O amigo Sócrates, parte 1

Vou falar de uma personagem que estranhamente conseguiu ser eleita para dois mandatos (o que poderá ser prova da qualidade dos políticos que se candidataram), e que me parece estar com intenções de mergulhar o rabo em super-cola e colar-se ao trono do poder em Portugal. Há quem lhe chame: - Sr. Sócrates - Eng. Sócrates - Sr. Eng. Sócrates - Pinocchio - Sócas ou ainda simplesmente ! Mas afinal como é? O Sr. Eng. Sócrates é Eng. ou é só Sr.?

É isso que vou abordar numa curta série. Resolvi escrever esta série pois apesar de todas as dúvidas, e mesmo que tudo aponte para que ele não seja engenheiro, faltava ele ser apanhado em mentira. Ontem enquanto limpava o meu PC, encontrei um documento interessante onde ele é apanhado em mentira no que toca aos seus estudos.
Não vou falar do facto de ele ter dado ao professor que lhe deu a licenciatura vários empregos muito bem remunerados após ter o ambicionado, mas suspeito, documento, pois essa história já conhecem. Aqui vamos só olhar para os documentos e levantar questões pertinentes.

Vamos começar por um documento da Assembleia de Republica sobre as suas habilitações:

Neste documento salientei que ele declarou ser Engenheiro de profissão e que as suas habilitações literárias eram em Engenharia Civil. Salientei a validade do seu BI como prova que esta declaração é anterior àquela data, mas para os mais cépticos aqui fica o verso, com a data e assinatura do próprio:


Muito bem, o nosso Primeiro-Ministro, na altura deputado, declarava a 13 de Fevereiro de 1992 ser Engenheiro. O documento que mostro acima, depois de assinado é copiado e arquivado ficando o original disponível para consulta.

A certa altura surgiu a questão da veracidade das suas habilitações literárias e para surpresa dos mais atentos aparece na Assembleia de Republica um documento visivelmente rasurado:

Esta nova versão apresenta dois problemas:

1° - O documento disponível para consulta não estava igual ao arquivado.
2° - Ao rasurar o documento admite ter mentido.

Mas... vamos insistir mais um pouco. Vamos esquecer que mentiu ao insinuar ser licenciado e que afinal tem um bacharelato. Vamos dar uma olhada no seu diploma:




O diploma mostra que afinal ele em 1992 ele não tinha licenciatura pois só fez a cadeiras em falta no ano lectivo de 1995/1996. E o bacharelato? Seria possível ter um bacharelato em 1992 com cadeira em atraso do primeiro e terceiros anos, feitas em 1996?


Em toda esta história, com mudanças de universidade para seguir o professor/amigo que lhe ia dar um diploma em troca de futuros favores, etc, etc, etc, não podemos esquecer que Sócrates assumiu ter feito o exame de Inglês em casa, a um Domingo, na companhia de um amigo e que o enviou por Fax para aprovação.

Se todos nós pudéssemos fazer exames em casa, seja aos Domingos ou a qualquer outro dia, na companhia de amigos, certamente seriamos todos médicos, advogados, engenheiros, arquitectos, e porque não, uma licenciatura em politica internacional. Acho que num ano, qualquer pessoa conseguiria fazer 52 exames com nota positiva sem grande esforço.

Ainda bem que Sócrates não teve de fazer uma prova oral de Inglês, pois quem o ouviu destruir esta língua sabe bem que ele nem por baixo da mesa passaria.

Sim, existe ensino à distancia, eu próprio no meu primeiro ano na Alemanha estive inscrito numa universidade deste tipo de maneira a fazer 3 cadeiras de Alemão (obrigatórias para as minhas ambições naquele estabelecimento de ensino). Estas aulas eram via PC e recebia/enviava trabalhos por mail, mas nunca, NUNCA me permitiriam fazer os exames em casa, para isso tive de me dirigir à Universidade no dia marcado e ficar sob vigilância juntamente com imensos outros alunos de modo a garantir resultados honestos.

(continua)

12 Comentários:

  Kohinoor

sexta-feira, outubro 01, 2010 11:51:00 da manhã

É possível que sejam adicionadas mais cadeiras aos planos curriculares anteriores, por isso é ver as alterações nos registos da universidade...
Estranho muito é a cadeira de Análise de estruturas e a de Betão armado não fazer parte do Bacharelato!
Estranho também o valor das notas. Cadeiras "fodidas" e trabalhosas e saca notas dessas, no mesmo ano?! Algo cheira mal aí.

  Vani

sexta-feira, outubro 01, 2010 12:39:00 da tarde

Posso divulgar?

  Stiletto

sábado, outubro 02, 2010 12:06:00 da manhã

Mas será novidade para alguém que o curso foi "comprado"???

