A foto


Encontrei uma foto tua por acidente. Eu que pensava que todo meu passado estava em álbuns, em minha casa em Portugal e que nada tinha trazido comigo. Nada que me lembrasse da minha vida lá.
Comigo, nesta viagem trouxe roupas que depressa substituí, documentos e um livro que é a minha única ligação a esse passado. E foi lá, nesse livro, que como marcador encontrei uma foto. Não me lembro de alguma vez ter usado uma foto como marcador de pagina e não vejo qualquer sentido, em ela estar lá. Mas estava.

Observei-a. Essa foto trouxe-me uma avalanche de memórias boas e más. Transportou-me para um passado distante. Quase me comoveu. Quase me fez sentir saudade. Quase, mas não senti.
Eu sei que os meus sentimentos não morreram, sei, pois é um facto que consigo sentir e sinto. Mas é também um facto que não me comovo como deveria. Eu não digo que os homens não choram, pois eles choram, eles têm de chorar, mas o tempo passa e essa é uma lavagem de alma da qual pareço estar privado. Tenho tanto para lavar...

E saudades? Acho que só tenho saudades, de sentir saudades de algo ou alguém. Não tenho nunca saudades dos locais onde estive, nem saudades das pessoas do meu passado. Não é justo estar privado de sentimentos dos quais não fujo, nem me escondo.

As imagens, sons e palavras, tocam-me, sinto-os mas não me comovem. Não é justo, por isso continuo na minha odisseia, na minha busca pelo "santo graal"das palavras. Aquelas que me façam sentir, como uma pessoa normal.

Como estás? Gostava de saber se está tudo bem.

Um dia vou sentir saudades, um dia as memórias geladas que tenho da nossa despedida, vão derreter e eu irei deixar-me ir nessa avalanche de lágrimas e saudades, que me levará até ti. Espero que ainda vá a tempo...

Eu sei que consigo sentir, pois apesar da distancia, da desilusão, do gelo, das palavras que nos separam, eu amo-te e tu amas-me. Amor esse que foi turvado pelos teus erros, pelos meus erros, pelos nossos erros. Pois eu sempre que soube que não sou perfeito, tu sempre soubeste que não eras perfeito, mas víamo-nos um ao outro como perfeitos até ao dia que as imperfeições foram expostas e não estivemos à altura de aceitar esse facto.

Por orgulho nos afastámos e ainda não encontrei aquilo que nos poderá juntar, num abraço apertado.

Tu caíste como meu herói, quando não me tentaste salvar de mim próprio. Eu deixei de ser perfeito, quando não aceitei a tua única falha em tantos anos. Os erros que nos separam, são como um oceano enfurecido, para o qual não temos mais do que botes de borracha e uma pequena vela. Qualquer viagem poderá falhar terrivelmente, se os ventos não estiverem a nosso favor. Os laços de sangue, significam pouco quando a ferida está aberta e o sangue jorra pelo chão. Perdendo-se. Sendo renovado por sangue novo sem laços...

Até um dia.

95 Comentários:

  Nana

sexta-feira, janeiro 02, 2009 1:14:00 da manhã

"(...)so tenho saudades, de sentir saudades de algo ou alguém."

Sei exactamente do que o sr Bruno está a falar, só não compreendo é porque é que se chateia por não ter esse tipo de sentimento.
Vai perceber que está muito melhor sem eles, vá por mim, a Naninha sabe!!

Isso de sentir saudades de sentir saudades passa com o tempo...no final já não sente saudades de nada!

  Jane Doe

sexta-feira, janeiro 02, 2009 1:16:00 da manhã

Que... Um dia tenhas esse Abraço...

E... se não sentes e eles estão lá, é porque estás a fugir, ou não? Simplesmente não te dás conta...

E porque é que quando vimos embora alguma coisa que nao queremos insiste em vir atrás? Por muito que se deite fora?



"and you know when i´m down just to my socks what time it is"

  Ana GG

sexta-feira, janeiro 02, 2009 3:06:00 da manhã

Não é mesmo justo!

"Quase me comoveu. Quase me fez sentir saudade."

Quando experimentas as sensações que as memórias te trazem, essa dor ou esse esboçar de um sorriso...são saudades!

  Teté

sexta-feira, janeiro 02, 2009 3:29:00 da manhã

Então e errar não é humano? Até com orgulhozinhos bestas que nos impedem de um pedido de desculpa...

É estranho como, à medida que o tempo vai avançando, alguns conflitos que levámos tão a peito nos parecem tão desprovidos de importância! Passado, morto e enterrado, em que por vezes nem nos lembramos das causas que levaram a essa mágoa ou zanga. E depois, por alguma razão, um objecto, uma palavra, uma música ou um gesto recorda-nos alguém. De repente, sem mais nada!

Comovente? Ná, é mais fácil com um filme, livro ou história alheia acabada de ler ou ouvir, do que com recordações próprias, boas ou más. Ou com uns copos a mais... :)))

Se insensibilidade tiver algo a ver com lágrimas, também sou à "prova de bala" no que toca à minha vida privada!!! ;)

  Gravepisser

sexta-feira, janeiro 02, 2009 4:10:00 da manhã

"Quase me comoveu. Quase me fez sentir saudade. Quase..."

Impressionante essa tua capacidade de "resistência"... Nunca consegui quedar-me pelos "quases". Suponho que tudo se torne mais fácil, a partir do momento em que conseguimos. Mas será isso algo que aprendemos, que conseguimos atingir com o passar do tempo, das vivências/experiências? Ou será, pelo contrário, algo inato, indissociável da personalidade do próprio indivíduo?

Li uma vez algures, "conservar algo que pudesse recordar-te, seria admitir que pudesse esquecer-te". Isto diz tudo, acerca do propósito das fotografias.
Deve ser por isso que não guardo nenhumas...

  FATifer

sexta-feira, janeiro 02, 2009 4:40:00 da manhã

Sinceramente acho que dizes tudo, pelo que, quero apenas sublinhar este parágrafo com ênfase para a última frase:

“Um dia vou sentir saudades, um dia as memórias geladas que tenho da nossa despedida, vão derreter e eu irei deixar-me ir nessa avalanche de lágrimas e saudades, que me levará até ti. Espero que ainda vá a tempo...”

… se há alguém capaz de encontrar o “"santo graal"das palavras” és tu, mesmo sabendo que falas do teu "santo graal"…

Tenho dito,
FATifer

  Sassi

sexta-feira, janeiro 02, 2009 10:11:00 da manhã

Olá! Gostei da introdução aos comentários...
Só estou aqui para agradecer o comentário no meu blog e para perguntar se o teu Picasso também era um Retriver do Labrador. É que se foi já são pelo menos três que eu conheço.
Também vi que estás na Alemanha. Eu estive em Stuttgart. Tás em que zona?
Boa continuação e um óptimo 2009

Sassi

  Pax

sexta-feira, janeiro 02, 2009 12:21:00 da tarde

"(...) Espero que ainda vá a tempo..."

Enquanto há vida, há tempo.
Irás.

  vício

sexta-feira, janeiro 02, 2009 12:24:00 da tarde

gostei da parte "Eu deixei de ser perfeito..." :D
não devias ser tão modesto!

  I.D.Pena

sexta-feira, janeiro 02, 2009 12:36:00 da tarde

Mais um texto que prima pelo sentimentaloide que há em todos nós.

Lol

Compreendo esse "feeling" que queres demonstrar neste texto, as chamadas Saudades do Futuro que toda a gente acha praticamente impossível, mas é assim que somos todos, lógicos e ilógicos nas nossas imperfeições.
...
"As imagens, sons e palavras, tocam-me, sinto-os mas não me comovem. Não é justo, por isso continuo na minha odisseia, na minha busca pelo "santo graal"das palavras. Aquelas que me façam sentir, como uma pessoa normal."

