A segurança social

Vou vos contar uma história actual, que acho que é importante nos tempos que correm. Precisamos ter consciência de que as autoridades já perderam a noção dos seus limites e que violam os nossos direitos porque nós o permitimos. Porque apesar de ser ilegal alguém alegar que desconhece a lei, a verdade é que a população a desconhece e é verdade que as nossas autoridades a desconhecem.


Um casal meu amigo, tem dois filhos, um menino de 11 e uma menina de 12 anos. Ele é militar, ela é jornalista. Ele sente-se pressionado no seu serviço, ela sente-se limitada. Com o que se está a passar actualmente eles decidiram para bem dos filhos criar um plano B. Possuem uma casa fora da cidade, equipada com o essencial em caso de catástrofe ou crise mundial. Possuem furos de água com filtros, possuem geradores e um stock de sementes para poderem plantar alimentos. ISTO NÃO É ILEGAL. Além disso, conversam abertamente com os filhos, explicando para que serve tudo aquilo e em que circunstancias irá ser usado. ISTO NÃO É ILEGAL.

Na escola as crianças falam, este casalinho falou com uma outra menina, perguntaram se os pais dela também estavam preparados. Essa menina foi perguntar aos pais. Os pais ligaram para a segurança social, dizendo que aquelas crianças andavam a ser molestadas mentalmente.
Até aqui tudo bem. Cada um educa os seus filhos da melhor maneira que sabe, e todos devemos denunciar maus tratos. Mas as entidades governamentais, que são nossos funcionários precisam respeitar a lei antes de a fazer cumprir.

A segurança social dirigiu-se à escola, entrevistou as duas crianças numa sala fechada sem pais, professores ou directores da escola presentes. A escola violou a lei, a segurança social violou a lei. No final do interrogatório, um elemento da segurança social deu o seu cartão a uma das crianças para que os pais dela entrassem em contacto com ele.


Assim que as crianças chegaram a casa, imediatamente a mãe telefonou para esse senhor, descompondo-o e perguntando o que caralho ele achou que estava a fazer ao interrogar dois menores em privado. Numa atitude de bem feitor fascista, ele ameaça esta mãe exigindo uma reunião. Durante 3 dias e um fim-de-semana, eles receberam dezenas de chamadas e mensagens da segurança social, exigindo uma reunião.

Após consultarem um advogado, estes pais redigiram um contrato em que especificava que a reunião seria concedida assim que a segurança social apresentasse uma acta da queixa. Já passou um mês, e a segurança social que ligava 3 a 5 vezes por dia nunca mais ligou.

O que é que isto quer dizer?
Quer dizer que qualquer pessoa pode telefonar anonimamente dizendo que A, B, ou C maltrata os seus filhos e é a função da segurança social actuar, MAS DENTRO DA LEI. O que é feito é a segurança social ir a vossas casa e pedir para entrar, ao autorizarem a segurança social a entrar em vossas casas, entraram em contrato com eles dando-lhes jurisdição sobre as vossas casas e isso é o principio do fim. A segurança social tem de apresentar provas de uma queixa formal, no caso de ser anónima tem apresentar provas de um processo iniciado pelo ministério público, caso contrário eles só vos podem atacar se vocês entrarem em contrato com eles, e isso é dar-lhes acesso aos vossos lares. Mesmo no caso de uma denuncia anónima podem exigir a identificação do queixoso, a protecção de quem denuncia anonimamente é ilegal, pois existem imensos montes de merda que podem usar estas não leis para vinganças pessoais.


O simples facto de deixarem uma autoridade entrar nas vossas casas, ou assim que se identifiquem sem terem de o fazer, estão a entrar em contrato com eles, estão a dar-lhes a autoridade que eles dizem possuir mas que a lei não lhes confere. A segurança social age de acordo com estatutos que possuem a força da lei, e a força da lei não é lei é o consentimento da pessoa legal algo que dá a força de lei a um estatuto.

