Stop the Tuga press

Stop the press é o termo usado quando surge uma noticia que merece toda a atenção da redacção. Normalmente noticias de primeira página. Para o jornal Expresso, Stop the press parece ter um significado diferente.

Foi com grande surpresa que li a notícia do Expresso dizendo que irá revelar o conteúdo de alguns dos documentos wikileaks relativos a Portugal. A surpresa não foi tanto por irem revelar mas sim por dizerem que irão revelar. Li a notícia e percebi que por outras palavras dizem o seguinte:

"  Serve esta notícia para informar que vamos ter notícias em breve. Mas se esta notícia tiver uma reacção desagradável das autoridades, iremos improvisar algo de forma a agradar a Gregos e Troianos!"

A sério... porque raio um jornal publica algo dizendo que vai publicar algo? O que vamos ver em breve? Uma notícia de primeira página dizendo: "O jornal Expresso noticia em primeira mão que amanhã  vai morrer alguém". Sinceramente o jornal Expresso cada vez desilude mais. Esta notícia parece-me aquelas discussões dos putos em que um diz que faz e desfaz e no fundo não faz nada. Quem faz, faz, não ameaça, pois quem ameaça raramente faz... Quem muito fala, pouco falo!

É interessante como o Expresso nesta "notícia" se esforça para explicar como conseguiu os documentos, visto que está a participar no bloqueio ao site Wikileaks. Quer dizer, estão contra o wikileaks e insinuam ir fazer uma investigação responsável dos documentos expostos por este site , os quais conseguiram através de um outro jornal porque estão contra o site em si. Ou seja, se o Wikileaks não presta e é criminoso e se recusam a usa-lo, o que podemos esperar da análise deste jornal aos documentos expostos por este "criminoso" site?

Cá para mim é mesmo isto, uma ameaça para ver como as autoridades reagem. Se elas se calarem é porque consentem e o Expresso escreve o que entender. Se as autoridades condenarem, o Expresso terá muito cuidado com o que irá publicar e provavelmente terá um assessor do Sócrates presente com um lápis azul. Estou inclinado para a segunda opção, depois de ler esta noticia:



O Expresso deve de ir fazer uma rica "investigação", repleta de "noticias" completamente "objectivas" e "imparciais", mas cá estarei para ler, confirmar, discutir e ridicularizar!

Não sei se repararam na minha utilização de aspas, no último parágrafo para expressar ironia. Faço-o para homenagear uma outra noticia (no meio de muitas... ou todas), do Expresso, onde usam umas aspas hilariantes. Aliás, o Expresso usa e abusa de aspas sem sentido nenhum:

Apesar das citações poderem ser substituídas pelo travessão, são muitas vezes usadas as aspas, em particular na língua Inglesa e Alemã, mas será que faz sentido citar tantas palavras soltas e frases  incompletas colocadas em contextos por palavras não citadas? Será isto noticiar ou construir notícias? Ora, vejamos:

1- Logo no título citam a palavra caótica, mas não citam a palavra situação. O que é caótica afinal se não a situação?

2- "Nas ruas de Tripoli vive-se um cenário de "tiros" e "destruição", relataram os portugueses..." Neste caso eu percebo a minha utilização de aspas (a negro), mas fico na dúvida se as aspas deles (a vermelho) são citações ou ironia. Se já todos ouvimos e vimos vídeos de tiros e destruição, não vejo necessidade de citar estas palavras por precaução, pois é facto e não há risco em afirmar e assumir a afirmação. Porque raio o e que liga tiros a destruição fica fora das aspas?

Esta noticia parece uma colagem covarde de citações soltas onde a cola são as palavras do jornalista. Não faz sentido citar frases incompletas ou palavras soltas ligadas por palavras que desta forma dão a entender que não foram ditas pelo entrevistado. Isto é o "melhor" do jornalismo no Expresso! Eu leio, nestes casos, as aspas em palavras soltas como possível ironia e querendo dizer o oposto do que foi escrito pois a serem citações reais tenho a certeza (porque ouvi) que muito do que está fora de aspas foi dito e portanto deveria ser também citado. 
Em noticias é necessário ser claro, objectivo e não deixar dúvidas sobre o que é escrito. Se querem citar, citem toda a frase entre aspas, caso contrário eu, e muitas pessoas irão ler uma "noticia" repleta de ironia!

Se isto não é um ditado popular, deveria ser: Prefiro levar dois tiros entre aspas, do que um entre os olhos! 
Se alguém me diz - dou-te um tiro na tromba - eu sei o que ele/ela quer dizer, mas se me dizem - dou-te um "tiro" na tromba - eu fico na dúvida...

Vamos ver o que aí vem... Já tenho os ficheiros Wikileaks prontinhos para confirmação!

8 Comentários:

  Ana

domingo, fevereiro 27, 2011 1:34:00 da manhã

O expresso já saiu e já publicou supostos telegramas :D

  : ) 2GuD - :P 2Bi2

domingo, fevereiro 27, 2011 3:57:00 da manhã

Que risota "."

  Bruno Fehr

domingo, fevereiro 27, 2011 11:47:00 da manhã

Infelizmente os documentos só foram publicados na edição em papel e local onde me imprimem as publicações portuguesas está fechado aos domingos. Só quando tiver acesso a ele poderei procurar os cables nos meus documentos.

  Ana

domingo, fevereiro 27, 2011 10:18:00 da tarde

Ainda ontem estive com ele na mão, tivesse lido isto antes e mandava-te um scan... sorry...

