como a minha outra cadela, a Shiva, trata a Monalisa. Não a deixa 1 segundo sozinha, vai-lhe buscar bolas, bonecos e sapatos meus, tudo para a animar.
Dou por mim a observar tudo isto, e penso o quão fantásticos são os animais, o quanto eles sentem tão ou mais intensivamente que nós, a sua capacidade de amar os donos e outros cães incondicionalmente, estando sempre lá, sempre alegres e não esperando nada em troca. Concluo que apesar de elas precisarem de mim eu preciso muito mais delas.

Escrevi tudo isto como desabafo e como justificação da minha ausência nos próximos dias, estarei por aqui mas muito menos tempo.


Cães

Ao visitar o blogue da Alfabeta vi o vídeo com as fotos do cão que no meio de uma avenida movimentada ficou ao lado de um outro cão seu amigo que tinha sido atropelado. Esse vídeo lembrou-me o seguinte, sobre um cão herói que retirou outro de uma autoestrada movimentada.



Isto é sinal de inteligência, não é esperteza, não é simples instinto! Não me lixem, este cão foi capaz de sentir algo mais nobre do que a maioria dos seres humanos em relação ao seu semelhante. O cão salvo acabou por falecer, o cão herói não foi encontrado pelas autoridades e ainda bem, pois os seres humanos burros aos milhares mostraram-se interessados em adoptar este cão. Não um dos milhares de cães que precisam de dono, mas sim este, pois este cão herói iria contribuir para o estúpido e burro ego humano.

São seres destes que deficientes querem destruir, e tal como já publiquei, aqui e aqui. Já terminei os contactos com todas as instituições que eles contactaram e muitas mais, tive mais respostas do que este projecto criminoso, 85% dos nossos E-mails foram respondidos e posso garantir que a esterilização obrigatória de animais não será uma realidade. É certo que temos um problema, mas esse problema reside em nós e não nos animais. Nada mais do que isto esperava como resposta. E os senhores incultos, mentecaptos e interesseiros envolvidos neste projectos deveriam autoesterilizar-se, pois isso sim, traria um beneficio para a sociedade.
Apesar do pequeno grupo que criei como oposição ao grupo que quer ver todos os animais de companhia esterilizados (campanha do blogue: Esterilização Obrigatória), ter vencido esta batalha a guerra ainda não foi ganha, pois este grupo apoia agora um partido politico a ser criado, Partido Pelos Animais. Este partido será financiado pelo Lobby de criadores que fariam fortunas com a esterilização obrigatória dos nossos animais bem como pelo incauto amante dos animais que acha que eles sabem o que dizem. Só um partido politico poderia dar-lhe uma vitória. O sucesso deste partido depende de nós. Quem tem e quem gosta realmente de animais, não deverá apoiar nem este projecto, nem este partido. Hoje entram em nossa casa e esterilizam os nossos animais... e se amanhã acharem que os humanos se reproduzem demais?

A solução não é a esterilização, mas sim a educação. Educar as pessoas mesmo que seja à lei da multa sairá mais barato e até será lucrativo até que as pessoas aprendam que os animais devem ser respeitados e que é nossa obrigação cuidar deles durante toda a sua vida.

É impressionante como nós nos consideramos inteligentes mas incapazes na maioria dos casos do tipo de sentimento revelado no vídeo: compaixão, incapazes de arriscar a nossa vida por alguém ou de simplesmente ficar ao lado de alguém, pois é mais seguro ligar para o 112 e continuar o nosso caminho. Na nossa mente, os cães não são inteligentes, são espertos, se assim for há esperteza que supera a inteligência e podem constatar isso ao comparar o comportamento de um cão com o de muitos humanos.

Nós somos os verdadeiros animais, falamos de compaixão como característica humana mas só a vemos na natureza.
Um homem abandona outro. Um homem abandona o seu animal. O seu animal NUNCA te abandonará, mesmo que o façam passar fome, mesmo que lhe batam, ele estará sempre lá e sempre feliz por nos ver. Eu tenho duas cadelas e sempre que chego a casa elas fazem-me sentir com um Deus, tal é a saudade que demonstram ter sentido nas poucas horas que me afastei. Fazem-me sentir amado, onde a felicidade delas parece simplesmente ser a minha presença, nem que seja estarem deitadas junto a mim seguras de que eu estou ali.



