Há muitos anos a forma por mim encontrada de me expressar era pela música, certo dia os instrumentos passaram a ser objectos de decoração pois foram usados para expressar os momentos mais dolorosos da minha vida e comecei a vê-los como uma espécie de depósitos de más memórias. Por isso passei a escrever sem musicar as palavras o que me levou a um outro mundo, e foi nesse outro mundo que a blogosfera entrou como meio de comunicação.
Apesar de ter recebido este Natal como em todos os outros Natais presentes que gosto, pois felizmente quem me quer dar algo não o faz por fazer pois conhecem-me e sabem que detesto obrigações banais, recebi pela primeira vez O presente. Digo O com maiúscula pois é o presente que não sabia que queria ou precisava. Algo que me passou ao lado mas que a certa altura me marcou. O presente em que bastou olhar para ele e senti o meu coração a bater rápido, um aperto no estômago, as pernas fracas, uma lágrima tímida e um sorriso só porque sim.
Alguém me deu isto:
Esta guitarra não é uma guitarra cara, tenho outras 6 de qualidade superior.
Esta guitarra não é nova, é já bem usada.
Esta guitarra não foi de uma estrela rock, mas foi da estrela que mais brilha no meu céu.
Esta guitarra estava há 11 anos esquecida na minha memória mas foi só olhar para ela para sentir notas musicais a flutuar na minha mente.
Esta guitarra pertenceu a alguém muito especial para mim, alguém que partiu do meu mundo físico mas nunca da minha memória e 11 anos depois este instrumento veio parar às minhas mãos.
Dos que estão a ler este texto, poucos terão lido um romance que publiquei online há mais de um ano e a guitarra que é mencionada lá, é esta.
O melhor presente não há dinheiro que o pague, não há obrigado que o agradeça, não há palavras que descrevam o que se sente, e mesmo que a satisfação de me dar esta guitarra seja comparável ao sentimento de a receber, mesmo assim, o meu abraço terá sido pouco e nunca poderei recompensar essa pessoa com mais do que o meu carinho eterno e quem sabe, uma Ode ao dia de hoje.
Que dia tão solitário mas é meu, mas um dia que passo a recordar um passado feliz. Um dia solitário que faço sempre questão de passar sozinho sem nunca me sentir só. Um dia que após todo o ano e todos os anos a tentar esquecer, lembro-me sempre... de não (a) esquecer. Um dia triste em que celebro não a tristeza do dia em si, mas a felicidade deste dia no passado.
And if you go I wanna go with you And if you die I wanna die with you Take your hand and walk away
--Daron
Querer partir por ver partir. Querer morrer por ver morrer mas em contradição estar feliz por ficar, viver mais um dia e esperar. Um dia triste para celebrar.
Ich werde in die Tannen gehen Dahin wo ich sie zuletzt gesehen Doch der Abend wirft ein Tuch aufs Land Und auf die Wege hinterm Waldesrand Und der Wald er steht so schwarz und leer
Und die Vögel singen nicht mehr --Lindemann
Querer ir além do horizonte por um caminho de árvores mortas por onde pássaros negros voam sem cantar. O atravessar de todo um mundo negro que é meu e só meu, um caminho que não faz nem nunca fez parte do teu mundo, mas que eu tenho de percorrer para ser merecedor de por um segundo ser digno de te ver.
Kerran vain haaveeni nähdä sain En pienuutta alla tähtien tuntenut Kerran sain kehtooni kalterit Vankina sieltä kirjettä kirjoitan
--Tuomas
Este dia é especial pois é o primeiro dia em que escrevo sobre o dia, e não sobre o que ele representa. O primeiro dia de todos os dias em que as palavras não possuem um destinatário só um objectivo. O primeiro dia após ter libertado, libertando-me, não convencido se no último dia igual a este coloquei o ponto final no parágrafo certo, pois tinha tanto para dizer mas estou sem palavras para o fazer.
Pela primeira vez não te visitei, pois prometi-te que não o faria. Sei que não importa onde estou, tu estás comigo, pois eu transporto a tua memória.
Nestes últimos anos, não contactei ninguém que te tivesse conhecido, fui teimoso em querer guardar-te só para mim. Foi um erro, pois nunca foste só minha e eu não tenho o direito de te prender.
Nos últimos meses partilhei-te, hoje muita gente sabe que foste única, uma mulher de coragem, de força, dona do teu próprio destino. Tenho a certeza que muitas dessas pessoas gostariam de te ter conhecido. Mas o importante nisto tudo, foi o desabafo, o libertar-me ao libertar-te.
Agora, arranjei-te um quartinho no meu coração, onde irás viver para sempre, abrindo espaço para mim e para a minha vida, onde quem sabe, me permitirei voltar a amar.