  Bruno Fehr

sábado, outubro 02, 2010 1:31:00 da manhã

Kohinoor:

"É possível que sejam adicionadas mais cadeiras aos planos curriculares anteriores"

Também pensei nisso.

"Estranho muito é a cadeira de Análise de estruturas e a de Betão armado não fazer parte do Bacharelato!"

É um detalhe que desconheço, esperei pela possibilidade de haver leitores dentro da área de Eng. Civil.

"Estranho também o valor das notas. Cadeiras "fodidas" e trabalhosas e saca notas dessas, no mesmo ano?! Algo cheira mal aí."

Ainda por cima, alguém que tinha média 12, que tinha o seu curso inacabado há mais de 20 anos. Mas a fazer exames em casa na companhia de amigos, até se percebe :)

  Bruno Fehr

sábado, outubro 02, 2010 1:31:00 da manhã

Kohinoor:

"É possível que sejam adicionadas mais cadeiras aos planos curriculares anteriores"

Também pensei nisso.

"Estranho muito é a cadeira de Análise de estruturas e a de Betão armado não fazer parte do Bacharelato!"

É um detalhe que desconheço, esperei pela possibilidade de haver leitores dentro da área de Eng. Civil.

"Estranho também o valor das notas. Cadeiras "fodidas" e trabalhosas e saca notas dessas, no mesmo ano?! Algo cheira mal aí."

Ainda por cima, alguém que tinha média 12, que tinha o seu curso inacabado há mais de 20 anos. Mas a fazer exames em casa na companhia de amigos, até se percebe :)

Vani:

"Posso divulgar?"

Podes, mas este é só o primeiro de 3 textos, há mais documentos a partilhar bem como uma apresentação das obras feitas por este Eng.(?).

  Bruno Fehr

sábado, outubro 02, 2010 1:31:00 da manhã

Stiletto:

"Mas será novidade para alguém que o curso foi "comprado"???"

Todos já debateram este assunto, eu só o resolvi debater agora pois falar por falar, todos falam. Eu queria mostrar documentos e é o que vou fazer nestes 3 textos.

  Raquel

sábado, outubro 02, 2010 5:00:00 da tarde

Estes documentos já foram publicados em vários jornais.

Se seria possível em 1992 ter um bacharelato com cadeiras em atraso do primeiro e terceiro anos feitas em 1996? Claro que sim, até porque o bacharelato foi concluído em 1992 em Coimbra, e as cadeiras a que te referes não estavam em atraso (até porque ele não era aluno desta universidade nessa altura). Essas cadeiras que dizes estar em atraso correspondem ao currículo na Universidade Independente e foram concluídas posteriormente, em 1996, para obtenção do grau de Licenciatura. O Bacharelato já ele tinha, tirado noutro lado.

Como é possível verificar, todas as outras têm referência a "equivalência" e não ao ano em que foram concluídas.

Não me recordo de ter alguma vez ouvido o Sócrates assumir que fez um exame de Inglês em casa a um domingo, na companhia de um amigo. Isso é uma daquelas deturpações que vão ganhando forma de pseudo-verdade. Devemos ser rigorosos nas análises que fazemos.

Ele fez um trabalho para a cadeira de Inglês Técnico, é verdade. Que enviou por fax, verdade. Como outros alunos terão feito trabalhos, de essa e de outras cadeiras e enviado das mais diversas formas. Cada universidade tem os seus métodos de avaliação e por vezes aluno e professor podem acordar um dos métodos. Duvido que a Universidade Independente tivesse algum regulamento de avaliações, mas isto sou eu a supor.

O que pode questionar-se é se tal seria suficiente para avaliar um aluno, como pode também questionar-se o facto de junto com o trabalho ter seguido um cartão do gabinete do Sócrates enquanto secretário de estado. Isso pode questionar-se.

Mas será novidade para alguém que em Portugal a esmagadora maioria dos cursos superiores são "comprados" pelos alunos?

Sinceramente preocupa-me muito pouco se o Sócrates é chico-esperto, se mentiu nas habilitações, se é um burlão dos sete costados. Pode-se enganar todas as pessoas durante algum tempo e algumas pessoas o tempo todo. Mas não se pode enganar o mundo inteiro todo o tempo.

Preocupa-me muito mais, isso sim, que ele não saiba governar este país, ou que não seja honesto na governação, que diga uma coisa e faça outra. De resto, poderia até vir o Vale e Azevedo, desde que soubesse governar isto e não procurasse enganar os portugueses seria bem-vindo.

  Raquel

sábado, outubro 02, 2010 5:00:00 da tarde

Estes documentos já foram publicados em vários jornais.

