Amar é aprender. Amar é saber. Amar é querer. Amar é perder. Amar é viver. Amar é morrer. Amar é poder, mas sem ter poder sobre o que sentimos. Amar é um desvio do caminho por nós traçado. Caminho do qual nos afastamos por alguém, que poderá ou não, ser o que de mais importante temos.
Amar é arriscar, vencer ou perder. Amar é tudo podendo não ser nada.
Amar é verbo, seguido de qualquer verbo, ligado por o verbo ser.
Por fim desligado.
Ausente.
E, o meu dia fica diferente.
Mudo. Dedico-me. Entrego-me. Sou o mesmo, diferente. Um cordeirinho sentimental que pensa ser lobo, mas já não é. Perco-me. Procuro achar-me e acho, mas perdendo-a.
Não espero nada, querendo ter tudo. Quero tudo não fazendo nada.
Perdido em sonhos.
Ideias.
De te dar tudo aquilo que anseias.
Sem pensar no Eu. Amar é tudo isto, mas nem sempre amar é amor. Gostar é amar mas também não é amor. Amar é perder, ganhando. Perdemos porque deixamos de ser livres, para voluntariamente nos entregarmos a alguém, prescindindo da nossa liberdade. Perdemos porque tudo tem um fim. Mas, nem tudo na perda é mau, pois só na perda temos a prova real de que amámos de verdade.
O tempo passa?
Não.
Nós passamos por ele, por vezes em vão.
No fundo, ao atingir a única certeza que podemos ter, que é a morte. Poderemos olhar para trás e dizer, "sei o que é amar". Por isso Amar é perder mas onde se ganha muito. Aprende-se a amar melhor, aprende-se a sonhar.
Amar é sonhar e sonhar é o que dá sentido à vida.
Este texto assinala o capítulo XVII e final de Amar é Perder. A história terminou, o ponto final foi encontrado e colocado onde, pertence.
Por fim terminado.
Contente.
A partir de hoje, tudo será diferente.
Este texto poderá ser dos mais estranhos, contudo é real.
Nos últimos dias tem-me surgido uma duvida, uma duvida que sempre tive mas que factores externos, fizeram com esta duvida caísse sobre mim como se de uma tempestade se tratasse. Um segundo, um único segundo criou em mim um conflito interno.
Por segundos vi um pouco de tudo, sem nada ver. Passaram-me pela mente flashs de memórias passadas a uma velocidade que não me permitiu concentrar em um concreto.
Quem sou eu?
Sempre soube a resposta, olhado para o o espelho e dizendo "aquele sou eu", mas não sou só aquele e por não ser só aquele, com a ajuda da minha bipolaridade criei o Crest, que como já disse sou eu, sem o ser. Ou seja, eu não sou só o Crest nem o Crest é tudo o que eu sou.
Agora serei eu mais o que vejo ao espelho, ou mais o crest que não tem corpo?
Serei eu um corpo, uma cara, um sorriso, uma lágrima, um gesto, um suspiro? Eu serei eu a forca, o medo, a segurança, a duvida, a alegria, a tristeza? A resposta logicamente seria, que sou um pouco de ambos. Mas se assim é, porque escondo o Crest de mim? Porque é que o Crest diz o que eu nunca diria e porque é que eu, me escondo do Crest, ouvindo falar dele e ficando em silencio, só a escutar.
"Quem és tu?"
Perguntam-me e eu não tenho resposta, não sei a resposta, mas procuro-a.
Seria justo eu responder, "sou quem tu vês à tua frente", enquanto escondo o Crest que grita dentro de mim, "fala de mim também, eu sou tu". Ignoro-o, pois ele acaba por dizer mais do que o que quero. O Crest é sentimentos e verdades eu sou forca e certezas. O Crest liberta-se na escrita fala dele como entidade e fala de mim como ser. Eu falo de mim, ignoro o Crest.
Se eu na minha vida real, libertar o Crest, passarei a andar nu, serei transparente.
Se o Crest na minha vida virtual, me liberta ele ganha corpo e torna-se eu.
Preciso dos dois, mas não sou nenhum e ainda não encontrei o meio termo. Um acordo entre mim e o Crest em que eu possa dizer, "Ok, eu deixo-te sair, mas não fales demais, não brinques com as palavras numa tentativa de dominar toda a gente". O Crest tenta trazer-me para o seu mundo e mostrar-me como se fosse um trofeu.
É uma luta entre mim e eu, tal como este blogue sempre foram conversas entre eu e mim.
No meio disto tudo um inocente que me conhece sem me conhecer, conhece um de nós enquanto o outro continua escondido, espreitando ao longe, "anda cá, deixa-me ver-te a ti também", mas ele não sai dali, teme misturar-se consigo próprio, como se da mistura pudesse sair algo que nem eu nem o Crest desejam. Confio em mim, confio no Crest, não confio em nós.
Crest: Lá estás tu escondido atrás da mascara.
EU: Mas sabem que estou lá. Eu escondo-te onde ninguém vê.
Crest: Mas eu exponho quem tu és em palavras. E tu? Que fazes?
Eu: Nada, eu sou eu.
Crest: Também és eu.
EU: Mas tu não tens de ser mostrado, falas demais.
Crest: Cuidado!
Eu: Estás a ameaçar-me?
Crest: Não estou a prometer-te que se me irritas, eu coloco no blogue aquela foto, que tu sabes.
EU: Atreve-te e eu fecho-te o blogue, enterrando-te novamente de onde nunca te deveria ter tirado.
Crest: Tu precisas de mim.
Eu: Eu vivo sem ti, tu não és nada sem mim.
Crest: Um dia morrerás e tudo o que fica, sou eu.
EU: Nesse dia e só nesse dia, tu serás eu.
A discussão continuou durante horas, dias enquanto ela observava sorrindo, alheia a à minha luta interior e eu sorria por a ver sorrir. A certa altura a expressão na cara dela mudou, ficou triste, senti que iria chorar e parei. Foi aqui que tudo mudou, como posso eu esconder parte de mim a alguém que me percebe de uma estranha forma?
Não quero lágrimas, quero aquele sorriso de volta, mas já não o vi, na minha mente ficou só gravada a cara triste, lábios rasgados num sorriso forcado, testa franzida, combatendo algo que não me queria mostrar.
Por isso chegou a hora de lhe dizer, este sou eu mas sou este outro também.
E a máscara finalmente cairá e poderei dizer, "aqui estou".
Este texto é dedicado. A quem? Digamos que é só dedicado!
Já se sentiram, como alguém que anda por cá, mas por mais que tente, não percebe o que se passa com toda a estupidez contagiante que nos rodeia?
Porque é que se complicam tanto as coisas que poderiam ser tão simples?
Porque é que meio mundo se tenta aproveitar das fragilidades do outro meio?
Porque é que que tropeçamos, mesmo quando estamos no caminho certo?
Porque é que duvidamos de nós próprios sem motivos?
Porque é que julgamos os livros pelas capas?
Porque é que porque é que rotulamos as pessoas?
Porque é que insistimos em cair em buracos que já conhecemos?
Porque é que a desgraça dos outros nos faz sentir menos mal?
Porque é que queremos ajudar mas dizemos que não temos tempo?
Porque é que precisamos de falar mas não sabemos ouvir?
Porque é que achamos que os nossos problemas são os maiores do mundo?
Porque é que as pessoas erradas estão sempre no sitio certo?
Porque é que as pessoas certas nos passam ao lado?
Porque é que nos achamos especiais?
Porque é que construímos ideais que serão destruídos pela cruel realidade?
Porque é que nos questionamos tanto?
Nada é perfeito, então porque buscamos a perfeição?
Por vezes invejo quem não vê, pelo simples facto de poderem idealizar o mundo à sua maneira. Invejo a capacidade de ver a alma dos outros e não os rótulos sociais. De imaginar o azul, imaginar a água, imaginar. No fundo, gostaria de não ver todos os iguais, que me fazem sentir diferente... um ET...
Uma musica que não passa despercebida, devido as duas excelentes vozes num tema genialmente musicado, gostei do que ouvi apesar de não ser admirador de R&B e derivados, mas boas musicas com boas vozes não me passam ao lado, principalmente quando as boas vozes que muitas vezes são ajudadas por computadores em estudio, não desiludem quando ouvidas ao vivo, como é exemplo este vídeo com Jordin Sparks & Chris Brown:
Mas... e há sempre um mas...
"How am i supposed to breathe with no air"
Duh, sem ar não respiras, porque raio passam a musica a perguntar como? Acham que existe um segredo para respirar sem ar?