Hoje provei isso a mim mesmo, pois pela primeira vez no dia do teu aniversário, lembrei-te com um sorriso, pois desde o dia em que partiste, o dia de hoje é triste por não te poder dizer "Parabéns" ao ouvido, como já o disse e gostei, sem nunca imaginar o difícil que esse mesmo dia iria ser, anos depois.
Hoje liguei à tua irmã, 10 anos depois falámos, duas horas ao telefone. Não foi fácil... Eu estava nervoso, ela atendeu sem dizer uma palavra, nem um "Alô", pois certamente viu o indicativo da Alemanha.
Estivemos uns minutos em silencio, até que lhe disse, "Parabéns". Foi aqui, que ela falou e a voz dela que é a tua voz, doeu-me imenso, mais do que o que imaginava. Ela disse; "Sabes Bruno, eu nos últimos anos, tenho sempre feito anos". Eu poderia ter dito que ela também nunca me ligou no meu aniversário, mas não o disse, pois ela tem razão. Ela que viveu uma vida contigo a festejar os aniversários contigo, encontrou-se os últimos anos, sozinha neste dia. Deve ter sido horrível para ela.
Bruno: "Eu sei e desculpa, mas nem imaginas como me foi difícil ligar-te"
Cati: "Eu sei..."
Ela virá em trabalho à Alemanha em Janeiro e combinámos o reencontro.
Não sei como vou reagir ao ver a tua cara, na dela. Não sei como ela vai reagir ao ver a tua memoria na minha.
Julgo que vai correr tudo bem.
A tua irmã tem a parte de ti que me falta, eu tenho a parte de ti que lhe falta. Acho que juntos podemos ao completar-te, completar a parte que ambos perdemos na tua partida.
Penso que este é o melhor presente que te posso dar, pois não tenho nada mais para te dar.
Uma banda da qual ouvimos juntos todas as musicas, em que algumas das minhas memórias dos tempos que estivemos juntos, são acompanhadas pelas suas melodias, voltou a lançar um Álbum, tantos anos depois. Comprei o álbum e encontrei lá, esta mistela de sentimentos, que senti, palavra por palavra.
Esta letra, é sem dúvida significativa e é completada por as imagens do filme "What dreams may come", que tanto significado tem para mim.
Guns n'Roses - This love (2008)
"...E se perguntares porque é que ela não disse Adeus. Eu sei que bem lá no fundo, há uma luz especial que mesmo na noite mais escura, ela não pode negar. Se ela estiver perto de mim, espero que ela me ouça (...) Desejei que ela nunca me deixasse, por favor tens de acreditar. Procurei por todo o universo e encontrei-me em teus olhos..." (excerto da letra)
Apesar de achar que mudei, que estou muito, mas muito mais forte, que dei finalmente um passo em frente... Este é será sempre o teu dia, mas roubo todos os outros para mim.
Não vivi todo este tempo preso à tua memória, mas vivi prendendo-te aqui. Prendendo-te a mim. Hoje liberto-te, hoje digo-te finalmente Adeus. Não que me esqueça alguma vez de ti, mas porque vou parar de te reviver, sendo estas as ultimas palavras escritas, que te dirijo.
Amei-te. Sei que sabes disso e é a primeira vez que não escrevo "amo-te", não porque o amor passe ou tenha morrido, mas porque "amo-te" é algo que quero guardar e dizer a alguém que venha ocupar todo o espaço no meu coração, que tenho agora vago, depois das limpezas que andei a fazer nestes últimos meses.
Durante anos coloquei lembranças e memórias em caixotes de cartão sentimental, que arrumei numa cave escura que assombrava os meus dias. Hoje, esses cartões já não estão dentro de mim, encontram-se em folhas de papel guardadas numa gaveta. Em mim, guardei unicamente a tua voz, para embalar os meus medos. O teu cheiro, que me lembra que vale a pena lutar. O teu sorriso, que me ilumina as noites escuras e o teu calor, que aquece este coração arrefecido, mas não totalmente gelado.
A letra desta musica está tão, mas tão certa, quando diz "não há mais ninguém que me faça sentir tão vivo", pois por mais que se pense o contrário, é a dor, que nos mostra o quanto estamos vivos e ainda sentimos. Mas é um facto que a dor quando vivida e não tratada, nos adormece os sentimentos e nos mata por dentro, impedido qualquer outro sentimento que não a dor. Percebo isso e sou novo demais para não sentir... Já sinto pouco. Não quero perder a oportunidade de voltar a sentir-me vivo, amando.
Quero que saibas que nunca ninguém te irá substituir, pois és insubstituível.
Não quero que a mulher que eu um dia ame, se sinta como segunda escolha, pois o amor não se escolhe. Não quero que sejas vista por ela, como uma concorrente que partilha o meu amor. Quero que ela te veja, como alguém que me amou, como ela ama. Que me ame, sem medos.
