Mostrar mensagens com a etiqueta sentimental. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta sentimental. Mostrar todas as mensagens

Abismo


Tudo o que ela é e representa arrasta-me para memórias passadas de tudo o que não gosto. O olhar, o sorriso, o olá, iguais aos gravados na minha mente que despertam a besta que matei.
O cheiro, o toque, a voz, que me chega a um local que há muito achava morto. Esquecido.
Se odeio tudo isto, como é que me senti atraído. Perdido. Perdido por me encontrar em pensamentos passados. Perdido num labirinto que já conheço de cor e salteado. Percorro-o de olhos fechado para não ver a saída.

Deverá ser a infinita atracção pelo abismo que rege a minha vida. A atracção que dia a dia combato e mais um dia é uma vitória. O abismo vencerá, eu sei, mas não será assim com tanta facilidade.

A destruição voluntária negando a queda. O fim é a contradição detectada em alguém sem sentido, pois faz sentido. Talvez só para mim e é isso que importa, que faça sentido.

Se ela representa tudo o que odeio, por que me atraí?

A luz e o túnel


O que é afinal a luz ao fundo do túnel, aquela que buscamos quando estamos com problemas, a mesma que se espera ver no momento da morte, uma mítica luz que pensamos poder resolver todos os problemas.
Não há luz nenhuma, a luz aparece quando estivermos preparados.

A luz ao fundo do túnel é uma metáfora onde o túnel é o caminho a percorrer, o escuro é a reflexão solitária sobre as questões que se nos levantam, e a luz a solução, mas muita gente leva esta metáfora literalmente e caminha pela vida no escuro sem rumo e sem resolver os seus problemas em busca do milagre da luz.
Esse caminho é escuro, essa escuridão é a solidão e isolamento de que necessitamos para conversas com nós próprios em busca das respostas que ninguém nos pode dar.
Assim que encontrarem as respostas que buscam não irão ver luz nenhuma ao fundo do túnel pois o fundo do túnel é o fim das nossas vidas, de lá para a frente já não há vida. Ao darmos as respostas às nossas perguntas, só temos de apalpar a parede e acender a luz, a nossa luz artificial, e não a iluminação milagrosa divina.

A perfeição


A perfeição é algo que tento entender, principalmente a maneira como lidamos com ela de formas diferentes consoante o momento.
Ao falar dela a maioria concorda que não existe que é uma utopia. Eu sempre achei que se queremos chegar a algum lado temos de querer ir a todo o lado. De maneira a ter mais devemos querer e lutar para ter tudo. De maneira a sermos um pouco melhores devemos querer ser perfeitos.
Então mas se nada é perfeito porque é que existe um ditado Inglês que diz que a prática leva à perfeição?
Pensei nisto, e cheguei à conclusão que a perfeição existe. Sim existe, só não é palpável nem duradoura, mas todos já a vimos num momento da nossa vida e sabemos como ela sabe bem.

Todos nós já lemos uma frase para nós perfeita numa determinada altura das nossas vidas. Aquela música perfeita que parecia falar-nos ao coração quando ele foi partido pela primeira vez. A perfeição daquela mão que nos segurou e impediu a queda num precipício sem fundo. A perfeição daquele abraço amigo quando o nosso mundo parecia ruir. A perfeição do sorriso da pessoa que mais amámos na vida. A perfeição daquele beijo que nunca esqueceremos. Aquele "sim" ouvido quando o "não" era temido. A perfeição do sonho que vivemos mais perfeito do que a perfeição imaginada.
Momentos. A perfeição existe sob a forma de momentos, segundos, palavras, gestos, cheiros, sabores, sentimentos...
Momento curtos demais para o que desejamos, mas inesquecíveis.

A perfeição existe e todos nós já vimos como ela é boa. Por isso, se existem momentos assim porque não lutar por ela? Mesmo sabendo que ela acontece por vezes de forma inesperada e que não foi por nós criada, ela está lá, existe e devemos acreditar e continuar a sonhar com ela.

Os meus filhos


Por vezes e cada mais vezes me perguntam se eu gostaria de ser pai. A minha resposta é sempre a mesma, e as pessoas sentem alguma dificuldade em perceber o que quero dizer.

Sim, gostaria de ser pai mas não o quero ser. Contraditório? Sim é!
Gostaria de ser pai mais exactamente de 3, dois biológicos e um adoptado. Sei que a nossa vida muda, passamos a viver mais do que em função de nós, vivemos em função deles, tudo por eles. Eu sei que iria dar o meu melhor, sei que iria tentar ser melhor que o meu pai, e isso é colocar a barreira muito alta.
A questão pode parecer egoísta pois tem a ver com o meu trabalho e vida pessoal, sinto que tenho ainda objectivos a cumprir até me sentir preparado a dar esse tudo e dedicando uma vida a trabalho e projectos, não vejo esse tudo como um tudo real. Sim, poderei dar todo o conforto e tudo o que os meus filhos pedirem e precisarem, mas e o tempo? Passar o tempo com eles que eles precisam e merecem?

O mundo está num estado deplorável e para ter um filho precisamos não de os prender mas de certa maneira de os proteger, temos também de ser um exemplo a seguir e é aqui que reside o problema.
Existe uma musica com uma letra que explica exactamente o que penso e sinto. Não a vou copiar para aqui mas vou descrever o que nos diz essa letra em termos gerais (não pretende ser uma tradução fiel):

"O meu filho nasceu há dias, mas há aviões para apanhar e contas a pagar, tendo ele aprendido a andar enquanto eu estive ausente.
Começou a falar sem eu estar presente e assim que o fez disse: vou ser como tu pai, sabes que vou ser como tu.

O meu filho fez dez anos e disse: obrigado pela bola pai, vamos jogar. Eu disse: hoje não, tenho muito para fazer, ao que ele respondeu: não faz mal. Ele afastou-se, parou e virando-se para mim disse: vou ser como tu pai, sabes que vou ser como tu.

O meu filho terminou da faculdade há dias, estava um homem e disse-lhe: estou orgulhoso senta-te um pouco e ele respondeu: o que gostava é que me desses as chaves do carro, obrigado e até mais tarde.

