Eu sou um insurgente

O texto de hoje é sobre a guerra no Iraque e Afeganistão e é na mesma linha do que escrevi sobre Gaza.


Nesta guerra não há bons e não há maus. Os Americanos não estão a libertar o Iraque e Afeganistão pois não se pode libertar um povo que quer ser livre dos libertadores. Um povo que não quer ocupação. Um povo que derrotou aqueles que foram donos de 1/3 do mundo e que derrotou a gigante URSS.

Os Americanos dizem que estão a combater terroristas, mas os Nazis também estavam a combater terroristas em França, esses terroristas eram a resistência francesa. Os terroristas que os Americanos combatem são a resistência Iraquiana e Afegã. As pessoas já estão a perceber que eles não são terroristas, por isso agora chamam-lhes insurgentes. Ora eu declaro-me insurgente!

O que é que tem de mal em se ser insurgente? Estando a insurgir-me contra esta guerra de interesses isso faz de mim um alvo a abater? Dá o direito de invadirem a minha casa até eu me submeter? Um insurgente não é um terrorista, é alguém que se insurge contra algo com o qual não concorda o que neste caso é uma ocupação do seu país e uma extorsão dos seus recursos naturais. Um insurgente é um resistente, é alguém que acredita que é livre. Alguém que acredita que sem liberdade nada temos. Um insurgente é quem não se submete e esta guerra quer submeter um povo que nunca se submeterá a uma força estrangeira no seu país. Um insurgente é um resistente que decide apostar a sua vida numa mão de poker de dois Valetes, mas se ganhar, ganha a sua liberdade ou pelo menos a ilusão de que é livre. Não é isso que todos queremos? Na falta de liberdade a simples ilusão dela é o que mantém as sociedades ocidentais obedientes e submissas, é a ilusão que as impede de se insurgir.


(© Zoriah/www.zoriah.com)

Nunca nenhum país poderá subjugar, dominar e controlar um povo que quer ser livre. Espalhar democracia não é impor democracia, e a democracia é vista de forma diferente por povos diferentes, não podemos impor os nossos ideais e opiniões a terceiros e muito menos as nossas vontades. A única forma de acabar com os insurgentes não é a tiro, pois qualquer filho se irá insurgir contra o homicídio do seu pai. Para acabar com os insurgentes é só preciso parar de os tentar submeter.

Quando enchemos o depósito do nosso carro, temos a noção do quanto os combustíveis são caros, mas quantos de nós pensam no seu preço real pago por anónimos do outro lado do mundo com o seu sangue e o sangue daqueles que amam?
Eu sou um insurgente e se isso faz de mim um terrorista, serei só mais um insurgente-terrorista-inocente.

8 Comentários:

  I.D.Pena

quinta-feira, dezembro 03, 2009 11:57:00 da manhã

Eu acho que o que a guerra é a luta pela conquista de algo, não acho que exista razão suficientemente valida para que ela a guerra exista.
Pelo menos para mim que incito sempre a calma e ponderação antes de recorrer à violência.
É necessario que as mentalidades se abram para puder considerar outros tipos de cultura, cada povo é um povo e todos têm direito à preservação e conservação de suas histórias, o problema é a as riquezas. O problema está no valor da vida humana para a especie humana.
E depois a maior parte dos humanos só está preocupada com a autopreservação querem lá saber dos meios para chegar aos fins. Se não se vê não existe.
Na guerra os interesses são a conquista de valores e do poder só isso.
O resto é tudo fachadas de culpa e muita vergonha. A guerra ,para mim, e qualquer tipo de violência que resulte em perda de vidas humanas significa que somos uma espécie condenada a não evoluir, sem capacidades para coexistir com ela mesma.
Por causa do poder muitos inocentes morrem e sofrem,e sim penso nisso Bruno, em cada produto que consumo o preço o numero, o valor, o imposto, a quantidade de intermediários e isso acaba também por me consumir. :S

  Vani

quinta-feira, dezembro 03, 2009 12:37:00 da tarde

Concordo 100% contigo. Nunca me chamaram insurgente, mas já me chamaram rebelde.