O ser humano ao errar costuma compensar esse erro ,como se fosse uma espécie de pena, fica condenado a rectificar aquele erro e a perceber as razões , as causas e depois os seus efeitos, tudo para que um ciclo vicioso que não nos faz bem acabe. :)

"E saudades? Acho que só tenho saudades, de sentir saudades de algo ou alguém. Não tenho nunca saudades dos locais onde estive, nem saudades das pessoas do meu passado. Não é justo estar privado de sentimentos dos quais não fujo, nem me escondo."

Por mais que me considere uma pessoa saudosa das paisagens às quais chamo - as minhas raízes, tenho que te dar a razão, não foram as paisagens bonitas que proporcionaram os momentos especiais , mas sim as pessoas que me acompanhavam.

"Qualquer viagem poderá falhar terrivelmente, se os ventos não estiverem a nosso favor. Os laços de sangue, significam pouco quando a ferida está aberta e o sangue jorra pelo chão. Perdendo-se. Sendo renovado por sangue novo sem laços..."

Este paragrafo está super dramático , grande final, concordo e gostei muito.

Quanto à mudança de nick : Bruno Fehr , o nome tá giro, tem pinta hehehe, mas não me é estranho, alguma vez já usaste esse nick noutros blogues antigos , ou independentes deste ?

*

  Patricia Daniela ♥

sexta-feira, janeiro 02, 2009 1:35:00 da tarde

gostei do texto
e obrigada pela visita ao meu blog, volta sempre!

  provocação

sexta-feira, janeiro 02, 2009 1:36:00 da tarde

Imagina-te nu no meio da rua com uma enorme chuvada a cair-te em cima...alguns carros passam atiram-te com os máximos para te verem melhor, para que saias dali. Afinal o que faz alguém nu no meio da....espera, reparam que afinal não estás nu! Tens umas meias calçadas, grossas e seriam quentes, as mais quentes se não estivessem empapadas em água. E tu no meio deste cenário apenas queres ver-te livre daquelas meias que te estão a incomodar mais que tudo o resto. Mas não consegues mover um dedo para as descalçar. Não consegues, não queres, achas até que nem sabes como fazê-lo...e cada passo que deres elas estão lá a enrugarem-se sob os teus pés a tornarem cada passo mais pesado, mais fatídico.
É isto que eu acho que são as saudades de quem não está connosco. Quer esse quem esteja vivo ou não...

  Dianinha

sexta-feira, janeiro 02, 2009 3:04:00 da tarde

Isto aconteceu tudo por causa de uma foto ... incrível não é? O que uma simples imagem te trouxe ... mesmo que tenha sido só "quase"!

Gostei muito do post e até me identifiquei nalguns parágrafos e nalgumas entrelinhas.

Tornei-me seguidora assídua ;)

  sweetie

sexta-feira, janeiro 02, 2009 3:52:00 da tarde

Gostei muito do texto.. e isso das saudades tem muito que se lhe diga.. é incrível como podem toldar o nosso discernimento e fazer.nos ver as coisas de outra maneira.
"Os erros que nos separam, são como um oceano enfurecido, para o qual não temos mais do que botes de borracha e uma pequena vela." Grande verdade.. *

  Lize

sexta-feira, janeiro 02, 2009 5:11:00 da tarde

Até um dia... E um dia pode ser que a ferida feche.

Beijocas

  Diabólica

sexta-feira, janeiro 02, 2009 6:03:00 da tarde

"Espero que ainda vá a tempo...”, irá com certeza! Nunca se deve desistir daquilo que se quer. O orgulho, é uma forma de perder tempo desnecessariamente.

Beijinhos e força!

  ACP

sexta-feira, janeiro 02, 2009 9:12:00 da tarde

1.º Obrigada pela visita :)
2.º 1 óptimo 2009!!!
3.º Na realidade temos a idade do BI, é algo inerente e nós, q n conseguimos descartar (só o Mantorras e algumas divas); mas a nossa idade, aquela q projectamos, é aquela q sentimos!
4.º (o mais complicado, a posta de salmão acerca desta opinião de ti, para ti) Eu acredito q as coisas n acontecem por acaso, têm sp algum propósito, o desafio é conseguir descortinar o fito das coisas acontecerem de uma determinada forma. Assim, n terá sido por acaso q a fotografia surgiu, mmo n sendo usual ser usada como marcador! Há alturas do ano, particularmente especiais para nos fazermos ao mar... compreendo-te perfeitamente qdo dizes "essa é uma lavagem de alma da qual pareço estar privado", já senti o mmo e é tenebroso; bom, agora pareço quase uma cascata de bolso :D
Gostei mto do texto, da escrita, revi-me em algumas coisas. Espero q esse abraço chegue, há q perscrutar caminhos, pontes, q permitam aproximar as duas margens!

Beijinhos

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 12:30:00 da manhã

Nana disse...

"só não compreendo é porque é que se chateia por não ter esse tipo de sentimento.
Vai perceber que está muito melhor sem eles, vá por mim, a Naninha sabe!!"

Sentimentos bons ou maus são o que nos permitem perceber que estamos vivos, pois se sentimos pouco e cada vez menos, que piada tem?

"no final já não sente saudades de nada!"

Se a saudade morre, se um sentimento morre, todos os outros podem morrer e no final, nada nos resta.

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 12:32:00 da manhã

Jane Doe disse...

"E... se não sentes e eles estão lá, é porque estás a fugir, ou não? Simplesmente não te dás conta..."

Nao estou a fugir antes pelo contrário, estou exposto a eles e mesmo assim não sinto.


"and you know when i´m down just to my socks what time it is"

It's business time, it's business time :)

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 12:33:00 da manhã

Ana GG disse...

"Quando experimentas as sensações que as memórias te trazem, essa dor ou esse esboçar de um sorriso...são saudades!"

E quando nao surge nada? Quando estamos ali à espera que ver o que sentimos e nada... como se estivesse dormente.

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 12:36:00 da manhã

Teté disse...

"Então e errar não é humano? Até com orgulhozinhos bestas que nos impedem de um pedido de desculpa..."

Há erros que são enormes, erros que prejudicam de uma forma que demora anos a reparar, erros que nos destroem. Eu ainda estou a recuperar, por isso perdoar é difícil, especialmente quando não me foi dito, "desculpa". Nao é orgulho e a mais profunda desilusão.

"Se insensibilidade tiver algo a ver com lágrimas, também sou à "prova de bala" no que toca à minha vida privada!!! ;)"

Eu nem penso em lágrimas, mas pelo menos aquele aperto no estômago, isso chegaria.

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 12:43:00 da manhã

Gravepisser disse...

"Impressionante essa tua capacidade de "resistência"... Nunca consegui quedar-me pelos "quases". Suponho que tudo se torne mais fácil, a partir do momento em que conseguimos. Mas será isso algo que aprendemos, que conseguimos atingir com o passar do tempo, das vivências/experiências? Ou será, pelo contrário, algo inato, indissociável da personalidade do próprio indivíduo?"

Vai com o tempo, a cada contrariedade que te atinge bem fundo, analisas, dissecas, retiras toda a informação para impedir que te atinjam novamente da mesma maneira. Constróis muralhas mais altas, mais espessas, ficas exposto virtualmente e é preciso muito para que entrem no teu mundo. De vez em quando alguém entra e tem a vantagem de te poder magoar, mas chega o dia em que estás dormente e reparas que já não te faz grande diferença.

Dás por ti a perceber que te atingiram, mas não sentes dor, por isso sem nenhum esforço viras costas e partes.

Julgo que evolução lógica deste estado é um dia tu próprio derrubares essas muralhas, pois és imune, mas chegar a esse estado, não me parece positivo, pois é como se estivesses morto por dentro.

"Li uma vez algures, "conservar algo que pudesse recordar-te, seria admitir que pudesse esquecer-te". Isto diz tudo, acerca do propósito das fotografias.
Deve ser por isso que não guardo nenhumas..."

Hoje não tenho fotos, excepto algumas que voluntariamente me dão. Fotos minhas simplesmente não tenho! As que tenho, sao o meu passatempo e são sempre estranhos.

