Zeitgeist (parte 3) problemática Venus Project

1- Segundo o desenho inteligente das cidades não há opção de escolha do local onde queremos morar, nem sequer a opção de morar fora de uma cidade. Isto coloca em causa uma liberdade fundamental humana, a liberdade de escolha/vontade. Isto agravado pela não existência de propriedade privada.



3- É preciso trabalho humano na supervisão da central de detecção, recolha e distribuição de recursos que iria depender de trabalho voluntário. Acredito como os autores do filme que haverá sempre quem seja voluntário. Mas... e as supostas bibliotecas de artigos? Aquele local onde vamos buscar o que precisamos? Quem trabalharia lá? Uma máquina programada não conseguiria servir uma pessoa que mesmo sem necessidade justificada sentisse o desejo de usar um artigo. Um computador só consegue seguir um raciocínio lógico e não o iria permitir o uso de recursos com base em emoções ou vontades e por isso seria sempre necessário o factor humano estar presente em todos os processos automatizados.
A necessidade de recursos, por exemplo, com fins artísticos seria impossível de ser analisada por um computador como uma necessidade.

(O sistema informático Venus Project lembra o sistema Skynet do filme Exterminador... e lá está uma pirâmide...)


4- O filme Zeitgeist ou o Venus Project referem que não há trabalho pois tudo estaria automatizado, por outro lado referem que começando hoje, em 10 anos teríamos as cidades do futuro construídas. Como? É a esta pergunta que eles não respondem pois a resposta passa por ter toda a população mundial a trabalhar nesse sentido num mundo pós-sistema monetário. É aqui que reside o problema, pois não acho que seja possível depois do fim do sistema monetário, colocar todas as pessoas do mundo a fazer trabalho físico sem que retirem qualquer tipo de vantagem que não seja o saber que estão a construir um novo mundo.
É claro que haveria milhões de voluntários, mas construir um novo mundo e toda a tecnologia para automatizar o trabalho pressupõe muitos anos de duro trabalho físico e não de alguns milhões mas sim de toda a população mundial.

5- Mesmo após uma década de trabalho físico e termos chegado ao ponto da automatização total, há trabalhos que continuariam a precisar de humanos:
a) Tal como as crianças precisam ser tocadas, os idosos precisam ser acompanhados e existindo ou não dinheiro eles continuariam a ser ignorados e abandonados. Quem trataria deles voluntariamente? Estou certo que haveria voluntários para manter instituições, para passar um bocado com eles. Mas quantos voluntários haveria para garantir as suas necessidades higiénicas? Seriam suficientes? E se não fossem suficientes?

b) O mesmo do ponto anterior, se passaria com as crianças. Sendo a morte algo impossível de evitar haveria sempre órfãos e nem sempre o abandono tem uma relação directa com o dinheiro.

c) Os deficientes iriam sempre existir e nem sempre seriam aceites pelas suas famílias e tal como hoje, nem sempre o factor monetário estaria envolvido.

d) As zonas de lazer, como restaurantes poderiam ser 100% mecanizadas, tal como cinemas. Mas quem faria os filmes? Há quem faça teatro por amor à arte, mas seriam essas pessoas suficientes para servir 7 biliões de pessoas com mais tempo livre, que não sendo todas cientistas ou artistas, teriam mais tempo para se multiplicarem?


6- Não haveria prisões sob o pressuposto de que a violência é um factor social e directamente relacionado com o sistema monetário. Eliminando esse sistema doente deixaria de haver pessoas doentes. Não consigo encontrar qualquer ligação lógica entre o sistema monetário ou estrutura social actual que consiga explicar a pedofilia, violação, violência (incluindo domestica) gratuita.
No documentário é dito que a violência como factor genético é mito, e que são raras as doenças ou mutações genéticas. Dito isto, será também mito a homossexualidade como factor genético e desta forma sem palavras estão a dizer-nos que a homossexualidade é um desvio/factor social, (como a lógica sugere) e no entanto existem homossexuais vindos de todos os escalões sociais, desde famílias severas às famílias com mais amor, desde os mais ricos aos mais pobres. Da mesma forma que continuariam a existir homossexuais independentemente do tipo de sociedade criada, iria existir violência devido à necessidade humana de dominar e/ou de atacar o que não aceitam/compreendem. Nem toda a violência está relacionada com dinheiro, muita dela está relacionada com poder ou o sentimento momentâneo de poder e domínio de um elemento sobre outro, não é factor social nem educacional pois somos animais e em todos os animais existe competição directa por domínio numa comunidade. Como animal existiriam sempre elementos alfa que teriam a necessidade de dominar seja com violência física ou psicológica. Existiria frustração sexual que continuaria a gerar violência, violações e pedófila. Existiria preconceito racial.
Todo o tipo de crimes continuaria a existir, excepto burlas, furtos e crimes ligados ao dinheiro.