Há muito que me reformei o meu filho já se mudou, há dias liguei-lhe: gostava de te ver se não te importares...
(filho): adoraria pai, se tivesse tempo. estou com muito trabalho e os meus filhos com gripe, mas gostei de falar contigo.

Ao desligar o telefone percebi; o meu filho cresceu para ser como eu, o meu filho é exactamente como eu."

E julgo que esta letra diz muito, muito mesmo de quem tem trabalhos em que não sabe onde poderá estar amanhã. Eu sou um deles e por isso, antes de trazer ao mundo inocentes preciso de estabilidade e não me refiro à financeira.

Aqui fica a versão musical (tema de Harry Chapin interpretado pelos Ugly Kid Joe)

Vazios


Escrevi umas palavras que a dado momento senti. Não escrevi para que ao leres sentisses igual, unicamente para que ao ler percebesses. Não é preciso dizer muito, basta "eu li", ou quando possível um olhar, um sorriso, algo.

Escrever numa folha de papel que ninguém irá ler, é como gritar num quarto vazio. Alivia. Mas se o vizinho bate na parede mandando-nos calar, é ainda melhor, pois mesmo sem perceber, alguém ouviu. Escrever algo que muitos vão ler, é receber de volta as pancadas na parede desse vizinho. Nada muda na nossa vida, mas sabemos que alguém, algures ouviu e se percebeu ou não, isso é secundário. Ouviu. O que mais custa é quando escrevemos com um objectivo. e sentirmos que falhamos, é como dizer "olá" a alguém na rua e essa pessoa fingir não ouvir, não nos ver...

É suposto sempre que escrevo sentir-me um pouco melhor, mas nem sempre acontece. Por vezes escrever é uma tortura, uma morte lenta. Sem que se perceba, a cada partilha estamos a colocar cá fora um pedaço de nós, e desabafo após desabafo libertamos tudo o que achamos ser mau e que não precisamos. Um dia olhamos para dentro de nós e estamos mortos. Foi tudo dito, foi tudo partilhado, ficámos sem nada. Vazios.

Uma frase


Não sou quem queres que eu seja, nem quem pensas que sou. Perguntas por desejos, eu respondo o que desejo. O que é um desejo? Nada. Um desejo é como a gula, apetece mas ninguém morre se o não concretizar. Factos? Só o tempo os revelará.
Se quero? Quero! Se posso? Não!
Não mudo, não posso
mudar e não te posso nem quero mudar, e sem mudança existo eu e tu, onde o nós fica ali no nosso mundo de ilusões.

Gosto de ti por quem tu és. Gostas de mim por quem posso ser, e não por quem sou. Logo aí tudo falhou.
Num mundo louco, cidades que não param é difícil fazer um amigo. Olhamos para o relógio e vemos que estamos atrasados para algo efémero e não temos tempo. A falta de tempo torna-se numa obrigação de fazer tudo já:

"Olá, o meu nome é Bruno, prazer em conhecer-te, casa comigo"

Girl meets boy, boy loves girl e passados 5 minutos estão a morar juntos. Casam. Procriam. Uma vivenda nos subúrbios 3 filhos e um cão. Passados 10 anos acordam na mesma cama mas:

"Quem és tu?"

Não há resposta, vivemos tão apressados que não temos tempo de saber quem somos, quanto mais quem é aquele ser que dorme a nosso lado. Para onde foi o amor, o
desejo?

Sorrio na rua a um estranho e ele olha-me como se fosse louco. Será? É possível que o seja.
Vou a pé para o trabalho e alguém sorri dirigindo-se a mim, imediatamente me desvio de forma a evitar o confronto. Viria pedir-me algo, como penso e todos pensamos? Poderia simplesmente vir desejar-me um bom dia, num mundo perfeito assim seria.

Achamos que somos diferentes no meio da multidão, mas somos só mais um.
Escolhemos amigos, escolhemos colegas, escolhemos conversas, evitamos estranhos. Eu pergunto: Por quantas pessoas fantásticas nos cruzamos diariamente na rua enquanto andamos fechados no nosso pequeno mundo que parece
ser tudo não sendo nada?

Sou uma pessoa numa cidade. Esta cidade está num país que está num continente e sinto-me mais pequeno ainda. Este continente está num planeta que está num sistema solar que por sua vez se encontra perdido, insignificante num universo sem tamanho...

Seremos assim tão importantes? Sim, mas no nosso pequeno mundo que só para nós é o
melhor.

Sentimentos


Sentimentos que nos atormentam.
Sentimentos que não se aguentam.
Sentimentos que nos aquecem.
Sentimentos que nos adormecem.

Sentir, florir. Indecisão entre ficar e partir.
Dor, dormente. Divagações de uma mente doente.
Ao longe, um olhar. Fecho os olhos para esconder o meu chorar.

Voltou, sorriu. Virei costas e disse, "vai para a puta que te pariu."
Pegou-me, na mão. Dizendo, "acho que sabes o quanto és cabrão."
Eu disse, pois sei, "fodemos muito mas eu nunca te enrabei."
Já me disseste. "O meu cu estava lá não fodeste porque não quiseste."
Que frase. Sentida. "Sempre pensei que fosse entrada proibida."
Proibido, é nada. "Nunca te disse mas gosto de ser enrabada."

Sentir, florir. Penso ficar mas sei que tenho de partir.
Dor, dormente. Gosto de lembrar mas quero algo diferente.
Ao longe, um olhar. Alguém novo que desejo abraçar.

Sentimentos que não se entendem.
Sentimentos que só se sentem.
Sentimentos que nos abordam.
Sentimentos que nos acordam.

Desarmado


Desarmado por um sorriso proibido.
Desarmado por um sentimento fingido.
Desarmado mas não perdido.
Acordado por um sentimento banido.

Tens medo de morrer? Eu tenho medo de viver e não saber. Perder.
Os dias passam a morte é presente num futuro incerto. Aceitei-a, abracei-a, ela fugiu. Foge sempre não me quer, não me aceita mas ouço o seu chamar distante. Constante.
É hora, eu sei, é sempre hora. Não agora. Volta mais tarde, estou ocupado. A sério, agora não me apetece partir. Fugir. Sentir.
Não morro pois já fui morto. Por algo me ter matado. Alguém me ter amado e partido, sem querer partir. Partido fiquei sem querer ficar. Amar.