Se seria possível em 1992 ter um bacharelato com cadeiras em atraso do primeiro e terceiro anos feitas em 1996? Claro que sim, até porque o bacharelato foi concluído em 1992 em Coimbra, e as cadeiras a que te referes não estavam em atraso (até porque ele não era aluno desta universidade nessa altura). Essas cadeiras que dizes estar em atraso correspondem ao currículo na Universidade Independente e foram concluídas posteriormente, em 1996, para obtenção do grau de Licenciatura. O Bacharelato já ele tinha, tirado noutro lado.

Como é possível verificar, todas as outras têm referência a "equivalência" e não ao ano em que foram concluídas.

Não me recordo de ter alguma vez ouvido o Sócrates assumir que fez um exame de Inglês em casa a um domingo, na companhia de um amigo. Isso é uma daquelas deturpações que vão ganhando forma de pseudo-verdade.

Ele fez um trabalho para a cadeira de Inglês Técnico, é verdade. O que pode questionar-se é se tal seria suficiente para avaliar um aluno, como pode também questionar-se o facto de junto com o trabalho ter seguido um cartão do gabinete do Sócrates enquanto secretário de estado.

Mas será novidade para alguém que em Portugal a esmagadora maioria dos cursos superiores são "comprados" pelos alunos?

Sinceramente preocupa-me muito pouco se o Sócrates é chico-esperto, se mentiu nas habilitações, se é um burlão dos sete costados.

Pode-se enganar todas as pessoas durante algum tempo e algumas pessoas o tempo todo. Mas não se pode enganar o mundo inteiro todo o tempo.

Preocupa-me muito mais, isso sim, que ele não saiba governar este país, e que não seja honesto na governação. De resto, poderia até vir o Vale e Azevedo, desde que soubesse governar isto e não procurasse enganar os portugueses seria bem-vindo.

  Diogo

sábado, outubro 02, 2010 11:32:00 da tarde

Até que enfim, um político sem telhados de vidro…

  Bruno Fehr

domingo, outubro 03, 2010 1:55:00 da manhã

Raquel:

"Estes documentos já foram publicados em vários jornais."

Eu sei, mas estes são só os primeiros no primeiro texto desta série.

"Se seria possível em 1992 ter um bacharelato com cadeiras em atraso do primeiro e terceiro anos feitas em 1996? Claro que sim, até porque o bacharelato foi concluído em 1992 em Coimbra, e as cadeiras a que te referes não estavam em atraso (até porque ele não era aluno desta universidade nessa altura)."

Ainda estou a tentar confirmar todas as cadeiras referentes a este curso nos anos 70, para confirmar se o Inglês era ou não uma delas, pois se fosse o bacharelato não estaria terminado. Se não fizer parte, é possível ele ter bacharelato, no entanto como deputado dizia ser licenciado, o que apesar de ser algo desculpado em Portugal, é crime previsto no código penal, tal como é ilegal usurpar do título de Doutor não
o sendo, algo muito comum em Portugal.


"Como é possível verificar, todas as outras têm referência a "equivalência" e não ao ano em que foram concluídas."

Mas podemos ter sempre equivalências às cadeiras concluídas. A questão que se levanta é se as cadeiras concluídas em 1996 faziam ou não parte do currículo nos anos 70, pois se faziam ele não teria o bacharelato, tal como se existissem outras que não tivessem sido terminadas.

"Não me recordo de ter alguma vez ouvido o Sócrates assumir que fez um exame de Inglês em casa a um domingo, na companhia de um amigo. Isso é uma daquelas deturpações que vão ganhando forma de pseudo-verdade."

Isso foi confirmado pela Universidade Independente e mais tarde confirmado pelo próprio Sócrates durante o inquérito no processo judicial que acabou por ser arquivado. Ele realmente fez a prova de Inglês em casa. Irei ainda aborda isso nesta série.

"Ele fez um trabalho para a cadeira de Inglês Técnico, é verdade. Que enviou por fax, verdade."

Neste caso só falo da prova, trabalhos por E-mail ou Fax é prática comum.

  Bruno Fehr

domingo, outubro 03, 2010 1:55:00 da manhã

Diogo:

"Até que enfim, um político sem telhados de vidro…"

Pelas notas dele e pela forma como se comporta e se safa dos problemas, o telhado é em betão armado.

  I.D.Pena

quarta-feira, outubro 06, 2010 5:24:00 da tarde

Já tanto foi falado e dito sobre o actual primeiro ministro que fico na duvida se terá sido assimilado ?
Não tenho nada pessoal contra ele ou contra a familia dele , mas os actos já falam por si é evidente que temos sido enganados , mas no saco da merda e dos bullshiters que roubaram Portugal através de empresas e obras sabem isso melhor que ninguém, pec 1 pec 2 pec 3 , lá para o pec 7 não se esqueçam de incluir uma verba só para prisões de politicos que cometem actos ilegais legalizando-os, porque eles são ladrões e criminosos e corruptos e merecem a reclusão e o devido desprezo de toda a sociedade.