7- Mesmo que todos os processos na vida humana e na constituição de uma nova sociedade sejam automatizados, concordo que isso não nos levará a nos tornar-mo-nos apáticos e que continuaremos a estudar, evoluir, inventar com vista ao auto-melhoramento. A ciência tal como a arte irá sempre ser um prazer e não havendo trabalho, a nossa criatividade será desbloqueada e portanto viveremos numa idade de ouro criativa. No entanto viveremos numa dependência total de máquinas que como tal irão impor a lógica às nossas vontades pois não serão nunca capazes de entender a emoção que nos leva a sentir certas necessidades ilógicas. No entanto tal como haverá um aumento de pessoas criativas, haverá um aumento de pessoas destrutivas e nem todas as destrutivas se contentam em ser críticos literários ou de arte.



Estes não são os pontos fulcrais, são meramente exemplos. Uma constante nos sentimentos humanos é a necessidade de liberdade. Qualquer dependência nos faz sentir presos e a resposta humana será sempre a tentativa de nos libertarmos. Nós somos assim nas nossas funções e desejos mais simples, procuramos o amor sabendo que ele em maior ou menor escala nos prende e assim que o encontramos queremos liberdade sem que isso signifique fugir ao objecto amado. É a constante insatisfação humana que nos irá sempre impedir de sermos dependentes do que quer que seja. 

A minha opinião não tem como objectivo derrotar ideias, e nelas incluo o Venus Project, tem sim como objectivo salientar que mostrando o lado bom de uma ideia não faz dela boa e muito menos, perfeita. Espero sim, que este projecto seja o exemplo do qual possam nascer dezenas de novas ideias e projectos onde um deles será não perfeito mas o mais lógico e humano.

Zeitgeist (parte 2) Venus Project

Toda a ideia em torno do Venus Project é interessante a aliciante e admito que estive interessado em tudo relacionado com o projecto tendo até pensado em juntar-me a ele. Obviamente antes de tomarmos uma decisão que nos expõe e que nos coloca a trabalhar temos de questionar tudo, incluindo as nossas motivações.

 (Venus Project: semelhante às 3 pirâmides de Gizé)

O projecto é da responsabilidade de um visionário futurista chamado: Jacque Fresco.
O projecto assenta na ideia de uma sociedade unida livre de religião, de dinheiro e de governos. Esta nova sociedade controla, gere e partilha de forma igual todos os recursos do planeta onde juntos trabalham para o bem comum. Assenta na ideia de criação de bens que durem em vez do actual sistema de bens descartáveis para motivar o consumismo. Uma boa ideia certo?

A minha opinião mudou no dia em que me desloquei para assistir a uma conferencia onde Jacque Fresco seria o orador principal e onde se iria disponibilizar para responder a perguntas no local e ao vivo.

 (Venus Project: Semelhante a Stonehenge)

Aproveitei que a assistência hesitava em colocar perguntas e dei inicio às minhas.

Pergunta 1:
O que levaria o Homem, egoísta por natureza, a partilhar de forma igual os recursos?

A resposta 1:
Os recursos são automaticamente distribuídos de forma igual com o objectivo de melhoria da qualidade de vida da civilização.

Pensem comigo: O Homem, toda a humanidade a partilhar? Então os homens por regra desejam ter o pénis maior que o vizinho e iriam contentar-se com uma casa igual, um carro igual, uma vida igual? Uma mulher que deseja parecer melhor e vestir melhor que a vizinha iria contentar-se em ser mais uma na multidão sem nada que a destaque a não ser a beleza natural?

Ok, não há dinheiro, há sim um objectivo mas o que te levaria a vires construir a minha casa?
A resposta a esta pergunta é o RepRap, um aparelho funciona como uma impressora que em vez de imprimir em papel duplica um objecto e até se duplica a ela própria. Tendo uma podemos fazer outra e oferecer até que toda a gente tenha uma. Com ela poderíamos duplicar qualquer utensílio desde uma colher até um carro ou ainda uma casa. Uma RepRap poderia construir uma casa em 1 dia sem desperdício de recursos. Esta invenção que já existe é uma das mais fortes armas do Venus Project.