(Foto da família Fehr, só falta o patriarca)


Três anos depois de ter perdido um cão fantástico, um fofinho de 98Kg, o Prince, que tinha unicamente 6 anos, que me colocou num estado depressivo quer a mim quer às minhas duas cadelas, estou em vésperas de perder a minha amiga Monalisa que me acompanha há 14 anos. Quando o Prince partiu a minha cadela mais nova, a Shiva quase se deixou morrer de fome e com a partida da Monalisa, sinceramente não sei...

Uma coisa é certa, eu estarei a seu lado sempre, e torceria o pescoço a qualquer filho da puta como estes calhaus da esterilização obrigatória se colocassem um dedo sobre os meus animais.

Bad boy vs Nice Guy

Será que o problema é meu ou este idiota (David Shade) anda a querer ganhar dinheiro em palestras falando de um assunto que interessa às massas, mas não sabendo o que diz?
Esta besta mete os pés pelas mãos, confunde o Bad Boy com um idiota, e diz que temos de ser bonzinhos sempre, e Bad Boys no quarto, mas afirma que as mulheres gostam de Bad Boys... como é que a mulher vai perceber que o gajo é Bad Boy se seguirmos as instruções deste idiota e nos tentarmos fazer passar por Nice Guy?
Como é que se fingimos ser um Nice Guy, ela verá que somos um Bad Boy?

Não me lixem, ser-se um Bad Boy não tem nada a ver com tratar mal uma mulher, o Bad Boy foge ao normal e representa para a mulher um desafio e uma fonte de aventura, um Bad Boy pode ser um cavalheiro, pode ser fiel e pode amar uma mulher. Um Bad Boy não tem de ser um filho da puta pois um filho da puta não tem nada de Bad Boy, é um Cona Boy. Os homens que batem em mulheres mijam-se todos quando enfrentados por um homem, isso é ser-se Cobarde Boy, Cona Boy, Filho da Puta Boy, mas nunca, nunca Bad Boy.

O Bad Boy não finge ser Nice Guy, é simpesmente ele próprio, tem os seus gostos, tem o seus prazeres como qualquer outro homem, e ama como qualquer outro, só é Bad pois é diferente do normal sendo ele próprio sem tentar ser outra pessoa. Por que motivo alguém é visto com Bad Boy? Não por ser mais do que os outros, é por ser ele mesmo estando-se a cagar para o que os outros pensam, é por isso que recebe o rótulo de Bad, não por ser mau, mas por fazer o que lhe apetece. Isso não é errado, é certíssimo, mas a sociedade idiota como sempre acha que só é aceitável ser-se coninhas.
Quando temos confiança em nós próprios e amor próprio, é isso que nos torna Bad Boys pois permite que sejamos nós próprios e nada menos que isso, ignorando certas convenções sociais. O Nice Guy ou Lambe Conas, não diz o que pensa, diz o que elas querem ouvir, não tem confiança nele mesmo, é inseguro, é boa pessoa mas essa bondade aparente não é mais do que insegurança e isso não atraí as mulheres, excepto quando estão numa fase pós Bad Boy e precisam de levar um cachorrinho abandonado para casa.

Dar ouvidos a este ET fazendo o que ele diz não me parece que tenha algum tipo de sucesso com mulheres seguras de si, é dar um tiro no pé e acabar os seus dias a tocar ao bicho dando quecas imaginárias em mulheres que viu ao longe.

Trabalhar cansa e o dinheiro custa a ganhar, por isso temos de mandar esta gente que tenta ganhar dinheiro à custa de livros e palestras de auto-ajuda. A auto-ajuda é auto, é eu ajudar-me a mim próprio e isso não é feito ao ler um livro ou ouvir um atrasado mental a dizer-me como agir, pois aí já não é auto-ajuda, é... é uma merda!

Não percebo o que leva as pessoas a pagarem para ouvir deficientes como este gajo, a comprarem livros de bestas como este ou como aqueles burlões que escreveram "O Segredo", poupem-me. Se conhecerem alguém que compre destes livros, podem dar-lhes o meu E-mail... enviam o dinheiro para a minha conta e tenho a certeza que farei um melhor trabalho elucidativo dizendo-vos quanto estão a ser idiotas ao gastar dinheiro suado, com tretas escritas por burlões!

Só falta alguém escrever um livro intitulado: "Eu auto-ajudo-te"!!!!!






