O cavalheiro


Dizem que já não há homens como antigamente, o que na minha opinião é óptimo, pois significa que também evoluímos. Na verdade o que a mulher quer dizer com isto é que o cavalheirismo morreu.
Não percebo bem por que é que morreu. Será que o homem vê a emancipação feminina como algo que os inibe de serem cavalheiros? Eu não concordo, pois o cavalheirismo nunca sai de moda pois no fundo faz parte das regras de boa educação.

Eu cresci com liberdade total o que me permitia escolher entre o certo e o errado, só tinha de seguir o lema do meu pai que regularmente me dizia: "tens liberdade total, mas lembra-te que a liberdade pressupõe responsabilidade". O equilíbrio desta liberdade total, devido a ter uma mãe ausente, era feito pela minha avó que me impunha regras de boa educação, muito British: Postura à mesa, pedir para me ausentar após a refeição, levantar-me para uma senhora se sentar, abrir portas para que elas passem, ajudar a vestir o casaco, e acima de tudo, respeitar a mulher.
Uma educação que na adolescência vi como uma adoração ao sexo oposto, e uma submissão quase servil, mas não é!

Ser cavalheiro é no fundo respeitar a mulher por ela ser merecedora de respeito, e em retorno ela respeitar-nos-à. Abrir uma porta mesmo sabendo que ela tem mãos não é mais do que boa educação. Também, levantamos o cu nos transportes públicos para um idoso se sentar ou uma grávida, e na verdade eles possuem pernas, não é?
Se vamos ao bengaleiro colocar o nosso casaco, não custa levar o delas.
Se na verdade a queremos levar para casa e não temos problemas em despi-la, porque é que temos problemas em ajudá-la a despir e vestir o casaco em locais públicos?

O cavalheirismo está a morrer? O que está a morrer é boa educação!

20 Comentários:

 

segunda-feira, novembro 09, 2009 12:39:00 da manhã

Ora nem mais. Ainda bem que os homens e as mulheres, e os hábitos e os valores mudaram!

  Nuno, apenas Nuno.

segunda-feira, novembro 09, 2009 12:42:00 da manhã

Elas não ligam a isso ! Eu sou muito mesmo e nenhuma liga |:

  13EtMundus

segunda-feira, novembro 09, 2009 1:29:00 da manhã

Hoje em dia o cavalheirismo é sempre mal interpretado.
Está a morrer simplesmente porque os cavalheiros também aprendem.

  pepita chocolate

segunda-feira, novembro 09, 2009 3:54:00 da manhã

Concordo contigo, a boa educação é que está a morrer e a um ritmo galopante!

  sil

segunda-feira, novembro 09, 2009 11:07:00 da manhã

Gostei do penúltimo parágrafo.....

  HAZEL

segunda-feira, novembro 09, 2009 11:52:00 da manhã

Não creio que seja tanto assim. Ainda existe cavalheirismo, Bruno.
A diferença é que as mulheres o dispensaram quando se "emanciparam" e quiseram imitar os homens nas suas piores facetas.
As mulheres desprezam a "fragilidade" da feminilidade e comportam-se como machos.
Por isso, desta vez, estou do lado dos homens, que deixaram de lhes abrir portas e ceder o lugar nos transportes públicos.
Afinal, elas já não precisam...!

As próximas gerações serão ainda piores, pois as referências femininas por oposição às masculinas deixarão cada vez mais de se distinguir porque os pais não dão esse exemplo aos filhos.
Não é o cavalheirismo que deixa de existir, mas a feminilidade.

  Lily

segunda-feira, novembro 09, 2009 1:09:00 da tarde

Isso de as mulheres não ligarem a cavalheirismo (como já algumas pessoas comentaram) é mentira! Que mulher não gosta que lhe abram a porta do carro pra sair ou lhe dêem licença para passar primeiro enquanto nos seguram a porta? Eu gosto e concordo com o que escreveste: trata-se de boa educação.
Há uns anos atrás saí com 2 rapazes na mesma altura, a certa altura reparei que um deles me abria a porta e me dava licença para passar primeiro enquanto que o outro era 'à bruta'.
Acho que isso é bastante importante para aquilo que chamam de "selecção natural", pois a um homem que mostre cavalheirismo, associa-se logo sensibilidade e outras qualidades também tão dificeis de encontrar como o cavalheirismo.
...digo eu.