Não quero o que quero, as coisas acontecem, aparecem. Roupas novas nascem no armário. O dinheiro cresce na carteira. O tempo, esse escasseia.
De que vale toda a luta? Disputa? Putas de lutas em vão, onde um sim é sempre um não. Então?
Por que haveremos de lutar? Continuar? Querer ser mais e maior, sempre o melhor nem sempre melhor. Vencer vencidos em jogos perdidos. Ser grande no meio de anões. Ter olho em terra cegos. Escapar ao amor numa terra de apaixonados, só para ver melhor, pensar melhor. Amor.

O amor tolda a visão, estupidifica a opinião. Porque sim e porque não. Em vão.

Desarmado por um sorriso ocasional.
Desarmando por um sentimento geral.
Consciência de que é impessoal.
Tempo de fugir ao normal.
Etc, etc e tal...

Pombos


Estava eu hoje a beber o meu café no Starbucks e dou por mim a observar o passeio. No chão estavam 3 pombos e um pedaço de pão. Pareceu-me serem duas fêmeas e um macho (aprendi a identificar pois cresci numa quinta com pombos correio). Uma das fêmeas comia o pão enquanto a outra fugia do macho. A fuga não era para longe, nem em voo, era a passo. Uma fêmea fugia do macho em círculos, em torno da outra fêmea que se alimentava, de tempos a tempos ela desviava a fuga para o centro e comia um pedaço de pão e o macho sempre a segui-la.
Quando o pão desapareceu ambas as fêmeas voaram e ficou o macho ali, sozinho em busca de migalhas. Quase de imediato vi as semelhanças entre aquele pombo e a sua atitude, comparando-a ao homem.

O que o macho fez:

1- Poderia estar a proteger a sua fêmea enquanto ela comia, afastando possíveis intrusos. O tipo de protecção que o homem acha que deve dar a uma mulher como se ela fosse incapaz de se defender.

2- Poderia estar a aproveitar-se da distracção da sua fêmea, para se atirar a outra que estava ali por perto. O tipo de atitude de muitos homens não confiantes em si próprios que acham que a sua masculinidade é proporcional às mulheres que comem... ou são comidos.

Mas a moral da história e a verdadeira analogia é que o pombo ficou, tal como o homem fica, ali sozinho sem perceber o que se passou. Nem fêmeas, nem comida. Típico dos homens que se esforçam demais para impressionar. Pensam que dão tudo, quando na verdade dão tudo o que é errado e no final, ficam sozinhos sem perceber porque é que o seu mundo ruiu. O resultado do homem que pensa que se esforça por impressionar e o seu esforço na verdade desilude e afasta a/as pessoas que ele quer próximas... Isto, quando sabe o que quer.
Seria positivo se aprendessem com os erros, mas tal como o pombo, raro é o homem que aprende e da próxima vez repetirá tudo novamente.

Fico


Por vezes fazemos perguntas já sabendo as respostas, mas precisamos de as ouvir para acreditar. Respostas gritadas em silêncios ensurdecedores. Precisamos de as ouvir.
Um dia essas respostas surgem em palavras amargas, isentas de um sentimento que sabemos estar presente, como se tivessem sido proferidas num estado de sonambulismo. Precisávamos de as ouvir.
Eu preciso.
Após confirmar uma realidade já conhecida. Acordo com uma faca no peito e deixo-a ficar. A dor causada pela lamina, lembra-me o que significa sentir.

Desfaço as minhas malas cheias de vontades, arrumando-as em gavetas sem fundo onde, com o passar do tempo serão esquecidas ou pelo menos, menos sofridas.
Dispo-me de sonhos impossíveis, ficando mais uma vez nu. Nu de sonhos, nu de sentimentos. Nu de vontades. Nu.
Tiro a capa do herói que não sou, lembrando as donzelas que não salvei. Que condenei.
Desfaço-me da máscara que não tenho, tentando ver quem eu sou. Quem sou eu?
Condeno o poder que tenho, que manipulo mas que não consigo controlar. Que me domina, condenando-me.

Acordo com um estalo de realidade. Falsa. Dominadora. Manipuladora.
Há muito pensava ter cortado os fios que permitiam que eu como marioneta fosse manipulado. Esqueci um fio, o dos sentimentos. Fio que é puxado violentamente activando o que de melhor há em mim, ou pior.
Cortado.
Isto não faz de mim um produto moderno, activo sem fios, mas sim uma máquina que funciona com energias acumuladas, que esgotarão encontrando o repouso merecido de tudo o que não é sentido.
O fim da demência. Finalmente a dormência.

O espelho reflecte alguém que já não conheço. Sei o que pensa, sei o que sente quando sente, mas já não consigo prever os seus passos. O reflexo afasta-se de mim e eu não o quero seguir. Aqui fico, não comigo mas sem "migo". Simplesmente fico.

Desculpa por não te ter salvo, mas salvar-te seria condenar-te a mim e essa é uma pena que eu tenho de cumprir e não incutir a alguém como tu. Sou um condenado, que anda fugido de si próprio.

Fujo, ficando...

Stirb nicht vor mir

Porque és mais do que pensas ser. Porque és melhor do que achas ser. Porque podes tudo e nada pareces querer. Porque sonhas com tudo o que achas não alcançar. Tu pensas que queres e tu podes se quiseres realmente. Não basta falar, não basta pensar, não basta chorar. É preciso gritar interiormente, como se de uma revolução interna se tratasse e partir para a luta.

Magoas por palavras sem saber que o fazes, ou será que sabes? E se sabes porque o fazes? Ou porque é que no final, parece que foste tu ofendida? Não percebo. Tentar adivinhar cansa. Eu sou um comunicador e gosto de falar, como adulto que sou e não conversas de surdos que só ouvem o que querem e só dizem o que querem que ouçam.

