Tudo... 1 ano depois!


Tudo o que significaste para mim foi mesmo tudo... o que te disse, mas acho sempre que preciso de dizer mais.

Já passou um ano. A minha dívida para contigo é enorme, pois devo-te a minha própria vida, a minha sanidade mental e o meu lado bom, que é o único que se aproveita.
Tomei-te como certa, como ancora na minha vida. Não que me prendesses, mas porque queria estar por perto. Choro pelas vezes que perdi a minha paciência contigo, sem nunca a tivesses perdido comigo. Dói-me todos os "não" que te disse, sabendo hoje que foi uma palavra que nunca me disseste.

Foste avó, mãe e amiga eu fui a tua razão de viver mas não o melhor neto, pelo menos tão bom como deveria ter sido. Não dei o que deveria ter dado, não disse o que deveria ter dito, não te beijei como deveria ter beijado nem me despedi como deveria ter-me despedido.

Falhei contigo, eu sei, custa-me aceitar isto, mas já é normal em mim, falhar com as pessoas de quem mais gosto, principalmente quando nunca me faltaram, nunca me falharam. Sou arrogante, egoísta. Vivo num mundo cínico e só meu. Sou forte ao ponto de derrubar paredes no meu caminho, mas caio ao toque de uma pena, quando amo. Não dizendo que amo, pois dói. Amo em silencio idêntico ao silencio que vivo e do qual me alimento. Isolado, escondido no meio da multidão.

Tu partiste sem me ver. Não te disse o Adeus que merecias. Fui injusto, fui uma besta como sempre. Desiludo-me constantemente pelas minhas defesas ridículas. Nada me pode derrubar, pois estou de tal maneira comprimido que é impossível, mas desfaço-me por dentro. Sinto-me fechado dentro de um corpo de betão, mas por dentro, sou pó e basta uma racha, para eu desaparecer.

Mas fui amado por ti, de uma maneira que nunca te vi amar ninguém, nem mesmo os teus filhos. Quando me vias os teus olhos brilhavam, sorrias, querias falar e falar comigo e eu... eu não tinha tempo. Claro que tinha. Temos sempre tempo. Recusamos dar o nosso tempo como se fosse algo precioso, quando na verdade estamos a perder momentos preciosos.

Tu és preciosa, mas mais uma vez dei o devido valor a alguém após a perder.
Foste mulher modelo. A imagem firme no entanto doce que uma mulher deve de ter. Fizeste-me sentir capaz de ter tudo, só por o querer. Deste-me força para vencer, deste coragem para seguir os meus sonhos, mesmo sabendo que te iria deixar.

A ultima vez que te vi, estavas fraca, nem me reconheceste ao olhar para mim, disseste-me, "O senhor importa-se de me passar aquele copo de água?"
Eu passei e uns minutos depois reconheceste-me e os teus olhos brilharam.

Quando parti, dissestes-me "Adeus", eu disse-te "até para o ano". Mais uma vez tinhas razão.
Para ti, eu sempre fui transparente e indefeso. Para mim sempre foste uma fonte de força e de amor. Foste, és e serás para sempre, Tudo!

Tal como há um ano, não tive a capacidade de me exprimir como queria, de uma forma clara e inequívoca, dizer tudo o que sinto. Só espero que de alguma maneira consigas ver o que não digo, o que não escrevo, só aquilo que sinto.


Em memória da minha avó, Maria P. F.

39 Comentários:

  ines

quinta-feira, janeiro 22, 2009 4:43:00 da tarde

O que não dizes "ela" sente ou sentiu!

(Não tenho muito jeito para comentar estes post. Eu "falo" com o meu pai e os meus irmãos, diáriamente e fico sempre com a sensação que ainda não disse tudo)

  Van

quinta-feira, janeiro 22, 2009 4:46:00 da tarde

Fizeste-me ter vontade de ir visitar os meus avós. Na verdade não passa um dia que não pense que não os vou ter para sempre e que podia ser uma neta melhor...

Sendo que és como te descreves, deste o teu melhor com ela. Amas-te-a sim, e ela sabia disso. elas, as mães, sabem sempre.

Um beijinho pra ti, bruno.

  Van

quinta-feira, janeiro 22, 2009 4:46:00 da tarde

Amaste-a*

  Pronúncia

quinta-feira, janeiro 22, 2009 5:04:00 da tarde

Mais do que as palavras, valem os sentimentos.

