Errar é humano, todos nós podemos errar mas todos nós temos a obrigação de corrigir os nossos erros. No entanto, o problema torna-se muito mais grave quando esses erros são feitos a nível profissional. Um médico erra e alguém pode morrer, um polícia erra e um criminoso pode sair em liberdade, um juiz erra e um inocente paga por um crime. Nestes casos e muitos outros, os responsáveis não têm perdão, pois os seus erros quando tornados públicos, há pessoas que são prejudicadas a nível pessoal e profissional. Quem erra deve de assumir as responsabilidades inerentes aos seus erros.
Agora eu pergunto. Quem castiga a imprensa pelos seus erros? Erros e mais erros, na televisão, jornais e revistas. Erros, que acabam por ser mais do que erros e chegam a ser "bacoradas ofensivas". No caso dos jornais e revistas, por vezes é feita uma errata na edição seguinte após detectado o erro. Essa errata muitas vezes erra, fazendo erro sobre erro, ou simplesmente não compensa pelo estrago feito. No caso da TV é terrível, pois raramente se desculpam pelo seu erro, muitas vezes nem sequer detectam o erro.
Quando os Estados Unidos resolveram invadir o Iraque, usando o pretexto de esse país ter armas de destruição em massa, todos os canais de televisão em Portugal, falavam das “armas de destruição maciça”. Quando um repórter, está em directo e diz algo de errado uma vez, tudo bem, é desculpável, mas quando a notícia é escrita por um jornalista, lida por outro que também não detecta o erro e ainda por cima, esse erro é repetido durante semanas. Não é aceitável. Sei que tanto a RTP como a SIC, receberam e-mails com avisos sobre um dos erros que chegava a ser irritante, que já metia nojo ouvir. No entanto o canal 1 necessitou de uma semana para corrigir o erro e em vez de “armas de destruição maciça", passaram a dizer “armas de destruição em massa", a SIC foi muito mais lenta e continuou a bater na mesma tecla até a notícia ser velha.
O termo correcto seria “armas de destruição massiva", pois destrói massas. Maciça é uma barra de ferro, se a arma é maciça significa que não é oca, logo seria o mesmo que lançar bigornas sobre cidades, mata certamente, mas uma bigorna está um pouco limitada no seu poder destrutivo. O termo em Inglês é "weapons of mass destruction" mas a tradução de "mass" é "massa" é algo que destroi massas é massivo e não maciço. No entanto o termo escolhido pela RTP, "armas de destruição em massa", está correcto.
Nenhum canal de televisão pediu desculpa aos Portugueses pela sua ignorância, nem por este caso nem por nenhum, onde jornalistas atacam a nossa língua de uma maneira impiedosa. Julgo que o curso de jornalismo deveria ser mais exigente na cadeira de Português. Também nenhum canal de televisão, se dá ao trabalho de responder a um e-mail avisando-os de um erro. O papel de quem chama a atenção para um erro, não é um acto arrogante de superioridade mas sim um favor, ao qual um obrigado, seria agradecimento suficiente. A televisão vai mais longe. Tudo bem que os telejornais são em directo mas as notícias são escritas previamente, será que quem escreve, erra, quem supervisiona erra e, quem lê erra? Durante todo o dia a mesma notícia é relatada por jornalistas diferente e sempre com o mesmo erro!
RTP
"É trágico! Está a arder uma vasta área de pinhal de eucaliptos!"
"O assassino matou 30 mortos"
TVI
"As chamas estavam a arder"
"Foi assassinado, mas não se sabe se está morto"
"Estão zero graus negativos"
Rádios e reportagens em directo:
Rádios e reportagens em directo:
"Os aquaparques têm feito, durante este ano, muitas vítimas, que o digam os dois mortos registados este mês..."
"Quatro hectares de trigo foram queimados... Em princípio trata-se de um incêndio"
Manuela Moura Guedes: "Um morreu e outro está morto"
Gostaria agora de referir uma notícia errada, que depois de corrigida na edição seguinte ainda ficou pior:
O Imperador do Brasil Pedro II, regressou ao Brasil magoado após uma viagem, um dos principais jornais da época noticiou a chegada da seguinte forma "O imperador, desceu do navio apoiado em duas maletas", obviamente alguém que foi Principe de Portugal e Imperador do Brasil não iria carregar maletas, portanto no dia seguinte o jornal corrigiu o erro da seguinte maneira "O Imperador, desceu do navio apoiado em duas mulatas", se bem que isso não seria assim tão invulgar para um Imperador, duvido que Pedro II, com a sua posição de Imperador, andasse por aí apoiado em mulatas, sem bem que eu não me importava nada. Na verdade, a correcção ao erro, fez mais mal que bem, pois na verdade o Imperador, desceu da navio "apoiado em duas muletas". Será assim tão fácil confundir maletas, mulatas e muletas?