Se eu fosse mulher, só de olhar para ele já me estaria a descalçar... mas para lhe dar com o tacão no cornos!

Amigos

Na minha vida sempre tive mais facilidade de relacionamento com mulheres e construir com elas amizades fortes e duradouras, achando as amizades masculinas frágeis, banais e competitivas que poderiam ser destruídas por um par de mamas, não por culpa delas mas sim porque os homens não cimentam as suas amizades como deveriam. No entanto sei que tenho 2 amigos homens, daqueles que se escrevem com "A" maiúsculo e pelos quais me meteria num avião e iria ao seu encontro se soubesse que precisavam de ajuda.

Hoje, sem querer encontrei os dois num único vídeo e vejo que ambos estão a viver os seus sonhos. Carlos como realizador e Rúben como actor.

Eu sei que distância que nos separa é um fosso construído por mim, por uma fuga a tudo quanto está relacionado com o meu passado. Fujo de quem fui tentando encontrar quem eu quero ser, e se bem que dos 3 sempre fui o que tinha menos sonhos e mais certezas, hoje sou oposto. As certezas limitaram-me, os sonhos fáceis aborreceram-me e por isso hoje busco o infinito, uma odisseia que me impede de ficar e me obriga sempre a partir.

Com estes dois rapazes passei alguns dos mais selvagens anos da minha vida, fizemos juntos coisas que nem dá para imaginar e que se fosse hoje estaríamos todos a apodrecer numa qualquer prisão para loucos e proibidos de nos aproximarmos de qualquer veiculo motorizado ou bebidas alcoólicas. No campo oposto à loucura adolescente, juntos criámos uma relativamente extensa obra musical da qual tal como eu, eles devem guardar memórias. Mas fazer as maiores loucuras e criar são duas faces da mesma moeda e deverá ter sido isso que nos colocou aos 3 nas artes se bem que não no campo onde inicialmente nos lançámos.

Juntos enterrámos amigos que perdemos em situações estúpidas ao passo que nós sobrevivíamos a tudo, chegando a desafiar a morte por várias vezes.
O Carlos era o sonhador, ou era a força motivadora e o Rúben era aquele que estava sempre pronto a ser arrastado para idiotices nossas.
Verifico que hoje somos o oposto do que éramos. Eu que dava extrema importância à arte e ao processo criativo, hoje uso-a como passatempo tendo-me deixado levar pela estabilidade salarial de um mundo cinzento de negócios onde a única arte aplicada é a oratória. O Rúben criava de uma forma genial sem dar importância ao que fazia, o Carlos parecia perceber o que quer eu quer o Rúben queríamos dizer com letras ou música e completava-as como se fossem sentimentos seus. Ao contrário de mim eles que buscavam vidas estáveis vivem hoje na instabilidade das artes. As pessoas no fundo não mudam, mas as nossas vidas dão voltas incríveis.

Deixo-vos com uma curta-metragem com argumento e co-realização de Carlos Barros, representado por Rúben Gomes e Carla Garcia, intitulada "Procuro na noite". Indo à página deste vídeo, encontrarão mais trabalhos realizados por ele.


Se eu mandasse nas palavras*


Se eu mandasse nas palavras o amor seria um sentimento sem palavra que o rotulasse.

Se eu mandasse nas palavras, não seria talvez. Talvez seria sim. Sim seria certamente, e a mulher ficaria mais fácil de entender.

Se eu mandasse nas palavras, cabrão seria palavrinha e amorzinho, palavrão.

Se eu mandasse nas palavras, fim não seria final mas sim um novo inicio.

Se eu mandasse nas palavras, rimar não faria sentido, sonhar não seria tempo perdido, partir não deixaria ninguém ferido, dor não seria algo sentido.

Se eu mandasse nas palavras, lágrimas seriam nostalgia e tristeza alergia.

Se eu mandasse nas palavras, todas as palavras seriam iguais, belas, puras, respeitadas. Diríamos merda com a leveza de um "olá porra, como está?"

Se eu mandasse nas palavras diria o que queria, escreveria o que sentia, e tentar seria utopia.
Ou não... Pois se eu mandasse nas palavras, certamente nada diria nem escreveria.

Se eu mandasse nas palavras, quereria libertá-las. Mas não mando.
Menos mal...


*Texto inspirado no tema "Se eu mandasse nas palavras" de Mariza.

