Sei bem que vou falar do Millenium BCP brevemente, acho o caso que vou referir bem mais grave.
Uma grande fatia das receitas de Portugal vem da diáspora. O dinheiro que os imigrantes mandam diariamente para Portugal é essencial para a economia nacional, no entanto as entidades privadas não querem saber disso.
Apesar de onde moro existir uma delegação do BPI, anda por aqui um representante que não trabalha nessa delegação. Este senhor possui uma interessante base de dados sobre os imigrantes, em particular das suas profissões e só anda a contactar certos imigrantes e não todos. Parece haver um interesse particular pelos chamados imigrantes de sucesso.
Apesar de eu estar fora da "rede" e completamente integrado na sociedade do país onde resido, através de uma recomendação de terceiros, este senhor chegou até mim. Apresentou-se como representante do BPI e recebeu logo um "fora" meu, pois estou satisfeito com o meu banco. No entanto ele insistiu e ofereceu-se para me apresentar uma proposta durante um jantar que seria pago pelo BPI.
Ao entregar-me o seu cartão, reparo em algo estranho, o logotipo do BPI não era laranja mas sim azul. O senhor sorriu e louvou a minha capacidade de reparar em detalhes (o chamado lambe-botas).
No fundo o BPI de logo azul é o departamento offshore do BPI, aquele que contorna a lei portuguesa e Europeia fazendo dinheiro desaparecer.
Basicamente a proposta deste senhor é que eu lhes confie o meu dinheiro, fazendo-o desaparecer do sistema, não tendo de pagar impostos nacionais e fazendo-o reaparecer num "offshore" mais exactamente em Singapura. Tudo isto em troca de uma comissão.
O processo é relativamente simples: O dinheiro entra numa conta anónima do BPI, a qual será da responsabilidade deste "gestor de conta", que por sua vez o faz desaparecer, transferindo-o para Macau depois de uma passagem pela Madeira. De Macau é enviado para Singapura, voltando eu a ter controlo sobre esse dinheiro.
De facto, o dinheiro que tenho no banco aqui, já pagou impostos e por isso nada tenho a ganhar com um offshore, este processo é recomendado para quem tem dinheiro "negro", dinheiro que se recebe sem que impostos tenham sido pagos e que por isso não podem aparecer de qualquer maneira em contas bancárias.
No site do BPI não encontro nada sobre esse departamento de logotipo azul. Fui a um site onde podemos obter informação sobre bancos e suas actividades e fica claro que o BPI usa destas estratégias:
O dinheiro entra no BPI português:
E termina no BPI Philipino expandido para Singapura?:
É interessante saber que um dos maiores grupos financeiros português, está a prejudicar Portugal desviando fundos essenciais ao não agravamento da actual crise.
Claro que isto é uma critica a uma actividade corrupta, mas se o BPI o faz certamente que os outros grupos privados de Portugal o fazem, imitando a tendência corrupta da banca mundial.
Se eu ou vocês abrirem uma conta offshore ou onshore num paraíso fiscal, evitando pagar impostos estamos a violar a lei. Se um banco oficial o faz estão unicamente a contornar a lei. É como, quando alguém rouba uma carteira com 5 Euros, roubou e quem rouba um saco azul com 10 milhões de euros, desviou. A lei é justa para alguns. A lei é severa para alguns. A lei só se aplica a alguns...