No entanto para quem não tem ar para respirar, estes dois consumiram quantidades industriais de oxigénio durante este tema.
Sarcasmo à parte, a letra está muito boa, numa altura em que a industria musical anda sem qualidade literária.
Eu interpreto este sem ar, com aquele sentimento de perda que nos aperta o estômago e se torna difícil respirar. Na verdade sempre achei esta dor mais parecida com o estar a lutar por respirar no fundo de uma piscina, opinião que autora desta letra partilha quando diz:
"Got me out here in the water so deep"
Acho que é muito mais do que a falta de ar, é como mergulhar bem fundo no mar e voltar à superfície sem fazer descompressão e sentir os nossos órgãos simplesmente a explodir. Claro que o viver longe de quem se ama, não dói como uma explosão de órgãos, mas mais, como aquele momento exactamente antes da explosão, o climax, o ponto de ruptura.
Uma pessoa, pode pegar numa caneta e papel e escrever, forçando o sentimento. Daí até pode sair um hit, pode sair um excelente texto, um excelente poema, mas quando esse texto ou poema for comparado com um que foi escrito com sentimento, nota-se a diferença. Na letra desta música, nota-se isso. É um êxito por ser sentida.
Um post positivo para fugir à rotina e porque eu sei dizer bem, quando merecem!
EDIT: Por o video ao vivo ter sido retirado do YouTube, coloquei o video clip.
"Aqui estamos, tendo a mesma velha discussão novamente. Lá vai ela, o mesmo jogo que parece não ter fim. Se eu conseguisse dizer as palavras certas, sei que faria com que ficasses. Se eu conseguisse dizer as palavras certas, tudo ficaria bem.
Mas se partires, eu não irei acreditar que será para sempre. Podes partir, eu nunca partirei, pois isto não é o fim.
Relembrando a noite anterior. Conversar não melhora as coisas. Eu sei que ela tentou, mas todo o meu mundo é ela e aquilo que temos agora.
Mas se partires, eu não irei acreditar que será para sempre. Não desistirei, mesmo que ela diga que terminou. Sei que será diferente desta vez, se ficares...
Quando escrevemos esta história, como terminava? Era tu e eu, para toda a vida. Vá, não o digas, pois podemos tentar novamente, pois se eu te abraçar, isto pode durar.
Ali está ela, suave, com lágrimas na cara, batendo-me, oh meu Deus isto é o fim Eu esperaria aqui por ti, mas não há nada mais que eu possa fazer."
(Offspring - Denial Revisited)
........X........
Esta é sem dúvida uma letra que contrasta com a do meu texto anterior.
No texto anterior, ambos aceitam o final de uma relação, o amor fica em ambos, enquanto continuam as suas vidas.
No caso deste tema, o facto de ela querer um final, mesmo que lhe custe. A pressão dele para salvar uma relação sem futuro, faz com que o amor morra. Aqui o amor não fica, ele é transformado em mágoa ou pior ainda em ódio.
O final custa sempre e o final patente nesta letra é infelizmente o mais comum nas nossas vidas. Por muito que custe aceitar que terminou, prefiro um final como o do texto anterior, pois nele serão sempre lembrados os momentos bons, enquanto num final como este, os maus, são os que ficam gravados na nossa memória.
Sou levado a pensar que é por motivos egoístas que se luta desta maneira, pois se o sentimento for esgotado e substituído por dor e mágoa, torna-se mais fácil aceitar o fim. Ou seja, massacrámos tanto a outra pessoa para voltar, que ela não nos quer ver à frente nem pintados. Não nos resta outra opção se não aceitar e seguir em frente.
Mas a que preço? Será que vale a pena pagar tão caro, para aceitar algo que não queremos?
O difícil é aceitar no momento. Um quer o fim, o outro no máximo pode pedir esclarecimentos e aceitar. Tem de aceitar não existe outra opção lógica, pois não se pode obrigar ninguém a nada.
Depois vem a história do superar. Como se supera? Tudo se supera, leva mais tempo a umas pessoas do que a outras; mas tudo se supera. A frase, "não posso viver sem ti", é falsa, toda a gente pode viver sem a pessoa que acha que lhe é tão essencial como o ar.
Há de facto pessoas insubstituível, mas não existem pessoas de quem dependa a nossa vida.
Tudo se supera e a versão do texto anterior é a mais difícil de superar, mas é também a única que deixa boas memórias, tal como a única que deixa a porta encostada, para quem sabe... Um dia!
"Mil vezes te vi ali, a gravidade de uma aterragem lunar. Fazes-me querer correr até te achar. Excluo o mundo longe daqui. Derivo para ti, és tudo o que ouço, enquanto tudo o que conhecemos se desvanece na escuridão. Metade das vezes o mundo está a acabar, na verdade parei de fingir. Nunca pensei que eu, tivesse mais para dar. Pressionando-me tanto. Aqui estou sem ti, bebendo a tudo o que perdemos aos erros que cometemos. Tudo irá mudar. Mas o amor permanece o mesmo.
Encontrei um lugar para onde escapamos, levado-te comigo para esse espaço. O zumbir da cidade como o som de um frigorífico. Ando pelas ruas, paro em sete bares, tenho de saber onde estás. As caras ficam ofuscas, todas parecem iguais.
(...)
Tanto para dizer. Tanto para fazer. Nada de truques. Havemos de superar. É tudo o que temos para jogar. Nós deveríamos ter o sol. Poderíamos estar por dentro. Em vez disso, aqui estamos. Metade das vezes o mundo está a acabar, na verdade parei de fingir. Muito tempo, tempo demais a defender. Tu e eu já não fingimos.
Nunca pensei que eu, tivesse mais para dar. Pressionando-me tanto. Aqui estou sem ti, bebendo a tudo o que perdemos aos erros que cometemos. Tudo mudará. Eu desejo que durasse para sempre, como se pudéssemos durar para sempre.
O Amor fica, sempre igual."
(Gavin Rosdale - Love remains the same)
......X......
Como raras vezes acontece, encontrei uma outra outra letra com a qual identifico a realidade.
Quantas vezes por amor não fingimos que podemos superar tudo, só para que dure para sempre, quando na verdade nos estamos a enganar? A lutar por uma causa que é válida, mas uma causa perdida? Pressionando os nossos próprios sentimentos até ao ponto de ruptura. Nada é perfeito, mesmo quando estamos perto da perfeição. Neste casos o amor termina mas fica igual, uma contradição que acontece muitas vezes. As pessoas não se deixam de amar, simplesmente passam a amar sozinhas à distancia, pois juntas não dá mais.
É difícil parar de fingir, mas o segredo está em parar antes que o sentimento morra, pois aí o amor se desvanece e foi tudo tempo perdido, onde só se guardará memórias más de um final que apagará todos os momentos bons, juntos. Infelizmente, na maioria dos casos é só isto que fica do amor, mágoa. Não deveria ser assim, mas é devido à teimosia de lutar por um amor que não resulta.
É preciso superar e é possível superar a separação, pois é preferível ver a pessoa que amamos a sorrir longe de nós, do que a chorar no nosso ombro.
No final, não há nada que pague aquele olhar trocado, depois de a relação ter terminado. Um olhar mostrando um sentimento especial que ainda existe num canto escondido do coração. Um sentimento adorável, por ser eterno, devido a ambos sentirem que poderia ter sido melhor, mas sabendo que não vale a pena voltar... Talvez um dia... Provavelmente nunca!
Essa troca de olhares é linda e é um sentimento raríssimo. É aquilo que deveria ficar, se não fossemos teimosos em forçar uma relação até esgotar o sentimento.
O Gabriel faleceu. Aos 30 anos, a caminho de casa depois de uma noite de divertimento, perdeu a vida num acidente de viação.
Mais um, no meio de muitos. Mais um, no meu cemitério de amigos.
Conheci o Gabriel "Gabiru", nos tempos de escola, um dos raros amigos de infância ainda vivos.
Pego nas minhas fotos de escola e se riscar as caras dos falecidos, sobram poucas, muito poucas, pelo menos daquelas que deixei entrar no meu grupo de confiança.
Em comum com todos os amigos que perdi, além de meu amigo, faleceu de uma forma violenta e durante o verão.
Ao receber a notícia, senti-me mal, não pela perda, mas sim por não ter ficado chocado. Pela forma fria com que aceitei o que aconteceu, como se já fosse algo de normal. Não deveria ser, mas a lista é tão grande nos últimos 11 anos, que parece que já não sinto como deveria.