Ser homem no séc XXI

Ser homem no século XXI já não é tão fácil. No tempo da minha avó, homem que era homem tinha de cheirar a cavalo. Era sinal de masculinidade por ser trabalhador e um potencial chefe de família. Naquela altura o facto de se ser trabalhador era sinónimo de nada faltar às família. Feios, porcos e maus eram três palavras que os definiam.


Aos poucos foram mudando, bater já não era socialmente aceite e tomar banho era uma exigência, mas mais do isso era paneleirisse.

Nos anos 70 apareceram os movimentos gay, com homens que se tratavam melhor mas que não gostavam de mulheres. Os que gostavam tinham como moda os cabelos compridos e o mau gosto a vestir onde o banho era mais uma vez facultativo. Era uma espécie de homem colorido com aspecto primitivo.

Nos anos 90, aparecem os metrossexuais. Homens que tratavam de si mas que tanto homens como mulheres viam essas melhorias pessoais como exageros. O Beckham foi talvez o primeiro, do qual a própria mulher dizia que ele tinha mais produtos de beleza que ela, e que demora mais tempo a arranjar-se. Ainda os há mas a tendência não se espalhou criando até uma relação com a confusão sexual a que alguns chamam de bissexualismo, o que para mim é uma grande treta.


Recentemente apareceram os Neosexuais, não sei bem o que é isto, parece-me uma mistura de Matrix com estupidez aguda. Moda essa que felizmente se tornou numa pandemia. É que se alguém se apresenta a mim como neosexual acho que vou rir tanto como rio de quem se apresenta como emo, pois lembro-me sempre de um emu.


Acho que homem que é homem e não precisa de uma categoria sexual para definir a sua sexualidade baseada na forma como trata de si, sendo ele hetero. O que há são homens porcos e homens não porcos, e dentro destes segundos uns tratam melhor de si do que outros.
Cada vez mais o homem se preocupa com a sua aparência, porque de facto pequenas alterações podem mudar o nosso aspecto imensamente. Por exemplo:

- Por que é que o homem tem de ter uma sobrancelha quando com facilidade pode ter duas?
- Por que é que tem de ter o nariz cheio de pontos negros quando isso pode ser resolvido?
- Por que é que vão ao barbeiro de 10 euros fazer um corte que os faz parecer um refugiado Albanês quando um hair stylist lhe poderá fazer um corte que combine com a sua estrutura óssea?
- Por que é que temos de coçar os tomates quando é só um tique, e quando não é, o poderíamos fazer mais disfarçadamente?

Já repararam como a mulher fica mais bonita depois de vir de um spa? Em como gostamos mais dela com aquele cheiro de cabelo e pele mesmo sem colocar perfume?
O homem pode ter este efeito sobre a mulher, e se o tiver poderá conseguir a mulher que acha que é bonita demais para ele.
É tudo uma questão de cuidado com o corpo. Uma questão de gostarmos de nós.
Se não conseguimos ter cuidado com o corpo nem gostar de nós, podemos sempre tratar de nós nem que seja para impressionar.

Na entrada desta segunda década do séc XXI, homem que é homem trata de si tanto como as mulheres. É uma selva lá fora, e a competição masculina assim o exige. Tudo depende do investimento em nós próprios que acabará por afectar a opinião delas sobre nós.

O que é a verdade?

O que é a verdade?
Todos queremos a honestidade de terceiros, pedimos sempre a verdade, mas o que é a verdadeira verdade? Pergunto isto no sentido de verdade total, inquestionável.
Será que se a verdade nos for entregue numa bandeja nós iremos acreditar nela? Será que a reconheceremos como verdade?

Não!

A verdade não é mais do que a nossa percepção pessoal, a maneira como vemos a realidade, a maneira como nos auto-programámos de forma aceitar o mundo que nos rodeia. A minha verdade não será a tua verdade e não o será pois somos diferentes, únicos, com experiências próprias. A minha verdade nunca será a tua a 100%, poderás no entanto acreditar em mim, como acredito em ti, mas no fundo é a nossa percepção que conta.

Qual o valor da verdade?
Nenhum, excepto o que lhe dermos...

Não temos de forma de catalogar a verdade como tal, temos sim forma de a percepcionar como tal, podendo não ser.

