Abusos de direitos de autor

Abusos de direitos de autor é algo que é visto de um só lado. Quando se diz que alguém abusou de direitos de autor, pensamos sempre num terrível pirata moderno agarrado a um PC a fazer downloads e uploads de filmes e música ou de alguém a fazer copy/paste de textos de terceiros no seu blogue, ou pensamos até no Tony Carreira. Mas há o outro lado, os novos abusadores de direitos de autor, ou seja, aqueles que mandam E-mails para sites reclamando direitos de autor que não são seus.

Foi com surpresa que recebi um E-mail que colocava dois ficheiros meus, guardados num serviço online de armazenamento de dados, na categoria de abuso por violação de direitos de autor. Como estou de férias, nem perdi muito tempo com o assunto mas foi o suficiente. Simplesmente exigi saber quem apresentou a queixa e ao obter resposta fui investigar.

A reclamação, de estar em posse ou representar o proprietário, de direitos de autor sobre as obras na minha conta, veio do senhor Hervé Lemaire, nome que em poucos segundos me levou ao seu site www.leakid.com, onde o principal serviço que ele vende é detectar pirataria online. É como que um caçador de prémios, ele apresenta queixas de abusos de direitos de autor em tudo quanto é site que encontra, desta forma publicitando o seu nome, E-mail e nome da empresa. Em pouco tempo estes sites são inundados de queixas deste senhor e o site alvo começa a punir os usuários por pensar que este senhor tem um poder imenso e uma carteira de clientes gigantesca. Não tem! O que ele faz é: manda retirar o material aleatoriamente como forma de pressão, e no meio desse material aquele que ele tem como alvo e com o qual tentará ganhar dinheiro. Por um lado contacta a empresa que vende o produto e tenta receber uma gratificação e por outro lado tenta receber parte da multa de 35 dólares que estes sites passam aos usuários que violam os direitos de autor. Só uma em cada 10 queixas deste senhor é que lhe rendem capital, a maioria é só mesmo publicidade e uma forma de manter pressão sobre estes sites de partilha de ficheiros e dar poder ao seu nome.

Contactei este senhor, que duvido que me irá responder com algo que não seja "erro de sistema de detecção de pirataria" e desafiei o site em questão, pois neste caso o Sr. Hervé cometeu um erro enorme por confiar no seu motor de busca automático... Este senhor reclamou ter direitos de autor ou representar quem os tem sem ter reparado que os ficheiros eram:

Sun-Tzu - The art of war
Shakespeare - Romeo and Juliet

O primeiro foi escrito em 6 BC, traduzido para Inglês em 1905. O segundo foi escrito por volta de 1595. Obviamente que são trabalhos que não foram incluídos no Copyright Act de 1976, pois quando ele foi criado já não havia direitos de autor nestas obras. Mesmo que estivessem incluídos não  conseguiriam fugir ao facto de que os direitos de autor possuem a duração da vida do autor mais 75 anos.

Estes são os novos piratas, os que dizem estar do lado da lei e tentam tramar os incautos. Mas... com tanto ficheiro online ilegal, quais serão as probabilidades de fazer uma falsa acusação de violação de direitos de autor a um teimoso português de férias, perdido algures na Roménia, com imenso tempo livre e que até gosta de guerras destas? 
Só porque posso, vou terminar com umas palavras dirigidas ao senhor Hervé Lemaire, para que ele decida se quer também exigir que este blogue retire as palavras de Shakespeare (foi para que chegue até aqui, que linkei o seu site), as quais ele alega ter direitos de autor ou representar o autor. Não sei bem e acho que este pobre homem também não sabe:

"Assim a todos nos faz covardes nossa consciência,
Assim o grito natural do ânimo mais resoluto
Se afoga na pálida sombra do pensar
E as empresas de mor peso e alto fim,
Tal vendo mudam o seu rumor errando
E nada conseguindo! Sossega agora..."
                                --Hamlet - William Shakespeare

Adenda: Ao publicar o texto reparei que recebi resposta do Sr. Hervé... tal como previ uns parágrafos acima: 

A lista de Schindler Aristides

É complicado ser-se Português e ter o devido reconhecimento internacional das suas acções. Apesar de em 1415 os portugueses terem iniciado uma era chamada de descobrimentos. Apesar de em 1488 Bartolomeu Dias ter transformado o Cabo das Tormentas em Cabo da Boa Esperança ao transpor esse obstáculo. Em 1492 Cristóvão Colombo chegou à América e hoje todos falam dele, do navegador que não se sabe se era Português ou Italiano e que a maioria dos Americanos acham que era Espanhol. Até Hollywood fez um filme sobre a viagem em que Colombo falava... Espanhol.
Colombo abafou todos os nomes antes dele e nem Vasco da Gama que em 1497 partiu a caminho da Índia ou a chegada de Pedro Álvares Cabral em 1500 ao Brasil, destronaram o "homem sem pátria", Colombo. Será que as outras viagens não davam um filme, quem sabe, melhor?


