Miguel Sousa Tavares

Seria de esperar que mais tarde ou mais cedo, depois de ter falado de alguns casos semelhantes de escritores que considero maus, apesar do seu sucesso, que falasse deste senhor que é responsável por algumas das maiores insanidades que já li em crónicas jornalísticas em particular na sua cronica do jornal A Bola.

(Chupa, chupa que se apaga!)

Quero deixar claro que tenho perfeita consciência de que este meu tipo de textos demonstra uma "falta de respeito" pela pessoa alvo e por isso convém esclarecer de que eu não acredito que o respeito seja algo que se impõe ou conquista. Acredito que todos os seres humanos merecem respeito até ao momento que o deixam de merecer, da mesma forma que o cliente tem sempre razão até ao momento que a deixa de ter. Miguel Sousa Tavares deixou de ser merecedor do meu respeito. Esta perda de respeito está relacionada ao homem que ele demonstra ser e que demonstrou ser durante este processo chegando a ameaçar o autor da denuncia não só de "processo" mas também de "paulada". Um homem que passa a vida a masturbar-se publicamente com auto-elogios e a criticar tudo e todos, demonstrou não aceitar criticas mesmo que bem argumentadas. E mesmo sabendo que ele tem um ódio de estimação pela blogosfera e que está atento ao que é escrito sobre ele, não tenho problemas em usar da minha liberdade de expressão e falar sobre o assunto.

Miguel Sousa Tavares recebeu uma indemnização de 100.000 euros enquanto pedia 250.000 euros por uma acusação de plágio feita pela revista Focus e publicada também num blogue do mesmo jornalista, blogue esse que foi encerrado. Miguel Sousa Tavares queria também processar um bloguer que o acusa de plágio e que diz saber quem é mas não o consegue provar, dizendo que "o Google não o conseguiu identificar", o que é ridículo, pois é fácil identificar qualquer pessoa online principalmente quando se suspeita quem é. Com exemplo, posso usar a minha acusação ao BragaOnline  (servidor encerrado e que já tinha um processo por plágio do seu logótipo) pelo plágio de 23 textos entre 2007 e 2008 deste blogue, onde não tendo ideia de quem era o plagiador o identifiquei ao pormenor em 24 horas, tendo conseguido nome completo, morada, numero de telefone e numero de contribuinte ao passo que o meu representante jurídico em Portugal dizia que o ministério público considerava impossível identificar a pessoa. 

(Antigo site de plágios do Sr. João Oliveira residente no 1°Esq, numero 75 de uma certa rua em Braga)


Ao Miguel Sousa Tavares só posso dizer que é possível e é fácil, (exigindo recursos financeiros) mas não é para conas (por conas refiro-me ao Miguel Sousa Tavares que possui recursos e motivo e não ao comum leitor que nestes casos se vê desarmado).

Sabendo eu que o tribunal deu razão a Miguel Sousa Tavares e sabendo que eu próprio poderia ser processado, começo por esclarecer que a acusação que faço neste texto não é de plágio. O que faço é demonstrar que há mais semelhanças do que os "3 parágrafos" que estiveram em causa em tribunal.
O livro Equador não é no seu todo um plágio mas tem partes copiadas, adaptadas e isso é inegável. e é ilegal.  Uso os termos "copiado" e "adaptado" em perfeita consciência de como funciona a lei de direitos de autor em Portugal. A lei portuguesa tem uma visão muito particular de plágio. Eu em 1998 processei uma banda portuguesa por um plágio de uma letra e música que escrevi em 1996, o processo foi complicado pelo simples facto de eu ter escrito a letra no masculino sobre uma mulher ela ter sido alterada para o feminino sobre um homem. Além disso a música era tocada meio tom abaixo em guitarra e possuía uma linha diferente de bateria, o que para a defesa a tornava um novo tema. Ganhei o processo, mas fiquei a saber que se pegarem num poema com direitos de autor e mudarem uns versos e se pegarem numa música e mudarem uns acordes ficamos, em Portugal, com um tema novo considerado original. É esta a lei que protege muitos músicos portugueses como Tony Carreira e até a linha de bateria da música Dunas dos GNR onde por só terem copiado a linha de bateria da música Last Kiss de Wayne Cochran (1961), o tema passa a ser original e as pessoas só repararam quando os Pearl Jam fizeram um cover desta música, onde cheguei a ler sobre a possibilidade dos Pearl Jam terem plagiado os GNR, o que me fez rir perdidamente.



Quanto a Miguel Sousa Tavares ele afirmou após o processo: "Não posso admitir que o livro, que me custou anos de trabalho e de vida, que está traduzido em 14 línguas, que foi Melhor Romance Estrangeiro em Itália, seja deitado abaixo por um jornalista e um tipo anónimo".