Verdade, realidade, não passam na minha opinião de impulsos neurológicos, da nossa programação pessoal ao qual chamamos personalidade.
Há quem se adapte à realidade que percepciona e a veja como verdade. Há quem se adapte à realidade que percepciona e busque a verdade. Há quem se adapte à realidade que percepciona vendo-a como ilusão.
No fundo o ser humano o que busca é informação com o objectivo utópico que a realidade total e não percepcionada se demonstre. E é essa a nossa maior dádiva ,a troca de informação, qualquer conversa por mais trivial que seja contém informação. Por mais banal que sejam as conversas ou interesses retiramos informação.

Aqui entram em acção outros termos, como banal, trivial, importante, indispensável, mais uma vez termos aos quais não conseguimos apontar um exemplo universal, pois são definições pessoais geradas pela maneira como decidimos ver o mundo.

Acho que assim que percebemos isto, percebemos que a informação é tudo, tudo o que vemos, cheiramos, provamos, tudo o que ouvimos, lemos, pensamos, tocamos. Tudo o que sentimos. O ser humano não vive só de comida, água e ar, vivemos também de informação. Por isso quando se duvida do que escrevo, quando duvido do que escrevem, o que estamos a fazer afinal? Estaremos a discutir quem é detentor da verdade? Ou estaremos a debater um conceito abstracto que não podemos definir universalmente, pois é um conceito pessoal?


A busca da verdade é como o acto de acordar para a realidade, não a nossa mas a dos outros. É um processo no qual podemos ser guiados até certo ponto através de informação, mas o resto do caminho teremos de seguir sozinhos, este é o acto de acordar para a realidade de terceiros, saindo da nossa.

O que é a realidade de terceiros? Vejam a vossa realidade como o vosso lar. O vosso lar está numa cidade, essa cidade está num país, esse país num continente, esse continente num planeta que por sua vez está num sistema solar inserido numa galáxia no meio de biliões delas. Ao perceber esta analogia vemos que a nossa realidade é um grão de pó, e que ela não é a verdade, a verdade está algures por aí em algo maior que nós, e como seres sedentos de informação é a nossa função entrar nessa odisseia, entrar nas realidades que dominam a nossa, tentar percebe-las e perceber que essa realidade é exactamente como a nossa é pessoal mesmo que pertença a um grupo, e tal como a nossa mudou quando através de informação vimos outra, essa outra poderá também ser destruída de modo a encontrar uma maior e ainda mais dominadora.

É esta a capacidade humana que nos distingue do vírus que parecemos ser, pois tal como um vírus limitamo-nos a multiplicar-nos e dispersar-nos em pequenas comunidades de realidades limitadas. Mas podemos fazer mais e conquistar mais.
Quem perceber isto, quebra as suas limitações e poderá dominar realidades mais pequenas ou poderá destruir realidades maiores.
Se todos os seres humanos vissem a sua realidade como insignificante, estou certo que não haveria forma de um único ser humano ser dominado. Open your mind, porque mais ou menos todas as nossas mentes estão fechadas ou semi-fechadas para tudo o que é maior e mais poderoso que nós. Precisamos de as abrir e depois libertar a mente, aceitando que há e tem de haver mais, o universo não pode ser só esta miséria minúscula...

Há líderes e há seguidores, unicamente até ao dia em que percebermos que a única verdade é que somos capazes de tudo, e que no fundo somos todos líderes e não precisamos que seguir ninguém, devemos sim seguir o nosso caminho, sem guerras nem conflitos desnecessários. A vida é uma recolha de informação que é armazenada num universo desconhecido, e por fazermos parte desse poder, nós temos esse poder. O poder para conseguir tudo.

O que é que todas estas palavras significam? Sinceramente não sei, pois limitei-me a seguir um raciocínio que não me lembro de ter tido, simplesmente surgiu, e a minha interpretação destas palavras revelará uma realidade diferente da vossa, e nenhuma das realidades interpretativas de quem ler isto será igual, e no fundo todos podemos encontrar a verdade.

Ode ao exagero

Nós como pessoas somos exagerados por natureza. Temos o dia mais triste da nossa vida, o dia mais feliz da nossa vida, o sonho maior que todos os outros, ou o objectivo. O dia mais importante, o dia mais chato. A melhor foda bem como a pior. Mas como é que sabemos se é foi a/o melhor ou pior? Porque o sentimos naquele momento e em forma de exagero falamos como se fosse o último dia das nossas vidas.