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 12:46:00 da manhã

FATifer disse...

"se há alguém capaz de encontrar o “"santo graal"das palavras” és tu, mesmo sabendo que falas do teu "santo graal"…"

Mas é esse o problema, parece tão fácil escrever o que os outros querem ler, ou colocar por palavras o que os outros querem dizer. Se me pedem para os fazer rir ou chorar e até pensar com palavras eu consigo... Mas as palavras que procuro, que estão na verdade à minha frente, nunca as organizo de forma correcta, mas não desisto, eu sei que irei encontrar a forma de expressão que procuro.

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 12:48:00 da manhã

Sassi disse...

"e para perguntar se o teu Picasso também era um Retriver do Labrador."

O meu Picasso era um Doberman que adoptei com 6 meses que recebia maus tratos do seu dono, infelizmente faleceu com um tumor no cérebro dois meses depois, devido a esses maus tratos.

"Também vi que estás na Alemanha. Eu estive em Stuttgart. Tás em que zona?"

Eu estou no norte da Alemanha, mais propriamente no centro de Hamburgo.

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 12:49:00 da manhã

Pax disse...

"Enquanto há vida, há tempo.
Irás."

Espero que sim, ou não, nem sei :)

  Jane Doe

sábado, janeiro 03, 2009 12:50:00 da manhã

Eu diria que sim de forma completamente inconsciente ou...

Ou... Para dizer o que diria a seguir teria que:

-Entrar em divagaçoes sobre a tua pessoa

-Falar de coisas que não quero, a título de exemplo.

Não quero...

Vá Vamos mudar de música.

Your turn!

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 12:51:00 da manhã

vício disse...

"gostei da parte "Eu deixei de ser perfeito..." :D
não devias ser tão modesto!"

Nao é questão de modéstia ou falta dela, há pessoas que vemos como perfeitas e há pessoas que nos veem como perfeitos. Amor de pai, amor de mãe, amor de avós, amor fraternal, esse tipo de amor cega-nos e não vemos imperfeições.

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 12:55:00 da manhã

I.D.Pena disse...

"O ser humano ao errar costuma compensar esse erro ,como se fosse uma espécie de pena, fica condenado a rectificar aquele erro e a perceber as razões , as causas e depois os seus efeitos, tudo para que um ciclo vicioso que não nos faz bem acabe. :)"

Eu percebo os meus erros e disseco-os, aprendo com eles e aceito-os ou corrijo-os. O que me é difícil perceber é quando erram comigo e não explicam, não dizem "desculpa", não nada. Simplesmente nos espetam uma faca no peito e ainda ficam ofendidos se os questionamos.

"Este paragrafo está super dramático , grande final, concordo e gostei muito."

Bah, eu e os finais!

"Quanto à mudança de nick : Bruno Fehr , o nome tá giro, tem pinta hehehe, mas não me é estranho, alguma vez já usaste esse nick noutros blogues antigos , ou independentes deste ?"

Na blogosfera nunca, fora dela, já.

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 12:55:00 da manhã

Patricia Daniela ♥:

Obrigado.

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 12:58:00 da manhã

provocação disse...

"Imagina-te nu no meio da rua com uma enorme chuvada a cair-te em cima...alguns carros passam atiram-te com os máximos para te verem melhor, para que saias dali. Afinal o que faz alguém nu no meio da....espera, reparam que afinal não estás nu! Tens umas meias calçadas, grossas e seriam quentes, as mais quentes se não estivessem empapadas em água. E tu no meio deste cenário apenas queres ver-te livre daquelas meias que te estão a incomodar mais que tudo o resto. Mas não consegues mover um dedo para as descalçar. Não consegues, não queres, achas até que nem sabes como fazê-lo...e cada passo que deres elas estão lá a enrugarem-se sob os teus pés a tornarem cada passo mais pesado, mais fatídico.
É isto que eu acho que são as saudades de quem não está connosco. Quer esse quem esteja vivo ou não..."

É uma descrição fantástica, gostaria de experiênciar algo assim. Sei que nao deverá ser agradável, mas pelos menos dir-me-ia que ainda consigo sentir saudade.

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 1:00:00 da manhã

Dianinha disse...

"Isto aconteceu tudo por causa de uma foto ... incrível não é? O que uma simples imagem te trouxe ... mesmo que tenha sido só "quase"!"

É, por isso não sou apegado a objectos, pois eles carregam sempre memórias e sentimentos, as memórias atingem-me mas os sentimentos não e fico... sei lá... acho que fodido é a palavra correcta. Fico fodido por não sentir nada quando deveria.

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 1:01:00 da manhã

sweetie disse...

"Gostei muito do texto.. e isso das saudades tem muito que se lhe diga.. é incrível como podem toldar o nosso discernimento e fazer.nos ver as coisas de outra maneira."

E é isso mesmo, queria senti-las para ver tudo de outra maneira e nao de uma forma tao fria.

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 1:02:00 da manhã

Lize disse...

"Até um dia... E um dia pode ser que a ferida feche."

É uma possibilidade, mas nao uma certeza.

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 1:03:00 da manhã

Diabólica disse...

"Nunca se deve desistir daquilo que se quer. O orgulho, é uma forma de perder tempo desnecessariamente."

Mas não é orgulho, ou é um orgulho disfarçado, não tenho é motivação e essa motivação ser-me-ia dada por comoção ou saudade, é isso que procuro.

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 1:06:00 da manhã

ACP disse...

"Eu acredito q as coisas n acontecem por acaso, têm sp algum propósito, o desafio é conseguir descortinar o fito das coisas acontecerem de uma determinada forma. Assim, n terá sido por acaso q a fotografia surgiu, mmo n sendo usual ser usada como marcador!"

O acaso vs destino, como agnóstico nao posso acreditar em destino, por isso só me resta o acaso. Mas lá que a foto nao deveria ali estar, isso é um facto.

"compreendo-te perfeitamente qdo dizes "essa é uma lavagem de alma da qual pareço estar privado", já senti o mmo e é tenebroso; bom, agora pareço quase uma cascata de bolso :D"

Pois, talvez precise dessa cascata um dia.

  ACP

sábado, janeiro 03, 2009 1:07:00 da manhã

Há-de vir :)

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 1:09:00 da manhã

Jane Doe disse...

"Vá Vamos mudar de música."

Para mudar temos de chegar a um final: Business hours are over, baby" :)

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 1:11:00 da manhã

ACP disse...

"Há-de vir :)"

Assim espero :)

  Jane Doe

sábado, janeiro 03, 2009 1:14:00 da manhã

Acaba assim!

Its Business, Its Business Time!

Já Podemos, já?

(Ah... esqueci-me de dizer que... Acho que me identifiquei com algumas coisas... Mas isso tambem é tão facil de dizer, não é...?

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 1:30:00 da manhã

Jane Doe disse...

"Já Podemos, já?"

Já "some people are getting diseases from monkeys, yes thats what i said they are getting diseases from monkeys, who has been touching those monkeys they have enough problems as it is"

  Jane Doe

sábado, janeiro 03, 2009 1:47:00 da manhã

"A man is lying on the street, some punk has chopped off his head
And I'm the only one who stops to see if he's dead, aaoohhh
Turns out he's dead"

;)

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 1:54:00 da manhã

Jane Doe disse...

"A man is lying on the street, some punk has chopped off his head
And I'm the only one who stops to see if he's dead, aaoohhh
Turns out he's dead"

Come on sucker, lick my battery

  Jane Doe

sábado, janeiro 03, 2009 2:01:00 da manhã

"We used poisonous gases
And we poisoned their asses"

  Calíope

sábado, janeiro 03, 2009 10:27:00 da manhã

nunca consegui controlar os meus "quases".

se sinto saudades,deixo-me "afundar" nelas até conseguir focar o pensamento noutra coisa...sou assim, de extremos.
Amo/odeio, sinto saudades/desprezo.

Ás vezes tambem eu gostava de dizer que não sinto saudades

beijinhu*

  Jane Doe

sábado, janeiro 03, 2009 12:31:00 da tarde

É verdade... e as minhas criticas? hum hum?

