Bastidores da música (Parte 31) A música como tortura

Alguns de vós já viram em filmes como é feita tortura e lavagens cerebrais. Temos excelentes exemplos de ambas as técnicas em filmes como: 1984, Conspiracy Theory e até na série Lost. Em todos os casos são usadas luzes e imagens psicadélicas e música num volume um tom abaixo de vos rebentar os tímpanos.
Vou falar da utilização da música como tortura em Guantanamo (mais dados sobre torturas usadas e documentadas pela administração Bush, aqui), a prisão onde não há direitos, onde os presos são culpados sem culpa provada, sem direito a advogados pois nem sequer possuem o direito de ir a tribunal. A prisão que Obama ia fechar se fosse eleito, encerramento que adiou para Janeiro de 2010 e que agora além de a manter aberta regulamentou a exclusão destes presos de qualquer tipo de direito legal. Nesta prisão é usada música em sessões de tortura que chegam a atingir a 72 horas.


As bandas das quais mais músicas são usadas para tortura são: Rage Against the Machine, Nine Inch Nails e Metallica. Neste caso o que quero abordar não são as musicas escolhidas, nem as bandas escolhidas mas sim a reacção dessas bandas ao saberem como o governo Americano estava a usar a sua arte.

Tom Morello dos Rage Against the Machine disse: "Guantanamo pode ser a ideia de América do Dick Cheney mas não a minha. O facto da musica que ajudei a criar estar a ser usada em crimes contra a humanidade enoja-me - Precisamos de acabar com a tortura e fechar Guantanamo já".


Os Rage Against the Machine foram mais longe e escreveram uma carta enviada à Amnistia Internacional, à Associação de veteranos contra a guerra no Iraque e a diversas Universidades Americanas (podem ler a carta aqui), além de organizarem um concerto de sensibilização para este abuso. Aos Rage Against the Machine juntaram-se as vozes dos Nine Inch Nails, R.E.M, Rise Against, Pearl Jam, The Roots entre muitos outros. Mas há uma banda que tem uma opinião contrária... Os Metallica. Numa entrevista o líder dos Metallica disse: sentir-se orgulhoso da sua musica ter sido escolhida e comparou a tortura dos prisioneiros de Guantamo com a tortura de ter de ouvir Phil Collins no carro quando a esposa está a conduzir.





Esta entrevista é muito mais vergonhosa do que a da Miss Universo que achou Guantanamo calmo, relaxante e lindo (falei disto, aqui), pois ninguém espera que nada de inteligente saia da boca de uma Miss. Mas de alguém que se orgulha de passar mensagens liberdade, de ser a voz de uma geração e das suas músicas serem hinos dessa mesma geração, esperava um pouco mais.
Mas não é preciso ir muito longe, os Rage Against the Machine doam parte dos seus lucros a causas em que acreditam (causas com as quais não me identifico mas que aceito que outros acreditem nelas), afastam-nos um pouco dos músicos escravos do dinheiro, onde actuar por caridade, por uma causa maior só é feito se for um evento de onde possam retirar protagonismo, e a sensibilidade só se nota em discursos preparados anteriormente por terceiros. E assim são os Metallica, ou pelo menos o seu líder ao ter dado esta entrevista onde parecia um retardado mental, sem capacidade para perceber o que estava a comentar.

8 Comentários:

  Margarida

segunda-feira, agosto 09, 2010 11:12:00 da tarde

Os Metallica nunca foram uma banda muito inteligente e tentam vender mais pelo escandalo do que pela qualidade da música. De qualquer maneira deveria existir uma licença em reproduzir as músicas (e não sei se não há), se funciona com a publicidade (bolas, os sissor sisters venderam uma música linda para a porcaria da optimus), deveria existir uma licença para este tipo de publicidade...

Mas vá, fiquei a gostar mais da outra banda que agora não me lembro o nome (rage against the machine?) e isso é que é bom.

  Bruno Fehr

segunda-feira, agosto 09, 2010 11:25:00 da tarde

Margarida:

Existem essas leis, em que a difusão pública é proibida mas estamos a falar de um pedaço de Terra em Cuba, ocupado pelos Americanos. Não há leis neste enclave/prisão e por isso é que estão a colocar lá os presos políticos.

Além disso é uma utilização por parte do governo e serviços secretos Americanos e só a opinião pública tem poder contra estes grupos.

  Streetwarrior

terça-feira, agosto 10, 2010 9:09:00 da manhã

Dassss, oh James não havia necessidade.

Nuno

  Tiago de la Rocha

terça-feira, agosto 10, 2010 11:17:00 da tarde

Mal seria se os Rage aprovassem...

Mas em que medida estas músicas são usadas como tortura?

  Bruno Fehr

quarta-feira, agosto 11, 2010 12:32:00 da manhã

Streetwarrior:

lol

  Bruno Fehr

quarta-feira, agosto 11, 2010 12:32:00 da manhã

Tiago de la Rocha:

"Mas em que medida estas músicas são usadas como tortura?"

Imagina-te fechado numa sala vendado e a mesma música, regra geral uma porção da música, a tocar junto aos teus ouvidos durante 72 horas.

  Anónimo

quarta-feira, agosto 11, 2010 2:18:00 da manhã

Tortura que o senhor obama apadrinha.

No artigo 2 da constituição americana, creio que é o segundo, diz que só quem tiver nascido nos estados unidos é que pode ser presidente, sendo assim barack obama ou melhor barry soetoros nem deveria de lá estar. A jornalista da associated press Tatan Syuflana conseguiu o registo verdadeiro da inscrição num colégio da indónesia...
http://www.daylife.com/search?q=barry+soetoro

Peace

  Eleutério Cabral de Ó

quarta-feira, agosto 11, 2010 2:34:00 da manhã

A entrevista do Sr James Hetfield não faz absolutamente sentido nenhum. Ele não só não sabe o que está a dizer como ainda demonstra não levar o assunto nem um bocadinho a sério. Cenas destas levam-me sempre a separar o artista do homem. A mesma pessoa que escreveu os álbuns "Master of Puppets" e "...And Justice for All" a dizer uma barbaridade tamanha apenas mostra aquilo que é: um saloio provinciano... Pena que os Metallica tenham tantos fâs no mundo, cujo discernimento para separar a música das atitudes é nulo.

A prisão de Guantanamo é um paradigma... um exemplo atroz a seguir...