O meu único receio em partilhar-te, é ver o amor de alguém por mim a ser condicionado pela tua memória, pela tua presença e é por isso que tenho finalmente de te deixar partir libertando-me, libertando-te.
Nukkuu korpi, ja nyt, aatoksissain minä matkaa teen
Yli metsien, uinuvan veen
Kuutar taivaan yön valaisee
Maalaa maiseman, pohjoisen siimeksen
Unta onko tää,
Vai kuolema jossa palata sinne saan missä
hiillos jo luovuttaa lumen alla
Kun astun maailmaan, erämaan aikaan
Ensilumi satoi kahdesti
Maalasi sieluni taulun
Tää jylhä kauneus ja ääretön yksinäisyys
Lapsuuteni metsän, taivaan
Kaikuu se haikeus halki tän matkan
Aamun tullen yö tarinansa kertoo
Jylhä on kauneus ja ääretön yksinäisyyteni
Sitä henkeensä halajaa
Kehtoni hauta, hautani paikka
Erämaan viimeinen on
Minne katosivat muut
Suon noidat, neidontornit
Ja varjoissa havisevat puut
Kielon istutin ikihankeen
Ja hiljaisuuden tultua luotin tulevaan
Ensilumi satoi kahdesti
Maalasi sieluni taulun
Tää jylhä kauneus ja ääretön yksinäisyys
Lapsuuteni metsän, taivaan
Kaikuu se haikeus halki tän matkan
Aamun tullen yö tarinansa kertoo
Jylhä on kauneus ja ääretön yksinäisyyteni
Sitä henkeensä halajaa
Kehtoni hauta, hautani paikka
Erämaan viimeinen on
Parabéns. És rainha por um dia, hoje e todos os dias.
31 anos, nunca vistos e não vividos. Vividos por mim pensando como teriam sido os últimos 9 anos.
Como todos os anos, como não consigo nem tenciono evitar, visitei-te. O mesmo presente, a mesma conversa com algumas novidades, as mesmas memórias.
Nevava, mas eu não tinha frio, nem calor. Não estava feliz, nem triste. Não sentia nada além do vazio normal que me enche neste dia, mais do que em todos os outros.
As perguntas são as mesmas, perguntas feitas ao vazio e respondidas em silêncios.
Estivemos juntos 3 horas, 3 horas que me valem por todo o ano. Notei que te visitaram antes de mim. Havia vida e cor, numa aldeia de silencio, verde e cinza, verde esse coberto pelo branco da neve.
Eu sei, sem que me digas, que não me queres lá, viciado no passado e a viver de memórias, mas acho que compreendes que essas memórias são o que de mais valioso tenho e é o que alimenta os meus sorrisos. Sei que queres que te deixe de visitar, lembro-me do que me escreveste, ainda tenho a curta mensagem, hoje num papel amarelado pelo tempo.
Um dia, talvez me liberte das memórias, mas esquecer, isso nunca.
Hoje estou triste e quando assim estou não há nada a fazer, não quero falar com ninguém, não quero estar com pessoas. Quero estar sozinho, eu e as minhas memórias. Escrevo na mesma mas não gosto do que escrevo. Hoje é o aniversário da minha tristeza. Não sou uma pessoa triste, antes pelo contrário mas o dia 19 de Julho é sempre assim. Perdi alguém neste dia, tal como perdi muita gente noutros dias, mas este doí mais. A pessoa perdida não era família, nem conhecida de longa data. Foi sim, uma pessoa que apareceu do nada, marcou a minha vida e foi-me roubada sem aviso. Há quem lhe chame destino, ao que eu respondo, "destino o caralho!".
Porque motivo as pessoa sentem necessidade de dizer algo a quem chora uma morte? Na verdade, ninguém sabe o que dizer a quem perdeu alguém. Acham que “devem” dizer algo. Não! Não devem. Devem é ficar calados. O silêncio é a melhor maneira de respeitar os sentimento de quem sofre uma perda.
"Os meus sentimentos", as pessoa na verdade dão-nos os sentimentos. É ridículo que numa altura em que não conseguimos compreender, nem lidar com os nossos sentimentos, as pessoas ainda nos querem dar os delas. Não obrigado, os meus sentimentos chegam perfeitamente.
"Sei como te deves estar a sentir", dizem também. Como se “deve” uma pessoa sentir? Se realmente soubessem como me sinto, não usariam a palavra “deve”. "Sei..." implica certeza, "deve..." implica incerteza, o que torna esta frase vazia de significado.
O melhor é não dizer nada. Ainda hoje me lembro do olhar da Joana, essa sim disse tudo sem nada dizer, olhou-me nos olhos e viu a minha dor, ao olhar nos olhos dela via sua força. Bastou um breve olhar e os nossos corações falaram. O que disseram não sei, mas sei que foram as palavras certas, pois por momentos as lágrimas pararam e a dor fez um segundo de pausa.