:)

"Yes of course we have. I meant it was nice to meet you that time that I met you. Where was it that we met that time that I met you when I met you?"

;) i like this one

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 12:36:00 da tarde

Calíope disse...

"se sinto saudades,deixo-me "afundar" nelas até conseguir focar o pensamento noutra coisa...sou assim, de extremos."

Extremos também não quero, quero só ver como é, sentir nem que seja uma vez :S

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 12:40:00 da tarde

Jane Doe disse...

"É verdade... e as minhas criticas? hum hum?"

Terá que ficar para depois da minha frequência de segunda-feira. Quero terminar já dia 05 esta cadeira.

"Yes of course we have. I meant it was nice to meet you that time that I met you. Where was it that we met that time that I met you when I met you?"

"We adopted him, I can't believe you forgot that, it was very difficult process"

  Jane Doe

sábado, janeiro 03, 2009 12:43:00 da tarde

ok!

De que?

"Just because you've been exploring my
mouth
Doesn't mean you get to take an
expedition further south, no"

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 03, 2009 12:48:00 da tarde

Jane Doe disse...

"De que?"

Tenho de fazer 4 anos de licenciatura de cultura Alemã (que nunca tive) antes de me deixarem terminar o doutoramento. Fiz dois anos o ano passado e tenho de fazer dois anos este ano (1 por semestre).

"My rimes are so potent that in my first segment i made all the girls in the first row pregnant"

  Jane Doe

sábado, janeiro 03, 2009 12:53:00 da tarde

Hum... Que interessante...

Podia ficar o resto do dia a fazer perguntas eu!

Pronto... fica pra outro post;)

"Yes, sometimes my lyrics are sexist
But you lovely bitches and hoes should know I'm trying to correct this"

"And when i say uuu all the ladies go aaaahhhh"

  Calíope

sábado, janeiro 03, 2009 1:05:00 da tarde

bem ....a sensaçao.plo que ja conheço posso descrever como:

-um aperto no peito tão grande que sentes alguma falta de ar;
-dás por ti a rir sozinho, seja onde for, quando relembras um momento e sentes tanta pena que não se volte a repetir;
-Sentes-te velho!! mesmo que tenha sido ontem
-perguntas-te porquê que as coisas boas passam tão depressa...e as pessoas tmb.

mas acima de tudo....quase te sentes capaz de doar um ano de vida para voltar a ter aquele momento.

e acho que é isto..

  Jane Doe

sábado, janeiro 03, 2009 1:09:00 da tarde

Caliope:

Eu conheço essa sensação...

e... fica uma tristeza enorme...
Daquela nostálgica.
Ficamos entre o "gosto de a sentir" e o "dói tanto"...

Mas muito poucas pessoas me fazem sentir tal coisa.

  Pax

sábado, janeiro 03, 2009 3:10:00 da tarde

"Espero que sim, ou não, nem sei :)"

Acho que é a primeira. Vives melhor com o facto de teres feito algo, ainda que inutil que se um dia olhares para trás e lamentares o não o fazeres a tempo ou pensares "como teria sido se..."

:)

  Calíope

sábado, janeiro 03, 2009 6:02:00 da tarde

Jane doe:

nisso tens razão, não é kk coisa/pessoa que me faz saudades.

e cada vez são menos as pessoas de quem tenho saudades...é pena

  mf

sábado, janeiro 03, 2009 6:07:00 da tarde

Se tu fores como eu é capaz de ser complicado dar a volta à coisa... Quando é comigo, uma conversa sincera resolve o assunto e pronto. Mas se ela não existe e eu me sinto injustiçada ou traída... Por muito que queira nunca mais é o mesmo... Por isso entendo-te bem... A única coisa que acho é que a distância piorou ainda mais as coisas: se vocês estivessem perto se calhar já estava resolvido. Mas lá se diz 'longe da vista...'

PS - Este post, mostrado ao destinatário, não seria uma boa aproximação?

  sexy hot

sábado, janeiro 03, 2009 6:39:00 da tarde

Apesar de teres ficado pelo quase a verdade é que a foto mexeu contigo :)

  lontra=)

sábado, janeiro 03, 2009 8:17:00 da tarde

“Como estás, gostava de saber se esta tudo bem”

Antes de conhecer o “Amar é Perder” tambem não tinha coragem de a fazer...

BJOooos BrunO.

  Bruno Fehr

domingo, janeiro 04, 2009 12:12:00 da manhã

Jane Doe disse...

"Podia ficar o resto do dia a fazer perguntas eu!"

Mas... não temos tempo :)

"Yes, sometimes my lyrics are sexist
But you lovely bitches and hoes should know I'm trying to correct this"

"There's a picture of New York, there's a picture of New York, there's a big, fat, crazy picture of New York"

  Bruno Fehr

domingo, janeiro 04, 2009 12:14:00 da manhã

Calíope disse...

"-um aperto no peito tão grande que sentes alguma falta de ar;
-dás por ti a rir sozinho, seja onde for, quando relembras um momento e sentes tanta pena que não se volte a repetir;
-Sentes-te velho!! mesmo que tenha sido ontem
-perguntas-te porquê que as coisas boas passam tão depressa...e as pessoas tmb."

Mas isso é a saudade de coisas boas, de momentos bons, eu quero saudades de pessoas independentemente dos momentos terem sido bons ou maus.

mas acima de tudo....quase te sentes capaz de doar um ano de vida para voltar a ter aquele momento.

  Bruno Fehr

domingo, janeiro 04, 2009 12:15:00 da manhã

Jane Doe disse...

"Mas muito poucas pessoas me fazem sentir tal coisa."

Muito poucas é algumas, pelo menos isso.

  Bruno Fehr

domingo, janeiro 04, 2009 12:17:00 da manhã

Pax disse...

"Acho que é a primeira. Vives melhor com o facto de teres feito algo, ainda que inutil que se um dia olhares para trás e lamentares o não o fazeres a tempo ou pensares "como teria sido se...""

Eu sei eu já escrevi um texto sobre "e se...", mas a questao aqui é que sem saudades, nunca irei pensar assim. Sei que se nao voltar atrás nunca me vou arrepender de nao o fazer.

Eu sou de ideias fixas, nao corro atrás de ninguém, quando falham comigo e fico frio, quando nao sou tratado com o respeito que dou às pessoas. E é este o caso. Por isso sem saudade, nao me irei arrepender.

  Bruno Fehr

domingo, janeiro 04, 2009 12:18:00 da manhã

Calíope disse...

"e cada vez são menos as pessoas de quem tenho saudades...é pena"

Nem que fosse só uma, já seria óptimo.

  Bruno Fehr

domingo, janeiro 04, 2009 12:20:00 da manhã

mf disse...

"Quando é comigo, uma conversa sincera resolve o assunto e pronto."

Todas as tentativas deram em discussão, há pessoas que perdem o controlo. Há pessoas que erram, se os chamamos à atenção ainda se fazem de ofendidos. Todas as tentativas falharam e as oportunidades nao faltaram.

"se vocês estivessem perto se calhar já estava resolvido. Mas lá se diz 'longe da vista...'"

Ou já nos teríamos pegado a sério...

"PS - Este post, mostrado ao destinatário, não seria uma boa aproximação?"

Nao.

  Bruno Fehr

domingo, janeiro 04, 2009 12:21:00 da manhã

sexy hot disse...

"Apesar de teres ficado pelo quase a verdade é que a foto mexeu contigo :)"

Por fazer parte de um passado e por nao fazer sentido ter aparecido agora.

  Bruno Fehr

domingo, janeiro 04, 2009 12:22:00 da manhã

lontra=) disse...

"Antes de conhecer o “Amar é Perder” tambem não tinha coragem de a fazer..."

De a fazer?