Basicamente diz o que está na capa, que Portugal compra brinquedos caros por orgulho e complexo de inferioridade. Mas confesso que dei comigo a pensar, e isto é alguma novidade?... e outras coisas, claro (como, ah pois, e os EUA compram por complexo de superioridade...), mas, especialmente, que não ia trazer nada de novo. E q não me queria irritar. Por isso não abri o jornal nem o trouxe emprestado :DDD


vani.

  Storyteller

segunda-feira, fevereiro 28, 2011 3:57:00 da tarde

Gostaria de fazer um pequeno esclarecimento técnico: o «Expresso» (entre aspas porque não tenho forma de colocar o nome em itálico, já que os nomes das publicações impressas devem ser escritas em itálico; na sua impossibilidade, devem ser escritos entre aspas) utilizou várias vezes as aspas não como ironia mas sim porque estava a citar declarações. É uma regra básica do jornalismo: toda e qualquer citação deve ser colocada entre aspas.

  Bruno Fehr

segunda-feira, fevereiro 28, 2011 6:03:00 da tarde

Storyteller:

"utilizou várias vezes as aspas não como ironia mas sim porque estava a citar declarações. É uma regra básica do jornalismo: toda e qualquer citação deve ser colocada entre aspas."

As regras básicas do jornalismo, eu não conheço, mas não deveriam entrar em conflito com a compreensão do texto e neste caso deixam sérias dúvidas.

Dei o exemplo flagrante de uma citação que causa dúvidas. Se o entrevistado disse: "a situação aqui é caótica e complicada (referindo-se ao aeroporto)", não entendo o motivo de citarem "caótica" e "complicada", onde nem o "e" é citado. Outra citação selectiva é a parte dos "tiros" e "destruição" quando na verdade toda a frase é a citação, de acordo com o que foi mostrado na TV.

Segundo as regras das citações: "As citações devem ser fiéis, transcrevendo-se as palavras tal como estão; não se devem eliminar partes do texto sem que isso seja assinalado (...)". Da mesma forma não se devem citar palavras soltas quando toda a frase faz parte da citação.

Uma outra regra da citação diz: "Citar é como testemunhar num processo. Há-se que estar sempre em condições de retomar o depoimento e demonstrar que é fidedigno, por isso a referência deve ser exacta e precisa (...) Outra situação será uma cópia do texto, ensejando citações sem aspas, o que será um plágio."

Este jornal cita fora de aspas a toda a hora, escolhendo colocar palavras soltas dentro de aspas o que de facto poderá ser interpretado e significar ironia. Fazem citações incompletas o indicar.

Se isto são regras de jornalismo, então precisam de regras novas.

  Storyteller

terça-feira, março 01, 2011 2:02:00 da manhã

Sem querer defender o «Expresso» (que sim, é o melhor jornal publicado em Portugal; que sim, é o jornal de referência, por excelência), até porque não é o «Expresso» que me paga o salário, já pensaste que, provavelmente, as palavras em aspas, que destacas, foram repetidas uma e outra vez por mais que uma pessoa? Que, provavelmente, terão sido ditas por várias pessoas? Não faria qualquer sentido estar a citar várias pessoas, quando a ideia é apenas uma.
Também já pensaste que a tal frase que referes como tendo sido veiculada pela TV possa não ter a mesma fonte que a frase que o «Expresso» citou?
Se calhar, antes de fazermos ataques aos nossos jornais e aos nossos jornalistas deveríamos fazer uma análise das nossas motivações e percebermos se não será má-vontade, pré-conceito e desconfiança «a priori» da nossa parte.
Será que não vale a pena pensar nisto?

  Bruno Fehr

terça-feira, março 01, 2011 3:57:00 da manhã

Eu troco o teu "é" por o meu "foi". Esse jornal foi, não O mas, um dos melhores até às recentes trocas e baldrocas de jornalistas e cronistas que se verificaram não só neste jornal mas também na TV. Trocas que colocaram quer no Expresso quer na TVI pessoas mais pró-PS, em particular pró-Governo.

Temos a prova cabal nos cables que este jornal publicou e que estão censurados. A publicação online por .pdf é o equivalente a uma citação e essa é da responsabilidade do autor da mesma e nenhuma censura "pendente de uma investigação" poderá ser aceite. Se não investigaram, adiavam a publicação. Se não adiaram é porque não tencionam publicar as partes censuradas ou quando o fizerem já o tema estará a cair no esquecimento.

Temos também a insistência recente de todos os dias falarem nos juros da dívida portuguesa, o que não passa de uma acção pró-governamental de desculpabilização do Estado e culpabilização do BCE. Os problemas de Portugal não foram causados pelo aumento dos juros mas sim pelos gastos descontrolados, principalmente, dos governos socialistas.

"Se calhar, antes de fazermos ataques aos nossos jornais e aos nossos jornalistas deveríamos fazer uma análise das nossas motivações e percebermos se não será má-vontade, pré-conceito e desconfiança «a priori» da nossa parte."

Mas isso eu assumo. Eu não estou a gostar desta nova linha suave de aparente irreverencia deste jornal e por isso me insurjo contra ela. Sou assinante deste jornal e a minha análise não se limita a uma noticia mas sim a todo o jornal.

Eu sou um mero bloguer e não jornalista, eu não tenho de noticiar ou sequer de ser imparcial (imparcialidade que é também praticamente inexistente no jornalismo actual).

Massagens de jornalistas e jornais ao Estado, serão sempre severamente criticadas por mim, da mesma forma que eu posso ser criticado pelos comentadores.

No meu blogue ainda só critiquei este jornal uma vez (se não estou em erro), tenho reservado as minhas criticas ao site deles, do qual sou comentador assíduo.