Magoar é uma morte lenta.
Deixar de sonhar é uma morte lenta.
Deixar de acreditar é uma morte lenta.
Fugir é uma morte lenta.
Com tanta coisa que nos mata, morro lentamente, mas tu... Não morras antes de mim, pois eu vou-te encontrar e tu vais-me encontrar. Espero por ti. Espera por mim.





Stirb nicht vor mir (tradução)

(Ele)
A noite abre-lhe o colo
O nome da criança é solidão
É fria e sem movimento
Eu choro suavemente no tempo
Não sei o teu nome
Mas sei que existes
Eu sei que um dia
Alguém me amará

(Ela)
Ele vem até mim todas as noites
Não há palavras por dizer
com suas mãos em torno do meu pescoço
fecho os olhos e faleço
Não sei quem ele é
Nos meus sonhos ele existe
A sua paixão é um beijo
não consigo resistir

(Ele & Ela)
Espero aqui
Não morras antes de mim
Espero aqui
Não morras antes de mim
Não sei quem és
Sei que existes
Não morras
Por vezes o amor parece longínquo
eu espero aqui
não nego o teu amor
espero aqui

(Ele)
todas as casas cobertas de neve
a luz de uma vela nas janelas
ali ficam a duase eu
só espero por ti

(Ele e Ela)
espero aqui
não morras antes de mim
espero aqui
não morras antes de mim
não morras antes de mim

Um passo mais próximo do...


Fim.
Está escuro. Vazio. Isto é-me familiar, mais uma vez e uma vez demais. Chega. Não mais. Isto tem de acabar. Precisa de um fim. O fim.

Palavras sentidas tornam-se palavras perdidas. Sentimentos imaginados depressa apagados. Mentiras que sentimos como verdades. Depressa se tornam num espectáculo de variedades.
Fantochadas que foram honestas, até serem turvadas por uma realidade estúpida que odeio mas não posso controlar. Não fingimos palavras mas fingimos os sentimentos que elas nos causam. Ninguém morre de amor por ninguém, mas o amor em si morre lentamente ou em segundos, matando.

Um sonho. Um olhar. Uma desilusão.

Dizemos o que sentimos. Insinuamos o que queremos, numa atitude egocentrista de nos vermos como especiais, em que os nossos sentimentos são os mais importantes e o alvo é só isso, um alvo que se no final do jogo não ficar muito destruído, podemos guardar. Caso contrário fica lá, onde o matámos. Ele tem de morrer, pois o direito à vida, são palavras escritas num papel, que não é mais de que a desculpa de uma sociedade irresponsável, composta por idiotas que resolvem impor a vida. Toma, desenrasca-te!

Chega de hipocrisia de egoísmo, egocentrismo. Chega de fingimentos, ilusões e constrangimentos. Chega de palavras que perdem o seu valor num segundo, quando as ilusões por elas criadas caem por terra enquanto o céu se abate sobre nós, tudo por abrir-mos os olhos, por um segundo e vermos o que não queremos ver. Um olhar. Um segundo e tudo perde a beleza que idealizámos. Foi bonito, agora é feio. A irritante realidade que odeio.

Por momentos andamos nas nuvens, com o pensamento longe, estamos felizes. Falamos em rimas, sonhamos. Desenhamos futuros utópicos. Brincamos com as ilusões. Um Engano. Desculpa. Enganei-me depois de te ter enganado. Corrijo o erro. Adeus.
Estamos desiludidos e magoamos. Tempo perdido que não volta. Tempo que não tentamos reparar. Sentimentos que não tentamos reciclar, transformar numa outra coisa qualquer, menos má que o nada. Que o vazio.
Mas o que importa? Muito. Mas para mim, já não importa nada. Não gosto de magoar mas não me rouba o sorrir. Não gosto de ser magoado mas não me afecta o sentir.

A caneta é mais forte que a espada, mas só quando a espada é mal usada. Pego numa. Aço frio, forte e afiado, desfiro um golpe em mim estou acabado. Olho para baixo, pelo prazer de me ver morrer e deixo o meu corpo começando a viver.
Amor? Qual amor? Este texto não fala de amor, fala de pensamentos, ideias, opiniões, silêncios, espaços, parágrafos, histórias... enfim, fala de palavras e as palavras também riem, choram, também acabam.

As palavras também morrem.

Não sou poeta nem o quero parecer, sou alguém que escreve e da escrita retira prazer. Um prazer pessoal que um dia quis partilhar, mas que de dia para dia mais penso em guardar. Dei-vos palavras e palavras recebi, mas já não vejo sentido em andar por aqui.

A terrível mania das mensagens escondidas, palavras sentidas no meio de palavras fingidas, tudo com o intuito da verdade esconder, de vos fazer ler os espaços e talvez entender.

Um passo mais próximo do fim é um passo, só um passo nada mais do que isso. O fim, esse poderá estar ao virar da esquina, ou na próxima esquina ou ainda na outra. Não sabemos e até é melhor não saber, mas quando o encontrarmos, saberemos com toda a certeza reconhece-lo. A questão é, se o vamos aceitar.

Quebrado

E porque hoje é um destes dias...

Broken - Sonata Artica
(tradução)

Fui criado de uma semente quebrada, cresci para ser uma erva indesejada. Mais depressa, o tempo me excede, mais difícil novamente lembrar-te. Segurei uma tocha por ti, quando um raio me atingiu, novamente, espero ter morrido pela ultima vez. Só uma, eu tenho algo maior que tu, pequena luz no céu todas as noites.
O orvalho da manha no campo onde te conheci.
Estive congelado um ano, não conseguia superar.
Recebi um sinal, não uma cicatriz, no meu ombro, eu não sou o homem por quem me tomas...

Apaixonei-me por uma fraqueza em mim. Tentei forcar-me o anel e possuir-me. Acho que encontraste o que pensavas agradar-me, uma pequena versão de mim para te consumir.

Eu dar-te-ia o meu tudo, seguir-te através do jardim do esquecimento. Se eu te pudesse dizer tudo, as pequenas coisas que nunca te atreverás a perguntar-me.

Conheces-me realmente? Eu posso ser um Deus. Mostra-me que te importas e chora.
Como me vês?... como o tal? Consegues ver o meu sangue quando sangro? Como podes amar este exílio e como poderia eu desejar-te? Quando a minha dor é a minha dor e tua também.