  São

domingo, janeiro 04, 2009 6:15:00 da tarde

Este teu texto levou-me a reler um outro mais antigo “Tudo” onde dizes “ tudo o que posso dizer é para aproveitarem todo o tempo que têm com as pessoas que amam, pois elas podem partir a qualquer momento sem sinal ou aviso. Sem nos dar tempo de nos redimir ou pelo menos nos despedirmos” e neste dizes “ eu sei que consigo sentir, pois apesar da distância da desilusão do gelo das palavras que nos separam eu amo-te e tu amas-me”.

O que sentirias se amanhã essa pessoa já cá não estivesse, não que seja necessário dizer-lhe o quanto gostas dela, porque assim como tu sabes que ele te ama ele também sabe que tu o amas, mas há uma ferida aberta.

Dizes que “os laços de sangue significam pouco quando a ferida está aberta” os laços de sangue sim mas e os afectivos, não escolhemos a nossa família mas ela é muito importante, grande parte do que somos devemos a ela.

Deixar um pouco de lado o orgulho ferido a desilusão e dar-lhe mais uma oportunidade, alguém tem que dar o primeiro passo, um simples telefonema a perguntar: Como é que estás! Está tudo bem! Sem muita conversa, talvez ajude lentamente a fechar essa ferida.

Este Natal discuti com o meu pai por causa de religião assim que começou já sabia onde ia parar, normalmente calo-me não desta vez, mas devia, ele não entende e não aceita a minha opinião eu aceito e entendo a dele mas não concordo eu não altero a opinião dele, ele não vai alterar a minha, só serviu para ele ficar triste, e eu ficar também, por o ver triste e desiludido, tive de pensar na pessoa, na sua mentalidade na idade que tem na sua formação, na vida que teve, e ceder, não é ele que tem que vir até mim mas sim eu ir até ele.

  Eu mesma!

domingo, janeiro 04, 2009 6:42:00 da tarde

Bruno
vais efectivamente sentir saudades...
quando?

Não sei...
mas vais acordar um dia e vais passar por um lugar qualquer sem nada de especial e algo te vai chamar a atenção e apenas existe uma pessoa no mundo com quem tu irás querer partilhar esse momento...

e será ai que iras sentir saudades...

quando não puderes partilhar um momento, momento esse que ele seria a unica pessoa que te iria entender...

quando?
amanhã, depois de amanhã ou mesmo daqui a anos....

  Abobrinha

domingo, janeiro 04, 2009 10:27:00 da tarde

Bruno

Demorei a comentar, mas já li e reli o teu texto. Espero conseguir transmitir o que quero, mas eu mesma tenho a certeza absoluta que não sou capaz.

Tenho a sorte de ter uns pais que são uns santos (isto para dizer o mínimo). Não tenho como lhes pagar o que fizeram por mim, nem vale a pena tentar. Não vale a pena pôr por palavras e não exprimo o que os amo nem o meu agradecimento no dia-a-dia. E ficamos por aí, porque o que quer que se diga a mais é desperdício de palavras.

Tenho amigos e conhecidos que têm pais com todos os defeitos do mundo e mais alguns que não foram ainda catalogados. Uns optaram por amá-los, outros por odiá-los ou pior: ignorá-los simplesmente. Alguns têm mesmo que os manter, porque a coisa correu assim tão mal. Coisas da vida, mas coisas estranhas. TEnho a certeza que conheces pessoal assim também.

Voltando ao teu texto, não tens que te comparar com ninguém como sentes saudade ou amor ou sentimento algum. Tens que ver como tu mesmo sentes as coisas. Não sei se existe alguma coisa como não ter saudades como se devia. E dos teus textos e comentários aos dos outros (nomeadamente aos meus) dá para ver que tens uma sensibilidade muito própria, por isso não tens nada que te medir com ninguém.

Não esperes pela perfeição de sentimentos, pelo momento perfeito, pelas palavras perfeitas porque isso é um esforço vão. Pelo que escreves, talvez a tua reconciliação seja tão "simples" (sim, eu percebo o disparate do que escrevi, daí as aspas) como largar o orgulho no chão e passar por cima dele a caminho de esquecer o que se passou e que te afastou do teu pai. Porque o essencial já o disseste: ele ama-te e tu ama-lo.

Tenho-te acompanhado há um tempo e tenho-te notado mudanças. Não sei se "tu" (o real, o que escreve o que eu leio) está ou se sente diferente (só tu o saberás), mas acho que tens andado a preparar esta reconciliação. Não só entre vocês os dois, mas possivelmente contigo mesmo.

Como disse, não esperes por estares perfeitamente preparado. Tenta não esperar até que seja tarde demais, mesmo porque tens a noção de que existe um momento em que é tarde demais. Espero que seja para breve que te reencontres com ele. E que não chores, mas rias de felicidade. E te reencontres contigo.

Desejo-te sorte neste assunto, Bruno. Do fundo do coração. Amor entre pai e filho não é perfeito, mas é sagrado. E todos merecem ter essa espécie de santuário pessoal.

Beijinhos.

  Bruno Fehr

domingo, janeiro 04, 2009 11:53:00 da tarde

São disse...

"Este teu texto levou-me a reler um outro mais antigo “Tudo” onde dizes “ tudo o que posso dizer é para aproveitarem todo o tempo que têm com as pessoas que amam, pois elas podem partir a qualquer momento sem sinal ou aviso. Sem nos dar tempo de nos redimir ou pelo menos nos despedirmos” e neste dizes “ eu sei que consigo sentir, pois apesar da distância da desilusão do gelo das palavras que nos separam eu amo-te e tu amas-me”."

Eu sei. Eu esperava que alguém pegasse no que eu já escrevi e fiquei a pensar sobre o conflito entre algumas das coisas que escrevo e o que faço. A conclusão a que cheguei foi a velha máxima, "faz o que digo e não o que faço". Eu sei que estou a errar, mas no fundo não erro sozinho e é um erro que assumo como tal e tenho perfeita consciência que pode vir a doer muito.

"O que sentirias se amanhã essa pessoa já cá não estivesse, não que seja necessário dizer-lhe o quanto gostas dela, porque assim como tu sabes que ele te ama ele também sabe que tu o amas, mas há uma ferida aberta."

Já pensei imenso nisso. Mas eu não sou assim tão orgulhoso, eu estendo a minha mão, mas se ela é rejeitada, não a volto a estender.
Dizem que Jesus disse "dá a outra face", ou seja, se levo um estalo, ainda dou a outra face, mas ao levar outro estalo depois disso, não dou mais nada. A minha distancia a essa pessoa é a mesma que ela está de mim.

"Dizes que “os laços de sangue significam pouco quando a ferida está aberta” os laços de sangue sim mas e os afectivos, não escolhemos a nossa família mas ela é muito importante, grande parte do que somos devemos a ela."

Mas esse laço sangra porque foi cortado.

"Deixar um pouco de lado o orgulho ferido a desilusão e dar-lhe mais uma oportunidade, alguém tem que dar o primeiro passo, um simples telefonema a perguntar: Como é que estás! Está tudo bem! Sem muita conversa, talvez ajude lentamente a fechar essa ferida."

Isso foi já feito e mal recebido do outro lado, já não é orgulho é desilusão.


"só serviu para ele ficar triste, e eu ficar também, por o ver triste e desiludido, tive de pensar na pessoa, na sua mentalidade na idade que tem na sua formação, na vida que teve, e ceder, não é ele que tem que vir até mim mas sim eu ir até ele."

Aqui a ferida é mais funda, passou de palavras a acções, teorias, mentiras, etc

  Bruno Fehr

domingo, janeiro 04, 2009 11:54:00 da tarde

Eu mesma! disse...

"mas vais acordar um dia e vais passar por um lugar qualquer sem nada de especial e algo te vai chamar a atenção e apenas existe uma pessoa no mundo com quem tu irás querer partilhar esse momento...

e será ai que iras sentir saudades..."

A solução é esperar e isso é o que faço, pacientemente.

  Bruno Fehr

segunda-feira, janeiro 05, 2009 12:01:00 da manhã

Abobrinha disse...

"mas eu mesma tenho a certeza absoluta que não sou capaz."