Tudo isto é uma questão de perspectiva e foi por perspectiva que o tribunal decidiu, por exemplo: Se eu entrar num banco e furtar todas as esferográficas e um jornalista me acusar de ter assaltado um banco, eu, se o processar por difamação posso vencer o processo, pois não roubei dinheiro e  por isso tecnicamente não foi um assalto a um banco. É como alguém que rouba 30€, roubou mas se rouba 30 milhões de euros já não é roubo é desvio de fundos. Tal como um puto na rua vende 5 gramas de Cocaína e é traficante de droga e um empresário que vende uma tonelada pratica tráfico de influencias. Desta forma Miguel Sousa Tavares não plagiou simplesmente usou partes de outros livros. No entanto internacionalmente o plágio tanto é do todo da obra como de parte dela e o uso de parte da obra só não é plágio sendo usada para fins informativos sem fins lucrativos, como é o caso deste blogue e muitos outros onde partes de obras com direitos de autor são usadas para esse efeito.

Vamos comparar:

"Luís Bernardo Valença, instalado confortavelmente num assento de uma carruagem de 1ª Classe, recosta-se e observa a paisagem alentejana ao mesmo tempo que vai rememorando as circunstâncias desta sua inesperada viagem. Estava em Lisboa e foi chamado a Vila Viçosa, ao palácio real, onde será convidado a assumir uma função absolutamente inesperada: a de Governador de S. Tomé".
--Equador de Miguel Sousa Tavares

"Louis Francis Mountbatten, instalado confortavelmente no assento de um automóvel, recosta-se e observa a paisagem londrina ao mesmo tempo que vai rememorando as circunstâncias desta sua inesperada viagem. Estava em Zurique e foi chamado a Downing Street, residência do Primeiro-Ministro, onde será convidado a assumir uma função absolutamente inesperada: a de último Vice-Rei da Índia".
--Cette nuit la liberté de Dominique Lapierre e Larry Collins:

É impossível negar que foi uma cópia. Aqui não há inspiração é uma cópia de um parágrafo com pequenas adaptações. Mas há mais:
"finalmente, Sua Exaltada Excelência haveria de morrer, prostrado à mais incurável das doenças: o tédio."(Equador)
"His was a malady that plagued not a few of is surfeited fellow rulers. It was boredom. He died of it...".("Freedom at Midnight" versão inglesa de Cette nuit la liberté)



MST não tem razão ao dizer: "...de ter esta acusação sobre mim, baseada em três parágrafos de um livro que tem 500 páginas"

Na verdade não são 3 parágrafos são 3 páginas: 245, 246 e 247, que foram tidas em conta na acusação e no processo mas isto na reduz as parecenças só a estas páginas.

Miguel Sousa Tavares, «Equador», págs. 245 e 246, 1ª Edição, 2003 Versus Dominique Lapierre e Larry Collins, «Freedom at Midnight», págs. 175 e 176. 2ª Edição, 2002

Miguel Sousa Tavares, «Equador», pág. 247, 1ª Edição, 2003 Versus Dominique Lapierre e Larry Collins, «Freedom at Midnight», pág. 171. 2ª Edição, 2002

Miguel Sousa Tavares, «Equador», pág. 246, 1ª Edição, 2003 Versus Dominique Lapierre e Larry Collins, «Freedom at Midnight», pág. 168. 2ª Edição, 2003

Miguel Sousa Tavares, «Equador», pág. 246, 1ª Edição, 2003 Versus Dominique Lapierre e Larry Collins, «Freedom at Midnight», pág. 174. 2ª Edição, 2003

Na bibliografia publicada nas últimas páginas está referida a consulta de La Pierre, Dominique e Collins, Larry – «Cette nuit la liberté», Éditions Robert Laffont, Paris 1975. As parecenças são imensas e variadas quer seja no desenvolvimento da história como na construção e até na própria linguagem com parágrafos inteiros traduzidos e outros com pequenas alterações de nomes, locais, números, etc

Miguel Sousa Tavares afirma: "Eu pus o país a ler!", deverá ser por eu morar fora de Portugal que ele não me pôs a ler, na verdade só li o Equador depois de ler o Freedom at Midnight e quem me fez ler o Equador não foi ele mas sim este processo de plágio. Mas recomendo ao país que ele pôs a ler e  que antes de ele ter aparecido, não lia, que leia Dominique Lapierre e Larry Collins, podem ler em francês «Cette nuit la liberté» ou em Inglês «Freedom at Midnight» e acabo de descobrir que há a versão em português «Esta Noite a Liberdade», e tirem as vossas conclusões sobre se tudo se resume a 3 páginas, pois não é uma decisão judicial que torna ilegal vocês retirarem as vossas próprias conclusões. Acreditem que para quem leu um, ler o outro se torna divertido devido aos momentos de déjà vu que felizmente ainda não são passíveis de processo judicial .