Senti-me mal ao pensar nele e perceber que tinha esquecido outros. Amigos que perdi e que arrumei num canto escuro da minha memória. Lentamente fiz a lista mental, em poucos segundos tinha mais 22 nomes. 22+1! Quantas pessoas perderam 23 amigos em 11 anos, sem haver uma guerra ou uma catástofre? Não percebo, nem posso perceber. Não estou a falar de conhecidos, mas sim de pessoas que, 99% delas, conhecia desde o tempo em que subia a árvores e roubava fruta às vizinhas. Mas, cruelmente, já aceito o inaceitável de uma forma incompreensível.
Sempre fui o candidato numero 1 a morrer, seria impossível sobreviver a todos eles, sendo o mais louco e irresponsável, fazendo as mesmas loucuras sempre com uma pitada a mais de risco. Mas em pouco tempo fui apelidado de "protegido", uma estrelinha da sorte que me retirava de dentro de um monte de sucata, sem um arranhão. Uma estrelinha da sorte que desviava árvores do meu caminho. Uma estrelinha da sorte que nunca percebi, mas gostaria de ter partilhado com todos deles.
"Viver depressa, morrer jovem, deixando um cadáver bonito", era um lema apelativo. O facto de ver amigos em caixões fechados, não nos tirava a ideia de que não havia maneira de deixar um cadáver bonito, neste nosso processo suicida.
A minha consolação, foi saber sempre, que todos eles viverem mais em 20-30 anos, do que a maioria das pessoas numa vida inteira. Aos 23 anos eu achava que já tinha feito tudo o que havia para fazer e se morresse, não me importaria. Talvez o facto de eu aceitar a morte como consequência dos meus actos, tenha sido o que a afastou de mim... só para me contrariar. Mas, para castigo, levava e leva as pessoas que me são mais chegadas, em situacoes idênticas a algumas das quais, eu saí a rir.
A nossa vida não deveria ser, após o nascimento iniciar uma louca corrida para a morte. Deveríamos sim ter feito o oposto, estarmos com 80 anos, velhos e chatos num lar a fazer apostas sobre quem seria o mais teimoso e ultimo a partir.
O Gabriel morreu e eu friamente aceitei. Por um lado, sei que um lamento, uma lágrima da minha parte, para ele seria uma ofensa. Sei que para ele um verdadeiro tributo póstumo vindo de um amigo seria:
"Este cabrão, fez tudo o que que quis, quando quis e como quis e agora mandou-nos para o caralho".
Sei que algo assim o faria sorrir, principalmente por chocar toda a gente.
A morte dele fez-me lembrar muita outras:
Paulo R. - Acidente de mota - Agosto 97
Gonçalo - Assassinado - Julho 98
Erica - Doença prolongada - Julho 98
Sérgio - Acidente de mota - Agosto 98
Pedro - Acidente de carro - Agosto 99
João T. - Acidente de mota - Setembro 99
Sapatinho - Acidente de carro - Agosto 99
Anselmo - Acidente de carro - Agosto 99
Jorge - Acidente de carro - Agosto 99
Sofia - Acidente de carro - Agosto 99
Andreia - Acidente de carro - Agosto 99
Zeca - Acidente de carro - Setembro 99
Sílvia - Acidente de mota - Junho 2000
Goncalo - Acidente de carro - Setembro 2000
Fernando - Acidente de mota - Agosto 2001
André - Suicídio - Outubro 2002
Vítor - Intoxicação - Maio 2003
Susana - Doença prolongada - Maio 2003
Bruno S. - Desaparecido - desde Maio 2005
Filipe - Acidente de mota - Junho 2005
Bruno A. - Suicídio - Setembro 2007
Ricardo - Suicídio - Dezembro 2007
Gabriel - Acidente de carro - Agosto 2008
Uma lista de nomes, com caras que se vão desvanecendo na minha memória, mas de todos eles ainda hoje lembro momentos divertidos e os sorrisos. Tentei apagar com algum sucesso, o fim das suas vidas e lembrar unicamente as gargalhadas que demos juntos.
Talvez... Começo a acreditar que foi no ano de 1999, que algo mudou em mim e me tornei aparentemente mais frio.
Gostaria de partilhar um pouco da história de cada um deles, como maneira de honrar a sua memória e de os manter vivos no meu coração, mas para isso precisaria de infinitas páginas e no final... nunca diria tudo.
Gostaria que o Gabriel, encerrasse o meu cemitério de amigos, mas acho que ele só poderá ser encerrado quando um dia me juntar a eles.
Pessoalmente, nunca temi a morte, mas sim o momento, aquele segundo em que deixamos de existir em nós para existir nos outros.
Mas uma coisa é certa, o que quer que aconteça a quem somos, após a morte, não deverá ser muito mau, pois estará lá uma sala cheia de amigos para me receber. Por isso, sorrio e não tenho pressa. Os verdadeiros amigos, são-no sempre e eles são!
Nukkuu korpi, ja nyt, aatoksissain minä matkaa teen
Yli metsien, uinuvan veen
Kuutar taivaan yön valaisee
Maalaa maiseman, pohjoisen siimeksen
Unta onko tää,
Vai kuolema jossa palata sinne saan missä
hiillos jo luovuttaa lumen alla
Kun astun maailmaan, erämaan aikaan
Ensilumi satoi kahdesti
Maalasi sieluni taulun
Tää jylhä kauneus ja ääretön yksinäisyys
Lapsuuteni metsän, taivaan
Kaikuu se haikeus halki tän matkan
Aamun tullen yö tarinansa kertoo
Jylhä on kauneus ja ääretön yksinäisyyteni
Sitä henkeensä halajaa
Kehtoni hauta, hautani paikka
Erämaan viimeinen on
Minne katosivat muut
Suon noidat, neidontornit
Ja varjoissa havisevat puut
Kielon istutin ikihankeen
Ja hiljaisuuden tultua luotin tulevaan
Ensilumi satoi kahdesti
Maalasi sieluni taulun
Tää jylhä kauneus ja ääretön yksinäisyys
Lapsuuteni metsän, taivaan
Kaikuu se haikeus halki tän matkan
Aamun tullen yö tarinansa kertoo
Jylhä on kauneus ja ääretön yksinäisyyteni
Sitä henkeensä halajaa
Kehtoni hauta, hautani paikka
Erämaan viimeinen on
Enquanto estava aqui sentado, sem saber o que escrever, a MTV deu-me assunto. Estava a ver e ouvir um videoclip e ao prestar atenção à letra, lembrei-me da V. Podem ouvir a música enquanto leem o texto, pois tem tudo a ver:
A V. era uma menina de 17 anos que apareceu de um momento para o outro no meu grupo de amigos, pois era irmã de um grande amigo meu. O nosso grupo de amigos encontrava-se sempre no mesmo bar, onde falávamos durante horas. As conversas começavam de uma forma inteligente e acabavam em merda, mas passavam sempre mas SEMPRE pelas histórias loucas da minha adolescência (que durou até aos 23 anos). Tal era o fascínio deles pelo meu passado recente mais sombrio.
Depressa eu a V. ficámos mais próximos, mais amigos. Ela namorava com um amigo meu e eu preferia as namoradas dos que não eram meus amigos. Eles acabaram e numa noite de abuso de álcool fiquei sem dinheiro e ela ofereceu-se para me acompanhar ao MultiBanco. Demos o primeiro beijo, desde aí, sempre que estava com os copos e ela estava por perto, beijava-a mas não queria namorar com ela. Assim se passou 1 ano. Durante esse ano, ela começou a perder peso ficando com um corpo de cair para o lado. Não paravam de me chatear, dizendo que ela gostava de mim, mesmo com todos os meus amigos atrás dela.
Vi a saber mais tarde, que ela teve imensos problemas em ser minha amiga e nada mais. Sofria ao ver-me com outras raparigas, que eu nem me lembro quem eram. Deixou de comer e diziam que só sorria quando me via. Eu? Eu não acreditava em nada, só acreditava no que via e o que via era uma amiga. Mas, passados 6 meses, via-a numa noite de verão com um outro rapaz. Deu-me um aperto no estômago e em pouco tempo ela era minha. Ao estar perto de a perder é que lhe dei o devido valor, pois a perda desperta sentimentos, abre os nossos olhos.
Namorámos muito tempo, não sei se foi da manutenção que lhe dei, mas ela nunca mais voltou a aumentar de peso. Estivemos juntos mais de 3 anos e cheguei a pensar que ela não era mais uma, mas sim The One. Estava errado! Eu tenho um lado feminino do qual gosto muito, tenho uma forte intuição quando algo não bate certo e não descanso enquanto não descubro o verdade.
Notei que algo estava diferente numa noite de Dezembro e perguntei-lhe "Há outra pessoa na tua vida?", não sei bem porque lhe perguntei isto. Ela abraçou-me e disse-me que não. Senti naquele momento que a tinha perdido.
