1- Segundo o desenho inteligente das cidades não há opção de escolha do local onde queremos morar, nem sequer a opção de morar fora de uma cidade. Isto coloca em causa uma liberdade fundamental humana, a liberdade de escolha/vontade. Isto agravado pela não existência de propriedade privada.
3- É preciso trabalho humano na supervisão da central de detecção, recolha e distribuição de recursos que iria depender de trabalho voluntário. Acredito como os autores do filme que haverá sempre quem seja voluntário. Mas... e as supostas bibliotecas de artigos? Aquele local onde vamos buscar o que precisamos? Quem trabalharia lá? Uma máquina programada não conseguiria servir uma pessoa que mesmo sem necessidade justificada sentisse o desejo de usar um artigo. Um computador só consegue seguir um raciocínio lógico e não o iria permitir o uso de recursos com base em emoções ou vontades e por isso seria sempre necessário o factor humano estar presente em todos os processos automatizados.
A necessidade de recursos, por exemplo, com fins artísticos seria impossível de ser analisada por um computador como uma necessidade.
A necessidade de recursos, por exemplo, com fins artísticos seria impossível de ser analisada por um computador como uma necessidade.
(O sistema informático Venus Project lembra o sistema Skynet do filme Exterminador... e lá está uma pirâmide...)
4- O filme Zeitgeist ou o Venus Project referem que não há trabalho pois tudo estaria automatizado, por outro lado referem que começando hoje, em 10 anos teríamos as cidades do futuro construídas. Como? É a esta pergunta que eles não respondem pois a resposta passa por ter toda a população mundial a trabalhar nesse sentido num mundo pós-sistema monetário. É aqui que reside o problema, pois não acho que seja possível depois do fim do sistema monetário, colocar todas as pessoas do mundo a fazer trabalho físico sem que retirem qualquer tipo de vantagem que não seja o saber que estão a construir um novo mundo.
É claro que haveria milhões de voluntários, mas construir um novo mundo e toda a tecnologia para automatizar o trabalho pressupõe muitos anos de duro trabalho físico e não de alguns milhões mas sim de toda a população mundial.
5- Mesmo após uma década de trabalho físico e termos chegado ao ponto da automatização total, há trabalhos que continuariam a precisar de humanos:
a) Tal como as crianças precisam ser tocadas, os idosos precisam ser acompanhados e existindo ou não dinheiro eles continuariam a ser ignorados e abandonados. Quem trataria deles voluntariamente? Estou certo que haveria voluntários para manter instituições, para passar um bocado com eles. Mas quantos voluntários haveria para garantir as suas necessidades higiénicas? Seriam suficientes? E se não fossem suficientes?
b) O mesmo do ponto anterior, se passaria com as crianças. Sendo a morte algo impossível de evitar haveria sempre órfãos e nem sempre o abandono tem uma relação directa com o dinheiro.
c) Os deficientes iriam sempre existir e nem sempre seriam aceites pelas suas famílias e tal como hoje, nem sempre o factor monetário estaria envolvido.
d) As zonas de lazer, como restaurantes poderiam ser 100% mecanizadas, tal como cinemas. Mas quem faria os filmes? Há quem faça teatro por amor à arte, mas seriam essas pessoas suficientes para servir 7 biliões de pessoas com mais tempo livre, que não sendo todas cientistas ou artistas, teriam mais tempo para se multiplicarem?
6- Não haveria prisões sob o pressuposto de que a violência é um factor social e directamente relacionado com o sistema monetário. Eliminando esse sistema doente deixaria de haver pessoas doentes. Não consigo encontrar qualquer ligação lógica entre o sistema monetário ou estrutura social actual que consiga explicar a pedofilia, violação, violência (incluindo domestica) gratuita.
No documentário é dito que a violência como factor genético é mito, e que são raras as doenças ou mutações genéticas. Dito isto, será também mito a homossexualidade como factor genético e desta forma sem palavras estão a dizer-nos que a homossexualidade é um desvio/factor social, (como a lógica sugere) e no entanto existem homossexuais vindos de todos os escalões sociais, desde famílias severas às famílias com mais amor, desde os mais ricos aos mais pobres. Da mesma forma que continuariam a existir homossexuais independentemente do tipo de sociedade criada, iria existir violência devido à necessidade humana de dominar e/ou de atacar o que não aceitam/compreendem. Nem toda a violência está relacionada com dinheiro, muita dela está relacionada com poder ou o sentimento momentâneo de poder e domínio de um elemento sobre outro, não é factor social nem educacional pois somos animais e em todos os animais existe competição directa por domínio numa comunidade. Como animal existiriam sempre elementos alfa que teriam a necessidade de dominar seja com violência física ou psicológica. Existiria frustração sexual que continuaria a gerar violência, violações e pedófila. Existiria preconceito racial.
Todo o tipo de crimes continuaria a existir, excepto burlas, furtos e crimes ligados ao dinheiro.
Todo o tipo de crimes continuaria a existir, excepto burlas, furtos e crimes ligados ao dinheiro.
7- Mesmo que todos os processos na vida humana e na constituição de uma nova sociedade sejam automatizados, concordo que isso não nos levará a nos tornar-mo-nos apáticos e que continuaremos a estudar, evoluir, inventar com vista ao auto-melhoramento. A ciência tal como a arte irá sempre ser um prazer e não havendo trabalho, a nossa criatividade será desbloqueada e portanto viveremos numa idade de ouro criativa. No entanto viveremos numa dependência total de máquinas que como tal irão impor a lógica às nossas vontades pois não serão nunca capazes de entender a emoção que nos leva a sentir certas necessidades ilógicas. No entanto tal como haverá um aumento de pessoas criativas, haverá um aumento de pessoas destrutivas e nem todas as destrutivas se contentam em ser críticos literários ou de arte.
Estes não são os pontos fulcrais, são meramente exemplos. Uma constante nos sentimentos humanos é a necessidade de liberdade. Qualquer dependência nos faz sentir presos e a resposta humana será sempre a tentativa de nos libertarmos. Nós somos assim nas nossas funções e desejos mais simples, procuramos o amor sabendo que ele em maior ou menor escala nos prende e assim que o encontramos queremos liberdade sem que isso signifique fugir ao objecto amado. É a constante insatisfação humana que nos irá sempre impedir de sermos dependentes do que quer que seja.
A minha opinião não tem como objectivo derrotar ideias, e nelas incluo o Venus Project, tem sim como objectivo salientar que mostrando o lado bom de uma ideia não faz dela boa e muito menos, perfeita. Espero sim, que este projecto seja o exemplo do qual possam nascer dezenas de novas ideias e projectos onde um deles será não perfeito mas o mais lógico e humano.