Nesta noite morta de inverno. A escuridão torna-se nesta criança. Abençoa esta noite com uma lágrima. Pois eu não temo não as ter...

Sete vidas de um homem, passaram perante mim. Sete campas, uma por cada amor que tive. Só uma vez eu parti o meu suposto coração. Só uma me conseguiu fazer ver, porque choram.

Aprenderei a ser um de vós, um dia? Irei ainda sentir o olhos que me observam?
Irei ouvir o que pensas, quando me vês? Irá desfazer-me se sentires por mim...

Um pouco quebrado, sempre houve, a parte de ti que me pertence. Nunca foste minha para amar, mas assim foi tudo mais fácil para mim...

Penas ardem, não um anjo, o Céu está fechado, o Inferno lotado. Por isso caminho na Terra, atrás das cortinas, escondido de todos, até encontrar uma nova vida para destruir novamente...



Um passo mais próximo...


Tudo... 1 ano depois!


Tudo o que significaste para mim foi mesmo tudo... o que te disse, mas acho sempre que preciso de dizer mais.

Já passou um ano. A minha dívida para contigo é enorme, pois devo-te a minha própria vida, a minha sanidade mental e o meu lado bom, que é o único que se aproveita.
Tomei-te como certa, como ancora na minha vida. Não que me prendesses, mas porque queria estar por perto. Choro pelas vezes que perdi a minha paciência contigo, sem nunca a tivesses perdido comigo. Dói-me todos os "não" que te disse, sabendo hoje que foi uma palavra que nunca me disseste.

Foste avó, mãe e amiga eu fui a tua razão de viver mas não o melhor neto, pelo menos tão bom como deveria ter sido. Não dei o que deveria ter dado, não disse o que deveria ter dito, não te beijei como deveria ter beijado nem me despedi como deveria ter-me despedido.

Falhei contigo, eu sei, custa-me aceitar isto, mas já é normal em mim, falhar com as pessoas de quem mais gosto, principalmente quando nunca me faltaram, nunca me falharam. Sou arrogante, egoísta. Vivo num mundo cínico e só meu. Sou forte ao ponto de derrubar paredes no meu caminho, mas caio ao toque de uma pena, quando amo. Não dizendo que amo, pois dói. Amo em silencio idêntico ao silencio que vivo e do qual me alimento. Isolado, escondido no meio da multidão.

Tu partiste sem me ver. Não te disse o Adeus que merecias. Fui injusto, fui uma besta como sempre. Desiludo-me constantemente pelas minhas defesas ridículas. Nada me pode derrubar, pois estou de tal maneira comprimido que é impossível, mas desfaço-me por dentro. Sinto-me fechado dentro de um corpo de betão, mas por dentro, sou pó e basta uma racha, para eu desaparecer.

Mas fui amado por ti, de uma maneira que nunca te vi amar ninguém, nem mesmo os teus filhos. Quando me vias os teus olhos brilhavam, sorrias, querias falar e falar comigo e eu... eu não tinha tempo. Claro que tinha. Temos sempre tempo. Recusamos dar o nosso tempo como se fosse algo precioso, quando na verdade estamos a perder momentos preciosos.

Tu és preciosa, mas mais uma vez dei o devido valor a alguém após a perder.
Foste mulher modelo. A imagem firme no entanto doce que uma mulher deve de ter. Fizeste-me sentir capaz de ter tudo, só por o querer. Deste-me força para vencer, deste coragem para seguir os meus sonhos, mesmo sabendo que te iria deixar.

A ultima vez que te vi, estavas fraca, nem me reconheceste ao olhar para mim, disseste-me, "O senhor importa-se de me passar aquele copo de água?"
Eu passei e uns minutos depois reconheceste-me e os teus olhos brilharam.

Quando parti, dissestes-me "Adeus", eu disse-te "até para o ano". Mais uma vez tinhas razão.
Para ti, eu sempre fui transparente e indefeso. Para mim sempre foste uma fonte de força e de amor. Foste, és e serás para sempre, Tudo!

Tal como há um ano, não tive a capacidade de me exprimir como queria, de uma forma clara e inequívoca, dizer tudo o que sinto. Só espero que de alguma maneira consigas ver o que não digo, o que não escrevo, só aquilo que sinto.


Em memória da minha avó, Maria P. F.

Desiludir a ilusão


Perguntei a alguém que se dizia desiludida o motivo da desilusão. Após a sua resposta. constatei que é uma resposta típica, "Porque X ou Y me desiludiu e blá, blá, blá".

É claro que também me desiludo, não sou perfeito, mas pelo menos não sou hipócrita a colocar as culpas nas imperfeições dos outros.
A razão pela qual nos desiludimos com as pessoas de quem gostamos, não é só porque elas nos desiludem, o principal motivo é culpa nossa, nós iludimo-nos. Sem ilusão não há desilusão.

Eu por principio e, pouca gente concorda comigo, luto para não me iludir, principalmente com pessoas. Se esperar o pior e o pior não acontecer, acaba por ser positivo, mas se esperar o melhor e a pessoa não está à altura, a desilusão é uma consequência.
No fundo a culpa é nossa, pelo menos mais nossa por nos iludirmos, do que da pessoa que nos desiludiu por falhar ou nem por isso, pois por vezes somos desiludidos simplesmente pelas escolhas de vida de outras pessoas, escolhas essas que podem ser o melhor para as suas vidas..

Eu sou um homem rigoroso comigo próprio, acho que a minha palavra é a única coisa que uma pessoa tem com valor e gosto que vejam a minha palavra como um contraco assinado, pois custe o que custar eu cumpro o que digo e não prometo nada que me seja impossível. Por mais que custe, cumpro os prazos, os horários e as acções prometidas. Mas há quem não seja assim. Há que fale, quem diga o que lhe parece bem dizer e o que acha que o outro quer ouvir, mas depois não tem a forca, o interesse ou preocupação de cumprir o que disse.
Um falhanço não é motivo de grandes desilusões, a grande desilusão acontece quando encontramos um padrão nessas desilusões, uma situação, um motivo. Devemos analisar esse motivo e pensar se vale a pena falar nisso. Quem falha raramente assume a falha, normalmente se chamamos alguém à atenção, eles comportam-se como se tivéssemos proferido uma ofensa grave, passando de responsáveis a vitimas. Só devemos dialogar, quando compreendemos que há solução. Caso contrário é uma grande perda de tempo.