E o que sentes pela tua avó é puro, é sincero e é grande.
Mesmo que nunca lho tenhas dito, ela soube, porque há avós que sabem tudo. A tua (e a minha) sabiam.

Fica bem.

  Gravepisser

quinta-feira, janeiro 22, 2009 5:43:00 da tarde

This post gave me the creeps...

Homenagear os que amamos, ainda que a título póstumo, é sempre de salutar; assumir o que somos, e os nossos erros, também.
Neste caso, tenho a certeza que a tua avó sabia o quanto a amavas, por isso não vale a pena recriminares-te, teres ou não dado o carinho que ela necessitava, é subjectivo. Toda a gente necessita de carinho, toda a gente precisa de ser amada pelos que são importantes para si, quanto mais, melhor. Não é possível quantificar isso assim, o importante é que tenhamos a consciência tranquila, para não ficarmos com remorsos, no dia em que tenhamos de nos despedir, para sempre, de alguém que amamos...
Mas também essa é uma tarefa ingrata, nunca temos a certeza se estamos a dar a atenção suficiente a essas pessoas, e por vezes a angústia apodera-se de nós, e... Bem. Não vale a pena dizer mais nada.
Cumps

  Salto-Alto

quinta-feira, janeiro 22, 2009 5:51:00 da tarde

Parabéns, está um texto lindo!

  Ana

quinta-feira, janeiro 22, 2009 6:17:00 da tarde

O que me fica deste post, e algo que todos nos esquecemos podes dizer a um alguem que o amas no ontem, hoje e amanha e ainda assim, quando se trata de um Amor maior nao ser o suficiente... as palavras por vezes parecem tao banais mas elas existem pelo espirito que por elas passa e ha que lhes dar uso!

  afectado

quinta-feira, janeiro 22, 2009 6:35:00 da tarde

a partida dos avós é sempre complicada. são pessoas de quem guardamos um carinho especial.

vivi um momento assim há 11 anos e ainda hoje sinto um aperto cá dentro quando penso nisso...

abraço!

  S.Tear

quinta-feira, janeiro 22, 2009 8:15:00 da tarde

:(

  Peregrina

quinta-feira, janeiro 22, 2009 8:21:00 da tarde

Maravilhoso.
Como te entendo...
Sei que a tua avó está de certeza lá em cima, super orgulhosa com o neto que Deus lhe deu :)

  ceptic

quinta-feira, janeiro 22, 2009 10:18:00 da tarde

:)

  Isa

quinta-feira, janeiro 22, 2009 10:21:00 da tarde

Lindo de se ler e sentir..:-)

  pepita chocolate

quinta-feira, janeiro 22, 2009 10:48:00 da tarde

não há palavras, depois deste post...emoções à flor da pele!

  Lize

quinta-feira, janeiro 22, 2009 11:29:00 da tarde

:) Sem dúvida... aquele brilho nos olhos dela não era só porque ela te amava, mas porque sabia que tu a amavas a ela também. Relembra os momentos que passaste com ela e não aqueles que gostarias de ter passado... Porque esses não se recuperam, mas os que passaste estão aí, gravados nesse teu coração, e no dela também, para sempre. :)


Beijocas :)

  Joana

quinta-feira, janeiro 22, 2009 11:33:00 da tarde

Compreendo bem o que dizes e sentes. E aí dentro, do coração, ela vai estar sempre. Podes dizer-lhe o quanto gostas dela.

Acredito, que um dia, estaremos todos juntos novamente. Até lá, ficam no coração.
Os bons momentos ninguém nos tira.

beijinhos

  Eu mesma!

quinta-feira, janeiro 22, 2009 11:43:00 da tarde

sei o que sentes Bruno
eu não consegui dizer adeus à minha bela avózinha....

numa terça-feira começou o drama mas... eu achei que tinha tempo para lá ir...

e quando cheguei ao hospital era tarde de mais....

mas eu sinto que... lhe disse adeus em pensamento ou pelo menos... espero que ela tenha sentido o meu beijo ao longe....

existem poucas coisas na vida das quais eu me arrependo... o não ter tido este tempo é uma delas...

  mamie2

sexta-feira, janeiro 23, 2009 12:59:00 da manhã

Deste dia e deste texto, deixo-te só um beijo.

Do resto digo-te apenas que um dia vais ter de abrir o teu coração. Não?