Um dia saberemos quais os piores e melhores momentos. Um dia saberemos quem foi a pessoa mais importante nas nossas vidas e esse dia será quando tivermos aquele flashback sob forma de slide show na face da senhora dona morte. Até lá é sempre o dia mais, o sentimento mais... ou menos... até hoje, e não das nossas vidas, pois tudo o que haverá de melhor na nossa vida ainda está para vir, sob forma de equilibro o de mau também.

O problema é que nos ensinaram a ver o mundo como algo em equilíbrio. Ying e Yang, bem e mal, crime e justiça, feio e bonito, céu e inferno, amor e ódio, felicidade e dor. Na verdade esse equilíbrio não existe, apesar da vida ser perfeita o ser humano não é, pois é humano e nada humano poderá alguma vez ser perfeito. Por isso mesmo não há equilíbrio e o que existe que nos magoa será sempre em maior quantidade. Quer a dor seja boa ou má, a fronteira é tão ténue que magoa sempre.


O amor por exemplo é uma busca incessante de todos os seres humanos, não porque seja indispensável apesar de acharmos que sim. Essa busca deve-se ao simples facto de que o amor nos parece ser uma porta para a felicidade. Para uma espécie de Nirvana. Mas o amor não é eterno na sua forma física, só na forma sentimental, mas a nível sentimental o amor poderá ser dor.
Já amaram tanto, mas tanto ao ponto de parecer que o vosso coração pára? Amar ao ponto de vos doer o estômago? Ao ponto de acordarem a meio da noite com medo do fim? Ao ponto de não comerem, beberem, dormirem? Já sentiram uma vontade de apertar alguém com a força capaz de a esmagar? Esse amor dói. Apesar de ser um sentimento belo nunca é a porta de felicidade pois há sempre a puta da dor, do medo lá pelo meio.

Quem ama sofre. Quem não ama sofre. Quem perde quem ama sofre. Parece que o sofrimento é um sentimento presente que não possui contrapeso. Onde está o equilíbrio?

Podemos ser máquinas fixadas num objectivo e derrubar barreira após barreira, mas o amor pára-nos, fragiliza-nos fortalencendo-nos.

Já sentiram aquele abraço em que num segundo sabem que fariam tudo por aquela pessoa? Que passariam uma eternidade de dor para que essa pessoa nada de mau sentisse? A certeza que mataríamos ou daríamos a nossa vida por ela? E ao mesmo tempo num abraço, um simples abraço em que nos sentimos vulneráveis, indefesos, frágeis nos braços dessa pessoa, pois ela na verdade é tudo.
Num abraço somos ao mesmo tempo um Super-herói e uma donzela em apuros.

O amor não é a porta para a facilidade, e se o é, é a porta de uma casa de férias onde não iremos morar para sempre. Mas são as férias que ficarão na nossa memória toda a vida, onde teremos essas memórias como sentimento bom, como contrapeso de todos os maus... mas a balança nunca está em equilíbrio.

Quando acaba e se acaba, o que resta? Saudade, tristeza, incerteza, medos, dor, na verdade tudo é dor, até o amor, o que me leva a pensar que a dor é eterna mas que por vezes é disfarçada de alegria com prazo de validade.

O sentimento de sermos super heróis por amar contrastando com o quanto ficamos indefesos num abraço, é o único equilíbrio.
O amor está para a dor, tal como a vida está para a morte... são férias da eternidade.

Este texto surgiu de uma viagem sem destino que fiz hoje, onde no rádio começou a tocar um clássico dos anos 80 ao qual nunca prestei atenção. A certa altura na musica ele diz: "I just died in your arms tonight", esta frase é descrição perfeita do abraço a uma pessoa que se ama, em que conseguimos sentir o nosso ritmo cardíaco a abrandar numa sensação indescritível de segurança, ao ponto de por um segundo ele parecer parar.

Afinal o que querem elas?

Já aqui falei em 3 ou 4 textos sobre a temática "os homens são todos iguais", e de acordo com os comentários, eles não são iguais, é segundo elas: "uma maneira de falar".


Mas já repararam que as mulheres que mais mal falam dos homens, não namoram, não conseguem manter um relacionamento?

Eu não vou dizer que a culpa é delas... bem... sim, eu vou dizer que a culpa é delas!
Não será, que o facto de gritarem aos quatro ventos o quanto não prestamos, o quanto somos inúteis e o quanto nos odeiam (quando no fundo até querem encontrar um), não será esse um factor que nos afasta?
Pessoalmente quando ouço uma mulher a desdenhar do que até quer comprar, eu afasto-me, é que nem tento a mais pequena aproximação.