Quem se ilude não se deve iludir, isto é fácil de dizer mas impossível de fazer, por isso quando ouvirem tal barbaridade, não liguem!
Quem desilude uma vez, por ter errado, não deve ser estigmatizado por isso, pois errar é humano, mas quando aparece o tal padrão, bem aí temos de decidir se vale a pena nos submetermos a algo assim.

As desilusões que nos são mais difíceis de lidar, são aquelas em que o envolvimento é sentimental, ou seja, com a família, amigos, em namoros, pois é aí que é praticamente impossível não nos iludirmos, mas podemos por um fim às desilusões.

Eu acho piada a quem fala, fala, fala e quando há problemas se cala. Acho uma piada fantástica e típica de quem falha e na verdade não tem argumentos para se justificar. Nestes casos as pessoas sabem que falharam e recorrem ao silencio. Eu odeio silêncios. Odeio assuntos mal explicados. Odeio duvidas. E arrefeço, ao arrefecer, recorro ao silêncio...

O que é que acontece? Desiludo alguém.

(Ora isto que acabei de escrever, é o que me faz amar a "escrita desprotegida" que é como o sexo sem preservativo, pois não sei o que vai sair daqui e é sempre um risco em que vou escrevendo sem rumo nem ideias).

Cheguei à conclusão que a ilusão e desilusão, são um ciclo vicioso:

Ilusão de A causada por B, desilusão de B causada a A, falta de dialogo entre A e B, silencio entre A e B, desilusão de A causada por B, afastamento, nova ilusão por C e por aí em diante.

Concluo que é tudo uma grande ironia. Falhamos quando nos iludimos, falham quando nos desiludem, falhamos e falham quando não há diálogo, o silencio é incontestável pela falta de diálogo e por fim desiludimos quem nos desiludiu. É de facto irónico, ainda mais, tendo em conta que é um processo repetido milhentas vezes.

Quer queiramos ou não, a vida é feita de ilusões e as desilusões são uma consequência natural da qual devemos retirar o máximo de ensinamentos. As ilusões nascem no nosso intelecto e são belas, perfeitas, por vezes, eu daria tudo para fechar os olhos e viver nelas para sempre.

Ela


Sentia borboletas gigantes no estômago, que mais pareciam tubarões em fúria. Numa altura em que ando um pouco desiludo com as pessoas que me rodeiam e consequentemente comigo próprio, ela vinha aí. Uma cara de alguém que há 10 anos não via, por ser a cara de alguém que nunca mais irei ver.
Ela tinha aterrado em Berlim e eu esperava-a na minha cidade. Um desvio de 200Km, para me ver. Sentia que tanto eu como ela, não sabíamos bem se era o que queríamos.

O TGV chega, imensas pessoas enchem a plataforma, procuro uma cara esquecida, no meio da multidão, como nos últimos 10 anos tenho feito, sabendo ser em vão. Desta vez não era. Via-a ao longe no meio de centenas de pessoas, os nossos olhos tocaram-se. O meu coração que batia de uma forma descontrolada, parecia ter parado, tal como tudo à minha volta enquanto ela se aproximava.
Com 10 graus negativos sentia-me como numa sauna.

A três passos um do outro parámos, olhos nos olhos, sem palavras. Ao vê-la ao perto, ela parecia não ter mudado. A mesma cara, os mesmos olhos que agora pareciam mais doces. Um abraço apertado.

Peguei na mala dela e saímos dali sem palavras. A primeira palavra só saiu de mim, já perto do carro. Foi só preciso isso. Uma palavra. A partir daí foi fácil, parece que em duas horas colocámos 10 anos em dia e em 24h partilhámos uma vida, enterrámos fantasmas e ficámos, o que sempre fomos sem parecer, mas sabíamos ser. Amigos. O que nos une é forte demais. A amizade é indestrutível, inabalável.

Foi o encerrar não de um capítulo, mas de uma vida. A confirmação de que demorei, mas o que pensava estar já arrumado, estava-o realmente.
Ri como há muito não ria. Recordámos o passado, o nosso passado com todos os intervenientes incluindo a Erica e só rimos. Não houve 1 único segundo de tristeza porque a recordámos viva. Falámos sem medos, sem mágoa, sem dor. Por um dia voltámos a ter 20 anos e comportámo-nos como tal. Adorei.

Ela partiu no dia seguinte, mas a promessa de reencontro ficou clara, mesmo sem palavras.

Foi o primeiro dia em 2009, que estive realmente bem, voltei a ser eu e gostei. Percebi que sou quem sou, como sou e não o que pensam de mim. Senti-me e sinto-me rejuvenescido, pronto para todas as merdas que a vida tiver para me dar. As minhas muralhas foram erguidas novamente e estou pronto. Desilusões? Venham elas!
Sou o Bruno, já estive no inferno como hospede e voltei. Recebi a visita da Sra Dona Morte e disse-lhe, "volte mais tarde, não tenho tempo para si". Nada mais me fará voltar a perder-me nos labirintos escuros do meu passado.


kaikki on muuttunut, koska yksi päivä rakkaus

A foto


Encontrei uma foto tua por acidente. Eu que pensava que todo meu passado estava em álbuns, em minha casa em Portugal e que nada tinha trazido comigo. Nada que me lembrasse da minha vida lá.
Comigo, nesta viagem trouxe roupas que depressa substituí, documentos e um livro que é a minha única ligação a esse passado. E foi lá, nesse livro, que como marcador encontrei uma foto. Não me lembro de alguma vez ter usado uma foto como marcador de pagina e não vejo qualquer sentido, em ela estar lá. Mas estava.