Eu não sabia, sentia. Em pouco tempo fiquei a saber que na verdade desde o exacto dia em que senti que algo estava errado, ela andava a sair com um outro rapaz. Um rapaz de quem ela tinha gostado muito quando tinha 15 anos, mas que nunca lhe ligou por ela ser na altura gordinha. Hoje, com um corpo de parar o transito ele já a queria.
Agora eu sabia, mas há algo nos homens em que podemos saber a verdade mas precisamos sempre de ver para acreditar. É como quando se coloca uma ficha nos carrinhos de choque, a ficha entrou mas o carro não anda, ele só anda quando a ficha cai. O mesmo se passa com o homem, já temos toda a informação (entrada da ficha), mas só acreditamos quando vemos, é aí que a ficha cai
Perguntei-lhe novamente se havia mais alguém, ela mais uma vez respondeu que não. Perguntei-lhe se ela conhecia um rapaz e até lhe disse o nome e ela disse que não. Eu disse-lhe que sabia e mesmo assim ela negou. Eu tinha de ver e vi. Numa noite em que a deixei em casa, ele veio-a buscar.
No dia seguinte terminei com ela. Ela chorou. Ainda gostava de saber o motivo das lágrimas. Seriam lágrimas de culpa? Gostaria de mim? Não acredito que se possa amar duas pessoas. Ela tentou tudo para me manter por perto, enquanto o outro tentava tudo para não se cruzar comigo na mesma rua. A insistência dela em continuar a fazer parte da minha vida, levou a que me afastasse de muitos dos meus amigos. Acabou. Fim. Bye bye. Foi bom enquanto durou mas acabou, custa muito mas acabou.
Ela era a minha última amarra em Portugal, pouco depois aceitei uma proposta de uma empresa em Londres que me andava a assediar nos últimos 4 meses, proposta que eu recusava por causa dela. Ela, apesar de eu a motivar a ir para erasmos, não ia, dizia que não queria ir e que não era por mim. Eu parti para Londres e ela foi para Erasmos. O nosso namoro estava a limitar a vida de ambos.
Libertei-a. Ela libertou-me.
No verão passado vi-a em Portugal. Ela não está com esse rapaz e pelo que me dizem não está com ninguém. Esse rapaz faz agora parte do meu grupo de amigos. Talvez penssasse que poderia tomar o lugar deixado vago por mim, mas com a minha chegada, percebeu que nao, pois acho que nunca vi ninguém a ser tao ignorado como ele foi. Eu e ela estivemos juntos durante essas férias, parecia os velhos tempos, mas já sem magia. Quando parti novamente, ela abraçou-me e sussurrou-me ao ouvido "volta".
Agarrei-a quando senti que a podia perder. Larguei-a quando senti que a perdi.
Eu luto sempre para não perder, mas não luto por aquilo que perdi, mesmo que possa recuperar. Se perdi, já não é meu, não reclamo nos perdidos e achados. Não corro pela rua com lágrimas nos olhos a gritar "alguém viu o meu isqueiro?". Perdi, perdi, que se foda!.
Esta música lembrou-me dela e fez-me ver que não sou o único, que ela não é a única, muita gente acaba por sofrer, por muita gente não saber o que quer.
A letra desta música diz:
"You can tell me that there's nobody else (But I feel it)"
Isto não se escreve sem ter sido sentido. Ele pergunta na letra o que eu já me perguntei:
"You look so innocent But the guilt in your voice gives you away Yeah you know what I mean How does it feel when you kiss when you know that i trust you And do you think about me when he fucks you? Could you be more obscene?"
Será que elas pensam no namorado quando estão com o outro?
Quem é que vêem quando fecham os olhos?
Será que sentem que algo está errado?
Será que comparam o beijo, o sexo?
Será que não sabem mesmo o que querem ou quem querem?
Será que esperam para ver se dá certo com um, para largar o outro e se não der teem sempre alguém de braços abertos, para as receber?
Será que ao voltar para os braços do namorado enganado, isso não lhes pesa na consciência?
Afinal como funciona o cabeça da mulher?
Ok, esta última pergunta é parva, pois nem a mulher sabe a resposta. É o maior mistério da humanidade.
Esta música mereceu o meu respeito, pois não são palavras ocas como a maioria das letras de musicas. Só escreve assim quem sente e ao sentir, conseguem fazer os outros sentir também. Isto é a magia da escrita. A forma de escrever que mais respeito. Escrever o que se pensa e o que se sente, de uma forma directa, sem rodeios.
Desculpa é uma palavra difícil de dizer, mas devemos dizê-la mais vezes.
Os maiores problema em dizer esta palavra são:
-Orgulho
-Má interpretação
-Uso da palavra como arma
Orgulho:
Para mim é fácil dizer que devemos pedir mais desculpa, mas sempre fui estupidamente orgulhoso que chegava ao ponto de ter convulsões nervosas sempre que pensava em dizê-la. Hoje lentamente vai-se tornando mais fácil.
Má interpretação:
Após uma discussão, assim que um pede desculpa, o outro interpreta esse pedido como uma admissão de erro, como estando a dizer que o outro está certo.
Se após uma discussão, eu pedir desculpa, não estou a dizer "tens razão, eu estou errado, desculpa", estou a sim a dizer, "fica na tua, que eu fico na minha, mas desculpa lá estarmos a perder tempo com estas merdas".
Uso da palavra como arma:
Ao usar a palavra desculpa, mesmo que não repare o dano, algo muda na pessoa que a ouve. Talvez um pouco por má interpretação do seu significado, mas lá no fundo, dão valor (talvez demasiado) à palavra e ficam em parte,desarmados, ficam mais calmos, mais suscéptiveis a compreender ou pelo menos a aceitar.
Desculpar não é esquecer.
Desculpar é dar um passo em frente.
Se são traídos e vos pedem desculpa, ao não desculpar, estão a guardar rancor, estão a envenenar os vossos sentimentos. Neste caso, é preferível desculpar, o que não esquecer. Desculpar é a melhor maneira de o/a mandar pregar para outra freguesia, indo ela/ele mais atingida/o que nós. Desculpar não é perder a razão, não aceitar alguém de volta. Desculpar é na verdade ser condescendente para com terceiros. Desculpar pode ser sincero ou como caridade.
Eu desculpo e peco desculpa por caridade, quando raramente o faço. Sei que deveria pedir desculpa mais vezes, não por o que faço, mas por ser orgulhoso ao ponto de manter feridas das discussões com as pessoas que mais amo.
A minha saída de Portugal foi controversa dentro da minha família, ao ponto de me ter afastado de grande parte dela. Por vezes dá-me vontade de pedir desculpa, mas não o faço pois sei que vão interpretar, que eles estavam certos e eu errado. Não. Foi a minha família que falhou comigo, eu nunca falhei com eles. Hoje digo que estava e estou certo e dei o rumo que queria à minha vida, mas um dia irei querer pedir desculpa, não pelas minhas decisões, mas pela guerra que elas causaram. Quando esse dia chegar, só espero ter tempo para o fazer.
Pedir desculpa, deve ser feito, como que um libertação, o primeiro passo para dar outros passos com um sorriso nos lábios.
No meu recente texto, intitulado "Quem és tu?", alguém mencionou uma música. Não sei se foi o texto em si que o lembrou da música ou meu nick, visto que tema se chama "Crestfallen".
Com o desaparecimento deste nick, passo a explicar a razão de ter usado o nick. Aproveitando para o inserir com a actual epidemia do suicídio a nível mundial.
Crestfallen significa, desiludido, de espírito baixo, deprimido.
"Crestfallen" é de facto uma musica do Álbum "Adore" dos "Smashing Pumpkins". Este album chocou os fans da banda, é um álbum negro, deprimido e nada tinha a ver com o estilo da banda na altura. Isto deve-se ao facto do seu autor Billy Corgan ter perdido a mãe, à qual ele era muito ligado e para quem escreveu "For Martha" onde canta:
"If you have to go dont say goodbye
If you have to go dont you cry
If you have to go I will get by
I will follow you and see you on the other side"
Comprei-o quando ele saiu e pouco tempo depois de o ter comprado, perdi também alguém e de um momento para o outro comecei mais do que a perceber a sentir as palavras deste músico. De certa maneira, estava a ouvir algo que eu queria dizer.