Tenham em mente, que cada cedência que fazem a uma "autoridade" é um contrato que estão a estabelecer, nesse contrato estão a dar-lhes direitos, como o direito de vos interrogar, de vos revistar, etc. Um contrato é sempre bilateral por isso eles precisam de vos dar algo, ou seja, provas de uma queixa, dados sobre uma suspeita, caso contrário estão a violar a lei.

O Prince

O Prince era um Serra da Estrela foi o cão mais estranho que já tive. Tinha uma combinação de genes explosiva, pois na sua descendência havia a mistura desta raça com lobo. Não só ele era um Alfa, em que aparece um no meio de centenas, mas tinha a "unha do lobo" que é um dedo extra em todas as patas, mais ou menos a meio da perna. Estas duas combinações foram para o criador um aviso de cão perigoso. Foi por isto que o escolhi, por o ver como cachorrinho a mamar e todos os outros cachorros nem se aproximavam, esperavam que ele terminasse, com que vendo aquela bola de pelo igual a eles como mais perigosa.


Os primeiros 12 meses com o Prince foram terríveis, tínhamos lutas por domínio. Para o cão eu era mais um macho que ele tinha de dominar e eu não o poderia deixar fazê-lo. Com o tempo venci-o parcialmente, apesar de me ter um respeito imenso sentia-se na responsabilidade de me proteger mesmo contra a minha vontade. O controlo era parcial pois quando ele queria atacar outro cão, só o conseguia parar 8 em cada 10 vezes, tudo dependia da postura do outro cão. Se fosse um cão possante com presença dominadora o Prince sentia-se forçado a mostrar que a sua força era superior. O cão era tão agressivo que relutante acabei por o mandar castrar, pois assim ficaria mais manso. Errado, a castração em nada alterou a personalidade do animal.


A sua natureza selvagem fazia com ele se sentisse mal na cidade. Ele nunca bebeu água de um balde, nem daquelas taças que aqui dão aos cães nos cafés e restaurantes. Ele só bebia de poças de água, riachos e rios. No jardim, tive de improvisar um pequeno lago que enchia de água e cobria de folhas verdes para lhe dar o aroma que o incentivava a beber. Dentro de casa ele só aceitava água... da sanita, chegando ao ponto do WC da cave ser só dele.


Quando ele tinha 5 anos, já 8 seguradoras tinham rescindido contrato comigo, já tinha tido mais de 12 processos judiciais por danos a outros cães, já tinha pago uns bons milhares em indemnizações. Nenhuma companhia o queria passear enquanto eu trabalhava. Comecei a contratar só homens, estudantes ou desempregados com bom porte físico para o passear sem nunca o deixar solto. Um desses homens foi um Ucraniano de 1,90m e excelente porte físico, a quem o Prince partiu um braço e o arrastou pelo passeio, só para ir morder num Pastor Alemão de um vizinho meu, que o meu cão odiava.

Certo dia fui de férias, deixei o Prince tal como a Monalisa e a Shiva num hotel. As instruções deixadas eram claras, Não deixar o Prince solto com outros machos, unicamente com fêmeas, pois ele nunca mordia em fêmeas. A meio das férias telefonam-me, o Prince envolveu-se numa luta com um Pitbul e durante 20 minutos ninguém naquele hotel conseguiu separar os dois. O pitbul sobreviveu à luta e à cirurgia mas faleceu horas depois, e o meu cão teve de se submeter a 6 cirurgias para recuperar o andar.


Ao descreve-lo assim faço-o parecer um monstro mas não era. Com os seus 98Kg e o seu pelo longo amarelo, ele parecia um urso, era gigantesco e não passava despercebido na rua. Toda a gente lhe queria tocar, algo que o aborrecia. Adorava crianças e deixava-se montar por elas, e se o deixava com uma criança ele não tirava os olhos dela, não deixava que nenhum desconhecido se aproximasse dela. A agressividade dele era sempre territorial em relação a outros cães, machos e de grande porte.