 (Aristides Sousa Mendes)

Mas o esquecimento, ou pelo menos a falta de protagonismo, dos feitos dos Portugueses não ficam por aqui. Hollywood louvou um homem chamado Oskar Schindler num filme chamado: "A Lista de Schindler", por este homem ter salvo 1.200 judeus da morte. Este filme custou 25 milhões de dólares. Admito que nunca tinha visto este filme, primeiro por conhecer a história e em segundo por toda a gente falar bem do filme, tal como nunca vi o: "Em busca do soldado Ryan", pelos mesmos motivos. Mas estando eu de férias, lá me convenceram a ir a um cinema obscuro numa terra desconhecida, ver a história do Sr. Schindler.


(Oskar Schindler e sua esposa)

Mas há um outro nome que não merece a atenção de Hollywood, mas que tem já um filme com um orçamento 9 vezes menor realizado por Francisco Manso e João Correa, graças a uma parceria Luso-Espanhola, Belga e Brasileira.
O filme é sobre a vida de Aristides Sousa Mendes, Cônsul de Portugal em Bordéus que à revelia de Oliveira Salazar passou mais de 30.000 vistos de entrada em Portugal. 


(Aristides Sousa Mendes)

Schindler salva 1.200 é relembrado mundialmente é um herói na Alemanha, EUA, Israel. e  por todo o mundo. Aristides Sousa Mendes salva 30.000 e a sua memória fica em segundo plano.

Aristides Sousa Mendes é, desde que saiu o filme "A Lista de Schindler", minimizado ao ser chamado de "o Schindler português", desculpem mas isto é hipocrisia demais, então um homem que salva 25 vezes mais pessoas fica apelidado como se tivesse ficado aquém de Schindler? Schindler é que deveria ser apelidado de "Aristides Sousa Mendes Checo".



"Ah e tal Schindler arriscou muito era membro do Partido Nazi", desculpem Schindler era um empresário que se tornou membro do Partido Nazi para poder usufruir do trabalho escravo dos Judeus e desta forma ter feito fortuna. Se bem que gastou grande parte dela a salvar 1.200 judeus, quantos é que ele escravizou até ter feito essa fortuna e ter acordado para a realidade? O que seria o pior que poderia acontecer a Schindler? Perder toda a sua fortuna! No entanto ele viveu, tendo iniciado e perdido vários negócios, livre.
Aristides Sousa Mendes era Fascista e politico e como tal sujeito a piores castigos que um empresário. O que seria o pior que poderia acontecer a Aristides? Ser condenado por traição à pátria! No entanto não foi, mas perdeu o seu trabalho, a sua licença de advocacia, a sua carta de condução e passou a viver de caridade após ter tido de vender tudo o que possuía. Quando morreu foi enterrado com um hábito Franciscano pois nem um fato lhe restava. Ele viveu recluso da sua boa acção.



Israel deu honras a Schindler em 1958 quando o considerou uma pessoa justa e o convidou a plantar uma árvore na Avenida dos justos. Nesta Avenida há uma árvore dedicada a todos os não judeus que salvaram vidas judaicas. Apesar de Israel ter sido o primeiro país a reconhecer os feitos de Aristides Sousa Mendes, a árvore dele foi já a título póstumo e o seu nome louvado muito depois do de Schindler.

Bastidores da musica (Parte 30) Karaté Kid 2010

Estou a voltar à série "Bastidores da música", pois a série ainda não chegou ao final que lhe dei, mas também porque assisti hoje a um novo filme onde uma música com conteúdo sexual foi usada numa cena com crianças de 10 anos, num filme direccionado maioritariamente a um público juvenil. 

O filme é o novo Karaté Kid (2010) e a música é uma de que já falei na parte 15 desta série: Poker Face (Poke her face) da Lady Gaga.

Para quem não sabe do que falo, poderá ler a parte 15 novamente, para quem não quer ler eu relembro que o refrão da música é supostamente "Popopo poker face, Popo poker face", mas na verdade o que é cantado é: "Popopo poke her face, popo fuck her face", onde nem era necessário ela pronunciar o fuck, visto que poke her face é o acto sexual de irrumação.

Agora reparem bem nesta cena da versão de 2010 do filme Karaté Kid que está nos cinemas:





A música já foi desmascarada vezes sem conta. A própria Lady Gaga obriga os jornalistas a assinar termos de responsabilidade em como não farão perguntas sobre esta música... e mesmo assim colocam exactamente esta parte da música, numa cena com crianças? Será um presente para os amigos pedófilos destas bestas maçónico-illuminati?

Reparem que cortei a cena no final da actuação da menina de 10 anos... e o que disse a máquina? "You're hot!". Há uns tempos escrevi uns textos sobre mensagens pedófilas escondidas em filmes infantis e recebi comentários de que eram interpretações minhas e que tudo poderia ser interpretado de outra forma. Será que um fuck her face enquanto uma menina de 10 anos está a dançar pode ser interpretado de uma forma educativa? Quem achar que sim, por favor, tente fazê-lo na caixa de comentários.

NOTA: 30 segundos após ter feito o upload do vídeo, ele já estava bloqueado em 18 países. Não aguentou online nem 10 minutos. Mudei o vídeo do Youtube para o GoogleVideos, pode ser que se aguente mais tempo. Caso não consigam ver, podem fazer o pequeno download, aqui.