A lista de Schindler Aristides

É complicado ser-se Português e ter o devido reconhecimento internacional das suas acções. Apesar de em 1415 os portugueses terem iniciado uma era chamada de descobrimentos. Apesar de em 1488 Bartolomeu Dias ter transformado o Cabo das Tormentas em Cabo da Boa Esperança ao transpor esse obstáculo. Em 1492 Cristóvão Colombo chegou à América e hoje todos falam dele, do navegador que não se sabe se era Português ou Italiano e que a maioria dos Americanos acham que era Espanhol. Até Hollywood fez um filme sobre a viagem em que Colombo falava... Espanhol.
Colombo abafou todos os nomes antes dele e nem Vasco da Gama que em 1497 partiu a caminho da Índia ou a chegada de Pedro Álvares Cabral em 1500 ao Brasil, destronaram o "homem sem pátria", Colombo. Será que as outras viagens não davam um filme, quem sabe, melhor?


 (Aristides Sousa Mendes)

Mas o esquecimento, ou pelo menos a falta de protagonismo, dos feitos dos Portugueses não ficam por aqui. Hollywood louvou um homem chamado Oskar Schindler num filme chamado: "A Lista de Schindler", por este homem ter salvo 1.200 judeus da morte. Este filme custou 25 milhões de dólares. Admito que nunca tinha visto este filme, primeiro por conhecer a história e em segundo por toda a gente falar bem do filme, tal como nunca vi o: "Em busca do soldado Ryan", pelos mesmos motivos. Mas estando eu de férias, lá me convenceram a ir a um cinema obscuro numa terra desconhecida, ver a história do Sr. Schindler.


(Oskar Schindler e sua esposa)

Mas há um outro nome que não merece a atenção de Hollywood, mas que tem já um filme com um orçamento 9 vezes menor realizado por Francisco Manso e João Correa, graças a uma parceria Luso-Espanhola, Belga e Brasileira.
O filme é sobre a vida de Aristides Sousa Mendes, Cônsul de Portugal em Bordéus que à revelia de Oliveira Salazar passou mais de 30.000 vistos de entrada em Portugal. 


(Aristides Sousa Mendes)

Schindler salva 1.200 é relembrado mundialmente é um herói na Alemanha, EUA, Israel. e  por todo o mundo. Aristides Sousa Mendes salva 30.000 e a sua memória fica em segundo plano.

Aristides Sousa Mendes é, desde que saiu o filme "A Lista de Schindler", minimizado ao ser chamado de "o Schindler português", desculpem mas isto é hipocrisia demais, então um homem que salva 25 vezes mais pessoas fica apelidado como se tivesse ficado aquém de Schindler? Schindler é que deveria ser apelidado de "Aristides Sousa Mendes Checo".



"Ah e tal Schindler arriscou muito era membro do Partido Nazi", desculpem Schindler era um empresário que se tornou membro do Partido Nazi para poder usufruir do trabalho escravo dos Judeus e desta forma ter feito fortuna. Se bem que gastou grande parte dela a salvar 1.200 judeus, quantos é que ele escravizou até ter feito essa fortuna e ter acordado para a realidade? O que seria o pior que poderia acontecer a Schindler? Perder toda a sua fortuna! No entanto ele viveu, tendo iniciado e perdido vários negócios, livre.
Aristides Sousa Mendes era Fascista e politico e como tal sujeito a piores castigos que um empresário. O que seria o pior que poderia acontecer a Aristides? Ser condenado por traição à pátria! No entanto não foi, mas perdeu o seu trabalho, a sua licença de advocacia, a sua carta de condução e passou a viver de caridade após ter tido de vender tudo o que possuía. Quando morreu foi enterrado com um hábito Franciscano pois nem um fato lhe restava. Ele viveu recluso da sua boa acção.