  Dakota

segunda-feira, novembro 09, 2009 2:08:00 da tarde

O cavalheirismo morreu. Por um lado, ainda bem. Irrita-me a deferência exagerada. Quanto à boa educação, não a dispenso.

(desconfio sempre dos homens demasiadamente cavalheiros ... conheço demasiadas situações de 'perfeitos cavalheiros' na rua que em casa maltratam as mulheres.

  I.D.Pena

segunda-feira, novembro 09, 2009 3:20:00 da tarde

Para mim basta ser educado, não é necessario cavalheirismos, se a maior parte dos humanos fosse educada penso que viveriamos em paz.

  Allie

segunda-feira, novembro 09, 2009 3:27:00 da tarde

O cavalheirismo (ainda) não morreu. Conheço homens muito bem educados, que sabem ter gestos cavalheirescos sem diminuir a mulher. Sim, porque há aqueles que julgam que cavalheirismo é fazer trabalhos ditos de homem. :D Gosto que me segurem a porta enquanto passo, que me ofereçam ajuda quando carrego coisas pesadas, que me digam bom dia quando passo. Também sinto que alguns homens começaram a perder esses gestos, não por perderem a educação, mas por sentirem que há quem zombe das suas atitudes. É que existem muitas meninas/ senhoras que julgam que emancipação feminina é trocar de sexo e rejeitam qualquer tipo de gesto de cavalheirismo.

  Vani

segunda-feira, novembro 09, 2009 3:34:00 da tarde

Cá está! Boa educaçao é algo que começa a escassear. E, confesso que, por isso mesmo, de cada vez que um homem é educado comigo, sem me conhecer sequer, fico de boca aberta :D.

Mas, confesso que não morro se o homem com quem estou não me abre a porta ou coisas assim. Convenhamos que, na convivência diária, há muita coisa que muda (exceptuando o respeito, esse existe sempre - caso contrário alguém já teria voado pela janela ahahaha). Também fui educada a nunca sair da mesa enquanto todos não acabassem de comer, pelo que me faz confusão quem sai a meio para fumar ou para ir ver tv...mas é uma questão de valores com os quais foste educado. Nem todas as familias privilegiam o tempo à refeição, por exemplo. A regra, no fundo, serve para que estas passem algum tempo de qualidade, juntos. Toda a regra tem uma razão de ser que vai para além da boa educação (o que hoje é visto como tal, antes era algo funcional).
Também foi considerada boa educação a criança nunca interromper o adulto ou nunca se meter nas conversas de adultos. Sempre me revoltei com esta regra, pois sempre a achei, e continuo a achar, estúpida como o raio. Há crianças mais maduras que a maioria dos supostos adultos. E, como querer que elas cresçam, aprendam, questionem, estudem, etc, se não as deixarmos tomar parte de determinados assuntos? A pior coisa que me podiam dizer, era "esta conversa não é para a tua idade"...GRRRRRRRRAU. Pois, para mim, isso é infantilizar, desrespeitar e desresponsabilizar. Quando às crianças é vedada uma simples conversa pelo facto de ser criança, em vez de se lhe explicar essa mesma palração, é meio caminho andado para o "sou um bébé, não me podem culpar"...e, em menor grau, para a falta de educação...