Pergunta 2:
Se o poder absoluto corrompe absolutamente e se o Homem é corrompido por ele. O que nos garante que os responsáveis pela divisão por igual dos recursos não serão corrompidos a guardar uma parte maior para eles?

Resposta 2:
Não havendo dinheiro não há nada a ganhar com corrupção. Além disso os recursos não seriam distribuídos por Homens mas sim por um sistema informático que sendo inteligência artificial não é corruptível.

Pergunta 3:
Mas sendo um sistema informático o responsável pela divisão de recursos, ele teria de ser programado e supervisionado por humanos que teriam mais poder que todos os outros e por isso seriam corruptíveis.

(Durante esta pergunta sou interrompido de uma forma deselegante por uma das assistentes que me diz que fiz perguntas suficientes e que teria de deixar outros fazerem perguntas. Neste momento olhei em volta e ninguém tinha o braço levantado e por isso insisti na resposta.)

Resposta 3:
Mas numa sociedade sem dinheiro eles não teriam nada a ganhar e com o tempo seriam auto-programáveis e não necessitariam de supervisão.

Pergunta 4:
Terá sempre de haver manutenção! Não existindo dinheiro, os recursos do planeta não seriam o novo poder? Quem controlar os recursos, controlará a sociedade na ausência de dinheiro?

Pela segunda vez a assistente dele não permite que Jacque Fresco responda e o meu microfone fica sem som e minutos depois, já sentado, vi-me a ser acompanhado para fora da sala. Durante a minha saída houve aplausos que não liguei às minhas questões mas talvez ao facto de ter sido calado.

(Venus Project: Um edifício que mais parece um tempo a Gaia (New World Order))

Jacque Fresco é um visionário e acredito que esteja cheio de boas intenções. Os seus projectos imobiliários são excelentes em todos os aspectos, as suas ideias muito bem intencionadas e não o vejo como uma ameaça. O meu problema é que todas as boas ideias podem ser corrompidas e não podemos esperar que um homem de 94 anos lidere o projecto para sempre.

Haverá sempre alguém a tomar o poder, a tomar decisões sobre o que é e não é feito, sobre o que a sociedade precisa, sobre a forma como os recursos do planeta são distribuídos e não podemos esperar honestidade da humanidade pois todos queremos se certa forma ter, ser, parecer melhores/mais que os outros.

Se neste momento vivemos numa escravatura voluntária inconsciente, com este projecto tornado realidade viveríamos numa dependência total sem opção.
Com o actual sistema económico corrupto se te opões ao poder central podes perder, no mínimo, o teu emprego mas poderás sempre encontrar formas de sobreviver quer seja num outro emprego ou até numa auto-exclusão da sociedade exilando-te numa quinta e vivendo da terra (drástico mas possível). Com este proposto sistema distópico, o que aconteceria a quem se insurgisse contra o poder central pseudo-não-existente? Não poderíamos perder o emprego pois ele não existe. Não poderíamos perder a nossa parte na distribuição de recursos pois fazemos parte do todo, mas não poderíamos optar por uma auto-exclusão da sociedade para viver independentemente da terra pois não há propriedade, a terra não é tua e os frutos que retiras dela pertencem a todos. Ficamos desta forma privados de liberdade, privados de escolha e prisioneiros de uma sociedade. A sociedade deixa de ser uma união voluntária de seres humanos passando a ser uma união obrigatória.

 (VenusProject - Verdade escondida: Humanos perante a 3 pirâmides modernas observando Hórus o Deus sol com 13 pássaros que o circundam. O famoso 13 das 13 famílias que controlam actualmente a economia mundial, as 13 famílias maçónico-Illuminati.)


O Venus Project parece-me desta forma como um bem financiado plano B da Nova Ordem Mundial, pois se a população mundial se insurgir e vencer as elites que nos querem impor o seu poder tirano e total, as pessoas terão a tendência para se aproximar de uma ideia oposta e essa ideia é o Venus Project que por um outro meio nos levará ao mesmo destino. Um mundo sem dinheiro, sem religião, sem politica mas também sem liberdade e uma vida de dependência sem possibilidade de contestação ou fuga, e tudo em nome de um bem maior que mais do que utopia é uma distopia.

