Pensa antes de dizer alguma coisa

Dentro do único grupo do qual nos devemos orgulhar de pertencer, a Humanidade, o sub-grupo mais belo são as crianças. É certo que várias vezes afirmei que não pretendo procriar, mas isso não significa que não goste delas, pois gosto muito. Sei dos perigos que há hoje em dia em um homem afirmar em voz alta: Amo crianças! Pois vivemos numa sociedade tão corrompida que tal anuncio seria levado para o campo criminal.


Cartazes como este, deixam-me sem palavras. Só porque me apetece sorrir ao ver crianças a sorrir num qualquer parque de uma cidade, posso ser visto como sendo um pedófilo.

Da mesma forma que as crianças são o que de mais belo há nas nossas vidas, elas são também o que de mais cruel existe. A inocência de uma criança impede-a de perceber o quanto é cruel, impede-a de medir as suas palavras e como elas podem afectar quem as rodeia. Um adulto pode magoar outro com palavras, mas esse outro adulto tem já uma personalidade definida e a capacidade de tornar um ataque verbal no que ele realmente representa, palavras.
Já repararam que as crianças tendencialmente se juntam com mais facilidade à criança que ridiculariza outra do que em defesa da ridicularizada? Essa tendência é culpa nossa, é o conhecimento que elas bebem, não do que lhes ensinamos mas sim do que lhes mostramos. É a tendência de vermos o agente dominador que ataca como mais poderoso do que o alvo quando não se defende.
É claro que as crianças não podem ser responsabilizadas pelas crueldades que proferem, mas temos de prestar muita atenção às vitimas dessas crueldades. Um simples: "não podes brincar connosco", após algum tempo terá um impacto forte na personalidade que essa criança está a desenvolver.

Não deveria ser necessário que um não pai, como eu, disse a pais, como muitos de vós, que precisam de falar com os vossos filhos. Precisam ter a certeza que está tudo bem. Precisam saber se são vitimas ou causadores deste tipo de actos cruéis.
Digo isto pois eu sou um exemplo disso. Fui cruel enquanto criança, lembro-me com tristeza de muitas das crianças que maltratei com palavras. A criança que fui, moldou o homem que sou: confiante mas com uma necessidade de dominar e por outro lado distante em relacionamentos.  A criança que fui, moldou as defesas que tenho como adulto.
Muitas dessas crianças que dominei acompanharam-me até à idade adulta e se bem que muitas delas tiveram sucesso em diversas áreas, reparei que não são tão seguras do que querem ou das suas reais capacidades.

Por volta dos 28 anos, voltei a encontrar um rapaz que sofreu muito por eu ter sido um Bully e no entanto ele revelou-se, como adulto, num grande amigo que nunca me julgou, nunca me apontou o dedo pelas coisas que lhe disse e fiz. Na presença dele sinto culpa, culpa essa agravada por ele nunca me ter dado um puxão de orelhas verbal. Apesar de este rapaz ser ter hoje um excelente trabalho, uma mulher que ama e uma vida confortável, ele é um caso de sucesso numa imensidão de insucessos.

Este vídeo que se segue, é uma cópia de um vídeo que apareceu originalmente no Youtube numa conta de uma adolescente chamada Jade. A Jade publicou unicamente um vídeo que se alastrou pela Web pois ela não publicou mais nenhum e a sua conta Youtube desapareceu. Não se sabe se este vídeo é real ou uma simples representação criativa, nem isso importa. O que importa é a mensagem e a mensagem é: "As palavras magoam, pensa antes de falar", pois não sabemos que impacto elas poderão ter:


Após ver este vídeo senti vontade de simplesmente dar um abraço seguido de um sorriso a esta criança, pois ela é uma criança. Em sociedade temos a idiótica mania de ver os adolescentes como adultos e de os tratar como crianças, eles odeiam isso e obviamente que é uma abordagem que só gera conflitos. O temos de fazer é de os tratar como adultos e de os ver como crianças. Só assim os podemos fazer sentir como eles esperam sentir e os podemos proteger com devem ser protegidos.

Mundialmente morrem por suicido mais de 1 milhão de pessoas por ano e este valor é superior às mortes somadas de todas as actuais guerras. Este numero deveria alarmar e no entanto ninguém liga. Este numero é revelador do quanto estamos fechados em nós próprios, incapazes de ouvir os gritos silenciosos das pessoas que nos rodeiam. 

