O vinho e a religiao


Acho que o vinho e a religião andam mais do que mão dada, são indiferenciáveis, se bem que o vinho mata menos pessoas a nível mundial.
Dizem que a religião é o ópio do povo. É mesmo, é uma droga perigosa que levou e ainda leva as pessoas a cometerem os mais hediondos crimes em nome do seu Deus.

Há dias estava eu num restaurante Português e reparo num grupo de quatro pessoas, uma delas estava muletas e com grande dificuldade em andar. Após 1 hora e meia de refeição e vinho Português e como é típico nos restaurantes Portugueses no estrangeiro é oferecido o digestivo. Na maioria das vezes o que se oferece é o bagaço, excepto quando pedem outra bebida. O bagaço é servido e a garrafa deixada na mesa, para que os clientes possam repetir. Meia garrafa depois, um deles levanta-se vai fumar. Reparo que é o homem das muletas. Levantou-se e foi fumar, deixando as muletas na mesa. Eu como agnóstico baptizado num país Luterano em vez de me levantar e gritar, gritei interiormente. MILAGRE!

Este acontecimento, foi o mais marcante da minha segunda-feira à noite entre as 19 e as 22h. Levou-me a pensar se quando Jesus disse ao inválido "levanta-te e anda", se o inválido não estaria com os copos. Ou ele ou Jesus, pois como sabemos na última ceia o vinho era o sangue de Jesus. Portanto, fica provado que Jesus tinha elevados níveis de álcool no sangue ao ponto de poder ser consumido como se de vinho se tratasse.

Isto explica um outro dilema religioso. Porque é que Jesus se prometeu voltar ainda não voltou passados 2008 anos? Simples, ele sabe perfeitamente que hoje em dia para espalhar a palavra de Deus, andar a pé já não é solução e com os níveis de álcool que ele tem no sangue, a Brigada de Transito não lhe perdoava e um gajo sem fontes de rendimento, teria de pagar com pena de prisão. Ou seja, no máximo ele espalharia a palavra do senhor a um grupo pequeno e fechado. Fechado na mesma instituição prisional. Mas com aqueles cabelos longos e cara assexuada, não sei o que lhe poderia acontecer.

Jesus é um gajo esperto, está à espera que o automóvel se torne obsoleto. Ou então está à espera que Portugal termine a sua linha de TGV, que o ligará à Europa.

Mas os milagres, nem sempre o são, os peritos acabam por os desmascarar. Antes de saírem e após 2 expressos, o homem pegou nas muletas e novamente com dificuldade, foi-se embora. O álcool faz milagres, mas de efeito temporário.

O ensino lá fora!


Há dias lia num jornal Português em Hamburgo "Portugueses no estrangeiro exigem mais professores para o ensino da língua Portuguesa".

Ao ler esta notícia eu gritei "Não, mais não!".

Quem me conhece sabe, que ainda estou para conhecer um professor de Português que saiba falar Português. Acho incrível a quantidade de "professores" de Português que vão para outros países ensinar, quando nem falar sabem.
Eu não digo que não existam professores de Português que saibam falar a nossa língua, ou que falem melhor que eu, o problema é que ainda não conheci nenhum. O que para mim é preocupante.
Em Hamburgo estão registados 50.000 Portugueses, mas na cidade vivem por volta dos 15.000, aqui conheço 8 professores de Português e deve de haver mais uns quantos com quem nunca contactei. Destes 12 nenhum sabe falar. Noto que se esforçam ou por falar de uma forma mais eloquente para se distinguirem do português comum, ou por falar com o tique gay de tia de Cascais, mas cometem erros daqueles que me fazem encolher, como se tivesse acabado de levar um pontapé nos tomates. Ser-se eloquente, seria se fossem expressivos, convincentes, persuasivos. Mas de que vale ser-se expressivo em erro, não convincente e o seu efeito persuasivo ser mais do tipo enjoativo?

Mais de 50% dos Professores de Português, são Brasileiros. Há 2 dias, conheci uma Brasileira que ensina Português em Hamburgo há mais de 20 anos. Esta Brasileira, acredita que fala Português sem sotaque. Na verdade ela esforça-se por pronunciar as palavras sem sotaque, acabando por soar ainda pior. Porque motivo o faz?

Crest: Então você dá aulas de Português onde?
Prof: Numa iscola privada, você podji não notar mas eu sou Brasileira.
Crest: A sério?
Prof: Sim, si quizé posso falá com sotaque Brasileiro também!
Crest: Fantástico!