Israel deu honras a Schindler em 1958 quando o considerou uma pessoa justa e o convidou a plantar uma árvore na Avenida dos justos. Nesta Avenida há uma árvore dedicada a todos os não judeus que salvaram vidas judaicas. Apesar de Israel ter sido o primeiro país a reconhecer os feitos de Aristides Sousa Mendes, a árvore dele foi já a título póstumo e o seu nome louvado muito depois do de Schindler.

17 Comentários:

  Teté

segunda-feira, julho 12, 2010 8:46:00 da manhã

Embora concorde com o teor deste texto, a verdade é que não me parece ter sido por ser português que Aristides teve menos reconhecimento - os governantes salazaristas encarregaram-se de "apagar" o homem do mapa, não fisicamente, mas em todas as vertentes palpáveis por onde poderia destacar-se!

Mesmo assim não me parece que estivesse à procura de fama ou louvores, mas apenas de uma consciência tranquila. O que apesar de todas as desfeitas e perseguições posteriores, não lhe tiraram! Há homens que nascem e morrem dignos...

Bem hajam!

  SA

segunda-feira, julho 12, 2010 1:00:00 da tarde

É de inteira justiça recordar e enaltecer a memória de Aristides de Sousa Mendes. Sim, "Aristides DE Sousa Mendes" e não "Aristides Sousa Mendes", como erradamente foi escrito.

Mas ao fazê-lo devemos ser rigorosos e evitar deturpações ou imprecisões.

Não discuto a virtuosidade de Schindler por comparação com Aristides, porque bastaria que tivessem salvado uma vida humana para merecerem reconhecimento ("salvado" e não "salvo", como erradamente foi escrito).

Porque "Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro", citando o Talmude, igualmente citado no filme.

É natural, para quem conhece bem a história de Oskar Schindler, que este seja visto como um herói. E que tenha tido mais visibilidade do que o Aristides.

Não percebo a crítica ao facto de Aristides de Sousa Mendes ter sido homenageado com uma árvore na Avenida dos Justos apenas a título póstumo, se aquando da data da sua morte a tal Avenida dos Justos não existia... A crítica parece-me forçada e sem sentido.

E Oskar Schindler nunca poderia ter plantado uma árvore na Avenida dos Justos em 1958, porque tal avenida também não existia nessa data. A data está incorrecta.

Só mais uma coisa, os descobrimentos portugueses começaram em 1419, com o redescobrimento da ilha do Porto Santo.

É preciso ser rigoroso, principalmente quando se critica.

  I.D.Pena

segunda-feira, julho 12, 2010 1:11:00 da tarde

isto é que é uma critica cinematográfica. Só digo, nem mais :-)

  Maldonado

segunda-feira, julho 12, 2010 2:50:00 da tarde

Pior do que isso foi terem dito que A. Sousa Mendes era o Raoul Wallenberg português. É que este é muito posterior àquele, embora ambos tenham sido diplomatas durante a 2ª GM e estado nas mesmas circunstâncias.
Pessoalmente acho mais meritória a acção de A. Sousa Mendes do que a de Schindler, pois o primeiro arriscou muito mais do que o segundo e por causa disso foi ostracizado até ao fim dos seus dias.

  Bruno Fehr

segunda-feira, julho 12, 2010 3:51:00 da tarde

SA:

É óbvio pelo seu comentário que está desesperadamente em busca de detalhes para criticar o texto de forma negativa, infelizmente para si cometeu erros e vamos esclarecer:

"É de inteira justiça recordar e enaltecer a memória de Aristides de Sousa Mendes. Sim, "Aristides DE Sousa Mendes" e não "Aristides Sousa Mendes", como erradamente foi escrito."

O uso do "de" é voluntário e não obrigatório, tendo em conta que o "de" é em Portugal imposto pelo Estado no momento do registo. O meu nome não continha qualquer "de", o "de" foi imposto bem como os "da", "dos", etc no momento em que me registaram. Poderá haver quem tenha orgulho no seu "de" por achar que é como que um "von" de origem nobre. Não é!