Temos de ver as pessoas com quem nos cruzamos como uma extensão do nosso ser, pois na verdade a vida é uma e por isso todos nós somos um. Somos partes do mesmo todo, partes da consciência colectiva à qual alguns chamam Deus.

Em 2009 ia eu, em trabalho, num TGV com 1.200 quilómetros para percorrer e ao parar numa estação, uma rapariga que ia a sair olhou para mim e disse: "Tens de sorrir" e continuou o seu caminho sem se certificar se sorri ou não. Não sei o que a minha cara lhe disse. Não sei o que os meus olhos lhe disseram. Não sei sequer o que estava a pensar. Sei sim, que ela tinha razão, que tinha a atitude correcta perante a vida e que se preocupou em dar três palavras a um estranho para que ele abrisse os olhos.

Tempos depois estava eu no metropolitano e umas filas à minha frente uma criança fazia uma barulhenta birra. Nessa carruagem as pessoas olhavam com ar irritado para a mãe e criança. Quando aquela criança se sentiu observada por mim, olhou-me nos olhos com cara de , e a minha reação foi mostrar-lhe a língua. Desta forma iniciámos uma sessão ridícula de caretas trocadas que resultaram em gargalhadas da criança já não birrenta e, por incrível mas previsível, todos os olhares reprovadores foram lançados na minha direcção, incluindo o da mãe da menina.

Esta história poderá parecer irrelevante mas não é. O que ela nos diz é que a simples atenção de um estranho dada naquele momento àquela criança fez toda a diferença, pois os casos perdidos naquela carruagem eram os adultos. Tudo o que a criança queria, era atenção, não era o ralhete da mãe, não era as caras de parvos das pessoas em volta, era unicamente que alguém lhe desse a atenção que qualquer criança tem o direito de exigir aos gritos.


13 Comentários:

  Margarida

quinta-feira, março 24, 2011 10:35:00 da manhã

Só me apetece agarrar aquela miuda e enche-la de beijos e abraços.
Sem dúvida que as crianças podem ser muito crueis umas com as outras e é de doer o coração.

E mesmo que, em adultos, consigamos ter uma especie de filtro, muitas das vezes não consigamos canalizar o que nos dizem e transformar tudo em meras palavras. Muitas vezes ainda magoa e ficamos a pensar nisso.

É o que dá sermos egoistas. Não conseguimos olhar para o vizinho do lado e pensar com é que ele está. Só nós é que importamos.
As pessoas têm que ser um pouco mais sensiveis com quem os rodeia. Podia fazer tanta diferença.

  FATifer

quinta-feira, março 24, 2011 11:29:00 da manhã

Este texto fez-me lembrar outro blog teu (duma história que um dia te pedi mas não me respondeste, o que respeito pois afinal é só tua). É bom ler-te assim de vez em quando…

Abraço,
FATifer

  pocahontas

quinta-feira, março 24, 2011 5:40:00 da tarde

:)

  Anónimo

quinta-feira, março 24, 2011 8:11:00 da tarde

estás a ficar gay... tou a brincar ahaha

  Óscar Alho

sexta-feira, março 25, 2011 2:37:00 da manhã

Nao consigo pesquisar. Isso é de proposito ou ha algum problema. Era para ler sobre a blackwater.

  Bruno Fehr

sexta-feira, março 25, 2011 5:27:00 da manhã

A pesquisa não funciona devido a uma incompatibilidade com um script que corro no blogue para proteção.

Tenho de escolher entre deixar que os leitores usem um motor de busca, ou permitir que os browsers não visualizem alguns textos.

Nunca falei no grupo Blackwater. Eles não passam de mercenários pagos a peso de ouro com liberdade para cometer crimes de guerra ao abrigo de imunidade judicial contratual. O nome Blackwater é um tributo às unidades "Schwartzwasser" Nazis ou "Blackshirts" de Mussulini. Quando os EUA queriam formar a "fatherland security", as pessoas repararam que o nome era o mesmo dos Nazis "vaterland", eles mudaram então para "Homeland Security". Poucos nos EUA conhecem História para saber quem eram os Schwartzwasser ou a sua tradução para Inglês.