Acho que seria útil neste campo, manter essas opiniões privadas quando na verdade até procuram um parvalhão, inútil, para poderem por vezes odiar, mas que no fundo vos ame.

A primeira


O seu nome é Filipa, uma menina insuportável que me achava insuportável, éramos fogo e água, existia uma faísca entre nós que nos repelia e nos fazia trocar simpatias arrogantes que divertiam os amigos comuns. Ela representava tudo o que eu mais detestava, a menina certinha, sossegada, educada e loura de olhos azuis, tudo coisas que nada tinham a ver comigo. Com o tempo percebi que toda esta luta entre nós me divertia e acabei por me apaixonar. Combatendo o que sentia acabámos por nos tornar grandes amigos e eu arrumei esses sentimentos. Mas como seria de prever em duas pessoas tão diferentes, assim que aceitei a amizade essa amizade para ela não chegava e foi mais uma luta de investidas dela e escapadas minhas.

Eu para ela era a aventura que ela buscava, motas, festas, abusos, riscos, a entrada numa sociedade adolescente fechada que arrogantemente se considerava elite, o pegar na menina do papá e torná-la rebelde para o chocar. Ela para mim era um porto seguro da minha insanidade, sozinho em casa com ela eu sabia que não iria fazer mal a ninguém e muito menos a mim mesmo.
Passaram três anos e nada mudou na minha vida, tendo tudo mudado na dela, a relação deteriorava de dia para dia, eu arrefecia, ela forçava e sentia-me a enlouquecer. Três anos de dedicação total, de companhia total, passávamos todo o nosso tempo acordados juntos e por vezes até a dormir. O meu um dia porto seguro era agora um mar revolto que achava que o mundo lhe devia favores, os quais ela iria cobrar. Foi um final de relação duro, pois não sabíamos o motivo do fim mas tinha de ter um fim. Éramos iguais, eu e ela que passou a ser eu na versão feminina e por ter encontrado comigo uma liberdade que nunca teve, queria mais e mais, numa altura em que eu começava a ver a minha vida como uma espiral destrutiva voluntária, sem perspectivas de futuro nem grande interesse nisso.

Aquele fim foi interpretado por ambos como um "stand by" para crescermos um pouco, pois gostámos de uma forma tão intensa que foi como que um esgotar de sentimentos. Não havia um segredo, um detalhe escondido, não havia mistério, nada, apenas duas pessoas que eram como que a mesma em corpos diferentes. Deixámos de nos ver e por escolha dela de nos falar. Mesmo numa discoteca cheia os meus olhos encontravam os dela e eles conversavam numa linguagem própria. Só 10 anos depois trocámos palavras tímidas e secas cheias de interrogações e de exclamações.

Foram bons anos da minha vida nos quais aprendi muito. Com ela, demos os primeiros passos no sexo, sem restrições, convenções ou limites.

Recebi um E-mail da Filipa hoje, li-o e não respondi pois não sei o que lhe dizer. A certa altura do mail diz que está a pensar casar, não diz que vai, diz que está a pensar. Eu já recebi imensos convites de casamento e informações de amigos que vão casar, mas este é o primeiro de alguém que pensa que vai, nem é um convite, nem uma informação... enfim é spam...

Abismo


Tudo o que ela é e representa arrasta-me para memórias passadas de tudo o que não gosto. O olhar, o sorriso, o olá, iguais aos gravados na minha mente que despertam a besta que matei.
O cheiro, o toque, a voz, que me chega a um local que há muito achava morto. Esquecido.
Se odeio tudo isto, como é que me senti atraído. Perdido. Perdido por me encontrar em pensamentos passados. Perdido num labirinto que já conheço de cor e salteado. Percorro-o de olhos fechado para não ver a saída.

Deverá ser a infinita atracção pelo abismo que rege a minha vida. A atracção que dia a dia combato e mais um dia é uma vitória. O abismo vencerá, eu sei, mas não será assim com tanta facilidade.

A destruição voluntária negando a queda. O fim é a contradição detectada em alguém sem sentido, pois faz sentido. Talvez só para mim e é isso que importa, que faça sentido.

Se ela representa tudo o que odeio, por que me atraí?