O que diria Sophia de Mello Breyner Andresen deste livro? Para mim é triste pensar que ao comprar a excelente obra desta autora, estamos a encher a conta de Miguel Sousa Tavares. Tão triste como entrar numa livraria portuguesa e quando pedimos um livro de Miguel Esteves Cardoso nos fazem uma busca por Miguel Sousa Tavares, que é como confundir o Rei com o Bobo.

9 Comentários:

  Vani

segunda-feira, outubro 25, 2010 4:57:00 da tarde

E como é que é possível perante tantas provas que o plágio não tivesse ficado provado?... o_O

Sabes que mais? Temos o país que merecemos...

  Kim

quarta-feira, outubro 27, 2010 11:14:00 da manhã

Este senhor é daqueles que, de facto, agora fato, chama os bois pelos cornos, mas tanto absorve a minha admiração pelo desassombro com que enfrenta as questões, como também me decepciona pelo fundamentalismo,que ele tanto critica e que confere a tudo o que não gosta.
Quanto ao plágio, penso muitas vezes nisso, com algum receio, pois todos nós acabamos por cometê-lo com a publicação de fotos da Net, mas a primeira parte do livro onde se fala do Rei D. Carlos, parece-me nitidamente ser impossível fazer aquela descrição histórica sem ter recorrido a bases de sustentação, eventualmente também elas plagiadas ou alteradas. Já Saramago o terá feito no Memorial.
Claro que o MEC não tem nada a ver com o MST. Oxford, terá eventualmente mudado as mentalidades e a sabedoria.
Abraço amigo

  Bruno Fehr

quarta-feira, outubro 27, 2010 2:12:00 da tarde

Vani:

"E como é que é possível perante tantas provas que o plágio não tivesse ficado provado?... o_O"

Porque vivemos num país de compadrio em que ficou patente que a defensa nem sequer se esforçou para se defender. Parece claro que este processo era mesmo para ser perdido o que me parece abrir um precedente jurídico perigoso para o plágio em Portugal.

  Bruno Fehr

quarta-feira, outubro 27, 2010 2:12:00 da tarde

Kim:

"Quanto ao plágio, penso muitas vezes nisso, com algum receio, pois todos nós acabamos por cometê-lo com a publicação de fotos da Net"

Sim, a utilização de fotos deve ser feitas tendo em conta dois principios:

1- Se é para um texto com vista à critica ou informativo sem fins lucrativos, a utilização é chamada de uso justo e o plágio não se aplica.

2- Quando a utilização é decorativa as fotos usadas devem ser buscadas em sites de uso livre e há imensos online.

"mas a primeira parte do livro onde se fala do Rei D. Carlos, parece-me nitidamente ser impossível fazer aquela descrição histórica sem ter recorrido a bases de sustentação, eventualmente também elas plagiadas ou alteradas. Já Saramago o terá feito no Memorial."

Para escrever um livro com bases históricas é óbvio que precisamos investigar e ao fazermos descrições históricas se usarmos uma organização de palavras criada por nós para descrever algo que é História e portanto algo de domínio público, o plágio não se aplica. Mas a simples transcrição de um trabalho para outro, não é legal.

É possível e normal uma obra inspirar outra e afirmarmos publicamente isso, sem que seja plágio, no entanto a inspiração de uma obra não poderá conter cópias, pois cópias fazíamos nós na escola.

Existe uma fronteira clara entre inspiração e adulteração. A tradução directa feita por MST é na minha opinião algo inaceitável e não pode dizer que se inspirou tendo em conta que copiou trechos completos que nem sequer são citações.

  ceptic

quarta-feira, outubro 27, 2010 11:20:00 da tarde

Não vou comentar sobre o post minha opiniao sobre esse "sr" á muito que já está definida.

Mas introdução aos comentários está muito fixe!

  I.D.Pena

quarta-feira, outubro 27, 2010 11:46:00 da tarde

eu estou farta do papel que faz fala fala mas so sabe desdenhar , nada de novo portanto,mais um intelectualoide com um ego maior que à pilinha para perpetuar a miséria de valores que nos media existe.eNFIM
E já agora tb uso da minha liberdade de expressão :
Abaixo o oriente lusitano!!!Abaixo a censura corporativa!

  Frau Carmo

quinta-feira, outubro 28, 2010 1:02:00 da manhã

mais uma vez, irrepeensivel!

  Dylan

sexta-feira, novembro 12, 2010 12:51:00 da tarde

Só não vê quem não quer...transparente como a água.

  Inês

segunda-feira, março 28, 2011 9:54:00 da tarde

Olá!
Porque este post transmite, também, a minha opinião sobre a figura tomei a liberdade de colocar um link para identificar o senhor. Cumps,

http://inlusao.blogspot.com/2011/03/porque-e-que-lhe-pagam-para-falar-do.html