"Não percebo a crítica ao facto de Aristides de Sousa Mendes ter sido homenageado com uma árvore na Avenida dos Justos apenas a título póstumo, se aquando da data da sua morte a tal Avenida dos Justos não existia... A crítica parece-me forçada e sem sentido."

A Avenida dos Justos foi criada em 1953 e Aristides sem dúvida deveria ter sidos um dos primeiros 100 homenageados.

"E Oskar Schindler nunca poderia ter plantado uma árvore na Avenida dos Justos em 1958, porque tal avenida também não existia nessa data. A data está incorrecta."

O problema é que você não percebeu ainda que a Avenida dos justos não é o Museu do Holocausto, mas sim uma avenida que existe desde 1953 onde mais tarde foi construído o museu.
E sim, em 1958 Oskar Schindler foi convidado a plantar a sua própria árvore. Ele e a esposa até foram presenteados nessa altura com uma pensão vitalícia do governo de Israel, a mesma pensão que poderia ter adiado a morte prematura de Aristides.

"Só mais uma coisa, os descobrimentos portugueses começaram em 1419, com o redescobrimento da ilha do Porto Santo."

Mais uma vez você está errado. Os descobrimentos Portugueses começaram com a conquista de Ceuta e consequente exploração e conquista costeira de África. Qualquer livro de História o pode esclarecer de que os descobrimentos portugueses é o período entre 1415 e 1443. Os descobrimentos portugueses referem-se à expansão de Portugal e não unicamente ao momento da aventura marítima que é uma parte deste período. Uma parte significativa, mas uma parte.

"É preciso ser rigoroso, principalmente quando se critica."

Sem dúvida que é, antes de corrigir deverá certificar-se que não o faz erradamente. A ser assim mais vale estar calado pois só está a tentar juntar ao meu texto dados errados retirados magicamente da cartola sem um mínimo de cuidado.

  Bruno Fehr

segunda-feira, julho 12, 2010 3:58:00 da tarde

I.D.Pena:

Cinematográfica, politica e humanitária.

  Bruno Fehr

segunda-feira, julho 12, 2010 4:00:00 da tarde

Maldonado:

"Pessoalmente acho mais meritória a acção de A. Sousa Mendes do que a de Schindler, pois o primeiro arriscou muito mais do que o segundo e por causa disso foi ostracizado até ao fim dos seus dias."

O primeiro nada arriscou a não ser a fortuna que tinha feito com o trabalho escravo de Judeus, é que o filme só aborda o negócio dele que o levou a salvar 1.200 vidas e de uma forma muito resumida. Isso é notório no filme, pois para comprar a fábrica ele precisou de investimento Judeu e pela altura em que salvou as 1.200 vidas gastou milhões de Reichmarks, o que claramente mostra que existe uma imensa lacuna temporal na história resumida convenientemente no filme.

Mas isto é normal. Não nos podemos esquecer que até existe um filme sobre a vida de Rothschild com todos os factos passados na bolsa de Londres contados ao contrário fazendo o burlão que destruiu a economia Inglesa por forma a tomar controlo do Banco de Inglaterra, ser visto como o herói que salvou a economia Inglesa.

  Bruno Fehr

segunda-feira, julho 12, 2010 4:29:00 da tarde

Teté:

"Embora concorde com o teor deste texto, a verdade é que não me parece ter sido por ser português que Aristides teve menos reconhecimento - os governantes salazaristas encarregaram-se de "apagar" o homem do mapa, não fisicamente, mas em todas as vertentes palpáveis por onde poderia destacar-se!"

Claro que eu não digo que é por ele ser português, digo sim é uma triste coincidência que os portugueses por mais que se destaquem demorem para ser reconhecidos se é que o chegam a ser.
Schindler foi perseguido e foram esses 1.200 judeus que o salvaram de castigado pelas autoridades e lhe deram protagonismo. Com mais facilidade esse protagonismo teria sido dado com as 30.000 vozes que Aristides salvou. Salazar apesar de todo o mal que fez a este homem, numa manobra politica, após a guerra, louvou os seus feitos publicamente, tendo em segredo mantido os castigos. Esse louvor publico juntamente com 30.000 vozes deveria ter sido o suficiente, mas continuou a ser ignorado.