  Rita Carapau Sardinha Frita

sexta-feira, janeiro 23, 2009 1:50:00 da manhã

Senti-me muito tocada por este texto.

Obrigada

Um beijo

  mf

sexta-feira, janeiro 23, 2009 2:56:00 da manhã

O que sentes entendo bem...
E entendo também outra coisa: há sempre alguém, Fehr, que te pode fazer sentir amado assim outra vez. Há sempre alguém. Parte de ti, que sabes como és, deixares que esse alguém entre no teu mundo e chegue a ti. A tua descrição das muralhas (ou o corpo de betão, como lhe chamas) é certíssima. E tu sabes como as desfazer. Só não sabes o que fazer com a sensação de fragilidade. Daí o silêncio e o isolamento.
Só tu saberás quando é que alguém valerá a pena... Nessa altura ou arriscas ou não...

  Estrela Cadente

sexta-feira, janeiro 23, 2009 4:32:00 da manhã

Muito bonito!
As pessoas só morrem quando deixam de viver nos nossos corações.
E podes ter a certeza que a tua avó sabia e sabe o quanto a amas.
Beijinho.

  lontra (MR.)

sexta-feira, janeiro 23, 2009 7:17:00 da manhã

Bruno F.:

“Quando me vias, os teus olhos brilhavam”

Consegues imaginar as maravilhas que ela via diante de si, para tal acontecer? Cuida e preserva-as bem, acho que ela ficaria feliz…………….

  Mel

sexta-feira, janeiro 23, 2009 10:32:00 da manhã

Já um ano?

Realmente somos umas bestas quadradas...:(

  anatcat

sexta-feira, janeiro 23, 2009 11:12:00 da manhã

Bruno,

não vou colocar mais Youtubes nem comentar os teus sentimentos, porque sentimentos são coisas não comentáveis.

Também perdi alguém assim (avô/pai/amigo). Já faz mais de 10 anos.

Digo-te que a dor nunca vai passar, mas acalma e deixa de agonizar.

Não há um dia que eu não me lembre ou pense nele por um motivo casual qualquer.

Mas vá, chega de coisas sérias, agora vou fazer-te sorrir (espero eu e o melhor é esperar sentadita :D)

Quando for grande vou casar com o Bruno Fehr/Crest :D, se com a Katie Holmes resultou quanto ao Tom, comigo também vai resultar :D.

Mas, espera lá, eu já sou grande, e nem sei se és giro, mas isso também é pouco importante porque eu também me casaria com o Pavarotti desde que ele cantasse para mim todos os dias ao serão uma serenatazita em semi-surdina.

Pronto, esquece, vou-me "calar", e tomar a medicação se conseguir chegar à mesinha da água e comprimidos, porque parecendo que não isto de estar amarrada à cama dificulta um bocado e o ar dos enfermeiros que parecem mais guarda-costas também não incentiva uma pessoa :D

bjs

  André

sexta-feira, janeiro 23, 2009 3:08:00 da tarde

É sempre bom relembrar, não apenas com palavras, mas as memórias essas sim valem a pena ser vividas.

  Van

sexta-feira, janeiro 23, 2009 3:19:00 da tarde

Obrigada pela dica na formatação, Bruno. Era exactamente esse o problema: a opção das quebras de linha não estava activada... obrigada.

Desculpa nao ter mais palavras, mas hoje estou de olho inchado...

Beijinho, e força, nino.

  Pax

sexta-feira, janeiro 23, 2009 5:49:00 da tarde

Como sabes, também tive uma perda muito grande e muito recentemente e, como te disse há um ano, continuo a acreditar que quem nos ama, ama de verdade e, ainda que achemos que em algum momento lhe falhámos, continuará a cuidar de nós pois nós continuaremos a tomar decisões pensando nelas e na forma como elas nos influenciariam nessas mesmas decisões.

Beijos :)

  Van

sexta-feira, janeiro 23, 2009 7:23:00 da tarde

A pax está certíssima.

  I.D.Pena

sábado, janeiro 24, 2009 1:07:00 da manhã

Bonito o texto, um desabafo, espero que te tenha feito bem , expressares o que sentes ou sentias, aqui.

Acho que se te lembras da tua avó, então ainda vive nas memórias, gostas dela, e isso é que é preciso, quanto à culpa ou o facto de achares que falhaste, errar é humano e siga a vida, sê feliz.