  Bruno Fehr

sexta-feira, dezembro 04, 2009 3:54:00 da manhã

I.D.Pena:

"significa que somos uma espécie condenada a não evoluir, sem capacidades para coexistir com ela mesma."

Coexistir é a palavra chave, ainda há dias tive uma discussão com um religioso Americano sobre essa palavras. Alguém referiu que todas as religiões podem coexistir e esse religioso católico disse: "coexistir são palavras do demónio, a bíblia assim o diz."
Foi uma discussão engraçada pois dei por mim sozinho a discutir com perto de uma dezena de malucos da bíblia a darem-me passagens da mesma que referiam os não crentes com não sendo dignos de viver junto a um Cristão.

O ser humano é incapaz de coexistir pois não aceita a diferenças das outras pessoas e mesmo assim passamos mais tempo a discutir as nossas diferenças do que em encontrar as nossas semelhanças.

Vani:

"Nunca me chamaram insurgente, mas já me chamaram rebelde."

Rebelde é uma palavra vista como pejorativa pois pressupõe uma revolta contra um poder instalado, mas na verdade é o mesmo que insurgente, pois essa rebeldia é uma luta pela sua percepção do que é a liberdade.

  Fada

sexta-feira, dezembro 04, 2009 3:58:00 da manhã

A mim chamam-me refilona. :D

Beijitos, ó insurgente! :)

  I.D.Pena

sexta-feira, dezembro 04, 2009 2:49:00 da tarde

"Coexistir é a palavra chave, ainda há dias tive uma discussão com um religioso Americano sobre essa palavras. Alguém referiu que todas as religiões podem coexistir e esse religioso católico disse: "coexistir são palavras do demónio, a bíblia assim o diz."
Foi uma discussão engraçada pois dei por mim sozinho a discutir com perto de uma dezena de malucos da bíblia a darem-me passagens da mesma que referiam os não crentes com não sendo dignos de viver junto a um Cristão."

Sim já tentei também chegar a algum consenso mas normalmente acabo por desistir com absurdos como esse -->"coexistir são palavras do demónio, a bíblia assim o diz." e outras coisas mais.

Quanto à dignidade , cada um tem a sua e quem decide isso não é a comunidade cristã.

O problema dos fanaticos religiosos é esse mesmo perdem a noção do que realmente importa , é preciso indignarmonos também contra todo o tipo de racismos e isso pareceu-me nada mais nada menos que uma descreminação contra os que escolhem não acreditar.

  Stiletto

sexta-feira, dezembro 04, 2009 3:08:00 da tarde

Esse religioso católico nem sabe os fundamentos da religião católica, além de ser um perfeito anormal.
Mas anormais há em todos os credos e raças, ou não?
Eu não sou praticante a não ser quando me apetece. Mas acho que a religião católica apostólica romana tem bons principios. Se as pessoas ditas catõlicas os seguem ou não já é outra conversa...

  Grafonola

sábado, dezembro 05, 2009 4:30:00 da tarde

LOOL,não foi utilizada em sentido pejorativo, acho. Foi mais do género, mas porque é que tu és tão rebelde? Tudo por eu me recusar a encarneirar. Tb tenho fama de mau feitio em alguns espaços ahahah.

  Grafonola

sábado, dezembro 05, 2009 4:34:00 da tarde

Oh pah gostava de ter assistido a essa discussão!

Se a ciencia e a religião conseguem coexistir, porque não hão-de as religiões fazê-lo? Eu sou agnóstica e tenho um amigo muçulmano. Nunca nos passámos um com o outro e brincamos muito. Se uma europeia agnóstica consegue construir uma amizade com um palestiniano...

A coexistência de diferentes principios é possivel e existe. Mas isso é coisa para almas evoluidas...