Em Janeiro de 2006 foi detectado cancro no sangue do Prince no final de Agosto apesar da força dele eu notava as dores que ele sentia. E matei-o. Chamei o veterinário lá a casa e assinei a autorização para a injecção letal. Até ao veterinário vir brinquei com ele, abracei-o e ele olhava para mim. Ele sabia o que eu ia fazer, eu conseguia ler isso nos seus olhos.


Mandei-o entrar na parte de trás da carrinha, que acabei por vender por me lembrar dele, e lá dentro o veterinário deu-lhe a injecção letal; deu-lhe uma, duas, três e o cão estava ali vivo cabeça no meu colo que só levantava para olhar para mim, parecia dizer que compreendia o que eu estava a fazer, mas eu não compreendia a minha decisão. Perguntei ao veterinário o que se passava e ele só me disse que nunca tinha visto um animal a aguentar tanto. Acabou por levar 5 doses. Demorou tanto tempo, eu queria controlar as lágrimas porque ele observava-me com os olhos super brilhantes, e lentamente senti-o partir. No final paguei ao veterinário sentindo um ódio terrível daquele homem, só para após ele ter saído sentir ódio de mim próprio.

Agora, dois anos depois da partida prematura do Prince, tenho a minha Monalisa, mais velha que ele, com a mesma doença. Leucemia. Acho que a Leucemia é o meu mau Karma que me persegue e insiste em levar de mim aqueles que me são importantes, como se fosse uma espécie de equilíbrio universal o facto de eu ter de ver tudo e todos partirem. Como se eu tivesse de arcar com a negatividade para que outros tenham alegrias.
Todos os dias vejo-a partir lentamente, está muito mais fraca do que o Prince alguma vez teve mas não noto dor, só a noto triste.

Vejo a forma como a minha outra cadela, a Shiva, trata a Monalisa. Não a deixa 1 segundo sozinha, vai-lhe buscar bolas, bonecos e sapatos meus, tudo para a animar.
Dou por mim a observar tudo isto, e penso o quão fantásticos são os animais, o quanto eles sentem tão ou mais intensivamente que nós, a sua capacidade de amar os donos e outros cães incondicionalmente, estando sempre lá, sempre alegres e não esperando nada em troca. Concluo que apesar de elas precisarem de mim eu preciso muito mais delas.

Escrevi tudo isto como desabafo e como justificação da minha ausência nos próximos dias, estarei por aqui mas muito menos tempo.


Eu sei quando vais morrer

Pois, é... há aqui um site que até tem publicidade na TV que diz saber quando as pessoas vão morrer chegando ao detalhe do dia.


O processo de descoberta é simples, damos o nome, data de nascimento, o sexo e dizemos se fumamos ou não, depois é só carregar em enviar dados para ver o nosso nome numa lápide.

Mas por que raio quereria seu saber o dia em que vou morrer?

Mas como diz o ditado: A curiosidade matou o parvo, e se o parvo vai morrer de curiosidade mas vale saber o dia.
Após um longo processo introspectivo por forma a calcular as implicações dessa informação na minha vida, resolvi carregar em enviar dados.

A informação que recebi não era bem o que estava à espera, pois a morte para me dizer o dia em que me vinha buscar queria o meu numero de telemóvel... não sei, talvez fosse para avisar no caso de eu me esquecer de morrer. Acho que a morte não quer andar por aí à procuras das pessoas, assim poderá marcar um encontro, num sitio agradável. Pelo sim pelo não fui ler aquelas letras pequeninas. Ao ler percebi que saber o dia em que iria morrer me custaria 2,99€ e que receberia a data exacta por telemóvel. As letrinhas diziam mais, diziam que me iam descontar 2,99€ todos os meses até eu cancelar o pedido.

Acho triste, acho que é um sinal que o fim do mundo está próximo. Já sabia que Deus para nos salvar precisava de dinheiro... mas agora até a morte anda agarrada a trocos e precisa de dinheiro para nos vir buscar...