"Mesmo assim não me parece que estivesse à procura de fama ou louvores, mas apenas de uma consciência tranquila. O que apesar de todas as desfeitas e perseguições posteriores, não lhe tiraram! Há homens que nascem e morrem dignos..."

Vivem e morreu digno. Mas as acções feitas por algo maior que a sua reputação, não invalidam que lhe seja dado o reconhecimento. Eu nem consigo imaginar em que estado morreu um homem que fez o que achou certo e foi cruelmente castigado por isso.

  SA

segunda-feira, julho 12, 2010 4:37:00 da tarde

Volto a corrigir as imprecisões que apontei ao texto.

A Avenida dos Justos foi criada apenas em 1962.

http://www1.yadvashem.org/yv/en/righteous/commemoration.asp

A árvore de homenagem a Oskar Schindler foi plantada apenas em 1962.

http://www1.yadvashem.org/yv/en/righteous/stories/schindler.asp

Com o seu nome, faz o que entender, se tem "de" ou não tem "de" e, se o quer usar ou não, é consigo. O que lhe digo é que o nome é "Aristides DE Sousa Mendes", e não tem nada a ver com usos obrigatórios ou facultativos.

Bem sei que o período a que chamam "Descobrimentos Portugueses" começou com a Conquista de Ceuta, e não contestei isso. O que escrevi, e repito, é que os descobrimentos portugueses começaram em 1419, no Porto Santo, a não ser que queira convencer-me de que a Conquista de Ceuta foi um descobrimento. Quando falo em "descobrimento" refiro-me ao evento da descoberta. Quando escrevo "Descobrimento" refiro-me ao período histórico. Compreenda que uma maiúscula pode fazer toda a diferença, assim como eu compreendo a sua falta de sensibilidade para estas matérias.

Não quero dar-lhe lições de História, até porque demonstra que tem capacidade para aprender por si, mas é notório que deveria cimentar e aprofundar os seus conhecimentos de História Contemporânea, os seus conhecimentos da História do Pós-Guerra e da História do Estado de Israel. Até porque algumas das imprecisões que apontei são usadas por si para sustentar uma crítica.

  Carlos

segunda-feira, julho 12, 2010 5:42:00 da tarde

A grande maioria das pessoas que obtiveram vistos para Portugal (e não foram apenas judeus), não conheceu nem teve qualquer contacto pessoal com Sousa Mendes. Muitos deles passaram por Portugal em trânsito para outros países. Não se pode comparar a relação que essas pessoas estabeleceram com Aristides (que porventura nem souberam que existia) com a relação dos trabalhadores com o Schindler. Parece-me que em termos de risco, não é possível comparar Schindler com Sousa Mendes. Um era diplomata, num país estrangeiro, protegido pelo seu estatuto, que carimbava vistos no gabinete, arriscando a carreira, o regresso ao país, mas em paz com a sua consciência. Outro zelava pelos seus interesses económicos, posteriormente por um imperativo de consciência, embora pertencesse ao Partido Nazi poderia ter a vida em risco. Não são dimensões comparáveis, mas é compreensível que a história de Schindler seja mais interessante do ponto de vista narrativo. A verdade é que ambos pagaram pela sua audácia e acabaram por morrer na pobreza e na penumbra. Estive a procurar a data em que foi plantada a árvore do Schindler e parece que foi em 1962 e não 1958.

  13EtMundus

segunda-feira, julho 12, 2010 6:47:00 da tarde

Simplesmente o maior verdadeiro "herói" que Portugal alguma vez teve na sua história.

Sim, Camões era um génio inigualável, dos (senão o) maior génio de sempre da literatura mundial. E muitas pessoas fariam o mesmo que Aristides de Sousa Mendes, se estivessem na mesma posição.