(continua)

Zeitgeist (parte 1) filmes 2007 e 2008

Já por aqui falei diversas vezes quer em textos quer em comentários e respostas a eles, sobre os Filmes Zeitgeist. Tendo em conta que saiu no passado dia 15 de Janeiro de 2011 o terceiro filme documentário Zeitgeist, e como quero abordar o tema, aproveito este texto para juntar num só raciocínio tudo o que tenho dito sobre o assunto.

Os filmes documentário estão tão bem feitos que não podemos ignorar nada, nem sequer os cartazes ou forma como são apresentados.

Zeitgeist: The movie (2007)


A maneira como ele é ilustrado por esta imagem de apresentação levou-me, na altura, a interpretar esta imagem com um mix. Uma mistura disfarçada do olho que tudo vê, olho de Hórus, com uma imagem de um ecrã, cinema ou televisão, como forma de controlo e com um efeito hipnótico. Esta interpretação perfeitamente contestável, ganhou mais crédito com os filmes seguintes e seus logos de apresentação. 
Este filme é televisão e cinema e portanto deve ser incluído no mesmo saco de tentativa de criar, mudar, influenciar, impor opiniões. Certas ou erradas isso é secundário, o importante é que toda a opinião tem como objectivo influenciar outras.

Este primeiro filme é um ataque frontal à religião, seja ela católica, muçulmana, hindu, ou qualquer outra. O filme está excelente, está bem argumentado mas está também repleto de argumentos falsos, dados manipulados e ligações ilógicas mas que foram tão bem feitas, que são conviventes. Foi um filme tão louvado como criticado e as criticas possuem tanto valor como os louvores, visto que nos créditos às fontes, a devastadora maioria delas são ateus convictos e a mesma fonte é citada várias dezenas de vezes o que retira a validação que seria dada por uma investigação abrangente e imparcial.

Objectivo do filme Zeitgeist: The movie (2007), é desacreditar toda a religião e deixar a mensagem de que ela não é necessária e que na verdade só nos está a prejudicar. Apesar de concordar com a intenção não concordo com os meios, pois não chamo a isto o fruto de uma investigação abrangente e objectiva mas sim uma investigação parcial e com objectivo, sendo o objectivo desacreditar sem olhar a meios.

Zeitgeist: Addendum (2008)


A minha interpretação do logótipo do filme de 2007 foi confirmada pelo de 2008, que é claramente um olho com uma cor não natural. O olho parece afectado por cores reflectidas que possivelmente serão as do ecrã hipnótico do primeiro filme, parecendo este olho estar fixo, como se hipnotizado.

Este segundo filme é excelente pois explica com todos os detalhes como funciona o sistema monetário mundial, como é criado o dinheiro e de que forma, justificando que o dinheiro não tem valor pois na verdade é dívida. O filme não tem falhas lógicas, interpretativas ou de investigação, está correcto no seu todo e as fontes usadas são incontestáveis, deixando a critica desarmada.

Objectivo do filme Zeitgeist: Addendum (2008), é desacreditar todo o sistema monetário, expor os seus erros e mentiras e a forma como nos controla e escraviza mesmo que voluntariamente e na maioria dos casos de forma inconsciente. 

Por altura deste filme, apesar do meu apoio ao seu conteúdo insurgi-me contra ele pois foi apresentado ao mundo o Movimento Zeitgeist ligado aos filmes.




Em primeiro lugar, a passagem de informação não pressupõe a criação de um movimento. Este movimento foi separado dos filmes ao ser colocado num website à parte. O website dos filmes permitia que qualquer pessoa fizesse o download gratuito na própria página o que significa que as despesas da criação do filme não possuem retorno e o site representa uma despesa de dezenas de milhares de Euros todos os meses em tráfego. A minha questão sempre foi: Esta pequena fortuna anual é paga por quem?
Por outro lado o site do Movimento Zeitgeist tinha links para traduções do site em mais de 30 línguas o que representa uma participação e presença em todo o mundo (Chapters) num movimento supostamente acabado de nascer na Internet.

O factor que confirmou todas as minhas suspeitas, foi a ligação deste movimento ao Venus Project, ligação essa que era assumida no site no Movimento Zeitgeist mas não no site dos Filmes.

Por agora podem assistir ao novo filme na sua totalidade, pois será importante quer para a vossa cultura geral, quer para a vossa capacidade de analisar a actualidade, quer ainda para os 2 textos que irei escrever de seguida:



(continua) - Venus Project