Observei-a. Essa foto trouxe-me uma avalanche de memórias boas e más. Transportou-me para um passado distante. Quase me comoveu. Quase me fez sentir saudade. Quase, mas não senti.
Eu sei que os meus sentimentos não morreram, sei, pois é um facto que consigo sentir e sinto. Mas é também um facto que não me comovo como deveria. Eu não digo que os homens não choram, pois eles choram, eles têm de chorar, mas o tempo passa e essa é uma lavagem de alma da qual pareço estar privado. Tenho tanto para lavar...

E saudades? Acho que só tenho saudades, de sentir saudades de algo ou alguém. Não tenho nunca saudades dos locais onde estive, nem saudades das pessoas do meu passado. Não é justo estar privado de sentimentos dos quais não fujo, nem me escondo.

As imagens, sons e palavras, tocam-me, sinto-os mas não me comovem. Não é justo, por isso continuo na minha odisseia, na minha busca pelo "santo graal"das palavras. Aquelas que me façam sentir, como uma pessoa normal.

Como estás? Gostava de saber se está tudo bem.

Um dia vou sentir saudades, um dia as memórias geladas que tenho da nossa despedida, vão derreter e eu irei deixar-me ir nessa avalanche de lágrimas e saudades, que me levará até ti. Espero que ainda vá a tempo...

Eu sei que consigo sentir, pois apesar da distancia, da desilusão, do gelo, das palavras que nos separam, eu amo-te e tu amas-me. Amor esse que foi turvado pelos teus erros, pelos meus erros, pelos nossos erros. Pois eu sempre que soube que não sou perfeito, tu sempre soubeste que não eras perfeito, mas víamo-nos um ao outro como perfeitos até ao dia que as imperfeições foram expostas e não estivemos à altura de aceitar esse facto.

Por orgulho nos afastámos e ainda não encontrei aquilo que nos poderá juntar, num abraço apertado.

Tu caíste como meu herói, quando não me tentaste salvar de mim próprio. Eu deixei de ser perfeito, quando não aceitei a tua única falha em tantos anos. Os erros que nos separam, são como um oceano enfurecido, para o qual não temos mais do que botes de borracha e uma pequena vela. Qualquer viagem poderá falhar terrivelmente, se os ventos não estiverem a nosso favor. Os laços de sangue, significam pouco quando a ferida está aberta e o sangue jorra pelo chão. Perdendo-se. Sendo renovado por sangue novo sem laços...

Até um dia.

Paciência



Verti uma lágrima por saudades tuas, mas ainda consigo sorrir.
Menina, penso em ti todos os dias.
Houve uma altura em que não tinha a certeza, mas tu deste-me confiança,
Sem duvida, que estás no meu coração.
Disse "mulher vai com calma, tudo se vai compor, o que precisamos é de um pouco de paciência".
Disse "querida, vai com calma, que nos iremos unir, tudo o que precisamos é de um pouco de paciência".

Sento-me aqui nas escadas, pois prefiro estar sozinho.
Se não te posso ter agora eu espero, querida.
Por vezes fico tão tenso, mas não posso apressar o tempo.
Mas sabes amor, há mais uma coisa a considerar,

Disse "mulher vai com calma. tudo se vai compor, tu e eu vamos precisar de paciência".
Disse "querida usa o tempo, porque a luzes reluzem brilhantemente".
Tu e eu temos o que é preciso para conseguir, não fingiremos, nunca quebraremos, porque já não aguentaria.

Caminhei nas ruas à noite, tentando compreender. É difícil ver com tanta gente em volta, sabes que eu não gosto de estar preso na multidão e as ruas não mudam, só talvez o nome, eu não tenho tempo para jogar, porque preciso de ti. Sim preciso de ti.
Desta vez...

Ultimas Palavras


Pela primeira vez não te visitei, pois prometi-te que não o faria. Sei que não importa onde estou, tu estás comigo, pois eu transporto a tua memória.
Nestes últimos anos, não contactei ninguém que te tivesse conhecido, fui teimoso em querer guardar-te só para mim. Foi um erro, pois nunca foste só minha e eu não tenho o direito de te prender.

Nos últimos meses partilhei-te, hoje muita gente sabe que foste única, uma mulher de coragem, de força, dona do teu próprio destino. Tenho a certeza que muitas dessas pessoas gostariam de te ter conhecido. Mas o importante nisto tudo, foi o desabafo, o libertar-me ao libertar-te.
Agora, arranjei-te um quartinho no meu coração, onde irás viver para sempre, abrindo espaço para mim e para a minha vida, onde quem sabe, me permitirei voltar a amar.
Hoje provei isso a mim mesmo, pois pela primeira vez no dia do teu aniversário, lembrei-te com um sorriso, pois desde o dia em que partiste, o dia de hoje é triste por não te poder dizer "Parabéns" ao ouvido, como já o disse e gostei, sem nunca imaginar o difícil que esse mesmo dia iria ser, anos depois.

Hoje liguei à tua irmã, 10 anos depois falámos, duas horas ao telefone. Não foi fácil... Eu estava nervoso, ela atendeu sem dizer uma palavra, nem um "A", pois certamente viu o indicativo da Alemanha.
Estivemos uns minutos em silencio, até que lhe disse, "Parabéns". Foi aqui, que ela falou e a voz dela que é a tua voz, doeu-me imenso, mais do que o que imaginava. Ela disse; "Sabes Bruno, eu nos últimos anos, tenho sempre feito anos". Eu poderia ter dito que ela também nunca me ligou no meu aniversário, mas não o disse, pois ela tem razão. Ela que viveu uma vida contigo a festejar os aniversários contigo, encontrou-se os últimos anos, sozinha neste dia. Deve ter sido horrível para ela.

Bruno: "Eu sei e desculpa, mas nem imaginas como me foi difícil ligar-te"
Cati: "Eu sei..."

Ela virá em trabalho à Alemanha em Janeiro e combinámos o reencontro.
Não sei como vou reagir ao ver a tua cara, na dela. Não sei como ela vai reagir ao ver a tua memoria na minha.
Julgo que vai correr tudo bem.

A tua irmã tem a parte de ti que me falta, eu tenho a parte de ti que lhe falta. Acho que juntos podemos ao completar-te, completar a parte que ambos perdemos na tua partida.
Penso que este é o melhor presente que te posso dar, pois não tenho nada mais para te dar.