Passei muito tempo a acordar com este CD. Chegada a hora programada a aparelhagem ligava e eu acordava ao som dos deprimentes acordes de "To Sheila" e ouvia os versos:
"Twilight fades
Through blistered avalon
The skys cruel torch
On arching autobahn
Into the uncertain divine
We scream into the last divine
You make me real
You make me real
Strong as I feel
You make me real"
Aqui desligava ou mudava de musica. Não ouvia a musica até ao fim, porque era assim a minha vida, acordava nesse "Twilight fade", onde o sol se põe e começa a noite, local onde me escondia e podia evitar a alegria do sol que me deprima, evitando também todos os "bons dias" e inquéritos estúpidos, sobre se eu estava melhor, como se o meu problema fosse uma gripe. A noite era mais simpática para mim e parecia compreender-me melhor. Na noite é mais fácil esconder sentimentos e pensamentos é mais fácil pensar no silencio que ela nos proporciona. Na noite toda a gente tem o mesmo objectivo, passar um bom bocado e tentar sorrir, esquecendo as merdas que se passam enquanto o sol brilha.
Nesta altura, deixei por completo de ouvir a musica chamada "Crestfallen", mas ainda hoje a tenho gravada no meu cérebro. Era sem dúvida aquela, que melhor identificava o turbilhão de sentimentos que me assolava, em versos como:
"Who am I to need you when Im down
Where are you when I need you around
Your life is not your own
And all I ask you
Is for another chance
Another way around you
To live by circumstance, once again
Who am I to need you now
To ask you why to tell you no
To deserve your love and sympathy
You were never meant to belong to me
And you may go, but I know you wont leave
Too many years built into memories
Your life is not your own"
Porque esta letra está mais do que certa. Há sempre a possibilidade de uma segunda chance, mas só enquanto há vida. A morte é quem torna as chances em utopias.
Quem somos nós para precisar de outras pessoas quando estamos em baixo? Porque motivo nos achamos especiais, ao ponto de precisar de "possuir" outra pessoa quando ela tem de partir. Seja qual for o sentido dessa partida.
Nós não somos ninguém para perguntar o que quer que seja, mas perguntamos. Não somos ninguém para exigir e no entanto consciente ou inconscientemente exigimos.
Isto não quer dizer que só damos valor às pessoas quando elas partem. Não. Mas é na partida que percebemos a falta que nos fazem. É nesse momento que nos questionamos, sobre se vale a pena continuar sozinhos, ou deixar tudo e seguir essa pessoa, de maneira física ou espiritual. Só para ter essa segunda chance, de partilhar momentos. Mas não, isso não é solução e tal como se pode ler na letra, "Your life is not your own". É verdade, a minha vida não é minha. A tua vida não é tua. O argumento a favor da suicídio que diz, "a vida é minha e faço o que quero", é dos mais parvos que já ouvi, logo depois de um outro; "o suicídio é colocar um ponto final na dor".
A nossa vida é de quem nos ama e tal como sofremos ao perder alguém, faremos sofrer ao partir. A nossa vida é de todos aqueles que nos amam e que precisam de nós, logo, não é nossa, nós simplesmente a administramos. O suicídio como fim da dor é uma ideia arrogante e egoísta, pois irá causar dor noutras pessoas. A dor é contagiosa, mas o contágio só se dá na perda, na partida. Por isso, quem está triste e desiludido, quem sente que não tem forças para viver, em vez de juntar forças para ter coragem de seguir a pessoa que perdeu, dever ter forças para viver com essa dor e impedir que faça quem o/a ama, sofrer por sua causa, como ele/ela sofre por alguém.
O nick Crestfallen morre aqui. Não é com este nick que quero assinalar um ano de blogue, nem com ele quero dar vida ao novo blogue que irá ser iniciado no início do próximo mês.
Via-a a primeira vez e fiquei fascinado, não foi o corpo, não foi a cara, não foi o cabelo, não foram os olhos, mas algo... O sorriso lembrou-me um passado perdido, lembrou-me alguém.
Ela entrou, sorrio e a sala iluminou-se, já vi isto antes. Não sou de ficar a pensar "e se...", por isso falei com ela, ela falou-me como se me conhecesse. Não me tratou como um estranho, falou-me como se fosse alguém do grupo de amigos dela. A sua voz doeu-me, deu-me um arrepio frio como se estivesse morto, senti-me gelado por segundos, senti um bolo no estomago.
Eu sei que não há duas pessoas iguais, mas há parecidas. Fisicamente nada de parecido, mas há algo, algo de muito familiar naquele miúda, o que será?
Um pouco do olhar, um pouco do sorriso, um pouco da personalidade mas a mesma força, a fome de vida, está lá. Perco-me no olhar dela e prendo-me no seu sorriso, não penso, os meus músculos parecem gelatina, sinto as pernas fracas...
Gostei de a ver mas não a queria ver mais, para não lembrar, mas parece que está em todo o lado, vi-a outra e outra e outra vez.
Querendo, não a quero ver e parece que por isso a vejo em todo o lado. Numa cidade gigantesca onde é possível nos perdemos, vejo-a ao longe no meio da multidão, como se procurasse por ela. Não procurando.
Quem é ela, de onde veio e porque motivo apareceu na minha vida? Não a quero nem posso querer. Não é justo para mim ver nela alguém que ela não é, nem é justo para ela eu estar alí como se ela fosse outra pessoa.
Vejo-Te nela e dá-me vontade de lhe dizer o que nunca Te disse, mas não és Tu... pareces ser.
"Não é ridículo aquilo em que pensamos quando somos jovens? Agora só falto eu :). Parabéns, gostava de te ver em breve, Porta-te mal e beijinho nas gónadas. "
Recebi este curto E-mail hoje, ele foi enviado às 00:05 de Portugal, por a minha melhor amiga. Talvez a única pessoa que me conhece verdadeiramente. Conheci-a no inicio da minha fase auto-destrutiva e vi nela um outro eu.
Este E-mail, parece invulgar, mas é baseado num pensamento recorrente que me lembro de ter desde os 15 anos e partilhado por ela. A ideia de que, seguindo o ritmo de vida que levava, nunca passaria dos 30. Parte da minha mentalidade de não querer envelhecer, mesmo sabendo que se pode envelhecer bem. Não queria ser o avôzinho careca e com reumatismo. Respeito os idosos mas não queria ser um deles.
Esta minha amiga era como eu, pensava que passar dos 30, seria um feito impensável, devido ao estilo de vida que levávamos.
Hoje passei dos 30, será uma vitória? Não! É o tempo que passou e sei que cheguei aqui, porque algures na minha vida mudei o meu rumo.
Ela pergunta se chegará aqui também. Sinceramente não sei, visto que ela ainda está a viver no mesmo ritmo que vivemos juntos e, eu deixei-a sem ninguém para lhe dar um estalo de realidade, sempre que ela precisar. Eu fazia loucuras mas impedia-a de as fazer.
Lembro-me como se fosse hoje, do dia em que a segurei pelo colarinho e, com uma força que não sei onde fui buscar, deixei-a pendurada na berma de um precipício.
Naquela noite, algo me disse para ir ter com ela, deixando a minha namorada numa discoteca. Encontrei-a onde pensava encontrá-la. Estava na escuridão, junto a um farol a chorar. Falei com ela e tudo parecia mais calmo, até que ela se levanta, eu levanto-me e ela salta. Segurei-a não sei como, apesar de ela ser uma Lolita de 1,55 com 48Kg, não era peso para se segurar assim. Esse dia uniu-nos muito mais. Lembro-me de lhe dizer "Se voltas a tentar isto, mato-te".
Ela fez anos ontem e eu não me lembrei. Quando lhe respondi, disse a verdade, que apesar de me lembrar regularmente dela, tinha-me esquecido do seu aniversário. É como dizem, "Entre dois amigos, um é sempre mais amigo que o outro". Por isso decidi dar-nos um presente, eu ofereci-lhe um bilhete de ida e volta e ela presenteia-me com a sua visita. Acho que tenho de a pôr na linha com uns puxões de orelhas, visto que sei que ela ainda só faz merda!
Sempre disse que a distância faz esquecer, pois quando parti fui esquecido por muitos "amigos" que deixaram de contactar comigo, mas pelos vistos parte da culpa é minha, pois deixei que fosse esquecido e esqueci.
Passar dos 30 é para mim, hoje, algo de normal, banal e lógico, mas algo que seria impensável há 10 anos.
Fui um adolescente que queria viver rápido e viver tudo num dia ou melhor numa noite. Vivia de noite, dormia de dia quando dormia (pois as directas eram uma constante) e não percebia bem como tinha boas notas, pois não dava importância a nada de importante. A vida para mim, eram noitadas, mulheres, copos, carros e motas, enfim todos os excessos à excepção de drogas, foram cometidos por mim. Só não usei drogas também, pois queria estar consciente de todos os riscos que tomava, queria sentir a adrenalina de viver no limite, essa sim a droga que quase me impediu por várias vezes de aqui estar hoje.