Outros dizem barbaridades como "eu vou ir".
Os Portugueses que ensinam Português, são ainda piores, pois teem a mania que um canudo os torna eruditos, adoram usar derivacoes acabadas em "mente" e algumas palavras, que parecem ter sido retiradas das palavras cruzadas de um qualquer jornal, das quais muitas vezes desconhecem ou não teem a certeza de como, quando e onde as devem utilizar. Depois ouço um professor Português de Português a dizer "eu comi foi, uma imperial e um...". Nestas alturas eu penso que o melhor é não aprender Português, por isso imploro ao Estado Português para por amor à língua Portuguesa, não mandarem mais professores de Português para fora de Portugal, pois para ofender a nossa língua já nos bastam os imigrantes de segunda geração, que aprendem mau Português, com os pais que falam mal.
Uma coisa é certa, o mau Português passado de pais para filhos é bem mais tolerável que aquele que é passado de um diplomado na língua para um aluno!

Por vezes penso: "Se eu tivesse filhos..." É que tenho a certeza que iria fazer a vida negras a estes professores, ao ponto de eles voltarem para a terrinha de onde vieram e ensinar os seus vizinhos a falar como idiotas.

Um professor de uma língua, antes de ensinar, deve no mínimo saber falar. Um professor não deve somente preparar as aulas, devem também preparar-se para as dar, mas acima de tudo deve falar correctamente no seu dia-a-dia. Claro que eu não sou perfeito, tenho a certeza que haverá gente a apanhar-me em erro quando falo, mas eu sou suficientemente responsável para não dar aulas. Uma licenciatura em letras para mim não basta, nem em conversa eu atiro o meu diploma para cima da mesa como argumento justificativo para dar aulas. Já dei aulas de Português em Londres, em substituição temporária de um professor doente e posso vos dizer, que nunca estudei tanto, como naquelas 3 semanas.

Um licenciado em Letras, não preparado e sem cuidado com a maneira como fala, é o mesmo que colocar o Egas Moniz a dar aulas de medicina. Sim, ele foi prémio Nobel da medicina, não estaria preparado para leccionar hoje em dia. O facto de terem recebido um diploma, não significa que saibam tudo, o estudo é para toda a vida. Só quem estuda, se pode auto-intitular, professor.

O teu amor é mentira!

Enquanto estava aqui sentado, sem saber o que escrever, a MTV deu-me assunto. Estava a ver e ouvir um videoclip e ao prestar atenção à letra, lembrei-me da V. Podem ouvir a música enquanto leem o texto, pois tem tudo a ver:



A V. era uma menina de 17 anos que apareceu de um momento para o outro no meu grupo de amigos, pois era irmã de um grande amigo meu. O nosso grupo de amigos encontrava-se sempre no mesmo bar, onde falávamos durante horas. As conversas começavam de uma forma inteligente e acabavam em merda, mas passavam sempre mas SEMPRE pelas histórias loucas da minha adolescência (que durou até aos 23 anos). Tal era o fascínio deles pelo meu passado recente mais sombrio.

Depressa eu a V. ficámos mais próximos, mais amigos. Ela namorava com um amigo meu e eu preferia as namoradas dos que não eram meus amigos. Eles acabaram e numa noite de abuso de álcool fiquei sem dinheiro e ela ofereceu-se para me acompanhar ao MultiBanco. Demos o primeiro beijo, desde aí, sempre que estava com os copos e ela estava por perto, beijava-a mas não queria namorar com ela. Assim se passou 1 ano. Durante esse ano, ela começou a perder peso ficando com um corpo de cair para o lado. Não paravam de me chatear, dizendo que ela gostava de mim, mesmo com todos os meus amigos atrás dela.

Vi a saber mais tarde, que ela teve imensos problemas em ser minha amiga e nada mais. Sofria ao ver-me com outras raparigas, que eu nem me lembro quem eram. Deixou de comer e diziam que só sorria quando me via. Eu? Eu não acreditava em nada, só acreditava no que via e o que via era uma amiga. Mas, passados 6 meses, via-a numa noite de verão com um outro rapaz. Deu-me um aperto no estômago e em pouco tempo ela era minha. Ao estar perto de a perder é que lhe dei o devido valor, pois a perda desperta sentimentos, abre os nossos olhos.

Namorámos muito tempo, não sei se foi da manutenção que lhe dei, mas ela nunca mais voltou a aumentar de peso. Estivemos juntos mais de 3 anos e cheguei a pensar que ela não era mais uma, mas sim The One. Estava errado! Eu tenho um lado feminino do qual gosto muito, tenho uma forte intuição quando algo não bate certo e não descanso enquanto não descubro o verdade.
Notei que algo estava diferente numa noite de Dezembro e perguntei-lhe "Há outra pessoa na tua vida?", não sei bem porque lhe perguntei isto. Ela abraçou-me e disse-me que não. Senti naquele momento que a tinha perdido.