Eu duvido que não sejas.

"Voltando ao teu texto, não tens que te comparar com ninguém como sentes saudade ou amor ou sentimento algum. Tens que ver como tu mesmo sentes as coisas. Não sei se existe alguma coisa como não ter saudades como se devia. E dos teus textos e comentários aos dos outros (nomeadamente aos meus) dá para ver que tens uma sensibilidade muito própria, por isso não tens nada que te medir com ninguém."

Sim, mas o sentimento de saudade é tão comum. O querer rever, voltar a sítios, etc. Eu não quero e não percebo o motivo...

"Não esperes pela perfeição de sentimentos, pelo momento perfeito, pelas palavras perfeitas porque isso é um esforço vão. Pelo que escreves, talvez a tua reconciliação seja tão "simples" (sim, eu percebo o disparate do que escrevi, daí as aspas) como largar o orgulho no chão e passar por cima dele a caminho de esquecer o que se passou e que te afastou do teu pai."

Interessante o teres chegado ao meu pai e não a um amante gay :)
Mas andas a ler nas entrelinhas, bom trabalho :)

"Porque o essencial já o disseste: ele ama-te e tu ama-lo."

E por vezes o amor parece não chegar.

"Tenho-te acompanhado há um tempo e tenho-te notado mudanças. Não sei se "tu" (o real, o que escreve o que eu leio) está ou se sente diferente (só tu o saberás), mas acho que tens andado a preparar esta reconciliação. Não só entre vocês os dois, mas possivelmente contigo mesmo."

Tenho andado a preparar imensas coisas. Em primeiro lugar comigo.

  Abobrinha

segunda-feira, janeiro 05, 2009 1:38:00 da manhã

Bruno

"Eu duvido que não sejas"

Eu sei que quando se trata de sentimentos muito intensos, qualquer coisa que eu diga fica aquém do que quero dizer. Aliás, quando se trata de sentimentos intensos parece-me que nunca tenho bem as coisas resolvidas. Daí transporto-me para o meu blogue e para os "testamentos" mais intimistas que escrevi: falei, falei, falei... e ainda não tenho as coisas definidas ao ponto que queria em muita coisa. Mas estou mais ou menos onde quero em termos práticos, por isso não me queixo muito.

"Sim, mas o sentimento de saudade é tão comum. O querer rever, voltar a sítios, etc. Eu não quero e não percebo o motivo..."

E não tens nada que querer! Tu és tu! Se não sentes essa necessidade, não sentes! Não se trata de estares certo e os outros errados, mas tão somente de seres tu mesmo.

"Interessante o teres chegado ao meu pai e não a um amante gay :) "

Era claro como água que era o teu pai, meu menino. Antes fosse um amante gay, porque aí arranjava-se outro. Um pai... é único. Daí a tragédia. Daí a sorte que eu sei que tenho. Porque é sorte, não mérito, ter nascido do homem e da mulher que nasci.

"E por vezes o amor parece não chegar."

O amor só raramente chega. Há mais coisas, mas toda a gente parece bater-me quando eu digo que o dinheiro e a beleza são importantes. Mesmo quando digo que amei contra ambos esses princípios. Mas nunca contra a minha dignidade. Há quem acredite em amor e uma cabana e amor para sempre... e eu duvido de ambos!

E sim, as atitudes que se tomam por vezes quase destroem esse amor. Mesmo sendo tão primário e tão fundamental como este. Acredita, sei de casos de arrancar os cabelos. Mas sei de casos de perdão e de aceitação que eu não estou nem perto de compreender, porque não passei por eles. Sendo que por vezes também passam por gestos tão calculistas como acautelar bens, porque senão os pais seriam capazes de lhes tentar deitar a mão. Perdão sim, mas andar a trabalhar para ser roubado não (eu disse que conhecia casos extremos!).

"Tenho andado a preparar imensas coisas. Em primeiro lugar comigo."

Se não estás bem contigo, não podes estar de bem com os outros. Boa sorte. No que eu puder ajudar, grita. Não te conheço de lado nenhum, mas quero-te ver bem.

  Eu mesma!

segunda-feira, janeiro 05, 2009 10:39:00 da manhã

talvez até tenhas que esperar mesmo tempo do que antecipas...

  Bruno Fehr

segunda-feira, janeiro 05, 2009 4:56:00 da tarde

Abobrinha disse...

"Daí a sorte que eu sei que tenho. Porque é sorte, não mérito, ter nascido do homem e da mulher que nasci."

Eu tive sorte, o erro veio já na idade adulta. Ou está senil, ou está louco :)

"Mas sei de casos de perdão e de aceitação que eu não estou nem perto de compreender, porque não passei por eles. Sendo que por vezes também passam por gestos tão calculistas como acautelar bens, porque senão os pais seriam capazes de lhes tentar deitar a mão."

Mas isso acontece mais com os filhos. Deixarem os pais sem nada.

"Se não estás bem contigo, não podes estar de bem com os outros. Boa sorte. No que eu puder ajudar, grita. Não te conheço de lado nenhum, mas quero-te ver bem."

Por melhor que estejamos com nós próprios falta algo, mas só quando se procura algo, eu procuro o impossível, por isso falta-me sempre algo.

  Bruno Fehr

segunda-feira, janeiro 05, 2009 4:58:00 da tarde

Eu mesma! disse...

"talvez até tenhas que esperar mesmo tempo do que antecipas..."

O tempo é relativo. Nestas questões, se não falhei e se dei todas as oportunidades de se redimirem de comigo falarem, afasto-me. A minha distancia das pessoas é a mesma que a delas de mim. O meu silencio para com as pessoas é uma resposta ao seu silencio.

  Eu mesma!

segunda-feira, janeiro 05, 2009 6:07:00 da tarde

Por vezes tens razão..
as nossas atitudes são decorrentes de atitudes de outros mas...

alguém tem que dar um primeiro passo e não podemos esperar que sejam os outros a dar...

por vezes temos mesmo que ser nós a dar um passinho... por mais que isso nos custe a alma...

  mf

segunda-feira, janeiro 05, 2009 6:50:00 da tarde

Todas as tentativas falharam e as oportunidades nao faltaram."

Somos idênticos outra vez, aqui. Uma conversa resulta comigo se for sincera. Ou seja, se cada lado assumir o que fez. Se vêm para cima de mim com conversas do tipo 'a culpa é toda tua', eu passo-me. E quem não assume acaba por levar com artilharia pesada. Porque se eu acho que tenho razão e estou a ser injustiçada... eu marro.

Não percebes porque é que não sentes saudades? Eu explico. Precisamente por causa da injustiça. Daquilo que dás a perceber, tu tens a consciência tranquila. Sabes em que é que
erraste, sabes que tentaste resolver. Do outro lado não sentiste honestidade ou vontade de resolver o problema. Ficou a desilusão. Se fores como eu, quem nos desilude, meu amigo, é posto de lado, simplesmente... Não significa que não gostemos da pessoa. Mas não precisamos daquele filme. Percebes? Daí que não sintamos a falta...

Por fim, uma história que também faz parte do meu Natal (ainda me deste 24 horas, lembras-te?): o meu avô paterno nunca aceitou a minha mãe. Na idade adulta do meu pai, tratou-o muito mal. E à minha mãe também. Nunca passávamos a consoada com eles, muitas vezes não os víamos nem a 24 nem a 25 de Dezembro. Sei que o meu pai sofria com isso, mas também sei que sempre nos protegeu, mesmo que isso implicasse só ir lá a casa de vez em quando e de visita.
Há uns anos atrás, quando a minha avó ficou acamada, entraram pela primeira vez em nossa casa para passarem 15 dias, nas férias. O meu avô, já muito debilitado, vinha aterrorizado. Não sabia o que iria acontecer, entendes? Depois do mal que nos fez, o que poderia esperar?
Teve sorte. A minha mãe é uma mulher extraordinária. E apesar do que passou, tratou muito bem deles. E sentou-se connosco a explicar porquê: independentemente do que tinha acontecido, o meu pai era filho, nós éramos netos e tínhamos de aprender que há um dever que se cumpre. Se nos trocaram as fraldas, também devem ser cuidados, independentemente do que aconteceu entretanto. Abandono é que não. Há valores de que não se abdica.
O meu avô entrou aterrorizado e saiu a chorar. A dizer que tinha sido muito bem tratado pelas pessoas que habitavam aquela casa. A dizer que tinha gostado muito da forma como tratávamos a minha avó. Naqueles dias, eu acho, ele percebeu o que tinha perdido a vida inteira...
Às vezes a vida dá umas chapadas assim...