Gastava dinheiro como se nascesse nas árvores, pois inspirado numa frase da minha avó, que dizia "o dinheiro aparece sempre" e sempre aparecia. Usava mulheres como se não tivessem sentimentos, só porque eu não os tinha por elas. Era perito em arranjar problemas e tornei-me perito em safar-me deles. Quebrei imensas regras sociais e até legais, desobedeci às autoridades sem nunca ser castigado. Os meus excessos fizeram com que tivesse imensos acidentes, dos quais saí sempre sem um arranhão, ao mesmo tempo que enterrava amigos que arriscavam menos a vida. Eu perguntava ao nada, porque motivo eu continuava e eles ficavam.
Ao chegar aos 21 com casa própria, deveria ter ganho juízo, mas nesse mesmo ano, perdi aquela que era a minha ancora e me mantinha em águas calmas, a única pessoa que respeitava quando não me respeitava a mim próprio. Ao perde-la, perdi-me e fiquei como que um barco sem ancora no meio de uma tempestade, simplesmente à espera de naufragar. Ansiando o naufrago que iria permitir o reencontro. Ainda não sei como, me mantive à superfície, mas o que é certo é que um dia acordei de um pesadelo e mudei. Essa mudança, fez de mim quem sou hoje.
Nunca entrei pelas portas que se abriam, preferindo arrombar as que se fechavam. Gastei muito, ganhei muito. Larguei um excelente emprego, por a minha própria empresa. Ganhei mais, fartei-me e mudei de negócio, perdi tudo. Deixei-me cair de novo, pois nada era importante.
Tenho estórias no meu passado que soam a exageros a ficção, estórias que hoje evito contar, pois com o tempo deixaram de ter piada, pois acho que nunca a tiveram e só loucos riam e riem .
O meu passado é hoje, como que um sonho com detalhes de pesadelo.
Nunca poderia ser pai, pois o meu passado retira-me toda a credibilidade para dizer a um filho:
- Não facas isto, ou aquilo - Porque? - Porque eu fiz e tu não deves fazer! - E o que aconteceu? - Hmmm, nada.
A minha adolescência rebelde e inconsciente, durou mais que o normal. Só aos 28 anos, acordei. Ao acordar, mudei. Ao mudar cheguei onde estou hoje. Por isso rio-me de quem cai em depressão por pequenos contratempos impostos pela vida, visto que andei na corda bamba durante anos, sem vara. Por vezes apetecia-me deixar-me cair, mas sempre fui teimoso em dar mais um passo. Passo a passo, errei sempre consciente que estava a errar e essa consciência dava-me um prazer mórbido de fazer ainda pior. Mas, cheguei ao outro lado. O incrível é que do outro lado encontrei recompensas não merecidas pelos meus erros, quando deveria ter encontrado castigos e pagar a minha factura.
Hoje faço 31 anos. Mudei? Agora que termino este texto, já não sei se mudei, ou se me andei a enganar durante anos e só agora sou eu realmente.
Por isso vos deixo e vou festejar. Não sei bem o que se festeja. Não sei se festejamos estar um ano mais próximo da morte ou o facto de ter sobrevivido mais um ano. Pela primeira vez em muitos anos, tenho um motivo para festejar, pois hoje ultrapassei a minha última barreira auto-imposta e de hoje em diante, tudo será mais fácil.
Não devemos viver no passado, não nos devemos alimentar dele, mas não o devemos esquecer.
"Tens de esquecer o passado e seguir em frente", dizem-me quando estou mais abatido por memórias dolorosas.
Mas... para que lado se segue em frente? Será o meu "em frente" o mesmo que o teu? Não é certamente.
Não vivo no passado, mas lembro-o. Lembro para não esquecer. São as lembranças, boas ou más que nos alimentam o presente.
Acho muito mais útil lembrar o passado no presente, do que desperdiçar o presente a pensar no futuro. Acho estúpido pensar no que ainda não aconteceu. O que é importante é o agora e o agora não é mais do que o resultado do nosso passado.
Lembrar os sorrisos, as lágrimas, caras e palavras. Lembrar um amor, a dor, as vitórias e as derrotas. Lembrar o que gostaríamos de repetir e o que gostaríamos de nunca ter visto ou sentido.
Ninguém por só lembrar, vive no passado, acho que essas pessoas são as mais seguras de si, pois não perdem tempo a idealizar o amanhã.
Eu acho que já disse aqui, algo como: "Se a vida são dois dias e um já passou, não há nada de errado em recordar o ontem, pois o amanhã não existe".
PS: Este texto não é mais, do que o resultado do desafio que me foi colocado pela Inês do blogue Anjodemonio. Este desafio consiste em escrever um texto, salientando 12 palavras do nosso vocabulário diário. Acho que escolher 12 que use todos os dias seria ridículo, pois iria resumir-se a "foda-se, café, horário, cala-te, fode-te e dança, trânsito, atrasado, telefone e não tenho tempo", por isso optei por salientar 12 que signifiquem mais do que a palavra em si.
Este desafio é passado automáticamente a quem comentar este texto.
Foi-me proposto nos comentários, por um destabilizador (Rubs), escrever uns textos de tema proposto, por isso aqui vai o primeiro baseado na palavra "Um".
Há dias, em conversa pediram-me para definir Portugal e os Portugueses numa só palavra, sem pensar e nem sei bem porquê, disse "Fado". Depois de o dizer é que comecei a pensar no que disse. Cheguei à conclusão, que nenhuma outra palavra, nos define tão bem.
Digo fado, não como o estilo musical. Digo fado, como o sentimento patente em todos os Portugueses. Poderia ter dito "saudade", por regra geral sermos saudosistas. Temos saudades de um passado perdido, temos saudades dos tempos recentes e chegamos a ter saudades de um futuro incerto. Vivemos em saudade de algo, mas acho que "fado" é uma definição mais correcta.
Somos por natureza pessimistas. Os impostos aumentam, mas poderia ser pior. Os hospitais fecham, mas poderia ser pior. Os aumentos são pequenos, mas poderia ser pior. Se algo acontece que é mau, deixa de ser assim tão mau, pois poderia ser pior.
Somos trágicos, precisamos de sentir, quer seja algo de bom, ou de mau, temos necessidade de nos sentirmos vivos e humanos. Não temos a capacidade de sermos como os nórdicos, cyborgs frios e sem sentimentos, que cumprem ordens cegamente, que seguem regras sem pensar. Nós não, gostamos de perguntar porquê, gostamos de quebrar as regras para ver o que acontece. Fazemos por nos sentirmos mal, pois isso faz-nos sentir Portugueses.
Saudade é tipicamente Português mas fado define o nosso povo bem melhor. Agora, se temos "fado", como palavra, sentimento, musica, canção, porque motivo usamos erradamente a palavra "destino". Usamos "destino", como um ponto a atingir, que pode ser bom ou mau, por seu lado usamos "fado" como algo sempre mau e triste, bonito mas triste.
Alguém que eu conheci aqui na Alemanha, um rapaz de 26 anos, cometeu suicídio na passada sexta-feira. Num local remoto, sem vigilância, colocou-se na linha de metro de superfície e esperou. No seu funeral, ouvi muita gente a falar que era o seu destino, que estava escrito.
Ora bem, se essas pessoas acreditam num Deus grande e bom, como podem aceitar isto como um destino escrito. Qual é o Deus que escreve no destino de uma criança, que seria violada e morta?
Estou a imaginar Deus a escrever o destino de alguém. Ao chegar ao dia 33,568 às 19:55, repara que está quase a começar a final da taça de Portugal e resolve abreviar: "estava a atravessar a estrada e foi atropelada pelo camião do lixo".
Isto cabe na cabeça de alguém? Destino, escrito?
Quem acredita em destino, deveria ficar quieto e não fazer nada, não lutar por nada. Para que lutar, se já está tudo escrito? Quem se torna rico, fez algo por isso, não foi o destino!
Morrer não é destino é Fado! O destino é algo que muda constantemente à medida que vivemos, o fado são todos os obstáculos a transpor, que por vezes não são transpostos.
Se eu quero ir a Portugal, compro um bilhete de avião. Aqui o meu destino é Lisboa, o meu obstáculo a transpor é a viagem. Se o avião cai em Espanha, isso não é o meu destino, é um azar do caralho, ainda por cima em Espanha, como tanto sitio jeitoso para se morrer. Ao morrer eu iria processar a Sra. Dona morte, "desculpe lá, mas o meu destino era Lisboa e não o inferno. Está aqui escrito no bilhete, pode confirmar".
