PS: Amo-te!

Uma amiga disse-me:
"Bruno, tens de ir ver o filme PS: I Love you, é excelente"
"Ok", foi o que eu respondi. O probema é que depois disso, mais uma pessoa me disse que o filme era fantástico, depois, outra e outra e mais outra. Comecei a desconfiar. Sempre que ouço imensos elogios a um livro ou filme, já sei que vai ser uma merda, pois espero mais do que aquilo que vou ver.
Optei por não ir ver o filme, mas comprei o livro. Como sempre, comprei a versão original em Inglês. Acabei de o ler ontem, por isso vou falar nele.




O livro não é mau, é uma estória daquelas de puxar ao sentimento, com amor, morte e muitas lágrimas à mistura. É um livro cuja estória poderia ter sido imaginada pelo Nicholas Sparks, se não fosse pelo facto de os diálogos serem típicamente femininos, um homem nunca escreveria diálogos assim.

É um livro de leitura fácil e rápida, mas não tem nada de genial. O facto de o terem tornado filme, deve-se ao facto de a papinha estar toda feita.
A autora chama-se Cecelia Ahern e a gaja é gira e boa que se farta. É o tipo de gaja, que se fosse Americana seria certamente burra como uma bigorna.
O que notei no livro, foi uma forma de escrita um pouco irritante. A culpa não é da autora, mas sim da redactora. A função de um escritor é escrever, o redactor deve assinalar os erros, observar a pontuação, mas acima de tudo alertar o autor para vicios de linguagem. Só uma pessoa (que não o autor) ao ler o que escrevemos é capaz de uma forma neutra, de analisar o que escrevemos. Os vicios de linguagem, ao repetir imensas vezes a mesma palavra, ou expressão, tornam a leitura aborrecida.

Neste livro, só nas primeiras 100 páginas, o uso do termo "OK" é repetido várias dezenas de vezes, no inicio de frases em diálogos, em 90% dos casos o "OK" não vem melhorar o diálogo, mas sim irritar o leitor. Depois notei que foi usada diversas vezes o termo (traduzido) "fumar furiosamente", este termo era acetável se usado uma vez, mas neste livro é usado sempre que alguém acende um cigarro.

Mas o pior é o abuso do uso de duas expressões, que a meio do livro já me irritavam e que foram repetidas dezenas e dezenas de vezes (não contei, mas vontade não me faltou).

Sempre que era feito um comentário num diálogo ao qual o ouvinte não dava importância, a autora, usava e abusava da expressão:

"waving his/her hand dismissively"

Mas o cúmulo do livro é que sempre que nos diálogos, alguém dizia algo de parvo, ou inconveniente a resposta era sempre acompanhada de um:

"rolled his/her eyes"

Porquê raio a malta neste livro, usava tanto este sinal com os olhos? Eu fiquei a pensar que eram todos estrábicos!

Não gosto muito de ler livros em que após cada frase, seja acrescentada a expressão facial ou o gesto de mãos feito pelos intervenientes. É um livro, não um filme. Aborrece não enriquece. Duvido que no filme os actores "rolem" os olhos por tudo e por nada.

O filme não o vi. O livro não é mau, mas também não é bom. O melhor que o livro tem, é sem dúvida a sua autora, que é uma boazona. É-o hoje. Em 1981, ela era assim:



Hoje ela é assim, mas esta foto não faz justiça ao seu corpo fantástico salientado por uma camisa branca, justa e bem decotada e um justinhos jeans azuis, com o qual ela me presenteou na contra capa do meu exemplar:




Não conheço um filme que seja melhor que o livro que o originou. Conheço um único filme que fez justiça ao livro, mas que exagerou na tragédia sentimentalista (What dreams may come). Portanto, sem ver o filme posso dizer que o filme não é assim tão bom, nada que tenha como base algo que é mediano, poderá alguma vez ser realmente bom.

O que me deixa a pensar... Porque motivo as pessoas consideram bom e bonito, todo e qualquer filme que tenha como base a tristesa, desespero, morte, amor, lágrimas?

Aceito que se goste, mas eu não consigo gostar de algo onde falta uma mensagem, uma ideia, uma frase que me faça pensar. Por exemplo, em outros livros parecidos que foram tornados filmes, há sempre algo que durante a leitura me fez pensar:

"Message in a bottle", fez-me pensar em como se sentirá uma pessoa ao apaixonar-se por alguém que perdeu o amor da sua vida, se essa pessoa não se sentirá como segunda opção, como substituta.

"Dear John", fez-me pensar se eu seria capaz de abdicar de uma fortuna por uma mulher e ao mesmo tempo adbicar dessa mesma mulher em nome da amizade.

"What dreams may come", fez-me pensar, se o amor acaba com a morte ou se o levamos connosco. E até que ponto na eternidade depois da morte é possível recuperar esse amor.

O "PS: I Love you", não nos diz nada, é tudo uma evolução normal, uma lenta recuperação depois de uma perda, sem deixar nenhuma mensagem ou questão no ar. É um livro pobre, por ser vazio.

Também não posso deixar de referir a palavra "spensive", um erro que poderia considerar um erro de impressão, se não tivesse sido repetido 3 vezes.