Mas na prática, pelo que fez por puro sentido humanista, Sousa Mendes foi inigualável.

  mãe pimpolha

segunda-feira, julho 12, 2010 9:25:00 da tarde

Obrigada pelo teu texto, foi muito esclarecedor, como sempre.
Beijinhos

  Bruno Fehr

segunda-feira, julho 12, 2010 10:47:00 da tarde

SA:

Nem vou discutir consigo a imposição dos "de", "da", "dos" em nomes por parte do Estado, pois eu tenho um "de" imposto tal como os Sousas possuem um "de" imposto, os os Costas um "da", os Santos um "dos", etc, etc, etc. A utilização é voluntária mas o registo de um Sousa sem um "de" não é autorizado.
E tendo em conta que a utilização é voluntária, eu voluntariamente não uso e certamente Aristides Sousa Mendes não se irá importar tendo em conta que lhe chamam nomes bem piores como "Schindler português". Você deveria implicar é com essas pessoas e não com o meu direito de não usar "de".

Parece que existe aqui um problema de comunicação. O meu texto diz claramente: "Israel deu honras a Schindler em 1958 quando o considerou uma pessoa justa e o convidou a plantar uma árvore na Avenida dos justo".
Você está correcto ao dizer que a árvore só foi plantada em 1962 (confirmei), mas as honras foram dada de facto em 1958 e convite foi feito nesse mesmo ano, algo que me dei ao trabalho de ir confirmar no próprio filme, tendo em conta que foi feito com a participação da sua esposa e de muitos dos sobreviventes (que aparecem no final do filme). E aqui está a informação que poderá facilmente investigar (pois eu não preciso de o fazer):

http://img690.imageshack.us/img690/8826/schindlerlist.jpg

Se isto estiver errado, o melhor é culpar o Spielberg e a Sra. Schinlder que deu o aval ao filme.
Ao honrarem Schindler em vida, Aristides deveria ter sido uma dessas primeiras pessoas. Pois em 58 ele ainda estava vivo.

"em sei que o período a que chamam "Descobrimentos Portugueses" começou com a Conquista de Ceuta, e não contestei isso. O que escrevi, e repito, é que os descobrimentos portugueses começaram em 1419, no Porto Santo, a não ser que queira convencer-me de que a Conquista de Ceuta foi um descobrimento."

A conquista de Ceuta foi quando eles começaram, pois como sabe as tropas Portuguesas não se ficaram por Ceuta e começaram a explorar a costa de África por terra, daí serem descobrimentos.

"Quando falo em "descobrimento" refiro-me ao evento da descoberta."

A sua definição do que é um "descobrimento", não altera o facto de que o inicio foi com a conquista de Ceuta. Pois a ser como o Sr. quer teríamos de assinalar o inicio dos descobrimentos em 1279 no Reinado de D.Dinis ou pelo menos no Reinado de Afonso IV com as expedições às ilhas Canárias.

  Bruno Fehr

segunda-feira, julho 12, 2010 10:58:00 da tarde

Carlos:

"A grande maioria das pessoas que obtiveram vistos para Portugal (e não foram apenas judeus), não conheceu nem teve qualquer contacto pessoal com Sousa Mendes. Muitos deles passaram por Portugal em trânsito para outros países."

Dos 30.000 mais de 10.000 eram Judeus. Sim os judeus estiveram em transito até porque Salazar se certificou disso expulsando-os do país, como foi o caso do Navio Nyassa usado para se ver livre deles.

"Não se pode comparar a relação que essas pessoas estabeleceram com Aristides (que porventura nem souberam que existia) com a relação dos trabalhadores com o Schindler."

Uma vida salva por alguém que se vê ou um nome que se ouve, tem o mesmo valor. Uma vida é uma vida e o agradecimento dessa pessoa é eterno.

"Parece-me que em termos de risco, não é possível comparar Schindler com Sousa Mendes. Um era diplomata, num país estrangeiro, protegido pelo seu estatuto, que carimbava vistos no gabinete, arriscando a carreira, o regresso ao país, mas em paz com a sua consciência."