A Blackwater é usada em cenários de guerra e em controlo populacional dentro dos EUA em manifestacoes, tal e qual como a Swartzwasser e os camisas negras.

  Óscar Alho

sexta-feira, março 25, 2011 2:57:00 da tarde

Tem a certeza que nunca falou? Quase que apostava que li pelo menos um texto seu disso. Tenho bastante informaçoes na cabeça mas algo confusas, acho que unica certeza é de ter lido sobre a blackwater aqui.

  Bruno Fehr

sábado, março 26, 2011 1:27:00 da manhã

Óscar Alho:

Acabo de fazer uma busca nos meus backups e o único texto em que os menciono é neste:

http://so-me-apetece-cobrir.blogspot.com/2009/10/paz-e-uma-anedota-chamada-nobel.html

Podes testar, alterei o script e o motor de busca já funciona.

  horus

sábado, março 26, 2011 4:35:00 da tarde

Não sei se já analisaste este video, cheio de mensagens subliminares dos 8 aos 11 segundos "minds are for PEOPLE who THINK beLIEve what ARE YOU TOLD you WANT but you NEED TRUTH MONEY is the ROOT of ALL LIES FREEDOM is a MYTH"
com outras coisas la para o meio tipo elvis is alive, que eu penso que são para despistar, criar teorias da conspiração...

http://www.youtube.com/watch?v=x0c08iJ5YMc&feature=player_embedded

  I.D.Pena

sábado, março 26, 2011 8:44:00 da tarde

Os teus textos fazem as pessoas pensar em coisas que não estão habituados a pensar e por isso acho que mereces os meus parabéns .

Concordo com a tua perspectiva relativamente a esta questão , e associo muita das vezes a depressão a esse sintoma, os adolescentes são incentivados a expressarem-se sexualmente mas mal se sabem expressar, e a televisão e a musica eessa industria em geral nao devia moldar sociedades mas molda especialmente se só 3% lerem por ex,
Anorexia Bulimia Suicidio Depressão Juvenil são resultados dos valores familiares terem deixado de existir , como a criança é também é o publico alvo da maioria dos anuncios eles veneram a criança, expondo-a dizendo que deve emanicipar-se contra a desciplina, estes fenómenos bestas como a HANNAH MONTANA são criados prepositadamente para homogeneizar pela estupidez .Tornando as crianças em pequenas bestas consumidoras de atenção , mas nem todas são assim e felizmente ainda há bons pais boas mães boas pessoas bons vizinhos , mas tem que deixar de existir tabus na questão de quem deve educar as crianças. É MAIS que óbvio que governo e tv fazem um péssimo trabalho ao retirarem o tempo aos pais para serem pais.
Já que falas de pedófilia porque é que o papa não responde por todos estes anos de encobrimento a pedófilos , alguém sabe ?

  Óscar Alho

domingo, março 27, 2011 3:22:00 da manhã

Hum, devo estar entao a fazer confusao. Obrigado.

  pocahontas

domingo, março 27, 2011 4:15:00 da manhã

Depois de ver este vídeo, era impossível não te dar a oportunidade de dares as gargalhadas que acabei de dar, de graça. Crianças tão lindas a um tão alto nível de pureza.
Simples, criativo sem qualquer tipo de packaging... para uma noite de coração cheio.

http://www.youtube.com/watch?v=o1ju_6qIIBg&feature=related

  São

segunda-feira, março 28, 2011 4:56:00 da manhã

“Pensa antes de falar as palavras magoam” e de que maneira, eu penso que não magoam só quem as ouve, também magoam quem as diz, mas é quando somos adultos e temos consciência, as crianças podem realmente ser bem cruéis, mas elas aprendem por imitação é preciso dar-lhes bons exemplos e dizer-lhes algo tão simples como o que me dizia a minha mãe “não faças aos outros o que não queres que te façam a ti, não te metas com ninguém mas, se meterem contigo defende-te”.
Temos de pensar antes de falar, porque uma palavra dita é como uma pedra depois de atirada não há volta e se a pessoa tiver uma baixa auto-estima, pode fazer um verdadeiro estrago na vida dessa pessoa.
Porque não sorrimos mais?  Afinal sorrir é grátis e além de grátis é contagioso, quando sorrimos têm tendência a sorrir-nos de volta e quem sabe um sorriso, pode fazer uma diferença positiva no dia dessa pessoa.