Li num blogue Luso/Brasileiro especializado em criticas literárias:

"P.S. I Love You is one of the rare cases where the film is actually better than the book. There’s no depth to the characters and it’s badly written, maybe I have to blame the translation"

Não a culpa não é da tradução, pois foi mesmo mal escrito.

Não é um livro que recomende, a não ser que não tenham mais nada que fazer...

PS: I do not love, PS: I love you!

Será o flirt, trair?


Sim, o flirt é uma traição! Não, o flirt não é uma traição!

Ambas estão correctas, ou parecem estar. As opiniões dividem-se e eu próprio concordo com as duas, mas sei que uma é verdadeira e a outra é aquela em que quero acreditar, porque é conveniente.

Tecnicamente, um flirt ocasional, não é uma traição. É um jogo ao qual chamo de masturbação sentimental. Durante o flirt e quando somos correspondidos, isso alimenta-nos o ego e se ficarmos pelo flirt, tecnicamente não traímos ninguém.

Agora, neste assunto entra a minha maneira literal e objectiva de ver as coisas.
Ao sermos comprometidos e entrar em jogos de flirt, está de facto a haver uma traição. Comparo o flirt à possibilidade de estar com "x" na cama, mas a pensar em "y". Beijar "w", pensado em "z".

Claro que o flirt sem consequências físicas, não é motivo para alguém terminar uma relação, mas é uma forma de trair e é altura de preencher as lacunas que levam a essa necessidade de afirmação sentimental.

Uma relação séria é mais do que uma entrega física, é uma entrega total, física, sentimental e intelectual, por isso a traição não pode ser vista só pelo lado físico. Pode haver traição a outros níveis, mais ou menos graves, não me compete a mim avaliar.

Sempre que estive na cama com "a" e pensei em "b", foi uma confirmação de que não gostava realmente dessa pessoa. Já me aconteceu pensar que gostava de alguém, mas dar por mim, afectado pelo pensamento ou ao ver outra pessoa. Isto são sinais que colocam em causa a verdade dos nossos sentimentos.

Por vezes os nossos sentimentos mentem-nos, ou nós nos deixamos enganar por eles, devido ao "conforto" sentimental que essa pessoa nos dá. O pensar noutra pessoa, a vontade de flirt com outra pessoa é uma traição. Poderia dizer que é uma traição dupla, traição à pessoa de quem gostamos e traição aos nossos sentimentos. Mas não. Não estamos a trair os nossos sentimentos, mas sim a receber um aviso, para os reavaliar.

Dizem que se ama com o coração, mas isso não é verdade, pois o coração não passa de uma bomba, a nossa "casa das máquinas" que nos permite funcionar. Amamos com o cérebro e como sabem existe o consciente e o subconsciente que entram em conflito muitas vezes. O subconsciente comunica connosco, mostra-nos em sonhos os nossos medos e desejos, que muitas vezes não conseguimos assumir conscientemente e que o consciente trata de negar ou ignorar.

Amar começa como algo inconsciente, não chegamos muitas vezes a pensar nisso. Acontece e pronto. O conflito acontece quando o nosso consciente precisa de outra pessoa, mesmo que nos diga que é tudo um brincadeira, na verdade é um aviso, para pensarmos bem na nossa relação.

Dizem que o coração fala uma linguagem que não conseguimos entender, mas na verdade isso são as mensagens discretas e confusas do nosso cérebro, mensagens que muitas vezes resolvemos ignorar, fugindo um pouco à realidade e no final somos enganados por nós próprios.

Por mais que se diga, que se ama a pessoa com quem estamos, alimentar o ego num flirt com terceiro, é porque há algo que falta na nossa relação. Se falta algo, ou temos de preencher essa falha com a pessoa de quem pensamos gostar, ou sim, iremos traí-la mesmo que mentalmente. Traição não é, nem pode ser vista como física unicamente.

Qualquer pessoa, se sente traída, ao saber que estamos com alguém, que na verdade está ali, ao nosso lado fisicamente, mas com o pensamento noutra pessoa. O flirt é um jogo engraçado, mas perigoso. Um jogo que adoro jogar, mas eu, não tenho uma "mais que tudo" em quem me concentrar. Quem tem, traí. Podem pensar que é algo "pequenino" sem importância, mas se acham isso, pecam a opinião à vossa outra metade, pois essa é a única maneira de confirmarem se é ou não uma traição.




"À la carte" 1!


Foi-me proposto nos comentários, por um destabilizador (Rubs), escrever uns textos de tema proposto, por isso aqui vai o primeiro baseado na palavra "Um".

Um
novo dia.

Uma saída,

Um novo local.

Uma nova cara,

Um olhar,

Um sorriso,

Uma aproximação.

Uma bebida, mais outra,

Uma palavra,

Uma resposta,

Uma frase,

Uma conversa,

Um, mais um e outro olhar.

Um toque,

Uma sede de beijar.

Um beijo,

Uma segurança,

Um sentimento,

Uma noite.

Um tempo...

Uma ilusão.

Uma desilusão.

Uma discussão,

Uma lágrima,

Um Afastamento.

Uma reaproximação,

Um falhanço.

Uma amiga?

Uma inimiga?

Uma estranha,

Mais uma de muitas.

Um adeus.

Um novo dia.

Um ciclo vicioso.

Até um dia...

Até ao dia!