Se ele tivesse sido descoberto, o seu estatuto não lhe daria imunidade. Os Nazis não respeitavam imunidade diplomática. Aristides era deixado em paz porque não sabiam o que ele estava a fazer e porque Salazar era um tipo porreiro para o Nazis ao ter-se mantido neutro fazendo as vontades politicamente aos aliados e economicamente aos Nazis.

"Outro zelava pelos seus interesses económicos, posteriormente por um imperativo de consciência, embora pertencesse ao Partido Nazi poderia ter a vida em risco."

A vida dele nunca estaria em risco, pois ele tinha os judeus a trabalhar, enquanto trabalhassem não morriam num campo mas Schindler nada estava a fazer de mal. Mantinha o judeus como escravos dentro da sua fábrica. O risco que Schindler correu foi a perseguição feita pelos aliados por crimes contra o judeus, e aí foi onde os judeus o ajudaram. Tal como em Portugal foram os judeus que alimentavam Aristides que vivia de caridade.

"A verdade é que ambos pagaram pela sua audácia e acabaram por morrer na pobreza e na penumbra."

Aí é que história diverge. Aristides morreu na pobreza. Schindler viveu uma boa vida com uma pensao mensal do Estado de Israel.

"Estive a procurar a data em que foi plantada a árvore do Schindler e parece que foi em 1962 e não 1958."

Plantada em 62, correcto pois fui confirmar, mas ele foi honrado e convidado a plantar essa árvore em 1958, também fui confirmar.

  Diogo

terça-feira, julho 13, 2010 12:44:00 da manhã

Aristides de Sousa Mendes - Quando o Memorando atraiçoa a "Memória"

Para uns, Sousa Mendes é recordado como um «homem bom e justo» que, em Junho de 1940, contrariando as ordens do Governo de Lisboa, emitiu vistos e passaportes e, nalguns casos, chegou mesmo a atribuir falsamente a identidade portuguesa a milhares de foragidos, sobretudo judeus, que pretendiam a todo o custo alcançar os lugares tidos por seguros, como Portugal, que Salazar conseguiu manter neutral no conflito.

Para outros, o cônsul está longe de justificar o papel de «herói» que muitos lhe atribuem e, aqui e ali, tentam repor a verdade àquilo a que chamam «falsificação da História» e, através de factos, muitos deles documentados, desmistificam a «lenda» Sousa Mendes.

Portugal, os Cônsules, e os Refugiados Judeus (1938-1941)

Texto de Avraham Milgram

  Bruno Fehr

terça-feira, julho 13, 2010 5:45:00 da manhã

Diogo:

Muito obrigado por este link, irei investigar um pouco este assunto. Por ser estranho que os grandes Portugueses não obtenham o devido reconhecimento internacional devemos ponderar se eles fizeram realmente o que dizem ter feito.

De facto há uns tempos fiz um estudo sobre o numero de judeus na Europa antes e após a segunda guerra mundial, e os números não batem certo com os 6 milhões de judeus mortos, mas não me informei sobre o numero de judeus em Portugal, o que poderia ter esclarecido melhor o caso de Aristides.

É deste tipo de comentários que gosto, onde de uma forma clara e verdadeiramente justificada me diz: "olhe que está errado".

A ser tudo isto verdade, sim estou errado.

  A.M.Martinho

terça-feira, julho 13, 2010 9:07:00 da manhã

Boas Bruno!

Há muito que leio o teu blog e admiro a forma como tu vês o mundo. Gostei do tema deste post embora tenha ficado triste com os problemas de precisão histórica da coisa e essas discussões nos comments... Enfim eu até não conhecia a história mas o nome não me pareceu estranho, na verdade tinha o visto num perfil que descobri no facebook apenas por vaguear pelo site, dá uma olhadela que consta que este senhor é o neto de Aristides...

http://www.facebook.com/carlosffmendes

Um Abraço e pff não pares de escrever =)