  Van

terça-feira, janeiro 06, 2009 7:52:00 da tarde

Oh possa, eu detesto as saudades. Detesto sentir saudades. Não me confortam, atormentam. Queres trocar??? :)

Nunca gostei dessa cena das recordações ficarem para nos aquecer a alma. Tá bem que é bom ter-se vivido aquilo. Mas não chega. Bom era que se pudesse viver isso todos os dias e não que se tivesse de sentir saudades dessa vivencia...

Tb percebo a demanda pelo santo graal das palavras. Também tenho uma, parecida. Porque, sabes, as palavras não conseguem satisfazer-me. Por mais que as use e reuse, parece que nunca fazem juz ao que quer sair e parece que nunca conseguirei usar AS palavras que tenham O impacto. Talvez seja por isso que falo tanto, e que repita as mesmas coisas de vários modos...na esperança que tenham impacto, que a mensagem passe, que finalmente sejam aquelas AS palavras. Também foi por isso que deixei de escrever.

  Bruno Fehr

terça-feira, janeiro 06, 2009 11:13:00 da tarde

Van disse...

"Não me confortam, atormentam. Queres trocar??? :)"

Quero sim :)

"Porque, sabes, as palavras não conseguem satisfazer-me. Por mais que as use e reuse, parece que nunca fazem juz ao que quer sair e parece que nunca conseguirei usar AS palavras que tenham O impacto."

De facto.

"Talvez seja por isso que falo tanto, e que repita as mesmas coisas de vários modos...na esperança que tenham impacto, que a mensagem passe, que finalmente sejam aquelas AS palavras."

Por isso os meus textos sao tao longos :)

  Eu mesma!

quarta-feira, janeiro 07, 2009 12:03:00 da manhã

permite-me discordar Van...

palavras valem muito mais que mil acções... existem palavras muito dificeis de dizer e acções muito fáceis de fazer...

falar com palavras certas no momento certo é muito complicado...

nao deverias deixar de escrever... palavras são importantes tanto para quem escreve como para quem lê... é apenas uma parte de nós....

  Abobrinha

quarta-feira, janeiro 07, 2009 3:06:00 da tarde

Bruno

"Eu tive sorte, o erro veio já na idade adulta. Ou está senil, ou está louco"

Acontece. Ou querer mostrar-se jovem de novo, enfrentando o filho. Ou então novas lealdades, como uma nova família. Seja como for, eu não compreendo o erro mas compreendo que dói. Muito. Não compreendo o quanto dói porque não estou na posição... ainda bem!

"Mas isso acontece mais com os filhos. Deixarem os pais sem nada."

Sendo estranho é apesar de tudo mais natural: um filho é um projecto de um pai e é no que ele investe. Um pouco a sua imortalidade. Que o pai volte a ser o único projecto de si mesmo é algo estranho. Mais que não seja porque ninguém é imortal.

"Por melhor que estejamos com nós próprios falta algo, mas só quando se procura algo, eu procuro o impossível, por isso falta-me sempre algo."

Procurares o impossível é bom se isso te leva mais longe que o normal. Se te faz só sofrer por esperares o impossível, revê essa posição e tenta ser feliz com o possível. Porque o possível pode dar muita satisfação. Para o que é possível, estou cá eu. Para o impossível ofereço só um banho de realidade. Mas de esperança também, porque há coisas que não são impossíveis.

Em relação ao teu pai, seria desejável que pusesses as coisas para trás das costas. Podes estar consciente que ele cometeria o mesmo erro de novo, mas... lá está, o laço de sangue continua lá. E não podes (nem queres, pois não?) apagar tudo o que de bom se passou entre vocês. Pensa nisso. E boa sorte neste processo de cura. É uma ferida de alma mais complicada de curar que a tua fadiga física (por falar nisso, estás bem?).

Beijinhos. Porque pareces estar a precisar de um miminho (e eu gosto de dar miminhos).

  Abobrinha

quarta-feira, janeiro 07, 2009 3:16:00 da tarde

mf

Em relação a colocar as pessoas de lado, isso funciona com quem funciona (eu tenho dificuldades), mas não funciona com um pai. Penso eu. É umbilical demais!

Em relação à história do teu avô, é muito bonito, mas eu desconfio que se lhe fosse dada a oportunidade... ele faria tudo de novo! É essa a fé que eu tenho nas pessoas. E dói-me! Mas a tua mãe perdoou precisamente pelo respeito umbilical que tem pelo pai do marido. Do avô dos fihos. E fez isso não para ser reconhecida, para dar uma chapada seja em quem for, mas pela consciência de estar a fazer o que está bem.

A minha mãe tem lealdades semelhantes por familiares (embora não tão extremas, porque simplesmente não há necessidade). Umas que se justificam, outras nem por isso.

  Abobrinha

quarta-feira, janeiro 07, 2009 3:41:00 da tarde

Van

Concordo com o Bruno e com a Eu mesma em relação à importância das palavras. Se leres bem o que escreveste, deste justificações para escrever, e não para deixar . Retoma: só te faz bem.

Mas retoma com o espírito que eu tenho: ajudam a organizar sentimentos e pensamentos, mas não há "A" maneira de dizer as coisas. Essa busca pelo impossível vale pelo caminho, não pelo resultado final. Mesmo porque tentar atingir o impossível seria motivo para desistir à partida, pela própria inutilidade da coisa.

Mas não desistas de te exprimir: insiste! Com o espírito de traduzir as tuas palavras em actos e não em intenções ou (pior) enganos, claro! Toda a gente tem necessidade de se exprimir! Quem não tem, ou desistiu ou não sabe o que perde.

  São

quarta-feira, janeiro 07, 2009 10:08:00 da tarde

“ A minha distância a essa pessoa é a mesma que ela está de mim”
A distância física sim, mas, seguramente tens uma formação, uma mentalidade que ele não tem, que te permite mais facilmente entende-lo do que ele a ti.

“Aqui a ferida é mais funda”
Por mais grave que seja, existe sempre uma solução, até as maiores guerras um dia tem um fim, seria bom se ambas as partes cedessem, mas às vezes as cedências tem que começar por ser unilaterais, sem nos violentarmos nessa cedência, mas tendo em atenção que não há juiz mais atroz que a nossa consciência, um dia não te pesara na consciência, não teres feito tudo o que podias, acredito que não seja nada fácil, mas pensa em alguém que te amava e se orgulhava de ti e que tu amavas e respeitavas, no que ela te diria de certeza que te dava um sábio conselho.

  Lua

sexta-feira, janeiro 09, 2009 10:44:00 da tarde

Olá! Isto é interdito a seres de outros planetas, mas não aos próprios dos outros planetas, né?:P

Só queria dizer que gostei mesmo deste texto, parabéns!

**

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 10, 2009 1:31:00 da manhã

Eu mesma! disse...

"alguém tem que dar um primeiro passo e não podemos esperar que sejam os outros a dar..."

Concordo, mas eu dei já dois primeiros passos e foram falhanços, portanto não darei nem mais 1.

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 10, 2009 1:43:00 da manhã

mf disse...

"E quem não assume acaba por levar com artilharia pesada. Porque se eu acho que tenho razão e estou a ser injustiçada... eu marro."

Nao és a única, acredita. Eu não sou assim. Eu ouço demais, tenho calma demais, mas se tento uma, tento duas e não dá... viro costas e tento superar.

