A idade dos Porquês XVIII


Porque motivo chamamos "presentes", a coisas que compramos no passado, para oferecer a alguém no futuro. É que assim que damos o "presente", já o demos e passa a ser passado.
Quando dizemos que recebemos um presente, de facto recebemos no passado. Ao dizer que vamos dar um presente, ele não será dado naquele presente mas sim num futuro próximo. É certo que no futuro haverá presente, mas que passara a ser passado assim que for vivido.

Chamar presentes a ofertas é um bocado parvo...




A foto


Encontrei uma foto tua por acidente. Eu que pensava que todo meu passado estava em álbuns, em minha casa em Portugal e que nada tinha trazido comigo. Nada que me lembrasse da minha vida lá.
Comigo, nesta viagem trouxe roupas que depressa substituí, documentos e um livro que é a minha única ligação a esse passado. E foi lá, nesse livro, que como marcador encontrei uma foto. Não me lembro de alguma vez ter usado uma foto como marcador de pagina e não vejo qualquer sentido, em ela estar lá. Mas estava.

Observei-a. Essa foto trouxe-me uma avalanche de memórias boas e más. Transportou-me para um passado distante. Quase me comoveu. Quase me fez sentir saudade. Quase, mas não senti.
Eu sei que os meus sentimentos não morreram, sei, pois é um facto que consigo sentir e sinto. Mas é também um facto que não me comovo como deveria. Eu não digo que os homens não choram, pois eles choram, eles têm de chorar, mas o tempo passa e essa é uma lavagem de alma da qual pareço estar privado. Tenho tanto para lavar...

E saudades? Acho que só tenho saudades, de sentir saudades de algo ou alguém. Não tenho nunca saudades dos locais onde estive, nem saudades das pessoas do meu passado. Não é justo estar privado de sentimentos dos quais não fujo, nem me escondo.

As imagens, sons e palavras, tocam-me, sinto-os mas não me comovem. Não é justo, por isso continuo na minha odisseia, na minha busca pelo "santo graal"das palavras. Aquelas que me façam sentir, como uma pessoa normal.

Como estás? Gostava de saber se está tudo bem.

Um dia vou sentir saudades, um dia as memórias geladas que tenho da nossa despedida, vão derreter e eu irei deixar-me ir nessa avalanche de lágrimas e saudades, que me levará até ti. Espero que ainda vá a tempo...

Eu sei que consigo sentir, pois apesar da distancia, da desilusão, do gelo, das palavras que nos separam, eu amo-te e tu amas-me. Amor esse que foi turvado pelos teus erros, pelos meus erros, pelos nossos erros. Pois eu sempre que soube que não sou perfeito, tu sempre soubeste que não eras perfeito, mas víamo-nos um ao outro como perfeitos até ao dia que as imperfeições foram expostas e não estivemos à altura de aceitar esse facto.

Por orgulho nos afastámos e ainda não encontrei aquilo que nos poderá juntar, num abraço apertado.

Tu caíste como meu herói, quando não me tentaste salvar de mim próprio. Eu deixei de ser perfeito, quando não aceitei a tua única falha em tantos anos. Os erros que nos separam, são como um oceano enfurecido, para o qual não temos mais do que botes de borracha e uma pequena vela. Qualquer viagem poderá falhar terrivelmente, se os ventos não estiverem a nosso favor. Os laços de sangue, significam pouco quando a ferida está aberta e o sangue jorra pelo chão. Perdendo-se. Sendo renovado por sangue novo sem laços...

Até um dia.

Críticos e direitos de autor


Este é o segundo texto, da segunda fase, da rubrica, Pergunta ao ex-Crest©. Desta vez irei responder a duas questões no mesmo texto, devido a serem dentro do mesmo tema.
Questões colocadas pela: Princesa Mononoke e Lya, respectivamente:

Princesa Mononoke: "Porque é que em Portugal existe tão poucos críticos literários, e os que existem estão "comprados" pelas editoras ?"

Não acho que existam poucos. O nosso mercado é tão pequeno que não justifica haver mais.
Só num país que não lê, é que um projecto de sonho em qualquer país civilizado como a Byblos, dá falência ao fim de um ano. Temos de ter em consideração que Portugal com 10 milhões de habitantes tem 3 jornais desportivos dedicados a futebol, mais do que a Alemanha com 60 milhões de habitantes. É também interessante que A Bola é o artigo de "literatura" mais vendido em Portugal. Isto é um exemplo flagrante dos deficientes hábitos de leitura dos Portugueses.

Os Portugueses são competitivos e escolhem sempre uma equipa e isto inclui os críticos. Por isso eles são sempre tendenciosos, os livros dos amigos, são bons, os livros dos que fazem concorrência aos amigos, são maus.
Sei como facto, que muitos fazem criticas sem ler o livro na sua totalidade, tal é a má qualidades de muitas das criticas.

O que é um critico em Portugal?

1- É um escritor que é mal pago e precisa de escrever criticas em jornais para ganhar uns cobres extra e como escritor é sempre tendencioso, criticando negativamente a concorrência.

2- É um escritor que vende pouco e em Portugal que fala mal dos outros tem audiência e as audiências são publicidade e a publicidade acaba por lhes vender livros.

3- É alguém que gostaria de ser escritor e fala mal porque acha que faria melhor e fala bem para lamber o cu a quem lhe pode dar oportunidades.

Na minha opinião, quem sabe, faz. Quem não sabe fala disso! Agora não acredito que as editoras, forretas e incompetentes como a maioria é, comprem críticos.

Agora a segunda questão, sobre o mesmo assunto:

Lya: "(...)tenho medo de enviar para uma editora que acabe roubando de mim. Devo fazer um registo antes de enviar para eles e informar que tenho direitos de autor?"

Não. Não deve registar a obra antes de enviar. Pode fazê-lo mas não o deve nem precisa fazer. Primeiro, porque a editora irá com toda a certeza fazer alterações, caso queira publicar o seu livro e o resultado será diferente do texto que registou.
Segundo, porque ao informar que fez o registo, está a dizer à editora que não confia nela.

O registo é justificado, necessário e essencial, no caso de querer publicar a sua obra online, tal como já fiz recentemente num blogue.

É certo que uma editora, pode roubar um livro e editar por conta própria sem lhe dizer nada, usando o nome de um outro autor mais conhecido, obtendo uma garantia de maiores vendas, mas uma editora responsável não o faz, não está interessada em manchar o seu bom nome no mercado, ao ser colocada no meio de uma suspeita de plágio.

Os termos em que os registos são feitos, não justificam o registo. Ele será feito pela própria editora antes de o livro ir para impressão.

Como esclarecimento, uma obra tem direitos de autor, assim que é criada e existem maneiras de provar que uma obra já publicada é sua. Use este "truque":

Assim que tiver o seu manuscrito pronto, faça uma cópia integral dele. Envie o original por correio registado, com aviso de recepção para a editora e ao mesmo tempo envie a cópia por correio registado, lacrado, com aviso de recepção para si mesma.
Nunca abra o envelope com o manuscrito, guarde-o lacrado tal como o recebeu de sim mesma.

Este método, serve de prova em tribunal de que a obra é sua e que a publicada é plágio. O importante é a data dos correios e o tribunal poder constatar que o envelope nunca foi aberto.

Espero ter esclarecido.