O Imperador do Brasil Pedro II, regressou ao Brasil magoado após uma viagem, um dos principais jornais da época noticiou a chegada da seguinte forma "O imperador, desceu do navio apoiado em duas maletas", obviamente alguém que foi Principe de Portugal e Imperador do Brasil não iria carregar maletas, portanto no dia seguinte o jornal corrigiu o erro da seguinte maneira "O Imperador, desceu do navio apoiado em duas mulatas", se bem que isso não seria assim tão invulgar para um Imperador, duvido que Pedro II, com a sua posição de Imperador, andasse por aí apoiado em mulatas, sem bem que eu não me importava nada. Na verdade, a correcção ao erro, fez mais mal que bem, pois na verdade o Imperador, desceu da navio "apoiado em duas muletas". Será assim tão fácil confundir maletas, mulatas e muletas?
Refiro ainda comentários aleatórios, que passam em rodapé durante os noticiários, que é sem dúvida a maior fonte de bacoradas, incríveis e inaceitáveis. Eu não acho que existam assim tantos idiotas com a responsabilidade de nos informar, eu sou levado a acreditar que fazem de propósito, como alivio cómico. Os comentários que se seguem têm como fonte noticiários de língua Portuguesa, não são traduções:
"Cadáver chega morto ao hospital"
"À chegada da polícia, o cadáver encontrava-se rigorosamente imóvel"
"O cabrito-montês ficou morto na estrada durante alguns instantes".
"Ela contraiu a doença na época em que ainda estava viva"
"A vítima foi estrangulada a golpes de faca"
"Apesar da meteorologia estar em greve, o tempo esfriou ontem intensamente"
"Esta nova terapia traz esperanças a todos aqueles que morrem de cancro a cada ano"
"O velho reformado, antes de apertar o pescoço da sua mulher até à morte, suicidou-se"
"O acidente fez um total de um morto e três desaparecidos. Teme-se que não haja vítimas"
"Parece que ela foi morta pelo seu assassino"
Os jornalistas não se desculpam, são orgulhosos e arrogantes. Lembro-me de um pedido de desculpas público por parte da RTP, pedido esse que nunca deveria ter sido feito, pois não foi um erro, foi um momento mágico de televisão. Sei que foi durante o jornal da noite, lembro-me da cara do jornalista mas não de seu nome. Eram imagens chocantes dos crimes do apartheid na África do Sul nos finais dos anos 80, a reportagem termina e o apresentador é apanhado desprevenido enquanto olhava para o monitor e dizia um honesto e sentido "Foda-se!". Sim foda-se, ele disse o que 99.9% dos Portugueses disseram ou pensaram ao ver aquelas imagens, eu pensei no "foda-se", não o disse pois o meu pai estava perto demais. Foi um momento mágico de televisão, numa altura que os actores cómicos timidamente usavam a palavra "merda" para fazer rir e ninguém lhes exigia um pedido de desculpas, a RTP emitiu um comunicado com vista a desculpar uma palavra que foi usada no momento certo, pelo motivo certo, mas do que isso, uma palavra que mais do que pronunciada, foi sentida pelo jornalista e pelos Portugueses. É ridículo que se peça desculpa por usar uma palavra correctamente, enquanto assassinam o Português diariamente, sem remorsos.
Não estudei jornalismo, nem faço ideia das cadeiras que eles têm, mas a falta de conhecimento da língua Portuguesa dos nossos jornalistas é assustadora, levando-me a pensar se o Português é uma das suas disciplinas, se não é deveria ser e, se é deveria ser muito mais exigente. Considero uma vergonha quem é pago para escrever ou para falar, escrever e falar tão mal. Eu erro, devo ter erros neste texto, mas eu não sou pago para escrever, escrevo por gosto, portanto não me dou ao trabalho de redigir o que escrevo.