Eu não sabia, sentia. Em pouco tempo fiquei a saber que na verdade desde o exacto dia em que senti que algo estava errado, ela andava a sair com um outro rapaz. Um rapaz de quem ela tinha gostado muito quando tinha 15 anos, mas que nunca lhe ligou por ela ser na altura gordinha. Hoje, com um corpo de parar o transito ele já a queria.

Agora eu sabia, mas há algo nos homens em que podemos saber a verdade mas precisamos sempre de ver para acreditar. É como quando se coloca uma ficha nos carrinhos de choque, a ficha entrou mas o carro não anda, ele só anda quando a ficha cai. O mesmo se passa com o homem, já temos toda a informação (entrada da ficha), mas só acreditamos quando vemos, é aí que a ficha cai

Perguntei-lhe novamente se havia mais alguém, ela mais uma vez respondeu que não. Perguntei-lhe se ela conhecia um rapaz e até lhe disse o nome e ela disse que não. Eu disse-lhe que sabia e mesmo assim ela negou. Eu tinha de ver e vi. Numa noite em que a deixei em casa, ele veio-a buscar.

No dia seguinte terminei com ela. Ela chorou. Ainda gostava de saber o motivo das lágrimas. Seriam lágrimas de culpa? Gostaria de mim? Não acredito que se possa amar duas pessoas. Ela tentou tudo para me manter por perto, enquanto o outro tentava tudo para não se cruzar comigo na mesma rua. A insistência dela em continuar a fazer parte da minha vida, levou a que me afastasse de muitos dos meus amigos. Acabou. Fim. Bye bye. Foi bom enquanto durou mas acabou, custa muito mas acabou.

Ela era a minha última amarra em Portugal, pouco depois aceitei uma proposta de uma empresa em Londres que me andava a assediar nos últimos 4 meses, proposta que eu recusava por causa dela. Ela, apesar de eu a motivar a ir para erasmos, não ia, dizia que não queria ir e que não era por mim. Eu parti para Londres e ela foi para Erasmos. O nosso namoro estava a limitar a vida de ambos.

Libertei-a. Ela libertou-me.

No verão passado vi-a em Portugal. Ela não está com esse rapaz e pelo que me dizem não está com ninguém. Esse rapaz faz agora parte do meu grupo de amigos. Talvez penssasse que poderia tomar o lugar deixado vago por mim, mas com a minha chegada, percebeu que nao, pois acho que nunca vi ninguém a ser tao ignorado como ele foi. Eu e ela estivemos juntos durante essas férias, parecia os velhos tempos, mas já sem magia. Quando parti novamente, ela abraçou-me e sussurrou-me ao ouvido "volta".

Agarrei-a quando senti que a podia perder. Larguei-a quando senti que a perdi.
Eu luto sempre para não perder, mas não luto por aquilo que perdi, mesmo que possa recuperar. Se perdi, já não é meu, não reclamo nos perdidos e achados. Não corro pela rua com lágrimas nos olhos a gritar "alguém viu o meu isqueiro?". Perdi, perdi, que se foda!.

Esta música lembrou-me dela e fez-me ver que não sou o único, que ela não é a única, muita gente acaba por sofrer, por muita gente não saber o que quer.

A letra desta música diz:

"You can tell me that there's nobody else
(But I feel it)"

Isto não se escreve sem ter sido sentido. Ele pergunta na letra o que eu já me perguntei:

"You look so innocent
But the guilt in your voice gives you away
Yeah you know what I mean
How does it feel when you kiss when you know that i trust you
And do you think about me when he fucks you?
Could you be more obscene?"

Será que elas pensam no namorado quando estão com o outro?
Quem é que vêem quando fecham os olhos?
Será que sentem que algo está errado?
Será que comparam o beijo, o sexo?
Será que não sabem mesmo o que querem ou quem querem?
Será que esperam para ver se dá certo com um, para largar o outro e se não der teem sempre alguém de braços abertos, para as receber?
Será que ao voltar para os braços do namorado enganado, isso não lhes pesa na consciência?
Afinal como funciona o cabeça da mulher?

Ok, esta última pergunta é parva, pois nem a mulher sabe a resposta. É o maior mistério da humanidade.

Esta música mereceu o meu respeito, pois não são palavras ocas como a maioria das letras de musicas. Só escreve assim quem sente e ao sentir, conseguem fazer os outros sentir também. Isto é a magia da escrita. A forma de escrever que mais respeito. Escrever o que se pensa e o que se sente, de uma forma directa, sem rodeios.