:)

  I.D.Pena

sábado, janeiro 24, 2009 1:09:00 da manhã

E concordo com a Van.

  Maria Manuela

sábado, janeiro 24, 2009 3:07:00 da tarde

Como o tempo passa...

Há um ano já eu te lia e lembro-me bem do que aqui relatas.

beijo

  Susana

sábado, janeiro 24, 2009 11:43:00 da tarde

olha adorei o texto mesmo sabendo que se trata de um dia triste para ti.
Eu infelizmente perdi os 4 avos ainda muito nova e as recordações que tenho são poucas, mas aprendi a viver com essa falta e tu tambem consegues.

Beijos

  forteifeio

domingo, janeiro 25, 2009 12:44:00 da manhã

Dá todo o amor que possuis àqueles que mais gostas e que ainda estão à tua volta, e dessa forma a tua avó onde quer que esteja vai sentir-se orgulhosa de o teres feito. Se ela foi isso tudo que tu dizes em relação a ti certamente que gostava da tua forma de ser.

  Bruno Fehr

segunda-feira, janeiro 26, 2009 1:12:00 da manhã

A todos:

Visto que nao é um assunto sobre o qual eu queira comentar pessoalmente os vossos comentários, pois nao tenho nada a dizer sobre o assunto, deixo aqui um obrigado e espero que nao tomem a falta de resposta personalizada como falta de educação.
A todos os que leram sem comentar e aos que comentaram:

ines
Van
Pronúncia
Gravepisser
Salto-Alto
Ana
afectado
S.Tear
Peregrina
ceptic
Isa
pepita chocolate
Lize
Joana
Eu mesma!
mamie2
Rita Carapau Sardinha Frita
mf
Estrela Cadente
lontra (MR.)
Mel
anatcat
André
Van
Pax
I.D.Pena
Maria Manuela
Susana
forteifeio

  Bruno Fehr

segunda-feira, janeiro 26, 2009 1:17:00 da manhã

anatcat:

Bem, vou cometer a injustiça de responder a um único comentário, mas faço-o porque não tem nada a ver com o texto e porque me fartei de rir ao ler isto:

"Quando for grande vou casar com o Bruno Fehr/Crest :D, se com a Katie Holmes resultou quanto ao Tom, comigo também vai resultar :D.

Mas, espera lá, eu já sou grande, e nem sei se és giro, mas isso também é pouco importante porque eu também me casaria com o Pavarotti desde que ele cantasse para mim todos os dias ao serão uma serenatazita em semi-surdina.

Pronto, esquece, vou-me "calar", e tomar a medicação se conseguir chegar à mesinha da água e comprimidos, porque parecendo que não isto de estar amarrada à cama dificulta um bocado e o ar dos enfermeiros que parecem mais guarda-costas também não incentiva uma pessoa :D"

Ahahahahaah, boa, boa.
Sabes porque é que estás amarrada à cama? Porque tão tens um daqueles quartos com parede almofadadas... Eu só me entrego às autoridades quando tiver a garantia que recebo um desses quartos :D

  Pax

segunda-feira, janeiro 26, 2009 1:26:00 da manhã

"deixo aqui um obrigado e espero que nao tomem a falta de resposta personalizada como falta de educação."

Claro que não é falta de educação :)

Beijos :)

  anatcat

segunda-feira, janeiro 26, 2009 5:17:00 da tarde

:)

uau! agora senti-me lisonjeada

na verdade, vaidosa mesmo :D

e contente por te ter feito rir :)

bjs

  JS

terça-feira, janeiro 27, 2009 12:03:00 da manhã

Já estou em lágrimas, percebo muito bem o que é não ir a tempo para se dizer tudo, para se dar o ultimo beijo.

  Doce Veneno

terça-feira, janeiro 27, 2009 1:39:00 da tarde

Olá Bruno,

Passei por aqui por indicação de uma leitora, este texto tocou-me.

Deixo-te aqui um meu.
http://amoreodioo.blogspot.com/2008/06/saudade.html

Espero que entendas. Eu sei que sim.

Um beijo

  Bruno Fehr

terça-feira, janeiro 27, 2009 11:50:00 da tarde

Como referi anteriormente, nao irei responder aos comentários pessoalmente, neste texto, deixando unicamente um agradecimento a quem comentou:

Pax
anatcat
JS
Doce Veneno