  Dakota

segunda-feira, novembro 09, 2009 3:41:00 da tarde

Se gosto que me abram a porta do carro? Não.
Se gosto que me puxem a cadeira para me sentar? Não.
Se gosto que puxem do isqueiro para me acenderem o cigarro? Gosto, às vezes (quando são rápidos o suficiente a perceberem que não tenho isqueiro).
Se gosto que me dêem passagem? Gosto, às vezes (quando nos encontramos lado a lado).
Se gosto que subam as escadas à minha frente se estou de saias? Gosto, sempre.
Se gosto que me perguntem o que quero tomar quando o/a empregado/a se abeira da mesa? Gosto.
Se gosto que sejam complacentes ou paternalistas em privado ou público. Nunca.

Se sou feminista, ou se quero mudar de sexo. Não.

  VCosta

segunda-feira, novembro 09, 2009 4:11:00 da tarde

Não ligo muitos a esses pormenores...
Basta não faltar ao respeito.
Boa educação?! Lá está... tudo depende dos nossos valores/liberdade!!!

  Joao

segunda-feira, novembro 09, 2009 6:51:00 da tarde

Subscrevo o que disse ali o 13EtMundus.
No meu dia-a-dia não é raro estar em situações de algum constrangimento, por as mulheres associarem a boa educação, com vontade de meter conversa, etc...

  angelodias

segunda-feira, novembro 09, 2009 7:08:00 da tarde

Cavalheirismo ? Sim.
Boa-educação? Sim.

Mas só até os objectivos estarem cumpridos. Depois é tudo igual.

  Mistal

segunda-feira, novembro 09, 2009 8:35:00 da tarde

Pois eu gosto de boa educação e cavalheirismo.
Eu assumo-me do mais gaja que há com coisas com " não sei mudar um pneu mas se um cavalheiro me puder ajudar..." E cavalheirismo não quer dizer necessariamente engatar. O problema é que hoje em dia homem tende mais a utiliza-lo para engate do que para ser bem educado.

  Rafeiro Perfumado

segunda-feira, novembro 09, 2009 10:55:00 da tarde

O cavalheirismo não morreu, apenas tem mais dificuldade em encontrar damas relativamente às quais se possa manifestar...

  Teresa

segunda-feira, novembro 09, 2009 11:34:00 da tarde

Casava contigo! ;)

  ceptic

quarta-feira, novembro 11, 2009 12:00:00 da tarde

Sinceramente, acho que iria ficar desconfiada, se me puxassem a cadeira para me sentar...

Ou quisessem ajudar a vestir um casaco LOL o mais provavel era responder, "Não é necessário a minha mãe ensinou-me a vestir sozinha" :P

Há certos gestos, que acho charmosos. Outros acho dispensáveis pois parecem-me atitudes muito subservinientes ou então é graxa e aí é para desconfiar :D

Mas lá está, tudo depende de como fomos educados.

  L.

terça-feira, novembro 17, 2009 8:22:00 da tarde

Lembro-me perfeitamente de um dia, andava eu na faculdade, e ter entrado num café, com aspecto de tasca, cheia de fome. Não liguei nenhuma ao cenário, aos homens que se acotovelavam no balcão a falar alto uns com os outros, talvez de futebol, não me lembro. Nem liguei ao facto de ser a única mulher ali presente. Pedi o que tinha a pedir e sentei-me a uma mesa no canto. Às tantas, os ânimos exaltaram-se, e sai um "filho da puta", da boca de alguém. Tirei os olhos da torrada e procurei a voz que parecia conhecer a mãe de alguém ali presente. Nesse momento, a tasca caiu em silêncio profundo. E a voz vira-se para trás e diz-me: "Desculpe, menina, não se ofenda com as minhas palavras." Nesse momento senti um respeito enorme por aquele homem. Descobri-lhe dignidade. E reparei que ninguém da minha geração, jamais em tempo algum, me pediu desculpa por falar mais do que devia. Nem eu, jamais em tempo algum, pedi desculpa a mim mesma, quando disse alguma asneira, e que, infelizmente, me sai com mais frequência do que queria.

(Por um lado, ainda bem que te aconteceu este problema com o blog. Caso contrário, eu nunca teria lido estes teus textos, que são tão bons, e que dizem muito de ti. Dizem bem, muito bem.)