"Ficou a desilusão. Se fores como eu, quem nos desilude, meu amigo, é posto de lado, simplesmente... Não significa que não gostemos da pessoa. Mas não precisamos daquele filme. Percebes? Daí que não sintamos a falta..."

Sim, realmente poderá ser isso.

"o meu pai era filho, nós éramos netos e tínhamos de aprender que há um dever que se cumpre. Se nos trocaram as fraldas, também devem ser cuidados, independentemente do que aconteceu entretanto. Abandono é que não. Há valores de que não se abdica."

Concordo, por enquanto isso ainda não se coloca, mas sei que se ou quando chegar a altura, vou ter de arrastar o velho teimoso à forca...

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 10, 2009 1:51:00 da manhã

Abobrinha disse...

"Procurares o impossível é bom se isso te leva mais longe que o normal. Se te faz só sofrer por esperares o impossível, revê essa posição e tenta ser feliz com o possível. Porque o possível pode dar muita satisfação. Para o que é possível, estou cá eu. Para o impossível ofereço só um banho de realidade."

A busca por o impossível já me deu mais do que alguma vez sonhei possível, e já me afastou tanto do ponto de origem que não pondero volta, mas aceito regressar ao ponto de origem indo à volta. Quem sabe o meu próximo pouso não será a Rússia ou os EUA, assim voltar, não será um regresso em caminho inverso mas sim um percurso lógico. Prefiro assim.


"lá está, o laço de sangue continua lá."

Teoricamente, o texto é uma analogia a esse laço verbalmente cortado.

"Beijinhos. Porque pareces estar a precisar de um miminho (e eu gosto de dar miminhos)."

Por acaso estou, esta coisa de homens com gripes... ficamos cá uns carentes.....

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 10, 2009 1:56:00 da manhã

São disse...

"A distância física sim, mas, seguramente tens uma formação, uma mentalidade que ele não tem, que te permite mais facilmente entende-lo do que ele a ti."

Mas ele tem uma formação com base em palavra e honra que eu não tenho. A minha palavra dita em raiva nunca é final e não vejo como uma questão de honra manter um palavra dita em erro. Para ele a honra é tudo e isso é uma parede que ele não permite que seja ultrapassada nem a tiro, por mais que lhe custe.

"seria bom se ambas as partes cedessem, mas às vezes as cedências tem que começar por ser unilaterais, sem nos violentarmos nessa cedência"

Sim mas eu já dei a face e dei a outra face, se continuasse a dar a outra face seria violentar-me.


"mas pensa em alguém que te amava e se orgulhava de ti e que tu amavas e respeitavas, no que ela te diria de certeza que te dava um sábio conselho."

Ele com conhecimento de causa de ter perdido muito devido ao seu orgulho, dizia-me que o orgulho é uma parvoíce. Mas no meu caso não é uma questão de orgulho é uma questão de me salvaguardar a mais humilhação.

  Bruno Fehr

sábado, janeiro 10, 2009 1:57:00 da manhã

Lua disse...

"Olá! Isto é interdito a seres de outros planetas, mas não aos próprios dos outros planetas, né?:P"

Correcto, só mesmo a um ser em particular :)

Muito obrigado :)

  Abobrinha

domingo, janeiro 11, 2009 4:51:00 da tarde

Bruno

"Quem sabe o meu próximo pouso não será a Rússia ou os EUA, assim voltar, não será um regresso em caminho inverso mas sim um percurso lógico. Prefiro assim."

O local onde nasceste não deixa nunca de te acolher. Nem que seja em coração, não tem que ser fisicamente. Não precisa de ser a tua limitação nem o teu objectivo único voltar e ser aceite na santa terrinha.

Ando comichosa por viajar, conhecer pessoas novas, falar línguas estranhas/estrangeiras mas precisava de estabilidade e procurei-a. Não sei se voltarei a voar, mesmo porque os meus voos na altura não me levaram onde eu queria. De momento estou a respirar e está a saber-me bem. Mas possivelmente tenho que procurar esse impossível de que falas. E estou feliz por essa busca te ter levado a sítios possíveis e que te deram satisfação.

"Teoricamente, o texto é uma analogia a esse laço verbalmente cortado."

Não, esse laço não se corta. Nem verbalmente nem de maneira nenhuma. Mesmo porque nada (acho) apaga o que vocês viveram juntos quando estava tudo bem. Ainda bem que tentaste por duas vezes a aproximação. E estás (porque estás) receptivo a que o gesto parta dele. Mesmo que não adiante, mesmo que seja tarde demais (pode acontecer), sabes que ele saberá que tentaste. Às vezes faz-se as coisas só por saber que são bem feitas, não pelo resultado final ou pelo reconhecimento que se tem pelo gesto. Boa sorte. Porque realmente parece estar fora das tuas mãos.

Quanto aos miminhos, eu tenho sempre muitos para dar, por isso estás à vontade!

  Bruno Fehr

segunda-feira, janeiro 12, 2009 3:23:00 da manhã

Abobrinha disse...

"O local onde nasceste não deixa nunca de te acolher."

Espero que não. Pois a clínica onde nasci é hoje um casa de velhos com doenças terminais :S

"Não precisa de ser a tua limitação nem o teu objectivo único voltar e ser aceite na santa terrinha."

Eu sempre me vi com Terráqueo, acho que sou capaz de viver em qualquer país do mundo e mesmo de outro mundo qualquer com oxigénio... e gajas.

"Ando comichosa por viajar, conhecer pessoas novas, falar línguas estranhas/estrangeiras mas precisava de estabilidade e procurei-a. Não sei se voltarei a voar, mesmo porque os meus voos na altura não me levaram onde eu queria."

Bem, olha bem para ti a falar... Parece que estás na meia-idade.
Eu cheguei à Alemanha com 28 anos e viajei mais desde então até agora, do que nos7 ou 8 anos anteriores.

"Não, esse laço não se corta. Nem verbalmente nem de maneira nenhuma. Mesmo porque nada (acho) apaga o que vocês viveram juntos quando estava tudo bem. Ainda bem que tentaste por duas vezes a aproximação. E estás (porque estás) receptivo a que o gesto parta dele. Mesmo que não adiante, mesmo que seja tarde demais (pode acontecer), sabes que ele saberá que tentaste. Às vezes faz-se as coisas só por saber que são bem feitas, não pelo resultado final ou pelo reconhecimento que se tem pelo gesto. Boa sorte."

O que é certo é que de por onde der, não me arrependo de nada. Sei que se um dia foi pai, o avo irá conhecer o/a neto/a, mas não tenho a mínima intenção de ir fazer um puto para esse efeito :)

"Quanto aos miminhos, eu tenho sempre muitos para dar, por isso estás à vontade!"

ÉH lá, és uma fonte :=)

  Abobrinha

segunda-feira, janeiro 12, 2009 12:11:00 da tarde

Bruno

"a clínica onde nasci é hoje um casa de velhos com doenças terminais"

O carago: vais morrer num sítio menos deprimente qualquer coisinha.

"cheguei à Alemanha com 28 anos e viajei mais desde então até agora, do que nos7 ou 8 anos anteriores. "

Não sei se é hora. Não sei se é o meu destino. Não sei. Tive mesmo que parar para respirar e mudar de vida. Daqui para a frente vê-se.

"não tenho a mínima intenção de ir fazer um puto para esse efeito"

Mas... convém ir praticando! Só para sair bem feitinho, atenção! Sim, porque isso de sexo é mesmo só para reprodução... prática incluída!

"ÉH lá, és uma fonte"

Até sou!

  Sanxeri

quinta-feira, janeiro 15, 2009 12:30:00 da manhã

Neste momento estou frágil. Fizeste-me chorar. Deve ser bom amar (e ser amado) assim. Infelizmente só eu é que amo.

  Bruno Fehr

quinta-feira, janeiro 15, 2009 12:58:00 da manhã

Sanxeri disse...

"Infelizmente só eu é que amo."

Entao amas as pessoas erradas :(