Como referi neste texto sobre os vários milhões de Euros investidos na cantora alemã que venceu o último festival da canção, a manipulação do vencedor continua na Alemanha. Como seria de esperar a vencedora do ano passado foi a escolhida para representar a Alemanha e defender o seu título. Algo inédito aconteceu este ano... ao passo que cada concorrente, concorreu com uma música, esta rapariga foi autorizada a concorrer com 10 músicas e obviamente venceu novamente.
Se analisarmos a actual tendência deste festival, ele está a apostar no que realmente vende, deixando de ser um festival série B no mundo da música, semelhante ao festival de Cannes no cinema. Vejamos:
Em 2006 venceu a Finlândia com o tema "Hard Rock Halellujah" de Lordi. Um tema em Inglês que poderá ter provocado diversos enfartes nos velhotes menos habituados ao metal. Sem dúvida que era o melhor tema do concurso e um dos melhores temas de sempre. Esta vitória surpreendeu-me pois raramente ganha o melhor neste festival e esta vitória mostrou que este concurso gerido por múmias estava a prestar atenção ao que realmente vende.
Em 2007 venceu a Sérvia com o tema "Molitva" em que ao minuto 01:04 ela parece cantar "comigo puta...". Foi um regresso às origens, onde apesar da excelente voz o tema não venderia fora da Sérvia.
Em 2008 venceu a Rússia com o tema "Believe", uma balada em Inglês 100% comercial, seguindo a mudança de rumo iniciada em 2006.
Em 2009, venceu a Noruega com a canção "Farytale", que é uma música pop em Inglês que poderia ter sido cantada por um qualquer gay tipo Ricky Martin, se não fosse a óbvia influencia Celta do tema, influencia essa muito usada pelas bandas nórdicas com boa aceitação mundialmente.
Em 2010 foi a vez da irritante música "Satelite" da representante alemã, com uma letra de merda cantado numa frustrada tentativa de sotaque britânico, e que se tornou numa espécie de hino na Alemanha. Mais uma vez salientou a tendência do festival Eurovisão de se aproximar do que realmente se vende. No caso de "Satelite" é uma música que pode, foi e é passada em clubs nocturnos por ser dentro da actual vaga pop.
E o que faz Portugal? Portugal em vez de evoluir retrocedeu até aos tristes anos 70, escolhendo um palhaço (digo palhaço com todo o respeito pela profissão e porque é o que o Jel faz e sempre fez), com uma música de intervenção ao estilo de Zeca Afonso.
Recuso-me a acreditar que é o povo que escolhe o vencedor. As chamadas telefónicas para votar, servem unicamente para cobrir as despesas do espectáculo. São exactamente como aquelas chamadas que fazemos para doar dinheiro que desaparece e não vai para a causa anunciada.
Vamos ter um grupo de palhaços, usando o estereotipo de português atrasado que vive ainda em Abril de 1974, onde a economia nacional ainda é peixe, pão e vinho. Acho incrível que quando escrevi um texto sobre o 25 de Abril referindo-me a essa revolução como "A revolução inacabada" (termo não criado por mim, mas sim por intervenientes dessa revolução) e nesse texto ter adicionado uma letra humorística a ser cantada ao som de "Grândola Vila Morena", gerei uma onda de protestos na blogosfera devido à minha falta de sensibilidade em brincar com o tema. No entanto estes palhaços vão representar Portugal numa paródia ao 25 de Abril. Esta não é uma música de intervenção, é uma paródia.
Será que todos os portugueses adoraram o tema e por azar nenhum deles estava presente naquela noite? É de estranhar que uma vitória tão clara não tivesse apoio do público presente que protestou e abandonou o recinto.
Na actual situação económica e politica actual de um país em negação da falência em que vive, nada melhor, politicamente, do que mandar uns gajos à Europa a cantar merdas sem sentido como "Luta é alegria", passando a mensagem que mesmo sem dinheiro estamos super contentes e se protestamos é por divertimento pois na verdade gostamos de uma boa enrabadela politico-económica desde que não nos falte o pão e vinho.
Este tema, a representar o meu país, envergonha-me como português. Não consigo, nem quero acreditar que os portugueses votaram nesta merda e se votaram, só posso dizer que tenho imensa pena da vossa falta de visão, falta de cultura, falta de gosto e falta de inteligência e que devem sair dessa mediocridade intelectual que é a responsável pela actual situação do país.
Aos que se sentirem ofendidos por estas minhas palavras, cliquem na cruz vermelha no canto superior direito e vão dormir que o vosso mal é sono!
Portugal é a ovelha negra deste festival, nunca ganhou e já nos habituou a terminar com 1 ou zero pontos. Este ano serão zero pontos, nem se Portugal pudesse votar em Portugal, este tema iria ter um único ponto. Merda é merda e o país e seu povo mereciam mais e melhor nesta fase difícil.
Faz exactamente 20 anos que não vejo um festival da canção. O último que vi na totalidade foi o de 1991 em que Portugal ficou em oitavo lugar, tendo estado em terceiro até aos últimos votos, com aquele que foi de longe o melhor tema que representou Portugal, com a melhor voz e foi o melhor tema daquela edição. Nessa edição percebi a politização do festival e a sua relação directa com o que se passa politicamente na Europa e neste momento é necessário masturbar a Alemanha que é a economia que está a sustentar uma Europa falida e sem rumo.