O destino é temporário, pois ao chegar a Lisboa o meu destino muda, para uma praça de táxis, muda para a central de expressos, muda para a minha cidade. Passado algum tempo, o meu destino volta a mudar para Hamburgo. O meu fado é tudo o que acontece pelo caminho.
Não acredito em destino, pois isso tira a alegria de viver. Se a vida já tem um destino escrito, para que raio vivemos? Não devemos nunca viver em função de um destino, mas sim da viagem que é viver. No fim das nossas vidas o que fazemos? Apreciamos o final, ou recordamos o tempo vivido, como fotografias mentais de toda a nossa viagem?
Por algum motivo, se escreveu e muito bem, "tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é fado", este verso usa "fado" não como o estilo musical, mas sim como obstáculos a transpor. O destino, não é mais do que a desculpa fácil, de quem não quer perguntar porquê, pois sabe que não irá obter resposta. Mas, para mim isto não é resposta, prefiro deixar uma pergunta perdida no ar, do que receber uma resposta errada.
Finalmente vi o "Simpsons -The Movie", está giro. Gostei mais do "SouthPark - The Movie".
Ao ver o filme e a relação do Homer Simpson com o porco, lembrei-me do Baltazar.
O Baltazar, era o nome do meu porco de estimação. A minha avó comprou-o quando eu tinha 6 anos. Eu soltava-o e ele andava pela quinta a brincar com os cães, esperava-me ao portão quando eu vinha da escola. Era mais um, dos meus animais de estimação e o meu porco de guarda, pois fazia mais barulho que os cães quando via o carteiro.
O Baltazar cresceu, ficou gigante e eu já não o podia soltar. Sempre que chegava da escola ele fazia imenso barulho, até eu o ir visitar. Adorei aquele porco. Nunca tive fantasias sexuais com um porco como o Homer Simpson mas ele era meu amigo.
1,5 metros e 380Kg mais tarde, chego a casa depois da escola e vejo muita gente lá na quinta. Entro na adega e vejo o meu Baltazar pendurado num gancho e aberto de alto a baixo. Lembro-me de ter ficado petreficado, não conseguia chorar, não me conseguia mexer.
Tinham morto o meu amigo Baltazar.
Já me tinham dito que um dia, isso iria acontecer. Tudo bem, eu aceitava que a minha avó matasse coelhos, galinhas e perus. Esses animais não ficam tão ligados a nós. O Baltazar era diferente, era tão amigo e tão fiel como um cão e apesar de ser um porco, não fazia tanta porcaria como os cães.
Apartir do momento, que uma criança dá nome a um animal e brinca com ele, cria-se uma ligação de amizade. Na verdade tanto eu como o porco eramos crianças e crescemos juntos.
Nessa noite, por volta de 50 canibais da minha familia, reuniram-se para comer o meu Baltazar. Eu era o único a comer frango.
Disse ao meu pai para nunca me dar o Baltazar a comer, provavelmente comi-o mais tarde... Não sei. O que sei é que anos mais tarde, naquela altura em que a malta não comia carne de vaca por causa das vacas loucas. Em janteres de amigos em que pediamos bitoque, eu era o único a comer carne de vaca. Ainda hoje me custa comer carne de porco. Chamem-me louco, mas prefiro arriscar-me com as vacas loucas, do que a comer os meus amigos!
Um homem, gosta de uma mulher. A mulher gosta de um homem. A relação é boa, entendem-se. Estão prontos a dar um mais um passo na sua relação. Qual é esse passo?
Para a maioria dos homens, morar junto com a mulher, seria suficiente, mas a mulher ainda tem uma visão romântica do casamento. Casar de branco com um ramo de laranjeira e viver feliz para sempre. Ele evita o assunto, ela faz questão de falar disso. Casa, casamento, crianças, viverem felizes para sempre...
A primeira vez que o assunto é abordado, começa por uma insinuação por parte da mulher, eu diria em 90% dos casos. 8% das vezes, é por um homossexual e unicamente 2% (se tanto), por um heterossexual mas muito, masoquista.
O único objectivo de um solteiro, é evitar o casamento, o máximo de tempo possível. Namorar sim, até aceitamos partilhar uma casa. Mas, o casamento é último recurso, só se tiver, mesmo, mesmo de ser.
As senhoras que não me massacrem com más interpretações deste curto texto. Mas, é um facto que o homem não vê o casamento com os mesmos olhos. Por mais que ele ame, não vê o casamento como uma necessidade, obrigatoriedade. Antigamente os homens queriam casar, pois era a única maneira de terem sexo, pelo menos mais sexo. Hoje em dia os homens não querem casar, pois sabem que vão ter menos sexo, ou mesmo, nenhum sexo.
O homem não casa por casar. Um homem desiste de fugir e rende-se. Casa quando percebe que é a única maneira de segurar a mulher amada. A mulher então faz dele "prisioneiro de guerra". O homem quando diz, "queres casar comigo", na verdade está a dizer, "pronto, rendo-me!"
Pessoalmente continuo a lutar, a fugir. Unicamente armado com um telemóvel, uma esferográfica e um corta unhas, tenho escapado às armadilhas humanas, colocadas por algumas mulheres, que andam para aí com garras, que parecem catanas capazes de cortar eucaliptos. Ratas poderosas capazes de prender o mais viril dos pénis, tudo isto disfarçado por um corpo de deusa e sorriso inocente...
O homem sente, pode demonstrar menos que a mulher, pois faz parte da sua maneira de ser. É o seu papel ainda primitivo de ser o forte da família, o caçador, o lutador... mas sente.
Existe um Rapper, um dos maiores na Alemanha, com um sucesso incrivel. Foi expulso de casa, morou na rua, viveu num mundo de crime e droga e o Hip Hop tornou-o milionário, mas sem nunca o tirar do seu estilo de vida suicida. É um gajo controverso, agressivo e visto como insensível. Ele foi pai e a namorada deixou-o, desaparecendo com o filho na barriga, criança que só conheceu 6 anos depois, quando após ser famoso e rico, a ex-namorada o deixou aproximar-se do filho.
Ele escreveu uma música, após ter conhecido o seu filho, que foi disco de platina várias vezes. Algo que ninguém esperava de um gajo, que só cantava letras sexuais e violência dos guettos de Berlin.
Não vou traduzir todo o poema, mas sim a estória descrita nele:
"Conheci a tua mãe, enquanto não era ninguém
Não tinha nada, não tinha ninguém só ela estava lá
Morava em casa dela, ela cuidou de mim
Mas percebi que não fazia sentido
Sem prespectivas, o que poderia eu oferecer?
Rapazes como eu, são para as mulher, parasitas
Tinha medo de compromisso era um vádio
Andava sempre com "fantoches" por perto
Discutiamos por isso e o sentimento voou
Acabávamos sempre na cama, nada de diferente
como se uma mulher me podesse salvar
Continuava dia após dia
até ao dia de gritos e choro de desespero
o mundo ruíu,
estava grávida e partiu
És meu filho, amo-te
faço tudo o que posso para que sejas feliz
quero compensar os meus erros
por ti
tu és a minha carne, o meu sangue, um pedaço de mim
Não tinha nada no meu futuro
tinha 19 anos e só o solo por onde andava
era só uma criança, como tu és
a minha mãe expulsou-me de casa
estava perdido e perdi-me
doi-me também te ter deixado também
perdi o teu primeiro passo
perdoa-me
na tua primeira palavra
não estava lá
o teu primeiro cabelo, dente
onde estava eu?
só queria dia após dia que estivesses bem
Hoje tens 6 anos
e eu sou um homem
O destino aproximou-nos
Vi o que era sentir-me feliz
Pois sempre que te tentei conhecer
era-me recusado
caia, derrotado
quase me destruí
Vi que eras um pequeno eu
senti tamanho orgulho
que nunca te deixarei
Quero compensar os meus erros
serei melhor, por ti
Farei tudo por ti
és a minha carne o meu sangue um pedaço de mim
Meu filho, amo-te."
Podemos tentar ser, ou querer parecer uns durões, mas nenhum homem o é. Há sempre algo maior que nós. Um filho, uma mulher, um sentimento. Algo que nos puxa para a realidade. Algo ou alguém, que nos tira do ciclo destrutivo em que voluntariamente nos colocamos.
Mais pessoas do que imaginamos, se colocam na lamina da faca, viver ao máximo, arriscando tudo, pois não procuramos nada. Somos jovens e queremos viver a vida ao máximo, mesmo quando nos aproximamos da nossa destruição ou morte. Parecemos fortes, temos um desejo, sentimos prazer em sofrer, mas há sempre algo que nos salva, algo que nos puxa para a realidade.