Uma banda da qual ouvimos juntos todas as musicas, em que algumas das minhas memórias dos tempos que estivemos juntos, são acompanhadas pelas suas melodias, voltou a lançar um Álbum, tantos anos depois. Comprei o álbum e encontrei lá, esta mistela de sentimentos, que senti, palavra por palavra.
Esta letra, é sem dúvida significativa e é completada por as imagens do filme "What dreams may come", que tanto significado tem para mim.

Guns n'Roses - This love (2008)

"...E se perguntares porque é que ela não disse Adeus. Eu sei que bem lá no fundo, há uma luz especial que mesmo na noite mais escura, ela não pode negar.
Se ela estiver perto de mim, espero que ela me ouça (...) Desejei que ela nunca me deixasse, por favor tens de acreditar. Procurei por todo o universo e encontrei-me em teus olhos..." (excerto da letra)







Apesar de achar que mudei, que estou muito, mas muito mais forte, que dei finalmente um passo em frente... Este é será sempre o teu dia, mas roubo todos os outros para mim.
Não vivi todo este tempo preso à tua memória, mas vivi prendendo-te aqui. Prendendo-te a mim. Hoje liberto-te, hoje digo-te finalmente Adeus. Não que me esqueça alguma vez de ti, mas porque vou parar de te reviver, sendo estas as ultimas palavras escritas, que te dirijo.

Amei-te. Sei que sabes disso e é a primeira vez que não escrevo "amo-te", não porque o amor passe ou tenha morrido, mas porque "amo-te" é algo que quero guardar e dizer a alguém que venha ocupar todo o espaço no meu coração, que tenho agora vago, depois das limpezas que andei a fazer nestes últimos meses.
Durante anos coloquei lembranças e memórias em caixotes de cartão sentimental, que arrumei numa cave escura que assombrava os meus dias. Hoje, esses cartões já não estão dentro de mim, encontram-se em folhas de papel guardadas numa gaveta. Em mim, guardei unicamente a tua voz, para embalar os meus medos. O teu cheiro, que me lembra que vale a pena lutar. O teu sorriso, que me ilumina as noites escuras e o teu calor, que aquece este coração arrefecido, mas não totalmente gelado.

A letra desta musica está tão, mas tão certa, quando diz "não há mais ninguém que me faça sentir tão vivo", pois por mais que se pense o contrário, é a dor, que nos mostra o quanto estamos vivos e ainda sentimos. Mas é um facto que a dor quando vivida e não tratada, nos adormece os sentimentos e nos mata por dentro, impedido qualquer outro sentimento que não a dor. Percebo isso e sou novo demais para não sentir... Já sinto pouco. Não quero perder a oportunidade de voltar a sentir-me vivo, amando.

Quero que saibas que nunca ninguém te irá substituir, pois és insubstituível.
Não quero que a mulher que eu um dia ame, se sinta como segunda escolha, pois o amor não se escolhe. Não quero que sejas vista por ela, como uma concorrente que partilha o meu amor. Quero que ela te veja, como alguém que me amou, como ela ama. Que me ame, sem medos.
O meu único receio em partilhar-te, é ver o amor de alguém por mim a ser condicionado pela tua memória, pela tua presença e é por isso que tenho finalmente de te deixar partir libertando-me, libertando-te.


Adeus Erica

Sóbrio!

Sóbrio é como estou hoje. Tenho consciência de que levo uma vida boémia que faz parte do meu trabalho. Ao contrário da maioria que anseia por tempo livre para sair e fazer festas, eu anseio por umas horas sozinho, no conforto do meu lar.

A vida é uma droga, não no seu termo de Português do Brasil, de ser má, mas sim porque vicia, porque nos embriaga. Hoje estou sóbrio. Sóbrio a todos os níveis. Por isso abuso destes raros momentos para analisar o que faço.

Vivo uma vida regida por objectivos e estou numa auto-estrada para os atingir. Mas, neste momento de sobriedade, sinto me esqueci de algo, algo que preciso. Olho para trás e vejo que é. Algo que sempre lá esteve mas eu nunca reparei, nunca vi mas sempre precisei. E agora? Sóbrio cheguei a esta conclusão, mas sóbrio não faço planos. Espero até estar embriagado de vida e sair na próxima saída, indo dar uma longa volta para voltar um pouco lá atrás e completar-me. Demore o que demorar, irei encontrar o meu caminho até àquele ponto, àquele local, que hoje tanta falta me faz, como sempre fez, sem eu saber.

Será que é a atitude correcta? Será? Não sei, mas com a dúvida não quero viver.

Sober - Tool


"Há uma sombra mesmo atrás de mim
Encobrindo todos os passos que dou
Tornando cada promessa vazia
Apontando todos os dedos para mim

Esperando como um mordomo perseguidor
Que descansa sobre o dedo
Assassina o caminho chamado "nós temos"
Mesmo antes do filho que veio

Jesus, foda-se, assobia
Algo mais do que o passado e feito?
Jesus, foda-se, assobia
Algo mais do que o passado e feito?

Porque é que não podemos estar sóbrios?
Eu só quero recomeçar as coisas
Porque é que não podemos beber para sempre?
Eu só quero recomeçar isto

Sou só um mentiroso sem valor
Sou só um imbecil
Só te irei complicar
Confia em mim e cai também

Iremos encontrar um centro em ti
Eu irei domina-lo e partir
Eu trabalharei para te elevar
O suficiente para te derrubar

Santa Maria porque não sussurras?
Algo mais do que o passado e feito?

Porque é que não podemos estar sóbrios?
Eu só quero recomeçar as coisas
Porque é que não podemos dormir para sempre?
Eu só quero recomeçar isto

(...)"


Porque é que não estamos sóbrios? Não quero beber para sempre. Não quero dormir para sempre, mas muito menos sonhar para sempre... com isto. Não sonhar com o que ainda não fiz, pois o futuro não importa, mas com o que já não fiz, pois o passado constrói o presente.
Não um futuro, mas sim um passado perdido que vejo poder ser recuperado, pois nunca é tarde para... nada e para tudo. Nunca é tarde, ponto.

Se estiver errado, se falhar... que se foda!