Algo que muitas vezes chega tarde demais. Mas quem é salvo a tempo, tenta ser melhor pessoa, tenta fazer mais e melhor, quer seja por sí próprio, ou por alguém.
Só aqui nos tornamos humanos, quando compreendemos que somos como toda a gente, sentimos e deixamos-nos sentir. Indentifiquei-me imenso com este tema, nunca fui pai, mas passei anos em processos destrutivos, vivendo como se morresse amanhã, chegando a arriscar a morte hoje. Motas, carros, álcool, mulheres, jogar roleta russa sem pistola, na noite e escondendo-me do dia. Era um louco alimentado pelo prazer da loucura, admirado por idiotas, imitado por parvos, seguido para maus caminhos, numa sociedade, em que ser louco e irresponsável é atraente e cool...
Este tema significou muito para mim, apesar de não ser apreciador de Hip Hop. Como recuperei, não sei. Um dia acordei uma pessoa diferente, levantei-me, olhei pela janela e vi algo... não sei o que foi, mas fez-me muito bem. Não mudei quem sou, mas mudei o meu rumo.
Aconteceu como era esperado, mas no entanto nunca esperamos que aconteça. Existe dentro de nós um desejo de imortalidade, não pessoal, mas para aqueles que amamos.
Há 9 anos perdi alguém, muito importante para mim. Soube que tinha partido, ao acordar a meio da noite com o som do telefone. Acordei com uma dor no peito. Sabia o que tinha acontecido, sem ser preciso atender. Do outro lado da linha ouvi o meu nome e choros. Apesar de nunca estarmos preparados, já sabia que iria acontecer, mas pelo menos estive lá nas últimas horas, todas as horas e dias em que a minha Deusa esteve acordada.
Passei por uma dor que ainda sinto e nunca me deixará. Algo que nunca pensei voltar a sentir.
Mas voltei.
Acordei sobressaltado a meio da noite. Em minha casa, um silêncio que parecia anormal. Dentro de mim um turbilhão de pensamentos confusos, sentia o estômago apertado, uma dor estranha no peito, toda a casa parecia mover-se. Vomitei tudo o que tinha comido 6 horas antes, pois o meu estômago não se deu ao trabalho de digerir a comida. No meu pensamento uma cara, um sorriso. Na minha cara lágrimas.
"Ela partiu", pensei de imediato. A dor desta vez é agravada por não ter estado lá, por ter perdido o meu tempo longe dela. Por achar que poderia ter feito mais, dito mais, demonstrado mais. Por não lhe ter pegado na mão e dizer "estou aqui".
Tentei tirar este pensamento da minha cabeça, vim ao blogue, respondi a comentários, vi o meu E-mail, tentei normalizar o meu dia e parar de pensar. Aquela ideia estúpida, de que se não pensarmos nos problemas, eles desaparecem por si.
Por volta das 15h, o telemóvel toca. Não atendi. O indicativo +351 soava a tudo o que não queria ouvir. Outro e outro telefonema, sempre números Portugueses... ao finalmente atender disse automaticamente "eu sei", pois não queria ouvir. Do outro lado da linha, senti uma espécie de alívio, por não me terem de dar a notícia em primeira mão.
Há coisas que não se sabe como se sabe, mas sabe-se, pois sente-se!
Ela partiu e eu fiquei em dívida para com ela. Devo-lhe tempo, devo-lhe amor, devo-lhe quem eu sou.
Alguém parte e nós ficamos com uma revolta, sem alvo. Precisamos de culpar algo ou alguém só para nos sentirmos um pouco melhor, pois sem alvo acabamos por nos destruir a nós próprios, culpando-nos por tudo o que não dissemos ou fizemos.
Sempre me deu tudo sem exigir nada, sempre fiz tudo para ela se orgulhar de mim, só por ela estar lá para mim, sempre.
Era a mulher mais forte que conheci, uma verdadeira Lady que sempre me apoiou em todas as minhas decisões, contra tudo e contra todos. Sempre me educou para ser um cavalheiro, pois eles nunca passam de moda. Aquela que foi minha mãe sem nunca me ter parido, mas a responsável pela minha existência e equilíbrio afectivo-emocional. Alguém que lia os meus olhos como ninguém. Alguém que sabia que eu ia adoecer, antes de isso acontecer. Alguém que amava quem eu amava e deixava de amar quando eu deixava. Alguém que me via como a sua razão de viver. Alguém que via em mim, mais do que aquilo que sou. Alguém que se orgulhava das coisas mais simples que fazia. Alguém que não queria partir, sem me ver entregue a uma outra mulher forte, que me desse o mesmo tipo de protecção.
"Uma mulher pode viver uma vida sem um homem. Um homem precisa de uma mulher. Não quero morrer sem te ver casar", dizia-me ela. Uma frase antiquada mas não totalmente incorrecta. "Então isso é óptimo irás viver até aos 100 anos", dizia eu em tom de brincadeira, só para evitar o tema da sua partida.
Eu via as suas palavras, como uma promessa de nunca me deixar. A sua partida é em parte como uma desistência, uma cedência à minha teimosia.
Felizmente ou infelizmente, não sou católico nem religioso, pois se o fosse, por um lado teria um alvo para a minha revolta mas, por outro, tenho a certeza que me tornaria uma pessoa azeda e vingativa contra o auto-denominado "salvador" e o seu pseudo-omipotente pai.
Não me sinto com forças, ou vontade para muito mais, do que arrastar-me por esta fase. Tudo o que posso dizer, é para aproveitarem todo o tempo que têm com as pessoas que amam, pois elas podem partir a qualquer momento sem sinal ou aviso. Sem nos dar tempo de nos redimir-mos ou de pelo menos nos despedirmos.
Partiu como fazem os grande actores, sem anúncios públicos, sem ovação final, sem necessidade de reconhecimento público ou, de pedidos fúteis para que continue. Uma saída modesta pela porta dos fundos, deixando o melhor de si. A memória. Uma saída nobre, de quem sabe que cumpriu a sua missão e pode finalmente descansar.
É mais fácil partir do que ver partir. No entanto, sabendo o que custa perder, que perca eu. Se quem amamos tem de partir, que parta sem dor. Essa dor fico eu com ela. A dor de quem amou, ama e amará sempre.
Escrever de uma forma reflectida e calma, parece tão fácil, quando na verdade só me apetece bater nas teclas aliatoriamente até me cansar. Apetece-me partir tudo à minha volta, só porque posso, mas não sinto forças para me pôr de pé. Apetece-me gritar, quando não consigo pronunciar uma palavra, nem um som. Sinto-me apertado por dentro, como se o meu corpo tivesse encolhido ou os meus órgãos expandido, dando a sensação que vou explodir.
Eu quero escrever algo que me faça sentir melhor, algo que me pareça acertado e que justifique tudo o que sinto. Mas, como sempre, não encontro palavras que façam justiça aos sentimentos. Tenho a certeza que elas não existem, pois há anos que as procuro. Palavras capazes de exorcizar sentimentos ou dor. Então porque será que as procuro? Nem parece meu, buscar utopias, o Santo Graal das palavras...
Nunca gostei de repetir as coisas várias vezes, mas tinha sempre de as repetir pois nunca percebias à primeira. "Eu não sou surda, sou môca", seja lá isso o que for. Acabámos juntos, por perceber que ouvias perfeitamente, mas já era vício perceberes outra coisa:
"Vó, onde está a comida do cão?" "do anão?" "Ó Vó, mas há aqui algum anão?" "do cão?" "Vês como ouviste bem!"
Gostaria de poder, repetir todas as minhas frases, vezes sem conta.
"Vó, se queres ir à cidade, despacha-te que eu tenho de ir trabalhar" "tenho de me pintar" "Para quê?" "Não quero parecer uma velha!" "Mas tu tens 84 anos!" "Mas não pareço ter mais de 70!"
Gostaria de voltar a esperar por ti, o tempo que fosse preciso!
Não te disse "Adeus" nem nunca o irei dizer. No máximo, um "Até breve", pois sei que estás e sempre estarás viva no meu coração, só tenho de saber procurar.
Quando comecei este texto texto, queria escrever "tudo o que significaste para mim" e nem terminei a frase, pois a resposta foi dada na primeira palavra, "Tudo...". O que escrevi além desta palavra, não faz sentido, não tem valor, nem faz justiça ao que sinto por ti.
Um beijo doce e o meu obrigado por teres feito parte da minha vida...